B00 — Infecções pelo vírus do herpes [herpes simples]

  • herpes simples
  • herpes labial
  • herpes genital

Em palavras simples

O código CID B00 é o rótulo usado quando o médico identifica infecções causadas pelo vírus do herpes simples. Na linguagem do dia a dia, trata-se do vírus que provoca aquelas bolhas agrupadas cheias de líquido que costumam arrebentar e virar feridinhas doloridas na boca, nos lábios ou nos órgãos genitais.

Quem recebe esse diagnóstico provavelmente notou uma sensação de queimação ou dor local antes de aparecerem pequenas bolhas; em seguida vem a ruptura das bolhas e a formação de úlceras que doem ao toque. Em primoinfecções pode haver também um mal-estar geral e febre, mas em recidivas muitas vezes o problema fica limitado à área da pele ou da mucosa afetada.

Esse tipo de herpes costuma ser recorrente: o vírus fica escondido em nervos e pode voltar a dar sinais em momentos de cansaço, estresse, exposição ao sol ou doença. Não significa, por si só, que haja uma doença grave, e muitas vezes o quadro melhora sozinho; contudo, em pessoas com o sistema imunológico comprometido ou quando as lesões se espalham muito, o quadro pode ser mais sério e exigir avaliação rápida.

O diagnóstico costuma ser clínico, mas o médico pode pedir exames diretos da lesão para confirmar o vírus se houver dúvida. Em geral o acompanhamento inclui cuidados para aliviar a dor, manter a área limpa e observar sinais de infecção secundária. O atestado médico pode ser emitido se o profissional avaliar que as lesões prejudicam as atividades de trabalho; a necessidade e o tempo de afastamento variam conforme o trabalho e a intensidade dos sintomas.

Em casa, mantenha a área limpa, evite tocar e espalhar as lesões para outras partes do corpo ou para outras pessoas, e use métodos de proteção nas relações íntimas enquanto houver lesões. Procure ajuda médica se as lesões aumentarem de tamanho ou número, se surgirem sinais de infecção com pus, se houver febre alta ou sintomas que indiquem envolvimento de outros órgãos (como dor intensa, visão alterada ou confusão).

Lembre-se de que a presença do diagnóstico não é motivo para pânico: é uma condição comum, frequentemente episódica, e existem medidas para controlar sintomas e reduzir o risco de transmissão. Em caso de dúvidas sobre afastamento ou atestado, converse com o médico que avaliou o caso para esclarecer como o quadro afeta suas atividades e quais cuidados seguir.

O que este código significa?

O CID B00 designa infecções causadas pelo vírus do herpes simples (HSV), que produzem lesões vesiculares e erosões na pele e nas mucosas. Aparece tipicamente como bolhas agrupadas que rompem e formam úlceras, podendo ocorrer na boca, nos genitais ou em outras áreas cutâneas. Inclui episódios agudos e recidivas por HSV-1 e HSV-2 quando a apresentação clínica é compatível com herpes simples. Não inclui herpes zoster (B02), varicela (B01) nem lesões por outros vírus ou causas não virais. O código cobre manifestações clínicas atribuídas ao vírus do herpes simples independentemente do sítio, desde que não se trate de complicações sistêmicas codificadas de outra forma.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando o quadro clínico apresenta lesões vesiculares ou úlceras típicas atribuídas ao vírus do herpes simples, com suporte clínico ou laboratorial que permita identificar HSV como causa provável. Não se aplica quando a apresentação é típica de herpes zoster, varicela, ou de outras infecções cutâneas não virais.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

B02 (Herpes zoster [Zona]) — separa-se por padrão: B02 refere-se à reativação do vírus varicela-zóster com padrão dermatomal unilateral e dor intensa prévia; B00 descreve lesões agrupadas pelo vírus do herpes simples, geralmente sem distribuição dermatomal.

B01 (Varicela [Catapora]) — varicela é primoinfecção difusa com lesões em diferentes estágios (pápula, vesícula, crosta) e distribuição generalizada; B00 refere-se a lesões localizadas ou recidivas por HSV, não à exantema generalizado da varicela.

B37.7 (Candidíase de mucosa) — candidíase oral ou genital causa placas esbranquiçadas ou prurido mais que vesículas; a presença de vesículas agrupadas e dor pontual sugere B00 em vez de B37.7.

O que é?

Infecções pelo vírus do herpes simples são causadas por dois tipos principais do vírus herpes simplex (HSV-1 e HSV-2). O vírus infecta as células epiteliais da pele ou mucosa, produzindo pequenas bolhas cheias de líquido que se rompem e formam úlceras dolorosas; após a fase aguda, o vírus pode permanecer latente em gânglios nervosos e reativar-se periodicamente.

Clinicamente, as manifestações variam conforme o sítio (labial, oral, genital, perioral, conjuntival ou cutâneo) e podem ser assintomáticas em infecções primárias. Episódios recorrentes costumam ser mais breves e localizados do que a primoinfecção. Pessoas com imunossupressão podem apresentar formas mais extensas ou atípicas.

Quais sintomas aparecem?

Lesões vesiculares agrupadas sobre base eritematosa, que rompem formando úlceras dolorosas, são o sinal cardinal e costumam aparecer cedo. Dor ou queimação local precedendo as vesículas é um sintoma precoce frequente. Febre e mal-estar podem acompanhar primoinfecções, especialmente em crianças ou adultos jovens. Sinais de agravamento incluem extensão rápida das lesões, envolvimento de múltiplas áreas, persistência ou necrose das lesões, sinais de infecção bacteriana secundária (secreção purulenta, aumento da dor) e sintomas sistêmicos marcantes como febre alta ou confusão, que sugerem disseminação ou complicação.

