CIDs Med
S00–T98 · Capítulo XIX · Lesões, envenenamento e algumas outras conseqüências de causas externas
  • commotio cerebri
  • traumatismo craniano leve
  • lesão cerebral concussiva

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de TCE (traumatismo craniano): todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

Receber o código CID S06.0 significa que seu médico registrou uma concussão cerebral, isto é, uma alteração temporária da função do cérebro após um impacto na cabeça. Na linguagem diária, é o que se chama de ‘bater a cabeça’ e ficar confuso, zonzo ou perder a memória do momento do acidente. Nem sempre aparece uma lesão visível em exames; muitas vezes o diagnóstico vem da história do evento e dos sintomas que surgiram logo depois.

Você provavelmente está sentindo dor de cabeça, tontura, cansaço, náusea ou confusão leve. Pode haver perda breve de consciência ou dificuldade para lembrar o que aconteceu perto do trauma. Algumas pessoas também relatam sensibilidade à luz e ao som, irritabilidade ou alterações no sono. Esses sintomas costumam ser mais evidentes logo após o impacto.

Se é grave? Na maioria dos casos a concussão é um quadro agudo que melhora com observação e cuidados de suporte, mas nem toda concussão é igual: alguns sinais indicam necessidade de reavaliação médica imediata, como piora da dor de cabeça, sonolência excessiva, vômitos repetidos, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou convulsões. Esses sinais podem indicar uma complicação que exige exames e tratamento urgente.

O que vem a seguir costuma ser uma observação clínica, possivelmente um exame de imagem se houver sinais de gravidade, e retorno para reavaliação. O médico pode emitir atestado se entender que você precisa se afastar do trabalho temporariamente; esse documento pode conter ou não o CID, conforme sua preferência. Se o período de afastamento precisar ser prolongado, os médicos e perícias considerarão a continuidade dos sintomas e os registros médicos.

Em casa, observe a evolução: anote se a dor de cabeça piora, se surgirem vômitos, alteração no sono ou na fala, fraqueza, ou se houver perda de orientação. Se isso acontecer, procure atendimento sem demora. Evite esforços que agravem tontura e siga as orientações de retorno às atividades do seu médico. Se tiver dúvidas sobre o atestado ou a necessidade de exames adicionais, leve seus registros ao próximo atendimento.

Lembre que cada pessoa reage de forma diferente; o que é suficiente para um pode não ser para outro. Guardar anotações dos sintomas e do evento ajuda na reavaliação, e comunicar ao médico qualquer novo sinal facilita identificar se é apenas concussão ou se há alguma complicação que precise de outro tipo de cuidado.

O que este código significa?

O código CID S06.0 designa a concussão cerebral: uma alteração transitória da função do cérebro causada por impacto na cabeça. Aparece após um trauma craniano que provoca perda de consciência breve, confusão, tontura, cefaleia ou amnésia, muitas vezes sem evidência de hemorragia ou lesão focal em exames de imagem iniciais. Não inclui traumatismos intracranianos com hemorragia focal, contusão cerebral significativa ou lesões axonais difusas que exigem códigos diferentes. S06.0 é usado quando a apresentação clínica sugere disfunção cerebral temporária atribuível ao trauma e outras causas foram consideradas. Em prática, o diagnóstico depende da história do evento e do exame neurológico inicial, e pode ser revisado se exames de imagem ou evolução clínica mostrarem lesão estrutural.

Quando este código é usado?

Use este código quando o paciente teve um evento traumático na cabeça seguido de alteração neurológica aguda — como perda de consciência breve, confusão, amnésia peri‑evento, tontura ou cefaleia — e não há indicação de hemorragia focal, contusão volumosa ou lesão estrutural demonstrada que justifique outro código. Não é apropriado quando a imagem ou a evolução clínica revela hematoma epidural, subdural, hemorragia intraparenquimatosa ou lesão axonal difusa documentada.

