M31.3 — Granulomatose de Wegener
- Granulomatose com poliangiite
- Wegener's granulomatosis
- Granulomatous polyangiitis
Em palavras simples
Receber o CID M31.3 significa que os médicos identificaram um tipo de inflamação dos vasos chamada granulomatose de Wegener (também chamada granulomatose com poliangiite). Na prática, isso quer dizer que o sistema imune está atacando pequenos e médios vasos, formando estruturas chamadas granulomas, e isso costuma atingir principalmente o nariz e os seios da face, os pulmões e os rins.
O que você provavelmente está sentindo depende de quais órgãos estão envolvidos. Muitas pessoas têm nariz entupido, crostas, sangramentos nasais de repetição, dor ou sensação de ouvido cheio. Se os pulmões estiverem afetados, pode aparecer tosse, cansaço para respirar, ou até sangue ao tossir. Quando o rim é atingido, pode não haver dor, mas exames de urina mostram sangue ou proteína, e pode haver cansaço maior, inchaço ou menos urina.
Sobre gravidade e contágio: não é uma infecção transmissível; é uma doença autoimune. A gravidade varia: alguns têm quadro mais leve e controlável, outros têm doença mais agressiva que exige tratamento intensivo. A duração também varia: muitas vezes há uma fase inicial mais ativa seguida por período de manutenção; recidivas podem ocorrer, por isso o acompanhamento é contínuo.
O passo seguinte geralmente inclui exames de imagem (radiografia ou tomografia do tórax e dos seios da face), exames de sangue e urina, e possivelmente uma biópsia para confirmar a presença de granulomas e inflamação dos vasos. Os retornos são regulares para ajustar o tratamento e vigiar função renal e pulmonar. Dependendo da gravidade, pode haver necessidade de afastamento do trabalho temporário enquanto o controle é estabelecido.
Em casa, observe sinais de piora como falta de ar nova ou que aumenta, tosse com sangue, diminuição acentuada da urina, confusão, febre alta persistente ou sangramentos nasais que não param. Nesses casos procure atendimento de urgência. Informe a equipe de saúde sobre qualquer novo sintoma, efeitos colaterais de remédios ou sinais de infecção, pois o tratamento que controla a doença pode reduzir a defesa do corpo.
O que este código significa?
O CID M31.3 designa a granulomatose de Wegener, uma vasculite necrotizante de vasos de pequeno e médio calibre caracterizada por inflamação com granulomas, que frequentemente afeta as vias aéreas superiores, pulmões e rins. Aparece quando há evidência clínica e laboratorial de vasculite granulomatosa com manifestações respiratórias e/ou insuficiência renal rapidamente progressiva. Não inclui formas de vasculite sem componente granulomatoso predominante nem outras síndromes de vasculite como poliangeíte microscópica puramente não granulomatosa (M31.7). O código refere-se à entidade com padrão clínico-patológico compatível, sustentado por exames anatomopatológicos, sorológicos e imagem. Serve para classificar casos estabelecidos, não sinais isolados como hemorragia nasal sem investigação.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando o quadro clínico e os exames suportam o diagnóstico de granulomatose de Wegener (granulomatose com poliangiite): sintomas respiratórios superiores ou inferiores combinados com sinais de inflamação vascular e/ou acometimento renal, idealmente confirmados por biópsia com granulomas e/ou sorologia ANCA sugestiva. Não é adequado para quadros sem confirmação ou para vasculite sem granuloma.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M31.7 (Poliangeíte microscópica) — diferencia-se por ausência de granulomas: a poliangeíte microscópica causa vasculite necrotizante pequena que frequentemente acomete rins e pulmões, mas sem granulomas na biópsia e com maior associação a p-ANCA/MPO; a presença de granulomas orienta para M31.3.
M31.2 (Granuloma da linha média letal) — diferencia-se pela localização e evolução: o granuloma da linha média letal envolve predominantemente estruturas da cavidade nasal e faringe com destruição localizada e histórico específico, enquanto M31.3 tem padrão sistêmico com envolvimento pulmonar e renal e evidência histológica de vasculite granulomatosa sistêmica.
