F98.3 — Pica do lactente ou da criança

  • pica infantil
  • ingestão de não-alimentos
  • comer objetos não alimentares

O CID F98.3 designa a pica do lactente ou da criança, ou seja, o comportamento persistente de ingerir substâncias não alimentares (terra, papel, cabelo, tinta, etc.) durante a infância. Geralmente surge na primeira infância ou em crianças pequenas e está associado a fatores nutricionais, desenvolvimento neuropsiquiátrico e contexto psicossocial. Não inclui ingestão acidental única, comportamentos culturais normativos ou transtornos alimentares com propósito de perda de peso. Este código identifica o quadro quando o padrão é persistente, inadequado ao nível de desenvolvimento e clínico relevante para codificação.


Em palavras simples

Receber o código CID F98.3 significa que seu filho está apresentando pica na infância: isto é, pegar e comer coisas que não são alimentos, como terra, papel, cabelo, tinta ou pedrinhas, de maneira repetida. O código descreve o comportamento quando ele é persistente e parece fora do que se espera para a idade, e serve para registrar que a equipe avaliou essa situação.

Você provavelmente percebe a criança levando objetos à boca com frequência, mastigando ou até engolindo materiais que não têm valor nutritivo. Além do ato em si, é comum que haja preocupação com sintomas que possam aparecer junto, como barriga dolorida, vômito, fezes alteradas, palidez ou cansaço se houver anemia, e também sinais de atraso no desenvolvimento em alguns casos.

Na maioria das vezes a pica não é contagiosa, e sua gravidade varia: pode ser uma fase curta, mas também pode persistir e causar problemas físicos se o comportamento continuar. Em muitos locais a avaliação inicial é ambulatorial e busca entender se há deficiência nutricional, risco de intoxicação ou obstrução intestinal. Nem sempre é necessário internamento; isso depende do quadro clínico e das complicações.

Após o diagnóstico, é comum que o pediatra solicite alguns exames básicos para checar anemia e possíveis efeitos da ingestão, além de avaliar o desenvolvimento da criança. Você será orientado sobre medidas para reduzir o acesso a objetos perigosos, monitorar sinais de alerta e, quando indicado, encaminhar a terapias complementares. A necessidade de afastamento dos cuidadores do trabalho é avaliada caso a caso e depende da gravidade e do tempo de acompanhamento exigido.

Em casa, observe se a criança apresenta dor de barriga persistente, vômitos, sangue nas fezes, palidez ou cansaço; esses são sinais para procurar atendimento imediato. Registre quando e o que foi ingerido, com que frequência e em que circunstâncias — essas informações ajudam na avaliação. Busque ajuda também se houver sinais de atraso no desenvolvimento, comportamento repetitivo intenso ou se você achar que não consegue controlar o acesso a materiais perigosos.

Quando usar este código

Usa-se este código quando a criança apresenta ingestão repetida e não acidental de substâncias não alimentares por período sustentado, incompatível com a idade, e que motivou avaliação clínica ou registro médico. Não se aplica a episódios isolados, comportamentos culturais aceitos ou ingestão de substância por motivos de curiosidade transitória em idade compatível.

Não confunda com

F50 (Transtornos da alimentação) — separar quando a ingestão é de não-alimentos sem objetivo de controlar peso; se houver preocupação com índice ponderal ou padrões alimentares restritivos, considerar F50. F98.2 (Transtorno de alimentação na infância) — F98.2 refere-se a recusa alimentar e distúrbios de ingestão de alimentos nutritivos; F98.3 refere-se a comer substâncias não comestíveis. F84.0 (Transtorno do espectro autista) — autismo pode coexistir com pica, mas F84.0 é escolhido quando predomina quadro autista; usar F98.3 adicionalmente quando pica for clínicamente significativa. T74/T76 (Abuso/Negligência) — negligência pode favorecer pica mas não a define; use códigos de abuso quando houver evidência e responsabilidade legal.

O que é

Pica infantil é um padrão de comportamento em que a criança ingere repetidamente itens que não são alimentos, como terra, papel, cabelo, giz ou tinta. O comportamento é considerado anômalo quando persiste além de episódios exploratórios esperados para a idade e pode levar a riscos digestivos, tóxicos e infecciosos.

Manifesta-se por pegar e levar à boca objetos diversos, mastigar ou engolir materiais não comestíveis, às vezes escondendo ou colecionando itens. Costuma aparecer em lactentes e crianças pequenas, em especial quando há privação ambiental, atrasos de desenvolvimento ou deficiências nutricionais associadas.

Sintomas

Principais sinais incluem mastigar ou engolir terra, papel, cabelo, cinzas, tinta, pedrinhas ou outros objetos; persistência além da curiosidade normal; recusa em abandonar o comportamento mesmo quando orientada a não fazê-lo. Sinais precoces são exploração oral e levar objetos à boca com frequência; sinais de agravamento incluem ingestão em grande quantidade, presença de complicações como obstrução intestinal, sintomas gastrointestinais persistentes, anemia ou sinais de intoxicação.

