H92.0 — Otalgia
- dor de ouvido
- otalgia auricular
- otalgia sem especificação
O CID H92.0 designa otalgia, isto é, a queixa de dor no ouvido. Refere‑se à dor auricular relatada pelo paciente sem especificação imediata de origem por outro código. É usado quando a dor é o sinal principal e ainda não foi atribuída a um diagnóstico mais preciso como otite externa (H60) ou otite média (H66).
H92.0 descreve um sintoma comum que pode aparecer isolado ou acompanhado de secreção, diminuição de audição, zumbido ou febre; não identifica, por si só, a causa ou a unidade anatômica afetada. Não inclui casos já codificados por condições específicas do ouvido ou por dores projetadas com diagnóstico confirmado em outra categoria.
Em palavras simples
Receber o registro “CID H92.0” significa que o que foi anotado no seu prontuário é “otalgia”, isto é, dor no ouvido. Não é um nome de doença específica, mas a forma técnica de registrar que o seu problema principal naquele momento é dor auricular. É um rótulo para a queixa, enquanto a causa exata ainda pode estar sendo avaliada.
Você provavelmente sente um desconforto localizado no ouvido: pode ser uma dor aguda, em pontadas, que piora ao tocar o ouvido, ao mastigar ou ao deitar; pode vir acompanhada de sensação de ouvido tampado, zumbido, ou até secreção. Em crianças, a queixa costuma aparecer com irritabilidade e recusa de alimentar. Nem sempre vem febre, mas pode haver quando há infecção.
Na maior parte das vezes a otalgia não é algo gravíssimo; muitas causas são tratáveis em consultório ou ambulatorialmente e melhoram em dias a semanas. No entanto, quando a dor é muito intensa, vem junto com febre alta, secreção purulenta ou perda rápida da audição, costuma exigir avaliação mais rápida. Algumas situações menos comuns podem precisar de exames e acompanhamento mais prolongado.
Depois do registro H92.0 é comum que o médico realize exame com otoscópio, verifique a presença de inflamação visível, procure sinais de otite externa ou média, e avalie dentes e articulação da mandíbula se houver suspeita de dor referida. Dependendo do achado, podem pedir retorno, exames de imagem ou encaminhamento para especialista. Em muitos casos o paciente recebe orientação para controle da dor e acompanhamento para ver se há evolução ou melhora.
Em casa, observe se a dor piora progressivamente, se aparece febre alta, secreção com mau cheiro ou perda súbita da audição — nesses casos procure atendimento. Se a dor for moderada e melhorar nos primeiros dias, mantenha acompanhamento com o profissional que solicitou o CID H92.0. Se houver dúvidas sobre o diagnóstico ou sintomas que se repetem, procure reavaliação para identificar uma causa específica e o tratamento mais adequado.
Quando usar este código
Usa‑se H92.0 quando a principal informação disponível é a presença de dor no ouvido sem diagnóstico etiológico fechado. Aplica‑se no atendimento inicial, em registros de pronto atendimento, em guias de autorização e em documentos que descrevem a queixa principal antes da confirmação por exame.
Não é apropriado quando há diagnóstico confirmado de otite externa (H60), otite média (H66), lesão do ouvido externo ou interno com código próprio, ou dor referida com causa conhecida documentada em outro capítulo.
Não confunda com
H60.3 — Otite externa aguda: diferenciar por sinais locais de inflamação do conduto auditivo externo (eritema, edema visível no exame otoscópico) e presença de secreção local; se confirmado, codificar H60.x em vez de H92.0.
H66.9 — Otite média não especificada: costuma apresentar dor associada a secreção e alterações no tímpano à otoscopia; quando o diagnóstico de otite média é estabelecido, usar H66.x e não H92.0.
H92.1 — Otalgia reflexa (dor referida) por problema dentário ou cervical: distinguir pela correlação com exame odontológico ou sinais cervicais e pela ausência de achados no ouvido; se origem extrapauricular confirmada, codificar o código da causa primária.
O que é
Otalgia é o termo médico para dor no ouvido, percebida pelo paciente como desconforto em qualquer região auricular — desde o pavilhão auditivo até o meato acústico externo e estruturas próximas. A dor pode ser aguda, latejante, contínua ou em pontadas, e frequentemente motiva busca por assistência.
Manifesta‑se em todas as idades; em crianças é muitas vezes associada à otite média, enquanto em adultos pode refletir doenças do conduto auditivo externo, alterações dentárias, problemas na articulação temporomandibular ou dor referida de pescoço. H92.0 registra a queixa dolorosa quando a causa ainda não foi definida por outro código.
Sintomas
Os sinais mais frequentes são dor auricular unilateral ou bilateral, sensibilidade local ao toque, e às vezes sensação de pressão ou plenitude. Podem acompanhar‑se perda temporária da audição ou zumbido quando há edema ou secreção que interfira na transmissão sonora.
Sintomas que aparecem cedo incluem dor intermitente ou pontadas e irritabilidade em crianças. Indicadores de agravamento incluem dor intensa progressiva, febre alta, secreção purulenta persistente ou sintomas neurológicos associados; estes sugerem que a causa subjacente pode ser grave e exigir investigação imediata.
