H90-H95 — Outros transtornos do ouvido
- distúrbios auditivos diversos
- outras afecções do ouvido
O que este código significa?
Este bloco reúne transtornos auditivos variados que não foram alocados nos blocos do ouvido externo (H60-H62), ouvido médio e mastoide (H65-H75) ou ouvido interno (H80-H83). Inclui códigos frequentemente procurados para surdez de causas não especificadas, zumbido persistente e outras alterações da condução ou percepção auditiva não detalhadas nos blocos irmãos.
Quando se usa um código deste grupo?
Usa‑se este agrupamento quando a queixa auditiva ou o achado clínico não se enquadra nas categorias específicas dos blocos do ouvido externo, médio ou interno; a partir daqui o usuário deve descer aos códigos individuais H90–H95 conforme exame, história e achados audiológicos.
Com que grupos este se confunde?
Confusão com H60-H62: quando a queixa refere‑se a problema anatômico ou inflamatório do pavilhão auricular ou conduto auditivo — critério que separa é a origem externa visível ou otoscópica.
Confusão com H65-H75: quando há história de otite média, efusão ou perfuração timpânica — critério que separa é o comprometimento do ouvido médio documentado por otoscopia/otoscopia pneumaticidade ou timpanometria.
Confusão com H80-H83: quando predominam alterações do equilíbrio associadas à lesão do ouvido interno ou alterações sensoriais cocleares claramente identificadas em audiometria/eletronistagmografia — critério que separa é a confirmação de lesão coclear ou vestibular.
O que é?
Reúne condições auditivas diversas que afetam a percepção sonora ou a condução sem preencher os critérios diagnósticos dos blocos vizinhos. O agrupamento é funcional: cobre perda auditiva não especificada, zumbido e outros transtornos auditivos residuais ou secundários a causas sistêmicas.
Que queixas costumam cair neste grupo?
Queixas que levam a este agrupamento incluem diminuição da audição sem causa clara, zumbido persistente, sensação de ouvido tampado sem otite média ativa e alterações auditivas relatadas pelo paciente sem correlação imediata com lesão externa ou média.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Os mecanismos variam: perda sensorial neurossensorial não especificada, sequela de infecções ou trauma, distúrbios circulatórios ou metabólicos, efeitos ototóxicos e causas idiopáticas; parte das condições pode ser secundária a doenças sistêmicas ou iatrogênicas.
Como se chega a um código deste grupo?
A classificação dentro do bloco depende do tipo de exame que documenta o problema: audiometria e exames audiológicos para perda auditiva, otoscopia/timpanometria para excluir ouvido médio, exames vestibulares para sintomas de equilíbrio; a especificidade do diagnóstico orienta a escolha do código final.
Como costuma ser tratado?
O manejo varia conforme o diagnóstico: muitas situações são avaliadas ambulatorialmente por clínico geral ou otorrinolaringologista; casos com indicação de reabilitação auditiva, implante coclear ou intervenção cirúrgica seguem referência especializada e fluxos do SUS quando aplicáveis.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes farmacológicas usadas no grupo incluem antiinflamatórios, corticosteroides sistêmicos ou tópicos em situações selecionadas, antibióticos quando há infecção documentada e medicamentos para sintomas como moduladores do equilíbrio; a escolha depende da causa investigada.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento imediato se houver perda auditiva súbita, perda progressiva rápida, vertigem intensa com náusea/vômito ou sinais de infecção otológica com febre e dor intensa.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, conforme o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). É o CID do atestado que o perito usa para verificar se as ocorrências referem‑se à mesma doença, razão prática pela qual o código aparece no documento e que pouca gente conhece.
Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada.
No caso do bloco H90–H95 (outros transtornos do ouvido), trata‑se de condições diversas que frequentemente resultam em sintomas persistentes ou recorrentes — por exemplo perda auditiva não especificada e zumbido persistente — e que, muitas vezes, são acompanhadas e registradas em consultas ambulatoriais mais do que configuram incapacidade absoluta para o trabalho. Por serem quadros que podem reaparecer ou prolongar‑se e por dependerem de avaliação clínica individual, a regra dos 60 dias tem importância especial aqui: sem o CID informado não há como agregar atestados sucessivos que se referem ao mesmo problema e, assim, determinar quem arca financeiramente com o afastamento quando ultrapassado o período inicial mencionado acima.
Que direitos este código envolve?
O enquadramento jurídico depende da natureza da doença (por exemplo, surdez relacionada ao trabalho, neoplasia ou incapacidade). Lei e programas sociais tratam grupos (incapacidade auditiva, acidente de trabalho) e a concessão de benefícios segue avaliação pericial e listas oficiais, não bastando apenas o código CID.
Perguntas frequentes sobre H90-H95
Quando devo escolher H90-H95 em vez de H80-H83?
Use H90-H95 quando a queixa auditiva não for caracterizada por lesão coclear ou vestibular confirmada em exames audiológicos e vestibulares, que direcionariam para H80-H83.
Posso omitir o CID H90-H95 a pedido do paciente no atestado?
A omissão do CID no atestado pode ser feita a pedido do paciente, mas a perícia e alguns processos administrativos ou de benefício podem exigir a informação e exames complementares.
Que exame geralmente decide entre H65-H75 e H90-H95?
A otoscopia e a timpanometria/impedanciometria que documentam efusão, perfuração ou mobilidade timpânica separam as condições do ouvido médio (H65-H75) das demais do grupo.
Quais documentos a perícia costuma pedir para justificar um código em H90-H95?
Relatório otorrinolaringológico, audiometria e outros exames complementares são frequentemente solicitados para detalhar a natureza e a gravidade do transtorno.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco H90-H95
- OMS — ICD-10, versão 2019 (H90-H95)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.