F98 — Outros transtornos comportamentais e emocionais com início habitualmente durante a infância ou a adolescência

O CID F98 designa uma categoria de transtornos comportamentais e emocionais que começam habitualmente na infância ou adolescência e que não se encaixam nas categorias vizinhas, como transtornos hipercinéticos (F90), distúrbios de conduta (F91) ou transtornos emocionais específicos da infância (F93). É usado quando há manifestações clínicas relevantes — por exemplo comportamentos perturbadores, sintomas somáticos funcionais ou perturbações do sono — mas sem critérios completos para outro código. Não inclui transtornos com causa orgânica identificada, intoxicação por substâncias ou transtornos do espectro autista, que têm códigos próprios. Trata-se de um rótulo classificatório: descreve o padrão observado, não um único diagnóstico etiológico.


Em palavras simples

Receber o código CID F98 significa que a equipe de saúde observou um padrão de comportamento ou emoções começando na infância ou adolescência que não se encaixa exatamente em outros diagnósticos mais específicos. Não é um nome único de doença, mas uma forma de classificar alterações comportamentais ou emocionais que precisam de atenção. Pode abranger coisas como hábitos persistentes, queixas físicas sem explicação orgânica, problemas de sono ou mudanças comportamentais que atrapalham a vida da criança ou adolescente.

Você provavelmente está sentindo ou vendo sinais como irritabilidade frequente, birras fora do esperado para a idade, queixas físicas recorrentes (por exemplo, dor abdominal ou náusea sem causa médica), sono ruim, isolamento ou dificuldades significativas na escola. Esses sintomas costumam vir acompanhados de estresse familiar, cansaço dos cuidadores, reclamações de professores e, às vezes, queda no rendimento escolar.

Na maioria dos casos, o CID F98 não é uma doença contagiosa nem necessariamente uma condição crônica grave; a duração varia muito: alguns quadros melhoram com intervenções e apoio em semanas ou meses, outros precisam de acompanhamento mais prolongado. O importante é que seja feito um acompanhamento para entender a causa, avaliar riscos e planejar intervenções adequadas.

O que costuma acontecer depois desse registro é uma investigação focada: o médico pede informações detalhadas, pode solicitar exames para descartar causas físicas, usar escalas de avaliação e pedir relatórios escolares. Em geral há encaminhamento para psicologia, terapia familiar ou serviços de saúde mental infantil quando necessário. A necessidade de afastamento escolar ou profissional dos cuidadores depende do impacto funcional e da recomendação do serviço de saúde.

Em casa, observe mudanças no sono, alimentação (por exemplo, “barriga” ou intestino solto sem causa clara), energia (cansaço excessivo) e comportamento social. Procure ajuda rapidamente se houver sinais de autoagressão, fala sobre morrer, agressão grave a outras pessoas, incapacidade de cuidar de si mesmo, ou piora rápida dos sintomas. Se as medidas iniciais não trouxerem melhora, volte ao serviço de saúde para reavaliação e ajuste do plano de cuidado.

Quando usar este código

Usa-se o CID F98 quando a apresentação comportamental ou emocional começa na infância ou adolescência e não preenche os critérios diagnósticos de F90, F91, F93 ou de outras categorias (por exemplo, transtornos de desenvolvimento ou transtornos afetivos bem definidos). Emprega-se tanto em prontuários clínicos quanto em relatórios de perícia ou faturamento quando o quadro principal é comportamental/emocional e permanece inespecífico após avaliação.

Não confunda com

F98 versus F90: F90 (Transtornos hipercinéticos) exige um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade com início precoce e impacto funcional claro; F98 é usado quando esses critérios formais não são preenchidos ou quando predomina outro comportamento não hipercinético.

F98 versus F91: F91 (Distúrbios de conduta) descreve comportamentos socialmente graves e persistentes como agressão ou violação de direitos alheios; F98 abrange manifestações comportamentais menos estruturadas ou atípicas que não configuram distúrbio de conduta.

F98 versus F93: F93 (Transtornos emocionais com início na infância) refere‑se a fobias, ansiedade e reações emocionais que se encaixam em critérios específicos; F98 é aplicado quando há sintomas emocionais ou somáticos sem padrão suficiente para F93.

O que é

O grupo F98 reúne transtornos comportamentais e emocionais de início na infância ou adolescência que não se enquadram nas categorias diagnósticas principais. São apresentações clínicas heterogêneas que podem incluir hábitos persistentes, perturbações do sono, sintomas somáticos funcionais, tiques não específicos ou outros comportamentos problemáticos.

As manifestações variam conforme a idade e o contexto: em crianças pequenas podem predominar birras, autoagressão ou problemas de alimentação; em adolescentes surgem isolamento, condutas de risco atípicas ou dificuldades interpessoais. Frequentemente aparecem em comorbidades com transtornos do desenvolvimento, dificuldades escolares ou fatores psicossociais.

