M31.7 — Poliangeíte microscópica
- PAM
- Microscopic polyangiitis
- Vasculite de pequenos vasos sem granulomas
O CID M31.7 designa a poliangeíte microscópica, uma vasculite necrosante que afeta predominantemente pequenos vasos (capilares, vênulas, arteríolas) sem formação de granulomas. Costuma aparecer com sintomas sistêmicos como febre e cansaço, além de envolvimento renal e/ou pulmonar que pode surgir de forma subaguda. Não inclui vasculites com granulomas (por exemplo M31.3 Granulomatose de Wegener) nem vasculites primariamente de grandes vasos. O código é usado quando há concordância clínica, laboratorial e/ou histológica de vasculite de pequeno vaso compatível com poliangeíte microscópica. Excluir causas secundárias identificadas de vasculite por drogas, infecções ou doenças autoimunes quando houver código específico.
Em palavras simples
Receber o código CID M31.7 significa que os exames e a avaliação médica apontaram para uma inflamação dos vasos sanguíneos pequenos chamada poliangeíte microscópica. Em linguagem simples, trata-se de um processo em que os pequenos vasos que irrigam órgãos importantes, como rins e pulmões, ficam inflamados e podem se prejudicar. Não é uma infecção que “pega” de outra pessoa; é uma reação do sistema imune que afeta os próprios vasos.
Você pode estar sentindo cansaço intenso, febre, perda de peso, dores pelo corpo e manchas roxas na pele (púrpura). Quando os rins são atingidos, é comum notar urina com sangue ou menos urina; quando os pulmões são atingidos pode acontecer tosse com sangue ou falta de ar. Nem todo sintoma aparece junto: às vezes o primeiro sinal é sangue na urina, outras vezes é cansaço ou tosse com sangue.
Sobre gravidade: a doença pode variar. Alguns casos evoluem de forma mais branda e controlável; outros podem progredir rápido e comprometer a função dos rins ou a respiração. Por isso os médicos costumam investigar com rapidez e começar tratamento apropriado. O tempo de tratamento costuma ser prolongado, com uma fase inicial para controlar a inflamação e outra para manter a doença sob controle, e o acompanhamento é de meses a anos conforme resposta e recidivas.
Os passos seguintes costumam incluir exames de sangue e urina, exames de imagem como raio-X ou tomografia do tórax se houver tosse, e possivelmente uma biópsia (por exemplo do rim) para confirmar o diagnóstico. Retornos regulares com nefrologista, pneumologista ou reumatologista são comuns. Dependendo da gravidade, pode haver necessidade de internação no início; em muitos casos o acompanhamento passa a ser ambulatorial depois.
Em casa, é importante vigiar sinais de alerta: piora da falta de ar, tosse com muito sangue, diminuição acentuada da urina, inchaço intenso, febre alta persistente ou confusão mental. Nessas situações procurar emergência. Informe sempre a equipe sobre novos sintomas e leve relatórios e exames às consultas. Evite interromper tratamentos sem orientação médica e esclareça dúvidas sobre efeitos colaterais e necessidade de vacinas ou prevenção de infecções com seu médico.
Quando usar este código
Usa-se este código quando há quadro de vasculite necrosante de pequenos vasos caracterizada por acometimento renal (glomerulonefrite rapidamente progressiva) e/ou pulmonar (hemorragia alveolar) sem evidência de granulomas, frequentemente com ANCA positivo do tipo p-ANCA/MPO ou biópsia compatível. Serve para registros clínicos, laudos e faturamento quando o diagnóstico etiológico primário é poliangeíte microscópica.
Não confunda com
M31.3 (Granulomatose de Wegener): distingue-se pela presença de granulomas necrotizantes em biópsia e frequentemente envolvimento das vias aéreas superiores; M31.7 é sem granulomas mesmo com acometimento pulmonar e renal. M31.1 (Microangiopatia trombótica): separa-se por evidência de trombose intravascular com plaquetopenia e alteração na coagulação, enquanto M31.7 mostra inflamação vascular e frequentemente ANCA positivo sem padrão trombótico primário. M31.0 (Angeíte de hipersensibilidade): diferencia-se pelo quadro temporal relacionado a droga ou antígeno conhecido, por infiltrado perivascular com eosinófilos e por curso frequentemente autolimitado; M31.7 tende a ser sistêmica e persistente sem relação temporal tão clara com exposição.
O que é
A poliangeíte microscópica é uma vasculite sistêmica necrosante que atinge pequenos vasos e costuma provocar danos principalmente nos rins e pulmões, mas pode envolver pele, nervos periféricos e trato gastrointestinal. A inflamação é tipicamente não granulomatosa e pode levar a perda de função renal e hemorragia pulmonar quando mais intensa.
Manifesta-se em adultos, de modo mais comum na meia-idade e em idosos, com apresentação subaguda a aguda. Pacientes relatam sintomas gerais como febre, perda de peso e cansaço, associados a sinais de órgão-alvo como hematúria, insuficiência renal, tosse com sangue e lesões cutâneas purpúricas.
Sintomas
Principais: febre, astenia, perda de peso, dor e fraqueza muscular, púrpura palpável na pele, hematúria e sinais de insuficiência renal, tosse com sangue ou hemoptise por hemorragia alveolar. Sintomas iniciais: febre, mal-estar, dores musculares e cutâneas discretas; hematúria microscópica pode aparecer cedo e indicar acometimento renal inicial. Sinais de agravamento: redução rápida da função renal, insuficiência respiratória por hemorragia alveolar, neuropatia motora progressiva, choque ou sangramentos extensos.
