N47 — Hipertrofia do prepúcio, fimose e parafimose

  • fimose
  • parafimose
  • hipertrofia do prepúcio
  • estreitamento do prepúcio

Em palavras simples

Este código indica que há um problema no prepúcio, ou seja, na pele que recobre a ponta do pênis. Na linguagem cotidiana, pode ser chamado de fimose quando essa pele está estreita e não deixa a cabeça do pênis (glande) ficar descoberta, ou de parafimose quando a pele, depois de puxada para trás, fica presa e causa inchaço. Hipertrofia do prepúcio significa apenas que há excesso de tecido que dificulta a exposição do glande.

Você provavelmente percebeu dificuldade para limpar a região, acúmulo de muco (esmegma), mau cheiro, ou desconforto ao tentar expor a glande. Em alguns casos há dor ao puxar a pele, vermelhidão e crises repetidas de inflamação local. Se ocorreu parafimose, a queixa suele ser dor intensa e inchaço após a pele ter sido colocada para trás e não voltar sozinha.

Na maioria dos casos a condição não é grave se avaliada e tratada a tempo; não é uma doença contagiosa. A duração varia: algumas crianças têm fimose fisiológica que melhora com o tempo, enquanto fins adquiridos por infecção ou cicatriz podem persistir até tratamento. Parafimose é uma situação que pode evoluir rápido e precisa de avaliação urgente.

O caminho habitual inclui exame clínico pelo profissional, orientações para higiene e eventuais tratamentos locais caso haja inflamação. Em episódios recorrentes ou quando há dificuldade significativa, pode ser proposta uma intervenção ambulatorial ou cirúrgica; o cronograma e a necessidade dependem da gravidade e da avaliação médica. Em geral você terá retorno para reavaliação e acompanhamento após qualquer procedimento.

Em casa, observe dor intensa, aumento do inchaço, cor arroxeada da glande, febre ou dificuldade para urinar — nesses casos procure atendimento sem demora. Se os sintomas forem leves, registre quando começaram, se houve episódios anteriores e se há secreção ou odor, pois essas informações ajudam o médico a decidir o melhor tratamento.

O que este código significa?

O CID N47 designa alterações do prepúcio que levam à sua hipertrofia, ao estreitamento (fimose) ou ao aprisionamento do glande atrás do anel prepucial (parafimose). Aparece quando o prepúcio não pode ser adequadamente retraído sobre o glande ou quando a retração provoca aprisionamento e edema. Inclui tanto formas congênitas quanto adquiridas por inflamação, cicatriz ou balanopostite repetida. Não engloba lesões neoplásicas do pênis nem problemas exclusivamente da glande classificados em outros códigos. O código cobre o quadro clínico, não procedimentos cirúrgicos realizados para corrigi‑lo.


Quando este código é usado?

Usa‑se este código quando o registro clínico descreve hipertrofia do prepúcio, fimose ou parafimose como diagnóstico principal, seja por dificuldade crônica de retração, episódios de aprisionamento com edema ou relato de estreitamento sintomático. Deve ser escolhido quando a queixa e o exame físico documentam limitação prepucial que justifica avaliação, seguimento ou intervenção específica. Sinais secundários como infecção local podem aparecer, mas o código refere‑se principalmente à alteração anatômica/funcional do prepúcio.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

N40 (Hiperplasia da próstata) — separa‑se por topografia e sintomas: N40 refere‑se a aumento prostático com sintomas urinários de nível prostático (hesitação, jato fraco, noctúria) enquanto N47 refere‑se a alteração prepucial com dificuldade de exposição do glande e sinais locais.

N45 (Orquite e epididimite) — diferencia‑se porque N45 descreve inflamação do epidídimo ou testículo com dor escrotal, febre e sinais inflamatórios do cordão espermático; N47 refere‑se a problema do prepúcio e não ao conteúdo escrotal.

N48.8 (Outras afecções especificadas do órgão genital masculino) — usar N48.8 quando a alteração não corresponder a fimose/parafimose ou hipertrofia prepucial típica; N47 exige descrição de fimose, parafimose ou hipertrofia prepucial no registro.

O que é?

Fimose é a condição em que o prepúcio está estreito ou preso, impedindo ou dificultando a retração total sobre o glande. Pode ser congênita, comum na infância, ou adquirida em qualquer idade por inflamação, cicatrização ou doenças dermatológicas. Parafimose ocorre quando o prepúcio retraído não volta à posição inicial, aprisionando o glande e podendo causar edema e dor.

Hipertrofia do prepúcio descreve aumento do tecido prepucial que sozinho ou em associação com anel fibroso pode dificultar a exposição da glande. As manifestações vão desde discreta dificuldade de higiene até dor, infecção local e, raramente, comprometimento vascular do pênis na parafimose.

Quais sintomas aparecem?

Principais: dificuldade para retrair o prepúcio, dor ao tentar expor a glande, acúmulo de esmegma, odor e irritação local. Sinais precoces incluem limpeza dificultada e episódios recorrentes de balanopostite; sintomas que indicam agravamento são edema marcante da glande, dor intensa após retração involuntária do prepúcio (parafimose), retenção urinária ou sinais de infecção sistemica.

O que causa?