Causas

Os mecanismos são multifatoriais: deficiências nutricionais (p.ex. ferro ou zinco) podem aumentar a busca por substâncias não alimentares; fatores neuropsiquiátricos como atraso global do desenvolvimento ou transtorno do espectro autista elevam o risco; e condições psicossociais — cuidado inconsistente, estímulos ambientais pobres ou práticas parentais adversas — também contribuem. No contexto brasileiro, a combinação de vulnerabilidade nutricional e ambientes de baixo estímulo é frequentemente observada na prática clínica.

Como é diagnosticado

O diagnóstico baseia-se em história detalhada que documente ingestão repetida de substâncias não alimentares, avaliação do padrão temporal e exclusão de ingestão acidental ou prática cultural. Avalia-se o impacto clínico: sinais de complicação (anemia, dor abdominal, vômitos, perda de peso) sustentam a codificação. É importante registrar duração e frequência, desenvolvimento neuropsicomotor e contexto familiar para diferenciar de outros códigos do capítulo F.

Como costuma ser tratado

O manejo descrito nos registros envolve avaliação multidisciplinar para identificar fatores nutricionais, médicos e psicossociais; intervenções são frequentemente ambulatoriais e orientadas por equipe pediátrica e de saúde mental. Abordagens incluem correção de déficits detectados, estratégias ambientais para reduzir acesso a objetos perigosos e acompanhamento do desenvolvimento. A duração do esquema terapêutico varia com a resposta e a presença de condições associadas.

Classes de medicamentos

Medicamentos podem ser usados apenas para tratar condições associadas diagnosticadas (por exemplo, anemia detectada ou transtorno psiquiátrico coexistente); não existe uma classe de medicamentos específica para pica isolada. Qualquer farmacoterapia deve basear-se em achados clínicos documentados e avaliação especializada.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação quando a criança ingere repetidamente materiais não alimentares, aparece com dor abdominal persistente, vômitos, sangue nas fezes, perda de peso, sinais de intoxicação ou sinais de anemia (palidez, cansaço). Também buscar avaliação se houver atraso no desenvolvimento, comportamento ritualizado ou se o cuidador não consegue controlar o comportamento em casa.

Uso em atestado

Registros e atestados devem descrever sinais observados, duração do comportamento e exames que justificaram a avaliação; indicar necessidade de acompanhamento e eventuais limitações funcionais. Para perícias, documentar com clareza diagnóstico diferencial e comorbidades associadas, sem inferir automaticamente direito a benefícios.

Perguntas frequentes sobre F98.3

O que exatamente significa receber o código CID F98.3 para meu filho?

Significa que foi registrado um padrão de ingestão repetida de substâncias não alimentares na infância; o código documenta o comportamento para fins clínicos e administrativos.

Isso é contagioso ou pode ser passado para outras crianças?

Não é contagioso; trata-se de comportamento individual associado a fatores nutricionais, de desenvolvimento ou ambientais, não a um agente transmissível.

Quais exames costumam ser solicitados após esse diagnóstico?

Exames para avaliar consequências médicas como hemograma para anemia, testes direcionados se houver suspeita de intoxicação e exames de imagem se houver sinais de obstrução intestinal podem ser pedidos.

O código implica que meu filho terá afastamento da escola?

O código por si só não determina afastamento; decisões sobre frequência escolar dependem da avaliação do risco à saúde, das recomendações médicas e das políticas da escola.

Como se diferencia pica de curiosidade oral normal em bebês?

A distinção considera a idade, a frequência e a persistência do comportamento: pica é diagnóstico quando a ingestão de não-alimentos é repetida, inadequada ao nível de desenvolvimento e clinicamente relevante.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há documentação de duração e frequência suficientes para codificar F98.3 em vez de comportamento exploratório normal?
  • Que exames laboratoriais ou de imagem orientaram a exclusão de complicações como anemia, intoxicação ou obstrução?
  • Há presença de atraso do desenvolvimento ou transtorno do espectro autista que justifique códigos adicionais?
  • O comportamento é melhor explicado por prática cultural local ou por pica patológica incompatível com a idade?
  • Quais intervenções ambientais e educativas foram tentadas antes de mudar o código ou a conduta?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O quadro relatado pode justificar afastamento do trabalho dos cuidadores para acompanhamento médico da criança?
  • Que documentos e laudos são necessários para perícia previdenciária em caso de pedido de auxílio para tratamento prolongado?
  • Em casos com risco alimentar ou toxicológico, qual é o procedimento legal para notificação às autoridades de proteção da criança?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige documentação específica para cobertura de avaliação multidisciplinar em casos de ingestão de não-alimentos?
  • Há restrições ou carências para cobertura de exames laboratoriais ou de imagem relacionados a complicações por pica?
  • O convênio costuma considerar procedimentalmente necessidade de terapia ocupacional ou intervenção de saúde mental para cobertura?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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