O uso pode ser temporário: se exames ou a evolução clínica apontarem para lesão estrutural, codifica-se o traumatismo intracraniano correspondente em vez de S06.0.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

S06.2 (Lesão axonal difusa): diferencia-se por sinais de lesão difusa mais persistentes ou piora neurológica, e por achados de imagem ou estudo clínico que evidenciem dano axonal; concussão tem alteração funcional predominantemente transitória sem confirmação de dano axonal. S06.4 (Hematoma epidural): o critério que separa é a presença de coleção hemorrágica epidural visível na tomografia ou ressonância e frequentemente um intervalo lúcido seguido de piora focal; concussão não apresenta hematoma epidural detectável. S06.5/S06.6 (Hematoma subdural/hemorragia intracerebral): nestes códigos há evidência imagiológica de sangramento subdural ou intraparenquimatoso e frequentemente déficits neurológicos focais persistentes, enquanto concussão não tem hemorragia demonstrada.

O que é?

Concussão cerebral é uma perturbação transitória da função cerebral que segue um trauma craniano. Ela resulta em sintomas neurológicos que podem incluir perda breve de consciência, confusão, alteração de memória limitada ao período do trauma, tontura, náusea e cefaleia, sem obrigatoriamente aparecer uma lesão estrutural detectável nos exames de imagem iniciais.

Na prática, atinge pessoas de todas as idades expostas a impactos na cabeça: vítimas de quedas, acidentes de trânsito, lesões esportivas e agressões. Em muitos casos a recuperação se dá nas horas a dias seguintes, mas alguns sintomas podem persistir ou evoluir, exigindo reavaliação para excluir lesões intracranianas mais graves.

Quais sintomas aparecem?

Principais: cefaleia, tontura, náusea, confusão ou desorientação, amnésia peri‑evento e perda breve de consciência. Aparecem cedo, muitas vezes imediatamente após o trauma. Sinais que sugerem agravamento: piora progressiva da cefaleia, sonolência crescente, vômitos repetidos, déficit neurológico focal novo (fraqueza, dificuldade para falar), convulsões ou alteração do nível de consciência — nesses casos deve-se reavaliar para lesão intracraniana mais grave.

O que causa?

Mecanismo típico é aceleração‑desaceleração ou impacto direto que transmite energia ao crânio e ao cérebro, provocando distúrbios elétricos e metabólicos temporários das células nervosas. No Brasil, causas comuns incluem quedas domésticas e em idosos, acidentes de trânsito e lesões esportivas. A concussão não depende tanto de fratura craniana quanto da transferência de energia ao encéfalo; repetição de impactos aumenta o risco de sintomas persistentes.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico se sustenta na história do trauma craniano e na constatação de alteração neurológica aguda compatível (perda de consciência breve, confusão, amnésia relacionada ao evento). Exames de imagem são usados para excluir hemorragia ou contusão; se a tomografia computadorizada ou a ressonância mostram lesão estrutural significativa, outro código do grupo S06 deve ser usado em vez de S06.0. O diagnóstico é clínico e pode ser revisto conforme a evolução clínica e resultados de exames posteriores.

Como costuma ser tratado?

O manejo inicial é observação clínica e controle sintomático, com repouso relativo e retorno gradual às atividades conforme melhora clínica. Em pacientes com sinais de agravamento ou achados imagiológicos de lesão estrutural, o manejo segue protocolos de traumatismo intracraniano que podem incluir intervenção neurológica. A maior parte dos casos sem complicações evolui sem necessidade de procedimento cirúrgico.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes usadas para sintomas incluem analgésicos para cefaleia e antieméticos para náusea, além de medicamentos para controlar sintomas vegetativos quando necessários; o uso específico depende da avaliação clínica e da presença de contraindicações. Anticonvulsivantes são considerados apenas se houver convulsão documentada. Não há medicamento único que ‘trate’ a concussão; a abordagem é sintomática e individualizada.

Quando procurar um médico?

