CIDs Med
H60–H95 · Capítulo VIII · Doenças do ouvido e da apófise mastóide
  • vertigem periférica não especificada
  • vertigem labiríntica não classificada

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de tontura, vertigem e labirintite: todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

O código CID H81.3 significa que os médicos identificaram vertigem com origem no ouvido interno ou no nervo do equilíbrio, mas que o caso não se encaixa exatamente nas categorias mais conhecidas, como Doença de Ménière ou Vertigem Paroxística Benigna. Em outras palavras, é um rótulo usado quando há evidência de problema vestibular periférico, mas sem uma causa específica colocada com clareza nos exames ou na história.

Você provavelmente está sentindo uma sensação de rotação ou que o ambiente gira, tontura ao caminhar, instabilidade e possivelmente náusea. Pode haver episódios curtos ou crises mais longas, e às vezes vem junto sensação de ouvido cheio ou zumbido, embora a audição nem sempre seja afetada. Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa; em alguns momentos podem melhorar bastante, em outros serem limitantes.

Quanto à gravidade, H81.3 não é automaticamente uma condição grave nem contagiosa; é uma descrição do local de origem do sintoma. O tempo que dura depende do que está causando a vertigem e da resposta ao tratamento; dois pacientes com o mesmo código podem ter evolução bem diferente. Alguns episódios resolvem com medidas de suporte, outros exigem reabilitação vestibular ou investigação mais aprofundada.

O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação clínica detalhada, eventualmente com exames de função vestibular (como testes de nistagmo, provas calorimétricas ou videonistagmografia) e audiometria se houver queixa auditiva. Pode haver indicação de fisioterapia específica para o equilíbrio (reabilitação vestibular) e orientações para evitar situações de risco durante crises. A necessidade de atestado ou afastamento será avaliada pelo médico conforme sua incapacidade para realizar tarefas laborais.

Em casa, observe se as crises aumentam em frequência ou intensidade, se há vômitos que impedem a hidratação, perda súbita de audição ou surgimento de fraqueza, dificuldade para falar ou visão dupla. Nesses casos procure atendimento com urgência. Para crises moderadas, manter repouso seguro, hidratar-se e evitar movimentos bruscos da cabeça costuma ajudar até a avaliação médica.

Lembre-se de que o código no atestado só entra com sua autorização e que a duração do afastamento é determinada pelo médico que avaliou seu caso. Guardar os atestados e comunicar ao perito do INSS questões relevantes sobre recorrência pode ser importante caso haja necessidade de análise previdenciária futura.

O que este código significa?

O CID H81.3 identifica vertigens de origem periférica que não se enquadram nas subcategorias específicas como Doença de Ménière (H81.0) ou Vertigem Paroxística Benigna (H81.1). Designa episódios de sensação rotatória ou oscilante associados a alterações vestibulares periféricas quando a causa precisa fica fora das definidas nas outras entradas. Aparece quando sinais clínicos e exames vestibulares apontam para comprometimento do labirinto ou do nervo vestibular, mas sem critérios suficientes para categorizar como outra entidade. Não inclui vertigens de origem central (cerebral) nem sintomas exclusivamente psicanímicos sem evidência vestibular. Serve como código quando o diagnóstico é vestibular periférico real, mas etiologia específica permanece indeterminada ou atípica.

Quando este código é usado?

Usa-se H81.3 quando a vertigem tem características clínicas e/ou exames que indicam origem vestibular periférica, porém não cumpre os critérios para outra subcategoria do capítulo H81. É aplicado em prontuários, laudos e guias quando há evidência de disfunção no aparelho vestibular periférico (labirinto ou nervo vestibular) sem diagnóstico definitivo como Ménière, VPPB ou neurite vestibular clássica. O código também aparece quando o médico documenta uma vertigem periférica atípica, multifatorial ou em investigação, para registrar a natureza vestibular do problema sem atribuir um rótulo que não se sustente nos dados disponíveis.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

H81.0 (Doença de Ménière) — Critério de separação: H81.0 exige história de episódios recorrentes de vertigem de duração típica variando de minutos a horas acompanhada de flutuação auditiva progressiva, sensação de plenitude aural ou perda auditiva de baixa frequência; se falta comprometimento auditivo documentado e os episódios são isolados ou atípicos, usar H81.3.

