H81.0 Doença de Ménière
- síndrome de Ménière
- hidropsia endolinfática
Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de tontura, vertigem e labirintite: todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.
Em palavras simples
Receber o diagnóstico ‘Doença de Ménière’ pode gerar confusão; o código indica um problema do ouvido interno em que há episódios de vertigem (sensação de girar), acompanhados de perda de audição que costuma variar, zumbido e sensação de ouvido cheio. Não é uma infecção contagiosa: trata-se de uma alteração funcional do labirinto, que afeta equilíbrio e audição de forma intermitente para muitas pessoas.
Você provavelmente tem episódios de vertigem que podem vir com náusea, tontura intensa e dificuldade para se mover enquanto dura a crise. Entre as crises, a sensação de vazio, zumbido e alterações na audição podem aparecer e às vezes melhorar. A intensidade varia: algumas pessoas ficam impossibilitadas de trabalhar durante uma crise, outras têm apenas desconforto moderado.
Quanto à gravidade, a condição costuma ser crônica e recorrente: pode haver longos períodos com poucas ou nenhuma crise, mas também surtos em que os ataques se repetem. A doença não é contagiosa. O curso é individual: algumas pessoas mantêm audição funcional por muitos anos, outras podem ter perda auditiva progressiva se as crises forem frequentes.
No consultório, o médico vai revisar a história dos episódios, pedir exames como a audiometria e, possivelmente, testes vestibulares; esses exames ajudam a documentar a perda auditiva flutuante e a função do equilíbrio, e são importantes se você precisar de atestados ou encaminhamentos. O tratamento começa por medidas conservadoras e controle dos sintomas; em casos que não respondem, existem opções mais intervencionistas discutidas com o especialista.
Em casa, observe se a vertigem vem com perda súbita da audição, vômitos persistentes, queda ou confusão intensa — nesses casos procure atendimento. Registre a frequência e a duração das crises, a intensidade dos zumbidos e qualquer fator que pareça desencadear os episódios (estresse, alterações da pressão arterial, sal na dieta), pois essas informações ajudam o médico a ajustar o acompanhamento. Se você recebeu atestado, verifique se os dados formais estão corretos (nome, datas, assinatura e número do CRM) e converse com seu empregador sobre o retorno quando estiver capaz.
O que este código significa?
O CID H81.0 designa a Doença de Ménière, uma condição do ouvido interno caracterizada por episódios recorrentes de vertigem rotatória associados a perda auditiva, zumbido e sensação de plenitude auricular. Aparece tipicamente em adultos de meia-idade, podendo ter quadro crônico com crises intermitentes. Não inclui vertigens causadas por lesões centrais, otosclerose isolada ou vertigem paroxística benigna; nesses casos usam-se outros códigos (por exemplo H81.1 ou H81.3). O código refere-se ao conjunto clínico compatível com hidropsia endolinfática primária ou secundária quando a apresentação é típica. A presença de perda auditiva flutuante documentada e episódios vertiginosos repetidos sustenta a escolha deste código.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando o quadro clínico combina vertigem rotatória recorrente com perda auditiva neurossensorial flutuante no mesmo ouvido, frequentemente acompanhada de zumbido e sensação de pressão auricular. O código é apropriado quando a história, o exame otológico e exames audiovestibulares sustentam a hipótese de hidropsia endolinfática e outras causas identificáveis foram excluídas.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
H81.1 (Vertigem paroxística benigna) — distingue-se pela duração e desencadeamento: H81.1 apresenta crises breves, típicas ao mover a cabeça e sem perda auditiva flutuante documentada; H81.0 envolve ataques mais longos e perda auditiva associada. H81.3 (Outras vertigens periféricas) — serve para vertigens periféricas que não preenchem critérios de Ménière nem de vertigem paroxística benigna; escolha H81.0 quando houver o tríade clássica (vertigem, perda auditiva flutuante e zumbido). H81.2 (labirintite) — labirintite costuma implicar quadro agudo e contínuo pós-infecção com déficit vestibular e auditivo persistente; H81.0 refere-se a uma condição episódica recorrente com períodos de recuperação entre crises.