Sintomas

Principais sinais que motivam o uso de F98 incluem padrões comportamentais perturbadores ou repetitivos sem encaixe em outros códigos, alterações do sono sem causa médica identificada, sintomas somáticos funcionais persistentes (como queixas abdominais sem explicação orgânica) e alterações emocionais atípicas. Em idades menores, sinais precoces podem ser irritabilidade excessiva, choro inconsolável ou dificuldades de alimentação; sinais de agravamento incluem autoagressão, isolamento social marcado, queda acentuada do rendimento escolar e risco de danos a si ou a terceiros.

Causas

Os mecanismos associados são multifatoriais: interação entre predisposição individual (temperamento, vulnerabilidade psíquica), fatores familiares (conflitos, adversidade precoce), ambientais (escola, pares) e, ocasionalmente, comorbidades neurológicas ou médicas que complicam o quadro. Na prática brasileira, fatores psicossociais como estresse familiar, violência, privação de cuidados e rupturas escolares são causas comuns que precipitam ou mantêm esses transtornos.

Como é diagnosticado

O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada, observação do comportamento e informações de cuidadores e escola. Este código é sustentado quando a apresentação é predominantemente comportamental/emocional de início pediátrico e quando não são preenchidos critérios de códigos específicos (p. ex. F90, F91, F93). Avaliações complementares visam excluir causas orgânicas, uso de substâncias e condições do desenvolvimento que exigem códigos diferentes.

Como costuma ser tratado

O manejo costuma ser multidisciplinar e personalizado: intervenções psicossociais, psicoterapia focada em comportamento ou regulação emocional, orientação a cuidadores e medidas escolares. O tratamento é predominantemente ambulatorial; programas psicoeducativos e intervenções familiares frequentemente complementam a abordagem. Em casos com comorbidades, plano terapêutico integra cuidados médicos e psicoterápicos.

Classes de medicamentos

Medicamentos podem ser considerados quando há sintomatologia específica que justifique farmacoterapia (por exemplo, distúrbios do sono, transtorno depressivo ou ansiedade com critérios próprios), mas F98 em si não define uma classe medicamentosa única. A prescrição deve seguir avaliação clínica completa e considerar risco‑benefício para a faixa etária.

Quando procurar ajuda

Procurar ajuda médica quando o comportamento ou sintoma causa prejuízo significativo no convívio familiar, na escola ou representa risco de dano físico. Buscar avaliação se houver aumento da frequência ou intensidade dos sintomas, surgimento de autoagressão, ideação suicida, agressividade grave contra terceiros ou perda funcional acentuada. Em ausência de melhora com medidas gerais, considerar encaminhamento a serviços especializados em saúde mental infantil.

Uso em atestado

Em atestados e laudos, descreva signos e limitações funcionais observadas (por exemplo, impacto no rendimento escolar, necessidade de supervisão), prazo recomendado para reavaliação e encaminhamentos. Use linguagem objetiva e evite termos vagos que não permitam avaliação pericial. Registrar instrumentos usados (escalas, relatórios escolares) fortalece a documentação.

Perguntas frequentes sobre F98

O que significa ter o CID F98 no prontuário?

Significa que há um transtorno comportamental ou emocional com início na infância/adolescência que não se enquadra em outras categorias específicas; é uma classificação para orientar avaliação e tratamento.

O CID F98 indica risco de contágio para outras crianças?

Não. Trata‑se de uma classificação clínica, não uma condição infecciosa; o código descreve comportamento ou sintomas, não transmissibilidade.

Preciso de exames quando me dizem F98?

Exames costumam ser feitos para excluir causas médicas ou neurológicas que expliquem os sintomas; a necessidade depende da apresentação clínica e da avaliação inicial.

Esse código permite receber atestado ou afastamento?

O código por si só não garante afastamento; decisões de atestado e benefícios dependem da avaliação funcional e das regras do empregador, seguradora ou sistema de previdência.

Qual a diferença entre F98 e F91 (distúrbio de conduta)?

F91 descreve comportamentos sociais graves e persistentes como agressão e violação de direitos alheios; F98 refere‑se a comportamentos ou sintomas que não preenchem esses critérios específicos.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quando a apresentação comportamental deve migrar de F98 para F90, F91 ou F93 com base em critérios formais?
  • Que instrumentos padronizados (escalas) sustentam a escolha de F98 em laudo pericial?
  • Quais sinais de comorbidade neurológica justificam investigação adicional antes de codificar F98?
  • Por quanto tempo de observação clínica é razoável manter F98 antes de revisar o diagnóstico?
  • Que evidências documentais (relatórios escolares, entrevistas com cuidadores) são necessárias para fundamentar F98 em auditoria?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Em perícia do INSS, quais elementos no prontuário fortalecem pedido de afastamento quando consta CID F98?
  • O uso de F98 em laudos escolares e médicos confere direito automático a adaptações pedagógicas?
  • Como deve ser documentado o impacto funcional para que F98 suporte afastamento temporário em decisão judicial?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Que documentação a operadora costuma solicitar para autorizar terapias psicossociais quando o diagnóstico é F98?
  • A inclusão do CID F98 na guia é suficiente para autorização de consultas com psicólogo/psiquiatra?
  • Como justificar procedimentos não farmacológicos em pedidos de cobertura quando o diagnóstico principal é F98?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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