Procurar atendimento se houver piora da cefaleia, sonolência progressiva, vômitos persistentes, convulsões, fraqueza ou dormência focal nova, dificuldade para falar ou manter-se acordado, ou qualquer alteração do comportamento. Buscar reavaliação imediata se sintomas neurológicos surgirem após um período inicial de melhora, pois isso pode indicar complicações que exigem exames e possível intervenção.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto, por isso duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário; do 16 dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Para que os atestados possam ser somados pelo perito é verificado o CID informado, porque é o código que identifica se o motivo é o mesmo.

Para ser aceito, o atestado precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende do consentimento do paciente; o médico não é obrigado a informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS. O paciente pode optar por não colocar o CID no documento, ciente das implicações para a contagem dos períodos.

Este código descreve um quadro agudo que costuma resolver sem lesão estrutural detectável; por isso muitas vezes o acompanhamento e a reavaliação clínica são suficientes e o registro é importante apenas enquanto persistirem sintomas que justifiquem afastamento ou investigação. Quando há evolução para achados imagiológicos ou déficit neurológico focal, o registro e o atestado podem passar a usar outro código do grupo S06.

Concussão pode, em algumas pessoas, gerar sintomas que se prolongam e precisam de acompanhamento; por isso a regra dos 60 dias é relevante: atestados sucessivos pelo mesmo CID permitem que o perito avalie continuidade do problema e some períodos para a transição ao benefício previdenciário quando aplicável.

Perguntas frequentes sobre S06.0

O que exatamente significa ter CID S06.0 no atestado?

Significa que foi registrado concussão cerebral, uma alteração temporária da função cerebral após um trauma na cabeça; não implica necessariamente hemorragia ou lesão estrutural detectada.

Preciso ter exames de imagem para receber esse código?

Nem sempre; o diagnóstico é clínico. Exames de imagem são solicitados quando há sinais de alerta, piora ou suspeita de lesão estrutural que mudaria a codificação.

O CID S06.0 indica que fico afastado do trabalho automaticamente?

O código em si não determina o afastamento; o médico define o período no atestado e a continuidade é avaliada caso a caso; benefícios dependem de perícia quando aplicável.

Como saber se a concussão piorou e requer retorno imediato ao hospital?

Procure reavaliação se houver piora da cefaleia, sonolência progressiva, vômitos repetidos, fraqueza focal, dificuldade para falar ou convulsões, pois podem indicar complicações.

Qual a diferença entre concussão e hemorragia intracraniana?

A concussão é disfunção cerebral transitória sem necessidade de lesão visível; hemorragia intracraniana envolve sangramento demonstrável em exames e costuma provocar déficits neurológicos mais localizados e persistentes.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há relato de perda de consciência e amnésia peri‑evento que sustentem o diagnóstico de concussão?
  • Que achados no exame neurológico sustentam a concussão versus necessidade de investigação por imagem?
  • Há sinais de alerta ou piora que exigiriam tomografia imediata em vez de observação ambulatorial?
  • O quadro evoluiu com novos déficits ou deterioração que mudariam o código para traumatismo intracraniano com lesão estrutural?
  • Existem fatores que aumentam o risco de complicações (uso de anticoagulante, idade avançada) que justificam internação ou imagem?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • O afastamento registrado em atestados sucessivos com CID S06.0 pode ser considerado continuidade do mesmo problema para fins de perícia?
  • Quais documentos médicos são determinantes para comprovar incapacidade temporária decorrente desta concussão em perícia trabalhista?
  • Como a presença ou ausência do CID no atestado influencia a análise de benefícios previdenciários ou indenizatórios?
  • Em caso de acidente de trabalho com S06.0, quais evidências médicas reforçam a ligação entre o evento no trabalho e a concussão?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
  • O plano exige autorização prévia para exames de imagem após diagnóstico inicial de concussão?
  • Até que momento o plano costuma considerar cobertura para reavaliações neurológicas por concussão?
  • A operadora costuma reconhecer atestados com CID S06.0 para justificar afastamento inicial sem autorizações adicionais?
  • Em caso de procedimentos ou internação por complicação associada, que documentação médica o plano costuma solicitar?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.