O que é?
A Doença de Ménière é uma afecção do ouvido interno associada à acumulação anormal de líquido (endolinfa) na cóclea e no vestíbulo, chamada hidropsia endolinfática. Clinicamente manifesta-se por episódios reversíveis de vertigem rotatória de intensidade variável, frequentemente acompanhados por perda auditiva neurossensorial flutuante, zumbido (tinnitus) e sensação de pressão ou plenitude no ouvido afetado.
Os ataques podem durar minutos a horas e costumam ocorrer em surtos intercalados por períodos de melhoras, o que torna o impacto variável: algumas pessoas apresentam incapacidade temporária durante as crises, outras têm sintomas mais leves, e a longo prazo pode ocorrer perda auditiva permanente progressiva.
Quais sintomas aparecem?
Principais: vertigem rotatória intensa, perda auditiva neurossensorial flutuante no mesmo ouvido, zumbido e sensação de plenitude auricular. Sintomas que aparecem cedo: sensação de pressão no ouvido e zumbido intermitente, episódios vertiginosos iniciais curtos. Indicações de agravamento: aumento da frequência ou duração das crises, piora documentada da perda auditiva em exames, tontura contínua entre os ataques, náuseas e vômitos persistentes que impedem funções básicas.
O que causa?
O mecanismo fundamental é a disfunção do líquido endolinfático do labirinto, com acúmulo de endolinfa (hidropsia) causando distensão das estruturas sensoriais. Na prática brasileira a causa mais comum é idiopática, sem fator causal identificável; casos secundários podem estar associados a traumas, infecções do ouvido interno, malformações ou alterações imunológicas, mas são menos frequentes. A fisiopatologia envolve perturbação da cóclea e do sistema vestibular que leva às crises e à perda auditiva progressiva quando recorrente.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, fundamentado na história de ataques recorrentes de vertigem rotatória documentados, perda auditiva neurossensorial flutuante e presença de zumbido/ sensação de plenitude no ouvido afetado. Exames que confirmam e sustentam o código incluem audiometria demonstrando perda auditiva neurossensorial preferencialmente flutuante, exames vestibulares (calóricos, VEMP, videonistagmografia) que mostram disfunção vestibular e exames por imagem (ressonância magnética) usados para excluir causas retrococleares. A combinação de achados clínicos e audiovestibulares que seguem critérios para Ménière é o que diferencia este código de outros transtornos vestibulares.
Como costuma ser tratado?
O manejo é normalmente ambulatorial e visa reduzir a frequência e intensidade das crises, controlar sintomas agudos e preservar a audição. Medidas gerais incluem modificações de dieta e hidratação, reabilitação vestibular quando indicada, tratamentos médicos para controlar náuseas e vertigem durante crises e intervenções locais ou cirúrgicas em casos refratários. A escolha do plano terapêutico depende da gravidade, resposta ao tratamento inicial e risco para perda auditiva permanente.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes com uso descrito no contexto incluem antieméticos e medicamentos para controle sintomático da vertigem, agentes que visam reduzir a retenção de líquido (diuréticos) em regimes observacionais, corticosteroides usados em algumas apresentações e agentes vestibulotóxicos aplicados localmente em casos selecionados refratários. A indicação e a escolha específica dependem do quadro individual e devem ser discutidas com o médico responsável.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento se a vertigem for tão intensa que impeça de manter-se em pé, se houver vômitos persistentes, perda auditiva súbita ou piora marcada da audição, ou se houver desorientação prolongada e queda. Também é indicado buscar avaliação quando as crises aumentam em frequência ou duração, pois isso sugere progressão e pode requerer reavaliação diagnóstica e ajuste do manejo.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto, portanto duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Conforme as regras em vigor, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; a partir do 16.º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo emitidos dentro de 60 dias somam para efeito desses 15 dias. Na prática, o perito usa o CID do atestado para verificar se episódios recentes referem-se à mesma condição, por isso o código aparece nos documentos e é relevante para a soma dos períodos.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, estar datado e conter assinatura e CRM do médico. O CID só deve ser anotado com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS. Esses requisitos determinam a validade formal do documento para fins de afastamento.