O que causa?

O mecanismo básico é infecção epitelial seguida por latência em neurônios sensoriais. A transmissão ocorre por contato direto com secreções ou lesões, incluindo contato oral-genital. No Brasil, a forma mais encontrada em superfície oral é associada ao HSV-1, enquanto infecções genitais podem envolver HSV-2 e também HSV-1; reativação pode ser desencadeada por estresse, febre, trauma local, imunossupressão ou exposição solar, embora com frequência não se identifique um fator desencadeante óbvio.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico deste código baseia-se na compatibilidade clínica das lesões vesiculares/ulceradas com herpes simples e pode ser confirmado por testes laboratoriais quando necessário: detecção de antígeno ou ácido nucleico (PCR) a partir do conteúdo vesicular, cultura viral em amostra adequada, ou sorologia em contextos específicos. O código B00 é apropriado quando o quadro é atribuído a HSV por exame ou, na prática clínica, por padrão clínico bem característico sem outra causa atribuível.

Como costuma ser tratado?

O manejo do quadro agudo é direcionado ao controle dos sintomas, limitação da replicação viral quando indicado e prevenção de complicações; na prática isso pode envolver cuidados locais com higiene e medidas para reduzir dor e risco de infecção secundária. Casos recorrentes ou complicados podem demandar tratamento específico prescrito por profissional. O acompanhamento clínico determina necessidade e duração do tratamento.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos utilizadas na prática incluem agentes antivirais sistêmicos ou tópicos destinados a reduzir a replicação viral, além de analgésicos e agentes tópicos para alívio sintomático; em casos de infecção bacteriana secundária, antimicrobianos podem ser necessários conforme avaliação clínica.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se as lesões forem extensas, muito dolorosas, acompanhadas de febre alta, sinais de infecção bacteriana (pus, aumento rápido da vermelhidão), comprometimento da visão, ou se houver sintomas neurológicos ou sinais de comprometimento sistêmico. Pessoas com imunossupressão devem buscar atendimento cedo diante de qualquer lesão suspeita, pois podem ter evolução atípica e complicações.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID define por si só um período fixo de afastamento; a duração do afastamento é determinada pelo médico que avaliou o caso e pelas circunstâncias clínicas individuais, de modo que duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos distintos.

Até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento do salário; a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A soma de atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias é considerada para os primeiros 15 dias, e o CID presente no atestado é o critério prático usado pelo perito para verificar se os atestados referem-se à mesma condição.

Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer data, assinatura e CRM do médico. A inserção do CID no documento depende da anuência do paciente: a comunicação do diagnóstico ao empregador não é obrigatória, mas sem o código não é possível somar atestados para aplicação da regra dos 60 dias.

Este código costuma corresponder a um quadro agudo que frequentemente se resolve sozinho ou com tratamento de suporte, com possibilidade de recorrências ocasionais devido à latência viral. Em geral não gera incapacidade prolongada permanente, embora episódios dolorosos ou complicados possam justificar afastamento temporário; por isso a regra dos 60 dias é relevante quando há múltiplos atestados por recidiva do mesmo episódio, pois permite ao perito verificar continuidade do mesmo problema usando o CID registrado.

Perguntas frequentes sobre B00

O que significa ter o CID B00 no atestado?

Significa que o médico atribuiu as lesões ao vírus do herpes simples; o CID identifica a condição e, com seu consentimento, é incluído no documento para fins administrativos.

Herpes é contagioso para parceiros ou familiares?

Sim, o contato direto com as lesões ou secreções pode transmitir o vírus; evitar contato íntimo e compartilhar objetos que tocam a área afetada enquanto houver lesões reduz o risco.

Preciso de exames para confirmar que é herpes simples?

O diagnóstico muitas vezes é clínico, mas o médico pode solicitar exame direto do conteúdo da lesão para confirmar a presença do vírus quando houver dúvida.

Um atestado com CID B00 garante afastamento do trabalho?

O atestado registra a avaliação do médico, mas o período de afastamento é decidido caso a caso; o empregador e o INSS seguem regras específicas de pagamento e perícia conforme a legislação.

Como diferenciar herpes simples de herpes zoster?

Herpes zoster costuma ter dor intensa e padrão em faixa (dermatoma) com maior extensão unilatera; a presença deste padrão sugere outro código, B02, em vez de B00.

Quando devo voltar ao médico ou retornar ao trabalho?

Retorno depende da evolução clínica e da orientação do médico; procure reavaliação se as lesões não melhorarem, aumentarem ou se surgirem sinais de complicação.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual foi a localização exata e o padrão das lesões que sustenta a atribuição a HSV neste episódio?
  • Foi realizada coleta para PCR ou exame direto do conteúdo vesicular e qual foi o resultado?
  • Trata-se de primoinfecção ou recidiva, e quais sinais orientam essa distinção no caso concreto?
  • Há fatores de risco para evolução atípica ou disseminação (uso de imunossupressores, gravidez, recém‑nascido)?
  • Que critérios fariam migrar o código para uma complicação específica ou para outro capítulo (ex.: encefalite, disseminação)?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O afastamento descrito no atestado se baseia em incapacidade para as funções habituais do trabalho?
  • Como será considerado um atestado por recidiva para fins de perícia do INSS e soma de períodos?
  • Quais documentos clínicos adicionais podem fortalecer pedido de estabilidade ou benefício por incapacidade?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige documentação específica para procedimentos relacionados a complicações de infecção por HSV?
  • Em caso de tratamento farmacológico para esta condição, quais procedimentos costumam requerer autorização prévia?
  • Como o plano avalia a cobertura quando há coinfecções ou necessidade de exames diagnósticos complementares?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade