D65-D69 — Defeitos da coagulação, púrpura e outras afecções hemorrágicas
- Transtornos hemorrágicos
- Púrpura e coagulopatias
- Distúrbios da hemostasia
Este bloco reúne condições caracterizadas por sangramento ou por alterações da hemostasia: coagulopatias adquiridas e hereditárias, púrpuras e outras afecções hemorrágicas. Inclui códigos frequentemente usados por quem codifica, como D65 (coagulopatia consumptiva), D66-D68 (deficiências de fatores da coagulação) e D69 (púrpuras e outras afecções hemorrágicas). Serve para agrupar situações que vão de alterações laboratoriais isoladas a síndromes com risco de sangramento grave. A especificação do código certo depende da etiologia e dos exames complementares.
Quando usar este código
Usa-se este bloco quando o diagnóstico é um distúrbio da coagulação, púrpura ou uma afecção hemorrágica identificada mas ainda sem subcodificação mais específica. Do trabalho inicial até a escolha do código definitivo, percorre-se: anamnese de sangramentos, exames hemostáticos, investigação de causas adquiridas (ex.: medicações, sepse) e de causas hereditárias. Se houver etiologia definida (ex.: hemofilia, deficiência isolada de fator), descer aos códigos específicos dentro ou fora deste bloco conforme a classificação.
Não confunda com
D66 vs D68. Deficiência congênita de fator VIII (D66) distingue-se de coagulopatias adquiridas por histórico familiar, início na infância e exames com tempo de tromboplastina parcial ativada prolongado sem anticorpos dirigidos.
D65 vs D69. Coagulopatia consumptiva (D65) separa-se de púrpuras (D69) pela associação com CID clínico de coagulação intravascular disseminada, queda de fibrinogênio e sinais sistêmicos que apontam para consumo de fatores.
D69 vs D55-D59 (anemias hemolíticas). Púrpura trombocitopênica (D69.3) diferencia-se de anemias hemolíticas pela predominância de petéquias/púrpura e plaquetas muito baixas no hemograma, enquanto as hemólises apresentam sinais de destruição eritrocitária.
O que este grupo reúne
Condições deste bloco compartilham um distúrbio primário ou secundário da hemostasia que leva à tendência ao sangramento ou à formação de manchas cutâneas (púrpura). O critério que as reúne é a presença de alteração hemostática documentada clinicamente ou laboratorialmente — por exemplo, trombocitopenia, deficiência de fatores de coagulação ou coagulopatia de consumo. Variantes e gravidade dependem de mecanismo (defeito plaquetário, deficiências de fatores, inibidores circulantes, consumo excessivo).
Queixas que levam a este capítulo
Pessoas que acabam codificadas aqui costumam apresentar sangramentos mucocutâneos (epistaxe, gengivorragia), petéquias/púrpura, sangramentos pós-procedimento, hematomas extensos ou hemorragias internas. Também são comuns sangramentos menstruais intensos, hemorragia gastrointestinal ou urinária e sinais sistêmicos quando há coagulopatia consumptiva. Alguns chegam por alterações laboratoriais isoladas sem sintomas importantes.
Mecanismos em comum
Os mecanismos incluem deficiências hereditárias de fatores (ex.: hemofilia), inibidores adquiridos ou autoimunes (anticorpos neutralizantes), consumo de fatores e plaquetas na coagulação intravascular disseminada, drogas anticoagulantes e trombocitopenias imunológicas. Exemplos de blocos: D66-D68 englobam deficiências de fatores; D69 cobre púrpuras e trombocitopenias; D65 refere-se à coagulopatia consumptiva.
Como se define o código
O diagnóstico que define o código combina a apresentação clínica com achados laboratoriais: contagem de plaquetas, tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), níveis de fibrinogênio e dosagem de fatores específicos ou pesquisa de inibidores. Na prática, a presença de anticorpos, deficiência congênita documentada ou um quadro de coagulação consumptiva separa blocos e códigos.
Como o cuidado se organiza
O manejo varia de ambulatorial a hospitalar conforme gravidade. Casos leves são acompanhados e investigados em atenção primária ou hematologia ambulatorial; hemorragias ativas graves e coagulopatias consumptivas exigem internação, avaliação de causas agudas (sepse, obstetrícia) e suporte especializado. Programas do SUS incluem atenção básica, encaminhamento a hematologia e procedimentos de emergência em rede hospitalar.
Classes de medicamentos
Classes usadas incluem agentes hemostáticos (desmopressina), concentrados de fatores de coagulação, plasma fresco congelado, hemoderivados (plaquetas), imunossupressores/imunomoduladores quando há inibidores autoimunes (corticosteroides, rituximabe) e agentes antifibrinolíticos. A escolha depende do mecanismo (deficiência de fator vs inhibitor vs consumo) e da gravidade do sangramento.
Sinais de alarme do grupo
Procurar atendimento imediato em caso de sangramento que não cessa com compressão, sangramento abundante, tontura ou sinais de choque, sangramento intracraniano (cefaleia intensa, perda de consciência, déficit focal) ou sangramento pós-procedimento que comprometa via aérea ou hemodinâmica.
Uso em atestado
Em atestados e afastamentos, o CID do grupo pode ser usado para descrever a condição hemorrágica, mas a perícia costuma exigir documentação clínica e exames que comprovem gravidade e necessidade de afastamento. Notificação compulsória não é geral para todos os códigos; omissão do CID a pedido do paciente é possível em atestados médicos, salvo quando houver obrigação legal de notificação pela doença subjacente.
Direitos e benefícios
Do ponto de vista juridico-administrativo, este grupo entra na avaliação pericial quando se discute incapacidade temporária ou permanente para o trabalho; a concessão de benefícios depende de avaliação da autoridade competente e de listas oficiais que nomeiam condições ou critérios. Procedimentos como inclusão em programas de assistência e acesso a hemoderivados seguem regulamentação do SUS e normas específicas de regulação e fornecimento.
Perguntas frequentes sobre D65-D69
Quando uso D65 em vez de D69?
D65 (coagulopatia consumptiva) é usado quando há quadro de consumo sistêmico de fatores compatível com coagulação intravascular disseminada documentada por exames; D69 abrange púrpuras e trombocitopenias sem evidência de consumo sistêmico.
O D66 refere-se a que situação?
D66 identifica deficiência congênita do fator VIII (hemofilia A) e diferencia-se por histórico familiar, início precoce e confirmação laboratorial de deficiência isolada do fator.
Posso omitir o CID em atestado por motivos de privacidade?
Sim, a omissão do CID a pedido do paciente é aceita em atestados médicos na maior parte das situações, exceto quando houver obrigação legal de notificação da condição subjacente.
Que exames a perícia costuma pedir para confirmar um transtorno hemorrágico?
Perícias frequentemente exigem hemograma com plaquetas, TP/INR, TTPa, fibrinogênio, dosagem de fatores e investigação de inibidores, além de laudos clínicos sobre episódios de sangramento.
Estas condições sempre requerem acompanhamento por hematologia?
Nem sempre; casos leves podem ser investigados inicialmente na atenção básica, mas hematologia é indicada quando há sangramentos recorrentes, anormalidades laboratoriais relevantes ou necessidade de terapêutica específica.