Causas
Mecanismo: resposta imune que leva à inflamação necrosante dos pequenos vasos, frequentemente associada a anticorpos anti-mieloperoxidase (p-ANCA/MPO) que contribuem para ativação de neutrófilos e dano endotelial. Em prática brasileira, a forma idiopática associada a ANCA MPO é a mais frequente; causas secundárias (medicamentos, infecções, neoplasias) devem ser consideradas e excluídas conforme história e exames.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é apoiado por combinação de achados clínicos (sinais de envolvimento renal/pulmonar ou cutâneo), exames laboratoriais (ANCA, função renal, hematúria) e confirmação histológica por biópsia de órgão afetado mostrando vasculite necrosante sem granulomas. A presença de ANCA anti-MPO reforça o diagnóstico, mas a biópsia é o padrão para confirmar que este código é aplicável ao quadro.
Como costuma ser tratado
O manejo envolve controle da inflamação vascular e proteção dos órgãos comprometidos, com esquemas que podem incluir terapia imunossupressora e suporte específico para insuficiência renal ou pulmonar. A maioria dos casos inicia-se em ambiente hospitalar nos episódios graves, com transição para seguimento ambulatorial para manutenção e vigilância de recidivas.
Classes de medicamentos
Classes usadas no tratamento incluem corticosteroides para reduzir inflamação aguda, agentes imunossupressores sistêmicos para indução de remissão e terapias de manutenção que modulam a resposta imune. Em situações de dano renal ou pulmonar grave, terapias adjuvantes que removem autoanticorpos podem ser consideradas segundo avaliação especializada.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento imediatamente em casos de tosse com sangue, falta de ar progressiva, diminuição importante da urina, inchaço súbito nas pernas, confusão ou sangramentos. Buscar avaliação com rapidez também se febre persistente, fraqueza marcante ou sinais de infecção aparecerem durante tratamento imunossupressor.
Uso em atestado
Atestados e laudos devem descrever órgãos afetados, evidências diagnósticas (ex.: biópsia, ANCA) e capacidade funcional atual. Para perícia, indicar fase do tratamento (indução, manutenção), necessidade de cuidados hospitalares e possíveis limitações temporárias para atividades específicas.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da avaliação pericial e da documentação clínica; incapacidade temporária ou permanente deve ser amparada por laudo detalhado. Cobertura por planos e benefícios sociais varia conforme legislação e contrato, sendo necessária documentação completa para requerimentos.
Perguntas frequentes sobre M31.7
O que significa ter o código CID M31.7 no meu prontuário?
Indica que o quadro foi classificado como poliangeíte microscópica, uma vasculite de pequenos vasos que costuma afetar rins e pulmões; é um diagnóstico que requer investigação e acompanhamento especializado.
Isso é contagioso para minha família?
Não é contagioso; trata-se de uma condição autoimune/ inflamatória e não uma infecção transmissível.
O diagnóstico sempre precisa de biópsia?
A biópsia de órgão acometido é o padrão para confirmação, mas em alguns contextos a combinação de sinais clínicos, alterações laboratoriais e ANCA positivo pode ser suficiente para iniciar investigação e tratamento enquanto se aguarda confirmação.
Preciso me afastar do trabalho e por quanto tempo?
A necessidade e duração do afastamento dependem da gravidade, órgãos envolvidos e resposta ao tratamento; isso é avaliado caso a caso pelo médico e pela perícia.
Como este código difere do CID M31.3 (Granulomatose de Wegener)?
A principal diferença é que M31.3 envolve granulomas detectáveis em biópsia e costuma afetar vias aéreas superiores de forma típica, enquanto M31.7 não tem granulomas na histologia.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (6)
- Qual foi o órgão inicial acometido e a sequência de envolvimento orgânico?
- Qual o resultado e a tipagem do ANCA (MPO vs PR3) e como isso altera o raciocínio diagnóstico?
- Há biópsia confirmatória compatível com vasculite necrosante sem granuloma; onde foi feita e qual o resultado histológico?
- Foram investigadas causas secundárias (medicamentos, infecção, neoplasia) e quais exames respaldam essa exclusão?
- Qual a evolução da função renal (tendência da creatinina) desde o início dos sintomas?
- Quais terapias imunossupressoras já foram iniciadas e qual a resposta clínica objetiva?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Qual a previsão de duração do afastamento baseada na fase atual (indução vs manutenção) e documentação disponível?
- Existem laudos ou exames que comprovem redução da capacidade laboral que sustentem pedido de benefício previdenciário?
- Caso haja recidiva ou sequela renal, quais direitos a pessoa pode ter referentes a reavaliação de incapacidade?
- Há necessidade de perícia presencial urgente para manutenção de afastamento ou reabilitação?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
- O procedimento proposto (biopsia, terapia imunossupressora, internação) exige autorização prévia segundo a cobertura contratual?
- Quais documentos e resultados (biópsia, ANCA, imagem) a operadora costuma solicitar para autorizar tratamentos específicos?
- Há prazos de carência ou restrições contratuais que podem impactar autorização de terapias citadas no laudo?
- Quais justificativas clínicas objetivas a operadora considera para negativas por entendimento de tratamento experimental ou fora de diretriz?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- M31.0 Angeíte de hipersensibilidade
- M31.1 Microangiopatia trombótica
- M31.2 Granuloma da linha média letal
- M31.3 Granulomatose de Wegener
- M31.4 Síndrome do arco aórtico [Takayasu]
- M31.5 Arterite de células gigantes com polimialgia reumática
- M31.6 Outras arterites de células gigantes
- M31.8 Outras vasculopatias necrotizantes especificadas
- M31.9 Vasculopatia necrotizante não especificada