No caso específico da Doença de Ménière, o curso costuma ser crônico e recidivante, com crises agudas que podem incapacitar temporariamente e períodos de melhora entre os episódios. Por isso, embora muitos atestados cubram episódios agudos, a natureza intermitente e a possibilidade de recorrência tornam relevante a contagem dos 60 dias: episódios repetidos pelo mesmo CID dentro desse período influenciam a transição do pagamento pelo empregador para avaliação pelo INSS. A doença pode justificar afastamentos temporários por incapacidade durante crises, ou apenas observação e registro quando os episódios são leves.
Que direitos este código envolve?
A Doença de Ménière pode levar a incapacidade temporária durante ataques intensos, mas a concessão e extensão de afastamento dependem de avaliação clínica e, a partir do 16.º dia, de perícia do INSS. O atestado médico é o documento inicial para justificar ausência e deve cumprir os requisitos formais para ser aceito pelo empregador ou periciado posteriormente. Registros claros de exames e laudos audiovestibulares ajudam em processos administrativos ou periciais, pois documentam a presença de perda auditiva e disfunção vestibular associados ao CID inscrito no atestado.
Perguntas frequentes sobre H81.0
O CID H81.0 significa que minha perda de audição será para sempre?
Nem sempre; H81.0 descreve um padrão com perda auditiva flutuante que pode progredir ao longo do tempo em alguns casos. A evolução varia e depende da frequência das crises e da resposta ao manejo clínico.
Preciso de exames para comprovar o diagnóstico para o trabalho?
A audiometria e exames vestibulares costumam ser solicitados para documentar perda auditiva e disfunção vestibular; laudos complementares fortalecem justificativas para afastamento ou reavaliação pericial.
A Doença de Ménière é contagiosa?
Não. Trata‑se de uma alteração do ouvido interno e não se transmite entre pessoas.
Quando devo procurar emergência?
Procure ajuda se houver perda súbita de audição, vômitos incontroláveis, incapacidade de ficar em pé ou confusão e queda, pois esses sinais exigem avaliação imediata.
Qual a diferença entre este CID e vertigem posicional?
Vertigem posicional (H81.1) costuma provocar episódios breves desencadeados por movimentos da cabeça sem perda auditiva flutuante; H81.0 envolve ataques mais prolongados com sintomas auditivos associados.
Preciso avisar meu empregador do diagnóstico com CID no atestado?
O CID só deve constar com sua concordância; sem o código o somatório dos atestados para fins de perícia pode ficar prejudicado, portanto discutir a inclusão com seu médico é uma escolha informada.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Em qual ouvido os episódios são típicos e a perda auditiva é flutuante?
- Qual exame audiométrico e vestibular mostra a piora ou flutuação compatível com Ménière?
- Há sinais ou antecedentes que sugiram forma secundária de hidropsia endolinfática?
- Quando devo considerar terapias locais ou encaminhamento para otoneurologia?
- Quais achados justificariam mudar o código para outro transtorno vestibular?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este CID pode fundamentar afastamento por incapacidade temporária em perícia trabalhista?
- Como a documentação audiométrica influencia a avaliação pericial no INSS ou em ação judicial?
- Quais elementos no prontuário e atestados reforçam a ligação entre a doença e a impossibilidade de trabalho?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige laudos audiométricos para autorizar procedimentos relacionados à Doença de Ménière?
- Há necessidade de autorização prévia para tratamentos intervencionistas quando o CID é H81.0?
- Quais documentos a operadora solicita para avaliar cobertura de terapias específicas para vertigem recorrente?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco H80-H83
- OMS — ICD-10, versão 2019 (H81.0)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.