M31.8 (Outras vasculopatias necrotizantes especificadas) — diferencia-se pela especificidade diagnóstica: M31.8 é usado quando a vasculopatia necrotizante tem etiologia conhecida ou descrição alternativa; M31.3 exige caracterização como granulomatose de Wegener por achados clínicos e histológicos.
O que é?
Granulomatose de Wegener, atualmente referida também como granulomatose com poliangiite, é uma vasculite sistêmica que provoca inflamação da parede de vasos pequenos e médios, frequentemente formando granulomas. Manifesta-se tipicamente com sintomas nasais (rinite crônica, epistaxe), lesões pulmonares (tosse, hemoptise, nódulos) e acometimento renal que pode cursar com proteinúria ou insuficiência renal.
O quadro costuma ocorrer em adultos e tem apresentação subaguda a aguda; alguns pacientes iniciam com sintomas só da via aérea superior, enquanto outros evoluem com envolvimento pulmonar ou renal. O diagnóstico é feito combinando clínica, exames laboratoriais — inclusive pesquisa de ANCA — imagem e, quando possível, confirmação histopatológica com evidência de vasculite necrotizante e granulomas.
Quais sintomas aparecem?
Sintomas mais frequentes incluem congestão nasal persistente, crostas e sangramentos nasais, sinusites de repetição, tosse seca ou produtiva, falta de ar e hemoptise. Manifestações pulmonares como nódulos ou infiltrados podem causar dor torácica e febre. Sinais de acometimento renal que aparecem cedo ou indicam agravamento são hematúria, proteinúria e redução da função renal, que podem progredir para insuficiência renal. Sintomas constitucionais como fadiga marcada, perda de peso e febre sugerem atividade sistêmica elevada. Lesões cutâneas purpúricas, neuropatia periférica (fraqueza, parestesias) e otite média crônica também ocorrem; aparecimento de hemorragia pulmonar maciça, oligúria ou confusão mental são sinais de gravidade.
O que causa?
A granulomatose de Wegener é considerada uma doença autoimune com resposta inflamatória anormal dirigida à parede vascular, envolvendo células imunológicas que formam granulomas e causam necrose da parede dos vasos. Mecanismos incluem ativação de neutrófilos e produção de autoanticorpos do tipo ANCA (especialmente c-ANCA/PR3), embora nem todos os casos apresentem sorologia positiva. No Brasil, assim como em outras regiões, o padrão mais comum associado é o c-ANCA/anti-PR3, mas a apresentação clínica e a lesão tecidual orientam o diagnóstico.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico deste código apoia-se na convergência de achados clínicos de vasculite granulomatosa com exames complementares: imagem de tórax mostrando nódulos cavitários ou infiltrados, alteração de exames de urina e função renal, sorologia ANCA compatível (principalmente c-ANCA/PR3) e, quando disponível, biópsia de tecido afetado demonstrando inflamação vascular necrotizante com granulomas. Para credenciar o uso de M31.3 é necessário documentar o padrão granulomatoso e vasculítico ou uma combinação clínica- sorológica suficientemente específica; exames isolados sem correlação clínica não sustentam o código.
Como costuma ser tratado?
O tratamento da granulomatose de Wegener é sistêmico e visa controlar a inflamação vascular, induzir remissão e prevenir recidivas, alternando fases de indução e manutenção conforme a evolução clínica. Em muitos casos o manejo envolve medicações que suprimem a atividade autoimune e monitorização próxima de função renal e pulmonar, com acompanhamento por reumatologia, pneumologia e nefrologia para ajustar terapêutica e vigiar efeitos adversos. Algumas apresentações exigem internação para controle de manifestações graves como hemorragia pulmonar ou insuficiência renal aguda.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes frequentemente utilizadas na prática incluem agentes imunossupressores clássicos e agentes biológicos ou moduladores da resposta imune; corticoterapia sistêmica é comumente parte do regime inicial; agentes citotóxicos e terapias direcionadas a alvos imunológicos são usados conforme resposta e tolerância. A escolha entre classes depende da gravidade, órgãos afetados e perfil do paciente, e deve ser decidida por especialista.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento imediatamente ao notar sinais de insuficiência respiratória (falta de ar intensa, respiração rápida, hemoptise abundante), diminuição aguda da diurese ou sinais de insuficiência renal, confusão ou fraqueza súbita, ou sangramentos nasais difíceis de controlar. Consultas programadas são necessárias se houver piora progressiva de tosse, febre persistente, cansaço intenso ou perda de peso inexlicável, pois essas alterações podem indicar atividade da doença ou efeito adverso do tratamento.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, os prazos funcionam assim: até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). A regra dos 60 dias considera o CID constante no atestado como critério para o perito identificar se se trata da mesma doença — é o código que, na prática, permite somar períodos, embora poucas pessoas saibam dessa exigência.
Para que um atestado seja aceito devem constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente: o médico não é obrigado a informar o diagnóstico ao empregador, e sem o código não é possível verificar a soma prevista na regra dos 60 dias.
No caso do CID M31.3 — granulomatose de Wegener (granulomatose com poliangiite) — trata‑se de uma vasculite sistêmica com tendência a curso subagudo a crônico e possibilidade de recidivas, frequentemente com comprometimento respiratório e renal que pode exigir tratamento sistêmico e acompanhamento especializado. Esse quadro pode, em episódios de atividade intensa ou com insuficiência orgânica, levar a limitação temporária da capacidade para o trabalho, mas o enquadramento do afastamento depende da avaliação clínica individual e da perícia quando aplicável. Como a doença pode apresentar recrudescências ao longo do tempo, a regra da soma dos atestados em 60 dias é especialmente relevante para quem precisa de sucessivos atestados pelo mesmo diagnóstico.
Que direitos este código envolve?
Direitos legais relacionados a afastamento, benefícios previdenciários ou reabilitação dependem da legislação vigente e da avaliação pericial; o registro do CID M31.3 em documentos médicos contribui para a análise de incapacidade, mas a concessão de benefícios exige comprovação clínica, documentação e decisão administrativa ou judicial. Questões sobre cobertura assistencial por planos privados dependem do contrato e da autorização prévia dos procedimentos.
Perguntas frequentes sobre M31.3
O CID M31.3 significa que tenho uma doença contagiosa?
Não. Granulomatose de Wegener (CID M31.3) é uma doença autoimune e não é contagiosa; trata-se de inflamação dos vasos sanguíneos causada por reação imunológica.
Como se confirma o diagnóstico do CID M31.3?
O diagnóstico combina a história clínica, imagem compatível, exames laboratoriais como ANCA e, quando possível, biópsia mostrando vasculite necrotizante com granulomas; nenhum exame isolado costuma ser definitivo.
Preciso de atestado para ausência do trabalho quando tenho CID M31.3?
A necessidade de atestado e seu período dependem da gravidade, do tratamento e da avaliação médica perícia; o CID M31.3 deve constar nos documentos que fundamentam o afastamento quando o diagnóstico estiver confirmado.
O CID M31.3 sempre leva à insuficiência renal?
Nem sempre; o rim pode ser afetado em muitos casos e a gravidade varia; monitorização da urina e da função renal é necessária para detectar e tratar comprometimento precoce.
Qual a diferença entre CID M31.3 e M31.7?
M31.3 refere-se à vasculite com granulomas (granulomatose de Wegener), enquanto M31.7 (poliangeíte microscópica) costuma não apresentar granulomas na biópsia; a sorologia ANCA e o padrão histológico ajudam a diferenciar.
Códigos relacionados
- M31.0 Angeíte de hipersensibilidade
- M31.1 Microangiopatia trombótica
- M31.2 Granuloma da linha média letal
- M31.4 Síndrome do arco aórtico [Takayasu]
- M31.5 Arterite de células gigantes com polimialgia reumática
- M31.6 Outras arterites de células gigantes
- M31.7 Poliangeíte microscópica
- M31.8 Outras vasculopatias necrotizantes especificadas
- M31.9 Vasculopatia necrotizante não especificada
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M30-M36
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M31.3)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
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