Causas
Mecanismos que produzem otalgia incluem inflamação direta do ouvido (externa ou média) com estímulo de terminações nervosas, compressão por edema ou acúmulo de secreção, e dor referida por estruturas vizinhas cuja inervação converge com a do ouvido (articulação temporomandibular, dentes, pescoço). No Brasil, as causas mais observadas na prática primária são otite média em crianças e otite externa em adultos.
Outras causas incluem impactação ceruminosa que provoca irritação local, lesões traumáticas do pavilhão auricular, e condições sistêmicas que sensivelmente envolvem nervos cranianos. Em alguns casos, a dor auricular é reflexa a partir de problemas odontológicos ou cervicais sem qualquer alteração otológica propriamente dita.
Como é diagnosticado
O código H92.0 é sustentado pela documentação da queixa de dor auricular como achado principal quando não há diagnóstico etiológico fechado. A anamnese detalhada e o exame otoscópico são centrais: registro de início, padrão da dor, fatores que pioram ou aliviam e sinais locais observados no conduto e tímpano orientam separação para códigos específicos. Se um diagnóstico específico for estabelecido — por exemplo otite externa com sinais compatíveis — o código deve ser substituído pelo correspondente.
Exames complementares não são obrigatórios para declarar H92.0, mas resultados de otoscopia, otomicroscopia, exame odontológico ou de articulação temporomandibular, e testes de imagem quando realizados, sustentam a codificação final quando encaminham para outra categoria.
Como costuma ser tratado
O registro H92.0 não indica um tratamento único: as medidas aplicadas dependem da hipótese clínica levantada e da gravidade. Em geral, cuidados iniciais visam alívio sintomático e proteção do conduto auditivo; quando a causa é identificada, o tratamento segue o protocolo apropriado para essa condição específica, seja local, odontológica ou cirúrgica.
Classes de medicamentos
Para controle da dor associada a otalgia são mencionadas classes analgésicas e anti‑inflamatórias usadas na prática, além de agentes tópicos quando há indicação específica. A escolha da classe depende da causa suspeita e da avaliação clínica; o registro H92.0 por si só não prescreve classe ou regimen.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento se a dor for intensa, progressiva ou acompanhada de febre elevada, secreção purulenta, perda súbita de audição ou sintomas neurológicos (tontura, fraqueza facial). Também deve ser avaliada rapidamente quando persistir além do que se espera para quadros leves ou quando há recidiva frequente, para investigação da causa subjacente.
Uso em atestado
Em atestados, H92.0 descreve a queixa principal (dor de ouvido) e costuma aparecer em documentos provisórios do primeiro atendimento enquanto a investigação está em curso. Para fins de afastamento, a justificativa clínica e o tempo devem constar de acordo com avaliação médica e políticas do empregador ou órgão previdenciário.
Direitos e benefícios
O registro do CID no prontuário é parte do histórico clínico do paciente; direitos sobre sigilo e acesso ao prontuário seguem a legislação vigente. A presença do código H92.0 não cria, por si só, direito automático a benefícios ou afastamentos — decisões dependem de critérios administrativos, periciais e de contrato.
Perguntas frequentes sobre H92.0
O que significa o CID H92.0 no meu atestado?
Indica que a queixa principal registrada é otalgia, ou seja, dor no ouvido, sem definição imediata da causa. Serve para descrever a queixa enquanto se investiga o diagnóstico final.
Otalgia é contagiosa?
A otalgia é um sintoma, não uma doença em si; contágio depende da causa subjacente, por exemplo uma infecção respiratória associada pode ser transmissível, mas a dor isolada não contagia.
Quais exames costumam ser solicitados após registrar H92.0?
O primeiro exame é a otoscopia ou otomicroscopia; conforme o achado, podem ser solicitados exames odontológicos, de imagem ou encaminhamento para otorrinolaringologia.
H92.0 dá direito a afastamento do trabalho?
O código por si só descreve a queixa e não garante afastamento; a necessidade de afastamento depende da avaliação clínica, da gravidade e das regras do empregador ou órgão previdenciário.
Qual a diferença entre H92.0 e H66 (otite média)?
H92.0 é a descrição da dor; H66 indica diagnóstico de otite média confirmado por sinais como alterações no tímpano. Se a otite média for estabelecida, o código específico H66.x é o adequado.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Houve trauma craniofacial recente ou manipulação do ouvido antes do início da dor?
- A dor é contínua ou em crises, e qual é a intensidade e padrão temporal desde o início?
- Existe secreção otorreica, perda auditiva ou sinais objetivos no exame otoscópico?
- Há história de problemas dentários, disfunção temporomandibular ou cirurgia cervical que possa explicar dor referida?
- A dor responde parcialmente a analgésicos e há fatores que a agravam, como mastigação ou pressão sobre o trago?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- O episódio documentado como H92.0 pode justificar afastamento laboral imediato enquanto se investiga a causa?
- Que evidências médicas documentadas sustentam pedido de benefício por incapacidade relacionado à otalgia?
- Como o laudo pericial diferencia incapacidade por dor auricular isolada de incapacidade por condição subjacente já diagnosticada?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige relatório com diagnóstico etiológico final para autorizar procedimentos de otorrinolaringologia?
- Quais exames ou justificativas clínicas o plano costuma solicitar para cobertura de tratamento quando o CID inicial é H92.0?
- O cadastro do CID H92.0 em guia de solicitação deve ser atualizado se, após investigação, o diagnóstico mudar para H60 ou H66?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.