D23 — Outras neoplasias benignas da pele
- tumor benigno cutâneo
- lesão benigna da pele
- neo benigno da pele
Em palavras simples
Receber o código CID D23 significa que você tem uma lesão na pele que foi classificada como uma neoplasia benigna, ou seja, um crescimento local que não tem caráter maligno. Esse código é genérico: indica que a lesão é benigna, mas não necessariamente qual o tipo exato (por exemplo, não é um melanoma nem um lipoma já classificados em outros códigos). Ele é usado para registrar a existência da lesão em prontuários, atestados e guias de pedido de exames.
Você pode ter percebido um nódulo, uma bolinha sob a pele, uma mancha elevada ou uma pequena protuberância que cresceu devagar. Muitas dessas lesões não doem e são descobertas por acaso em exame clínico; algumas incomodam por um aspecto estético, pelo atrito com roupas ou por sangrar com facilidade se machucadas. Em alguns casos há sensibilidade local ou inflamação secundária.
Na maioria das vezes essas lesões não são graves nem contagiosas. O curso pode ser lento e muitas permanecem estáveis por meses ou anos; outras são removidas por opção do paciente ou do médico, especialmente se houver dúvida diagnóstica, risco de trauma ou incômodo. O próximo passo costuma ser documentação fotográfica, possivelmente um exame de imagem superficial (como ultrassom) e, quando necessário, biópsia ou retirada para exame histológico que confirma o tipo de célula e afasta malignidade.
Se você recebeu um atestado com esse código, pode ser por avaliação clínica que recomendou observação ou porque houve uma biópsia que confirmou benignidade. Nem sempre é preciso afastamento do trabalho; quando há sintomas que atrapalham ou quando o procedimento cirúrgico é realizado, pode haver período de recuperação. É importante manter retorno com o profissional que acompanha o caso para revisar eventuais mudanças.
Em casa observe se a lesão altera rapidamente de tamanho, muda de cor, ulcerar-se, sangrar sem causa ou ficar muito dolorida; esses sinais justificam procurar avaliação sem demora. Também procure atendimento se surgirem nódulos novos próximos ou se a lesão aumentar bastante em pouco tempo. Guardar fotos e anotações sobre quando notou a lesão e como ela evoluiu ajuda o médico a decidir pelo acompanhamento ou tratamento.
O que este código significa?
O CID D23 designa neoplasias benignas da pele que não se enquadram em categorias específicas como lipomas, nevos melanocíticos ou tumores da mama. Abrange tumores localizados na pele e no tecido subcutâneo que, após avaliação clínica e/ou histopatológica, são considerados de comportamento benigno. Aparece quando a natureza não maligna da lesão está estabelecida, mas o tipo histológico ou a classificação específica constam fora de códigos mais precisos. Não inclui neoplasias malignas da pele, nevos melanocíticos (D22) nem tumores benignos bem definidos como lipomas (D17). Este código registra a presença da lesão para fins clínicos, administrativos e estatísticos.
Quando este código é usado?
Usa-se CID D23 quando há uma neoplasia cutânea avaliada como benigna, mas sem enquadramento mais específico em outro código da categoria D10–D36. A designação serve para documentar tumorações cutâneas que exigem observação, exérese ou confirmação histológica e que não são melanoma, lipoma ou outra entidade já codificada. Profissionais de saúde, peritos e setores administrativos utilizam este código quando a documentação clínica e, se disponível, o laudo anatomopatológico apontam comportamento benigno sem classificação mais detalhada.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
D22 (Nevos melanocíticos) — D22 refere-se a nevos pigmentados derivados de melanócitos; a separação é pela origem pigmentada e pelo aspecto histológico com proliferação de melanócitos, enquanto D23 inclui lesões benignas não melanocíticas. D17 (Neoplasia lipomatosa benigna) — D17 é para tumores de tecido adiposo como lipomas; se a lesão é subcutânea e o estudo histológico mostra célula adiposa madura, usa-se D17; D23 é usado quando o tipo não é adiposo ou não foi definido. D24 (Neoplasia benigna da mama) — lesões benignas da mama têm código próprio; massa cutânea próxima à mama exige esclarecimento topográfico e histológico para evitar codificação incorreta em D23. D33 (Neoplasia benigna do encéfalo e sistema nervoso) — tumores profundos do sistema nervoso não são cutâneos; localização anatômica e exames de imagem separa esses códigos de D23.
O que é?
Neoplasia benigna da pele é um crescimento local de células cutâneas que não invade tecidos à distância nem produz metástase. Manifesta-se como nódulo, pápula, placa ou lesão nodular solitária ou múltipla na superfície cutânea ou no tecido subcutâneo, geralmente com crescimento lento e limites bem definidos.
São mais frequentes em adultos e podem surgir em qualquer região do corpo; muitos são assintomáticos, descobertos em exame clínico, enquanto outros podem incomodar por aspecto cosmético, trauma local ou sangramento após atrito.
Quais sintomas aparecem?
Lesões cutâneas palpáveis: nódulos ou pápulas firmes ou moles, geralmente bem circunscritas, muitas vezes indolores. Alterações de crescimento: aumento focal do volume da lesão é perceptível e pode ser o motivo da busca médica. Sintomas precoces incluem sensação de abaulamento ou mudança de cor local; sinais de agravamento são dor persistente, ulceração, sangramento sem trauma e crescimento rápido, que exigem investigação imediata.
O que causa?
