CIDs Med
I00–I99 · Capítulo IX · Doenças do aparelho circulatório
  • úlcera venosa de perna
  • úlcera por insuficiência venosa crônica

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de varizes e insuficiência venosa: todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

Receber o diagnóstico “varizes com úlcera” significa que as veias dilatadas da sua perna contribuíram para uma ferida na pele que não cicatriza sozinha. Na prática, a úlcera costuma aparecer na parte baixa da perna, muitas vezes perto do tornozelo, em um ponto onde a pele já estava mais escurecida ou afinada por problemas de circulação. O termo técnico junta o problema das veias (varizes) com a presença dessa ferida aberta (úlcera).

Você provavelmente sente peso na perna, cansaço ao ficar em pé por muito tempo, e pode ter edema (inchaço) e manchas escuras na pele. Quando a úlcera aparece, há normalmente dor local discreta a moderada, umidade ou secreção da ferida e dificuldade para a lesão fechar. Nem sempre há febre, a menos que exista infecção.

Esse problema não é contagioso. Em termos de gravidade, trata‑se de uma condição que pode ser crônica: a úlcera pode demorar para cicatrizar se a causa venosa não for tratada. O tempo de recuperação varia muito e depende do tamanho da úlcera, do controle da pressão venosa e da presença de infecção ou outras doenças associadas. O médico decidirá sobre afastamento do trabalho com base na sua limitação funcional, não apenas pelo código registrado.

O acompanhamento costuma incluir exame físico, avaliação por ultrassom vascular para ver o fluxo nas veias e cuidados para limpar e proteger a úlcera. É comum haver retornos regulares para troca de curativos e avaliação da cicatrização; em alguns casos, tratamentos direcionados às varizes podem ser propostos para reduzir a pressão venosa e prevenir novas úlceras.

Em casa, observe a aparência da ferida: aumento de tamanho, secreção amarelada ou fétida, formação de crostas espessas, dor que aumenta ou vermelhidão em torno da ferida são sinais de alerta. Elevação da perna quando possível e evitar longos períodos em pé podem aliviar sintomas, mas qualquer mudança ruim na ferida ou febre merece contato com o serviço de saúde sem demora. Se você tem diabetes, doença arterial ou circulação comprometida, informe ao seu médico, pois esses fatores alteram o acompanhamento.

Registre fotos da ferida quando recomendado, guarde anotações de consultas e exames e leve dúvidas específicas ao profissional que acompanha seu caso. O cid anotado no atestado pode influenciar questões administrativas de afastamento, por isso converse sobre o que foi registrado se isso for uma preocupação. O foco do tratamento é fechar a úlcera, reduzir sintomas e evitar recidivas, com acompanhamento até que a pele esteja recuperada.

O que este código significa?

O CID I83.0 designa varizes dos membros inferiores quando associadas a úlcera cutânea na perna ou tornozelo. Aparece em pacientes com doença venosa crônica complicada por perda de integridade da pele, geralmente em região medial do terço inferior da perna. Não inclui varizes sem úlcera (I83.9) nem varizes com inflamação aguda sem úlcera (I83.1). Refere-se ao quadro em que a úlcera é atribuída à patologia venosa de base e normalmente exige registro e acompanhamento específicos. Este código documenta a combinação de insuficiência venosa com lesão ulcerativa visível e curável em contextos ambulatoriais ou hospitalares.

Quando este código é usado?

Use este código quando houver diagnóstico clínico de varizes dos membros inferiores e presença de úlcera cutânea atribuída à circulação venosa comprometida no mesmo membro. O código serve para registrar que a doença venosa crônica levou a perda da pele (úlcera) e é a razão principal do atendimento ou do atestado médico. Não deve ser usado se a úlcera tiver causa arterial, neuropática, traumática direta ou infecciosa primária sem evidência de varizes responsáveis.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

I83.1 — Varizes dos membros inferiores com inflamação: escolhe-se I83.1 quando há tromboflebite superficial ou inflamação venosa predominante sem úlcera aberta; I83.0 exige úlcera visível atribuída à doença venosa. I83.9 — Varizes dos membros inferiores sem úlcera ou inflamação: I83.9 é usado quando há varizes sintomáticas sem lesão ulcerativa; a presença de qualquer úlcera local muda o código para I83.0. L97. — Úlcera de perna, não especificada como venosa: use L97 quando a úlcera não puder ser atribuída claramente à insuficiência venosa (ex.: arterial, neuropática ou mista); a diferenciação baseia-se em achados clínicos e exames vasculares.

O que é?

Varizes dos membros inferiores com úlcera é a situação em que veias superficiais dilatadas e incompetentes contribuem para o desenvolvimento de uma ferida crônica na pele da perna. A insuficiência venosa crônica causa aumento da pressão nas veias da perna, edema e alterações cutâneas que predisponham à ruptura da pele e formação de úlcera.

Manifesta-se tipicamente em adultos de meia-idade ou idosos, com antecedentes de varizes, edemas, mudanças de pigmentação e eventual aparecimento de uma úlcera de difícil cicatrização, frequentemente no terço distal medial da perna. Fatores como sedentarismo, obesidade e história de trombose venosa podem coexistir.

Quais sintomas aparecem?

Os principais sinais e sintomas incluem dor ou desconforto localizado na perna, edema crônico, manchas marrons na pele (hiperpigmentação), prurido ou sensação de peso e, no local, uma úlcera aberta que pode ter secreção, crosta e bordas irregulares. Sinais que aparecem cedo na evolução são sensação de peso, cansaço das pernas e edema que melhora com elevação. Sintomas que indicam agravamento incluem aumento da dor, aumento da secreção ou mau cheiro da úlcera, sinais inflamatorios extensos, sangramento na lesão ou sinais de infecção generalizada como febre.

