F98.2 — Transtorno de alimentação na infância
- distúrbio alimentar infantil
- transtorno alimentar da infância
- alimentação seletiva patológica
O CID F98.2 designa transtornos de alimentação que surgem na infância e não se explicam por causas orgânicas identificáveis. Geralmente aparecem nos primeiros anos de vida ou na pré-escola, com recusa alimentar, seletividade extrema ou dificuldades marcantes na alimentação que interferem no crescimento, desenvolvimento ou na dinâmica familiar. Não inclui anorexia nervosa e bulimia nervosa (capítulo F50) nem pica (F98.3) quando houver ingestão de substâncias não alimentares. O código cobre apresentações variadas que não se encaixam melhor em outro diagnóstico específico.
Em palavras simples
Receber o código CID F98.2 significa que a equipe identificou um padrão de alimentação na infância que está fora do esperado para a idade e que não tem causa orgânica óbvia. Em palavras simples, trata-se de quando a criança come muito pouco, rejeita a maior parte dos alimentos, aceita só alguns tipos ou leva tempo demais para se alimentar, e isso começa a atrapalhar o crescimento, o peso ou a rotina da família.
Você pode notar que a criança fica irritada na hora da refeição, empurra a comida, chora, não aceita texturas novas ou apenas come um tipo de alimento. Muitas famílias relatam cansaço de repetir refeições, preocupação com a barriga e com o ganho de peso, ou medo ao oferecer outros alimentos depois de experiências ruins (como engasgo). Nem sempre há dor: às vezes o problema é só o comportamento alimentar em si.
O transtorno observado não é contagioso. A gravidade varia: para algumas crianças é algo temporário que melhora com orientações e mudanças na rotina; para outras, quando prolonga e afeta o ganho de peso ou o desenvolvimento, precisa de acompanhamento mais próximo. O tempo de resolução é variável e depende da idade, da gravidade e de como a família e a equipe tratam a situação.
O que vem a seguir geralmente é uma avaliação clínica e acompanhamento. Espera-se registrar peso e altura ao longo do tempo, investigar sinais que poderiam indicar problemas médicos e iniciar medidas para melhorar a rotina das refeições. Em muitos casos há retorno regular ao pediatra, com encaminhamentos para nutricionista ou terapias comportamentais quando indicado. A maioria dos atendimentos é ambulatorial, mas casos com impacto nutricional relevante recebem atenção mais intensiva.
Em casa, observe mudança no percentil de peso, sinais de desidratação, recusa persistente que impede alimentação adequada ou sinais de sofrimento intenso durante as refeições. Procure ajuda se houver perda de peso acentuada, vômitos frequentes, sangramento, dificuldade de deglutição, apatia excessiva ou se as refeições se tornarem fonte de grande estresse familiar. Anote padrões de alimentação e reações da criança para levar na consulta; essas informações ajudam a equipe a entender melhor o quadro.
Quando usar este código
Usa-se este código quando uma criança apresenta padrões de alimentação persistentes, incompatíveis com a fase de desenvolvimento, sem causa orgânica que explique totalmente os sintomas. O CID F98.2 costuma aplicar-se após avaliação que exclui problemas médicos primários (como doenças metabólicas, gastrointestinais ou neurológicas) e quando os comportamentos alimentares comprometem peso, crescimento, interação social ou funcionamento familiar. É um rótulo clínico voltado para episódios que começam habitualmente na infância.
Não confunda com
F98.3 (Pica do lactente ou da criança): difere quando há ingestão repetida de substâncias não alimentares (terra, papel), critério que caracteriza pica e não entra em F98.2. F98.4 (Estereotipias motoras): distingue-se se o problema central são movimentos repetitivos e não preferência ou recusa alimentar; se os movimentos causam dificuldade alimentar, avaliar ambas as categorias. F98.9 : usado quando os sinais não alcançam critérios clínicos definidos para F98.2 ou outros subcódigos; F98.2 exige padrão alimentar dominante que justifica o diagnóstico.
O que é
O transtorno de alimentação na infância refere-se a um conjunto de padrões alimentares anormais emergentes na primeira infância que não se explicam por doença orgânica. Manifesta-se tipicamente como recusa persistente de alimentos, seletividade extrema por textura ou sabor, ingestão insuficiente ou episódios prolongados de alimentação problemática que comprometem ganho de peso, crescimento ou interação social.
Crianças afetadas podem apresentar choro intenso na hora das refeições, resistência a novos alimentos, prolongamento excessivo do tempo de alimentação, ou comportamentos compensatórios familiares que perpetuam a dificuldade. O quadro costuma ser observado por pais, cuidadores e profissionais de saúde em contexto ambulatorial pediátrico.
Sintomas
Principais sinais incluem recusa consistente de alimentos que vai além da neofobia normal, alimentação extremamente seletiva (apenas poucas marcas/texturas), tempo excessivo gasto nas refeições e perda ou ganho insuficiente de peso. Sinais que aparecem cedo são choro intenso, recusa a contato com a boca e dificuldade de transição para alimentos sólidos. Indicadores de agravamento incluem desvio do percentil de crescimento, desidratação, atraso no desenvolvimento e impacto grande na rotina familiar.
Causas
Os mecanismos geralmente combinam fatores neurobiológicos, comportamentais e ambientais. Na prática brasileira, causas comuns envolvem interação entre sensibilidade sensorial (aversão a certas texturas), experiências alimentares negativas precoces (engasgo, vômito), respostas parentais inconsistentes e comorbidades neuropsiquiátricas ou do desenvolvimento. Aspectos psicossociais, como ansiedade familiar durante as refeições, também mantêm o problema. Causas médicas raras devem ser investigadas e descartadas antes da classificação como F98.2.