Os mecanismos incluem anel prepucial congênito mais estreito, cicatrização por balanopostite repetida ou trauma, alterações dermatológicas (psoríase, liquen escleroso) que provocam fibrose, e hipertrofia do tecido prepucial por inflamação crônica. No Brasil, as causas mais frequentes são balanopostite recorrente e cicatrização de lesões infecciosas ou traumáticas que levam ao estreitamento do anel prepucial.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia‑se na história e exame físico genital documentando a impossibilidade ou dificuldade de retração do prepúcio (fimose) ou o aprisionamento do glande após retração (parafimose). Registra‑se extensão da retração, presença de edema, hiperemia, esmegma, sinais de infecção e qualquer comprometimento urinário. A confirmação para este código exige descrição explícita do prepúcio ou do episódio de aprisionamento no prontuário; exames complementares raramente são necessários para classificar o diagnóstico, sendo utilizados quando há suspeita de causa associada (p. ex. doença dermatológica) ou complicação.

Como costuma ser tratado?

O manejo varia com a gravidade: medidas conservadoras e cuidados locais para higiene e tratamento de balanopostite em fases iniciais; procedimentos ambulatoriais ou cirúrgicos quando há anel fibroso persistente, hipertrofia significativa ou episódios recorrentes. Parafimose com edema e dor é situação de prioridade para redução do aprisionamento; a escolha do procedimento depende da duração e da gravidade do aprisionamento.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica quando há dor persistente ao tentar retrair o prepúcio, dificuldade crescente para exposição da glande, secreção ou mau odor, sangramento ou sinais de infecção (vermelhidão quente, febre), ou quando ocorre aprisionamento com edema e incapacidade de recolocar o prepúcio, pois a parafimose pode evoluir rapidamente.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Quanto ao funcionamento prático: até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3º); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são computados em conjunto para esse período de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Na aplicação dessa regra dos 60 dias, o CID do atestado é o dado que o perito usa para saber se se trata da mesma doença — por isso o código presente no atestado tem papel prático no somatório, mesmo que pouca gente saiba disso.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. O CID só entra no documento com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos períodos dentro de 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

No caso do CID N47, o quadro pode apresentar formas agudas, como parafimose com edema e dor que demandam redução imediata, e formas crônicas ou recorrentes, como fimose por anel fibroso ou hipertrofia do prepúcio que levam a episódios repetidos de balanopostite e dificuldade de higiene. Na maioria dos casos trata‑se de acompanhamento ambulatorial ou de procedimentos locais, e nem sempre resulta em incapacidade para o trabalho; porém, episódios agudos que causem dor intensa, edema importante ou retenção urinária podem justificar afastamento. Quando a condição é recorrente, a regra dos 60 dias é particularmente relevante, porque atestados sucessivos com o mesmo CID podem ser somados para efeitos do período inicial pago pelo empregador.

Perguntas frequentes sobre N47

O que significa receber o código CID N47 no meu prontuário?

Significa que foi registrado um problema relacionado ao prepúcio, como fimose, parafimose ou hipertrofia prepucial, com descrição clínica que justifica acompanhamento ou tratamento.

A condição é contagiosa?

Não; fimose e hipertrofia do prepúcio não são doenças transmissíveis. Infecções associadas podem ter transmissibilidade dependendo da causa, mas o código em si refere‑se à alteração anatômica.

Vou precisar de cirurgia sempre que sair esse código?

Nem sempre. Muitas situações são manejadas com cuidados locais ou tratamentos conservadores; a indicação de procedimento depende da gravidade, recorrência e impacto funcional, avaliado pelo profissional.

O que devo fazer se meu prepúcio ficar preso e a glande inchar?

Procure atendimento médico de urgência, pois a parafimose com edema pode precisar de redução imediata para evitar complicações. Explique claramente quando o episódio começou e se tentou recolocar a pele.

O CID N47 é o mesmo que problema na próstata?

Não. Problemas prostáticos usam códigos como N40. CID N47 refere‑se especificamente ao prepúcio e à impossibilidade de retração ou aprisionamento do glande.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual a extensão da retração do prepúcio e há presença de anel fibroso palpável?
  • Há sinais de balanopostite, secreção purulenta ou lesões dermatológicas associadas que expliquem fimose adquirida?
  • Houve episódios prévios de parafimose ou tentativas prévias de redução e qual foi o resultado?
  • Existe retenção urinária, disúria ou alteração do jato urinário que indique complicação?
  • A condição parece ser por liquen escleroso ou outra dermatoses que exija biópsia?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O episódio de parafimose com necessidade de procedimento emergencial pode fundamentar pedido de afastamento por motivo de saúde?
  • Em perícia, quais documentos clínicos e temporais são necessários para comprovar incapacidade por fimose complicada?
  • A cirurgia corretiva (ex: postectomia) é considerada evento causador para estabilidade ou insalubridade em contexto ocupacional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige documentação específica para autorizar procedimento cirúrgico corretivo do prepúcio?
  • Quais relatórios ou imagens o plano costuma solicitar para avaliação de emergência em parafimose?
  • Existem carências aplicáveis a procedimentos ambulatoriais ou cirúrgicos relacionados a fimose no contrato do beneficiário?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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