O que causa?

O mecanismo subjacente é a insuficiência do retorno venoso por incompetência das válvulas venosas superficiais e/ou refluxo, que eleva a pressão venosa periférica, causa extravasamento de líquidos e proteínas para o tecido intersticial e promove alterações inflamatórias que fragilizam a pele. Na prática brasileira, a causa mais comum é a doença venosa crônica progressiva não tratada, muitas vezes associada a fatores de risco como histórico familiar, sobrecarga ocupacional em pé, obesidade e episódios prévios de trombose venosa profunda.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico que sustenta o código I83.0 baseia-se em exame clínico demonstrando varizes e uma úlcera na mesma perna cuja etiologia é compatível com insuficiência venosa. Confirmação habitualmente inclui avaliação da úlcera (localização, aparência, exsudato) e investigação da função venosa por exames de imagem quando necessário, para atribuir a úlcera à patologia venosa e diferenciar de causas arteriais ou neuropáticas. A documentação clínica deve relacionar explicitamente varizes e úlcera para justificar este código.

Como costuma ser tratado?

O manejo deste quadro costuma combinar cuidados locais da úlcera (limpeza, controle do exsudato, proteção da pele) e medidas para reduzir a hipertensão venosa do membro afetado. Tratamento centrado na causa inclui medidas compressivas graduadas quando não há contra‑indicação arterial, orientações para elevação do membro e abordagem das varizes de base por procedimentos ou cirurgia conforme avaliação especializada. O objetivo é promover cicatrização da úlcera, prevenir recidiva e reduzir sintomas associados.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas usadas no contexto incluem analgésicos para controle da dor local, antimicrobianos quando há infecção documentada, agentes que favoreçam a cicatrização tópica e fármacos venoativos em alguns protocolos para reduzir sintomas de insuficiência venosa; a escolha depende do quadro clínico e da avaliação médica.

Quando procurar um médico?

Procurar atendimento se a úlcera aumentar de tamanho, apresentar secreção purulenta, odor forte, sangramento, sinais de infecção local (vermelhidão, calor, dor intensa) ou sinais gerais como febre. Também é indicado retorno se houver piora do edema, dor que limita a mobilidade ou se a ferida não mostra sinais de melhora após o acompanhamento iniciado. Perda súbita de função do membro ou dor muito intensa exige avaliação urgente.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, conforme cada caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Para fins de contagem dos 60 dias, o CID anotado no atestado é usado pelo perito para identificar se os episódios são pela mesma causa.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa conter identificação do paciente, período de afastamento indicado, data do documento, assinatura e número do CRM do médico. O registro do CID só deve constar com anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada administrativamente.

Em casos de varizes com úlcera, o curso tende a ser de condição crônica com episódios de exacerbação enquanto a úlcera estiver ativa; isso faz com que o acompanhamento e o registro sejam importantes, pois o quadro costuma demandar cuidados repetidos e, quando recorrente, a regra dos 60 dias passa a ser relevante para contabilizar afastamentos relacionados ao mesmo problema. A presença de úlcera frequentemente motiva atestados por incapacidade temporária para atividades que agravem o quadro, sendo comum o registro contínuo enquanto houver ferida aberta ou necessidade de tratamento local.

O atestado deve refletir a situação clínica concreta: se houver incapacidade para as atividades habituais por dor, drenagem da lesão ou limitações de marcha, o médico pode registrar o período que julgar adequado. A indicação do CID I83.0 no atestado ajuda a vincular episódios semelhantes para efeitos de contagem dos prazos legais e para que perícias e empregadores compreendam a origem venosa da lesão.

Perguntas frequentes sobre I83.0

O que significa ter o CID I83.0 no atestado?

Significa que o médico identificou varizes na perna associadas a uma úlcera cutânea atribuída à insuficiência venosa. É o registro clínico dessa combinação, usado para fins administrativos e de acompanhamento.

A úlcera é contagiosa?

Não; a úlcera por insuficiência venosa não é contagiosa. A preocupação é a cicatrização e, se houver infecção, essa infecção local pode necessitar de tratamento específico.

O atestado com CID I83.0 garante afastamento pelo INSS?

O CID registrado não garante aprovação do benefício; afastamentos até 15 dias são pagos pelo empregador e do 16º dia em diante o INSS exige perícia para avaliação. A perícia e a situação contratual determinam eventual concessão.

Quais exames são solicitados após esse diagnóstico?

Geralmente solicita‑se ultrassom Doppler venoso para avaliar refluxo ou obstrução, além de avaliação clínica da úlcera; exames de imagem arterial podem ser pedidos se houver dúvida sobre circulação arterial.

Qual a diferença entre I83.0 e I83.1?

I83.0 refere‑se a varizes com úlcera; I83.1 é usado quando há inflamação das veias (tromboflebite superficial) sem ocorrência de úlcera.

Preciso procurar urgência se a úlcera sangrar?

Sangramento local justifica contato rápido com o serviço de saúde, sobretudo se for intenso, contínuo ou acompanhado de tontura ou fraqueza.</p>

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu plano de saúde (2)
  • O procedimento vascular indicado para tratar as varizes é coberto pela operadora neste contrato?
  • Há exigência de autorização prévia para terapia compressiva especializada ou procedimentos de intervenção venosa?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.