H81.1 (Vertigem paroxística benigna) — Critério de separação: H81.1 é definido por episódios breves e paroxísticos de vertigem desencadeados por movimento cefálico e confirmados por manobra posicional que reproduz nistagmo característico; se a manobra posicional é negativa ou o padrão do nistagmo não é compatível, registrar H81.3.

H81.2 (Neurite vestibular/labirintite) — Critério de separação: H81.2 costuma apresentar início agudo com vertigem intensa contínua e déficit vestibular unilateral objetivo nas provas calorimétricas ou vestibulares; se o quadro for subagudo, intermitente ou não mostrar déficit unilateral claro, H81.3 é mais apropriado.

O que é?

Este código engloba vertigens de origem periférica que não se ajustam às descrições clínicas clássicas de outras entidades vestibulares bem definidas. A vertigem periférica é produzida por alteração do aparelho vestibular periférico — o labirinto e seu nervo — e costuma manifestar-se como sensação de rotação do próprio corpo ou do ambiente, às vezes acompanhada de náusea, vômito, perda de equilíbrio e nistagmo.

Pacientes com este diagnóstico costumam ser adultos, mas pode afetar qualquer faixa etária, dependendo da causa subjacente. A apresentação varia: alguns têm episódios breves e recorrentes, outros um quadro mais prolongado e flutuante; a falta de sinais auditivos ou a apresentação atípica é frequente, razão pela qual se usa a categoria “outras vertigens periféricas”.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas centrais são sensação de rotação (vertigem rotatória), instabilidade ao caminhar e oscilopsia (sensação de que o ambiente se move). Náuseas e vômitos aparecem comumente em crises intensas e podem surgir cedo; a presença de sudorese, palidez ou desmaio sugere intensidade importante. Nistagmo genuinamente periférico (geralmente horizontal rotatório) costuma estar presente, e sua ausência ou padrão atípico pode dificultar o enquadramento.

Sinais de agravamento incluem aumento da frequência e da intensidade das crises, progressão para incapacidade de manter-se em pé, perda auditiva progressiva ou sintomas neurológicos associados (diplopia, fraqueza focal, alteração da consciência) que devem direcionar investigação para causa central ou outra patologia concomitante.

O que causa?

Mecanisticamente, H81.3 reúne situações em que há disfunção do labirinto ou do nervo vestibular sem identificação precisa de uma etiologia única. No Brasil, causas práticas incluem sequelas de infecções virais ou bacterianas que cursaram de forma atípica, processos inflamatórios, exposição a ototóxicos, microtraumatismos de crânio que afetam o ouvido interno, ou alterações degenerativas e isquêmicas do sistema vestibular periférico.

Em muitos casos, a causa exata permanece obscura: o embate entre a apresentação clínica variável e a limitação de exames complementares faz com que o diagnóstico seja funcional—isto é, baseado na constatação de comprometimento vestibular periférico sem rotular a doença específica.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico que sustenta H81.3 baseia-se na correlação entre história clínica compatível com vertigem periférica e achados de exame otoneurológico que apontem para origem periférica, sem critérios suficientes para outras subcategorias. A anamnese detalhada, avaliação do nistagmo com testes posicionais e exames funcionais do sistema vestibular (como vídeo-nistagmografia ou provas calóricas quando disponíveis) suportam a escolha deste código quando mostram comprometimento periférico atípico ou indeterminado.

Exclusão de sinais centrais (por exemplo, déficits neurológicos focais) é parte do processo: se houver indícios de origem central, o código apropriado será outro. O registro clínico deve explicar por que a vertigem é considerada periférica e por que não se classificou em outra subcategoria.

Como costuma ser tratado?