Como é diagnosticado
O diagnóstico baseia-se em história detalhada da alimentação desde o início dos sintomas, acompanhamento do crescimento e exclusão de causas orgânicas por exame clínico e exames direcionados. Para sustentar F98.2 registra-se padrão persistente de alimentação inadequada que prejudica crescimento, nutrição ou funcionamento, sem outra condição diagnóstica que explique melhor os sinais. Relatos de cuidadores sobre padrões diários, evolução temporal, e resposta a mudanças ambientais sustentam a escolha deste código.
Como costuma ser tratado
O manejo costuma ser multidisciplinar e ambulatorial, envolvendo pediatria, nutrição e apoio psicológico ou terapia comportamental conforme a apresentação. Intervenções focalizam normalizar rotina das refeições, trabalhar exposição gradual a novos alimentos, orientar cuidadores sobre respostas consistentes e monitorar crescimento. Em casos com comorbidade do desenvolvimento ou risco nutricional elevado, o acompanhamento é mais intensivo e pode incluir outras especialidades.
Classes de medicamentos
Medicamentos não são centrais ao diagnóstico; quando há comorbidades (ansiedade, transtornos do sono ou condições neuropsiquiátricas) classes como ansiolíticos, estimulantes ou antidepressivos podem ser consideradas por especialistas, mas não definem o código. Qualquer uso farmacológico visa tratar condições associadas, não o transtorno alimentar primário.
Quando procurar ajuda
Procure avaliação médica quando a criança troca significativamente percentil de crescimento, apresenta sinais de desidratação, queda do interesse por alimentação por semanas, vômitos frequentes, sinais de dor ao engolir, ou quando as refeições causam evitação social e sofrimento familiar. A intervenção precoce facilita recuperação e reduz risco de atraso no desenvolvimento.
Uso em atestado
Ao emitir atestado mencionar descrição clínica objetiva e alterações no crescimento quando presentes. Para perícia, documentar duração dos sintomas, impacto nutricional e intervenções realizadas. O código F98.2 descreve quadro comportamental alimentar da infância e deve ser acompanhado de relato clínico detalhado.
Direitos e benefícios
Direitos dependem da legislação e do contexto (INSS, benefícios assistenciais ou acesso a serviços). O registro do CID em laudo e prontuário fundamenta solicitações administrativas, mas não garante concessão automática de afastamento ou cobertura; cada benefício exige perícia ou análise específica.
Perguntas frequentes sobre F98.2
O que exatamente significa receber o CID F98.2 no laudo?
Significa que a equipe identificou um transtorno de alimentação na infância sem causa orgânica óbvia, com impacto no comer, crescimento ou funcionamento familiar. O laudo deve trazer descrição dos sintomas e duração.
Esse transtorno é contagioso ou causado por má alimentação dos pais?
Não é contagioso. Frequentemente envolve uma combinação de sensibilidade da criança, experiências alimentares precoces e fatores de interação familiar, não sendo mera culpa dos responsáveis.
Vou precisar de exames para confirmar o diagnóstico?
A avaliação costuma incluir acompanhamento do crescimento e exames direcionados para excluir causas médicas quando a história ou o exame físico sugerem. Nem todo caso exige exames complexos.
O código garante afastamento ou tratamento coberto pelo plano de saúde?
O registro do CID não garante automaticamente afastamento nem cobertura; decisões sobre benefícios e autorizações dependem de análise da perícia, do regulamento do plano e da documentação clínica apresentada.
Qual a diferença entre este código e F98.3 (pica)?
Pica (F98.3) envolve ingestão repetida de substâncias não alimentares; se esse comportamento for o principal problema, o diagnóstico é pica, não F98.2.
Com que frequência devo retornar ao médico após o diagnóstico?
A frequência de retorno depende do impacto no crescimento e da resposta às medidas iniciais; o profissional que acompanha definirá os intervalos de revisão.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando a perda de peso ou desvio do percentil exige mudança do código para malnutrição ou outro diagnóstico?
- Quais sinais na história e no exame indicam necessidade de encaminhamento para gastroenterologia ou neurologia?
- Que instrumentos padronizados de avaliação do comportamento alimentar infantil foram aplicados e com que resultados?
- Por quanto tempo o padrão alimentar precisa persistir antes de codificar como F98.2 em contexto ambulatorial?
- Quais comorbidades neuropsiquiátricas foram avaliadas (ex.: transtorno do desenvolvimento) e como influenciam a codificação?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este diagnóstico justifica afastamento laboral dos cuidadores para acompanhamento da criança em perícia previdenciária?
- Que documentação e laudos são necessários para respaldo em processos administrativos ou judiciais sobre tratamento e recursos terapêuticos?
- O registro de F98.2 em prontuário pode subsidiar pedido de adaptações escolares ou apoio educacional especializado?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- A operadora precisa de documentação específica para autorizar terapias multidisciplinares relacionadas a F98.2?
- Quais justificativas clínicas a operadora costuma exigir para custeio de avaliações nutricionais e terapias comportamentais?
- Há exigência de CID complementar ou relatório detalhado para cobertura de consultas de especialidade pediátrica e interconsultas?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F98.0 Enurese de origem não-orgânica
- F98.1 Encoprese de origem não-orgânica
- F98.3 Pica do lactente ou da criança
- F98.4 Estereotipias motoras
- F98.5 Gagueira [tartamudez]
- F98.6 Linguagem precipitada
- F98.8 Outros transtornos comportamentais e emocionais especificados com início habitualmente na infância ou adolescência
- F98.9 Transtornos comportamentais e emocionais não especificados com início habitualmente na infância ou adolescência