Os mecanismos incluem proliferação local de células da pele ou anexos cutâneos (queratinócitos, anexos pilosos, adipócitos ou células vasculares) com comportamento benigno. No Brasil, as causas práticas mais observadas são proliferações adiposas subcutâneas, cistos epidermoides e pequenas hamartomas ou fibromas; fatores locais como trauma repetido ou inflamação podem revelar lesões pré-existentes. A maior parte não tem causa infecciosa ou metastática.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se inicialmente no exame clínico, avaliando localização, aspecto, consistência e evolução da lesão. Exame complementar decisivo é o estudo anatomopatológico após biópsia ou excisão; a histologia confirma o comportamento benigno e, quando possível, especifica o tipo celular. Em casos superficiais, exame dermatoscópico e, em lesões subcutâneas, ultrassonografia podem orientar a indicação de biópsia e diferenciar de tumores mais profundos.
Como costuma ser tratado?
O manejo inclui observação clínica para lesões assintomáticas e exérese cirúrgica ou procedimento ambulatorial quando há dúvida diagnóstica, incômodo estético, trauma frequente ou sintomas locais. Procedimentos são frequentemente realizados em ambiente ambulatorial e o plano de ação depende do tamanho, localização e suspeita histológica. O objetivo primário é remoção completa quando indicada e confirmação diagnóstica.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Não há classes medicamentosas específicas para curar neoplasias benignas cutâneas em geral; agentes tópicos podem ser usados em lesões inflamatórias secundárias e analgésicos ou anti-inflamatórios são empregados para sintomatologia associada. Antibióticos só são necessários se houver infecção secundária documentada.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento se a lesão apresentar crescimento rápido, dor persistente, ulceração, sangramento sem causa clara, alteração de cor importante ou sinais de infecção local. Também é indicado reavaliação quando há mudança no padrão de uma lesão antiga ou surgimento de novos nódulos em curto espaço de tempo.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento, e o período é definido pelo médico que examinou, pelo caso concreto – duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). A regra dos 60 dias usa o CID do atestado para o perito verificar se o motivo é o mesmo, por isso a presença do código é prática para somar períodos em atestados sucessivos.
Para que um atestado seja aceito ele deve identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer data, assinatura e CRM do médico. O registro do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada administrativamente. Atos administrativos subsequentes, como requerimento de benefício, seguem avaliação pericial quando o afastamento ultrapassa o período pago pelo empregador.
Este código normalmente descreve uma condição com curso crônico ou de evolução lenta que muitas vezes não causa incapacidade significativa para o trabalho, sendo frequentemente manejada por observação ou remoção ambulatorial; por isso, nem sempre resulta em afastamento prolongado ou em perícia. Quando a lesão provoca dor, ulceração ou risco ocupacional por localização, pode haver necessidade de afastamento e a soma de atestados em 60 dias torna-se relevante para a análise pericial.
Que direitos este código envolve?
O registro do CID no atestado exige concordância do paciente; o empregador pode solicitar justificativa de ausência, mas a descrição completa do diagnóstico ao empregador não é obrigatória. Para afastamentos curtos, o empregador arca com o salário; a partir do 16º dia o INSS passa a analisar a necessidade de benefício mediante perícia. A soma de atestados pelo mesmo CID em 60 dias é usada para verificar continuidade do mesmo problema em procedimentos administrativos e periciais.
Perguntas frequentes sobre D23
O que exatamente significa CID D23 no meu atestado?
Significa que foi registrada uma neoplasia da pele considerada benigna, mas sem especificação em outro código; indica presença de uma lesão não maligna que pode ter sido observada clinicamente ou confirmada por biópsia.
CID D23 quer dizer que é câncer?
Não; D23 refere-se a lesões benignas, que não têm potencial metastático como cânceres. Ainda assim, exames podem ser feitos para confirmar o diagnóstico.
Vou precisar de cirurgia se tenho CID D23?
Nem sempre; alguns casos são apenas observados, outros levam à excisão quando há dúvida diagnóstica, incômodo ou risco de trauma. A decisão depende do tamanho, localização e sintomas.
Posso transmitir isso para outras pessoas?
Não; neoplasias benignas da pele não são infecções transmissíveis. A preocupação é local, não de contágio.
O que diferencia CID D23 de D22 ou D17?
A diferença vem do tipo celular e da anatomia: D22 é para nevos melanocíticos pigmentados; D17 é para tumores de tecido adiposo como lipomas; D23 é usado quando a lesão não se enquadra nesses ou quando não há especificação histológica.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (4)
- Qual foi o achado histopatológico que sustentou a classificação como neoplasia benigna e que tipo celular predominou?
- A lesão tem características que exigem excisão completa para diagnóstico definitivo ou é suficiente a biópsia incisional?
- Há sinais clínicos ou imagem que sugerem necessidade de encaminhamento a dermatologia cirúrgica ou oncologia?
- Como devo monitorar a área após tratamento e qual sinal clínico justificaria novo encaminhamento ou biópsia?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este diagnóstico e motivo suficiente para afastamento laboral prolongado em perícia previdenciária?
- Como a soma de atestados com o mesmo CID nos 60 dias pode impactar um pedido de benefício por incapacidade?
- Em caso de divergência entre laudo anatomopatológico e atestado clínico, qual documentação é mais relevante em perícia?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige autorização prévia para biópsia ou exérese de lesão cutânea coberta pelo CID D23?
- Quais documentos e códigos são necessários para solicitar cobertura de procedimento de remoção cirúrgica desta lesão?
- Há restrições por carência para procedimentos cirúrgicos ou exames ligados a diagnóstico de neoplasias benignas da pele?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco D10-D36
- OMS — ICD-10, versão 2019 (D23)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.