O cuidado é determinado pela intensidade dos sintomas e pela causa subjacente quando identificada. Em geral, medidas de suporte, orientação sobre manobras de posicionamento se houver componente posicional, reabilitação vestibular quando persistem sintomas de desequilíbrio, e controle das náuseas são estratégias empregadas. Quando houver causa tratável identificada (infecção, inflamação, exposição a ototóxicos), o manejo segue essa causa; H81.3 cobre os casos em que não se chegou a essa localização etiológica precisa.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas com uso sintomático incluem antieméticos para náusea e agentes que modulam a atuação vestibular, usados conforme avaliação clínica. Outro grupo relevante é o de medicamentos para controle de inflamação ou tratamento da condição subjacente quando ela for comprovada; a escolha depende da etiologia identificada e da avaliação médica. Este texto descreve classes, não protocolos ou doses.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento quando a vertigem aumenta de intensidade ou frequência, quando houver dificuldade em permanecer de pé ou caminhar, vômitos persistentes que impeçam hidratação, aparecimento de perda auditiva súbita, ou sintomas neurológicos novos como fraqueza, alteração de fala, visão dupla ou confusão. Essas alterações podem indicar evolução do quadro ou outra condição associada que exige avaliação urgente.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto, de modo que duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. A regra dos 60 dias usa o CID do atestado para que o perito do INSS saiba se os episódios são considerados o mesmo motivo clínico e possa somar períodos, razão prática para a presença do código no documento.

Para que o atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; o trabalhador não é obrigado a expor o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos períodos para fins de cobertura previdenciária não pode ser verificada pelo INSS.

Este código, H81.3, descreve episódios vestibulares periféricos que frequentemente têm curso agudo-subagudo ou recorrente sem uma etiologia auditiva claramente definível. Em muitos casos trata‑se de um quadro que melhora com medidas de suporte ou reabilitação vestibular, mas pode persistir como condição intermitente que requer acompanhamento. Por isso o registro do CID é importante para somar afastamentos quando houver recidivas dentro do prazo legal de 60 dias.

Embora a presença de H81.3 não garanta afastamento ou benefício, costuma corresponder a quadros que podem gerar incapacidade temporária para certas atividades laborais, especialmente as que exigem equilíbrio ou exposição a alturas e máquinas. Quando o problema é recorrente, a verificação do CID em atestados sucessivos é relevante para a análise pericial do INSS e para a contagem dos prazos legais mencionados.

Perguntas frequentes sobre H81.3

O que significa receber um atestado com CID H81.3?

Significa que a vertigem foi classificada como de origem periférica no aparelho do equilíbrio, mas sem enquadramento em subtipos mais específicos; é um registro da natureza vestibular do problema.

H81.3 é contagioso ou perigoso para familiares?

Não é contagioso; trata‑se de uma condição do sistema vestibular individual. A gravidade varia conforme os sintomas e a causa subjacente.

Preciso fazer exames para confirmar o CID H81.3?

Exames funcionais do vestibular e audiometria costumam ser solicitados para documentar e excluir outras causas; a escolha depende da apresentação clínica.

Posso ser afastado do trabalho por H81.3?

O afastamento depende da avaliação médica sobre incapacidade para as atividades laborais; a duração é definida pelo médico que examinou e pelo caso específico.

Qual a diferença entre H81.3 e H81.1 na prática?

H81.1 (VPPB) costuma ter crises breves desencadeadas por posição e confirmação por manobra posicional; se não há esse padrão, usa-se H81.3.

O que procurar em casa enquanto aguardo consulta?

Observe aumento da frequência ou intensidade das crises, vômitos persistentes, perda auditiva súbita ou sinais neurológicos; nesses casos procure atendimento imediato.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há déficit vestibular unilateral objetivo nas provas calóricas ou videonistagmografia que explique a vertigem atual?
  • A manobra posicional reproduz nistagmo característico que sugeriria H81.1 em vez de H81.3?
  • Existem sinais auditivos simultâneos (perda auditiva, plenitude aural) que apontariam para H81.0?
  • Há história de trauma craniano, uso de ototóxicos ou infecção recente que possa justificar uma causa identificável?
  • Os episódios são episódicos ou contínuos, e como isso altera a classificação para outra subcategoria?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este quadro e motivo que costuma justificar afastamento laboral prolongado em perícia previdenciária?
  • Como o perito do INSS interpreta atestados sucessivos com CID H81.3 dentro de 60 dias?
  • Quais documentos e exames devo reunir para comprovar incapacidade relacionada a H81.3 em perícia?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano costuma exigir laudos de exames vestibulares específicos para autorizar procedimentos de reabilitação vestibular?
  • A cobertura para exames complementares como videonistagmografia depende de justificativa especializada para vertigem periférica?
  • Há necessidade de autorização prévia para sessões de fisioterapia vestibular quando o diagnóstico é H81.3?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.