D70-D77 — Outras doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos

Este bloco reune diversas doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos que não cabem nas anemias (D50-D64) nem nas alterações de coagulação (D65-D69). Inclui, de forma frequente na praxe, neutropenias (D70), síndromes mielodisplásicas e outras citopenias, afecções das células plasmáticas e transtornos específicos dos elementos celulares do sangue (D70-D77). Códigos procurados dentro do bloco costumam ser D70 (neutropenia), D72 (outras leucocitoses e leucopenias) e D77 (doenças dos elementos do sangue, não classificadas noutros locais).


Quando usar este código

Usa-se este bloco quando a alteração hematológica documentada não se enquadra nas categorias de anemias nutricionais, hemolíticas, aplásticas ou distúrbios da coagulação. A escolha do código exige levantamento laboratorial e, em geral, documentação de contagem celular, estudos morfológicos e, quando pertinente, exames de medula óssea para descer ao código mais específico.

Não confunda com

D70 vs D60-D64: separa-se por etiologia e extensão da afetação; D60-D64 descrevem anemias aplásticas e suas variantes primárias, enquanto D70 foca neutropenias isoladas ou predominantes.

D72 vs D50-D53: D50-D53 cobrem anemias nutricionais definidas por carência (ferro, B12, folato); D72 refere-se a outras alterações leucocitárias onde a anemia nutricional não é o quadro principal.

D77 vs D80-D89: D77 inclui doenças sanguíneas não classificadas em outras rubricas; D80-D89 são transtornos imunitários com bases claras em deficiência ou disfunção imune.

O que este grupo reúne

É um agrupamento heterogêneo de doenças hematológicas que compartilham o fato de afetarem as células do sangue ou os órgãos hematopoéticos sem preencherem categorias padronizadas de anemias ou coagulopatias. Em geral envolvem alterações na quantidade, na morfologia ou na função de leucócitos, plaquetas, células plasmáticas ou progenitores medulares.

Queixas que levam a este capítulo

Sintomas que levam à investigação e ao uso destes códigos incluem infecções recorrentes ou prolongadas (sugestivas de neutropenia), sangramentos ou petéquias que não se explicam por distúrbio de coagulação, fadiga e palidez quando há citopenia, linfadenopatia, esplenomegalia ou achados incidentais em hemograma.

Mecanismos em comum

Os mecanismos variam: produção medular insuficiente ou displásica (síndromes mielodisplásicas), destruição periférica ou consumo acelerado, defeitos linfoproliferativos ou plasmocitários, efeitos tóxicos de fármacos, infecções ou causas idiopáticas. Exemplos: neutropenias (D70) por fármacos ou autoimunes; distúrbios das células plasmáticas incluídos em D77.

Como se define o código

O código é definido por achados laboratoriais e/ou anatomopatológicos: contagens celulares fora do intervalo de referência, mielograma ou biópsia de medula óssea, imuno-histoquímica e estudos imunofenotípicos. Na prática, o que separa blocos é o padrão predominante (p.ex. neutropenia isolada versus anemia predominante) e resultados de medula quando realizados.

Como o cuidado se organiza

O manejo varia conforme o diagnóstico específico: muitos casos iniciam investigação ambulatorial com especialistas em hematologia; episódios graves exigem internamento e suporte. Programas de saúde pública e serviços especializados do SUS atuam em diagnóstico, transfusões e acompanhamento de doenças crônicas a longo prazo. A organização do cuidado depende da gravidade e do agente causador.

Classes de medicamentos

As classes utilizadas no grupo dependem do mecanismo identificável: agentes imunossupressores ou imunomoduladores para causas autoimunes, fatores de crescimento hematopoiético (p.ex. estimuladores de linhagem) em neutropenias selecionadas, quimioterápicos e agentes hipometilantes em síndromes mielodisplásicas, antibióticos para infecções associadas. A decisão entre classes baseia-se no diagnóstico etiológico e na gravidade clínica.

Sinais de alarme do grupo

Procure ajuda se houver febre alta ou sinais de infecção em alguém com contagem baixa de leucócitos, sangramento não explicado ou intenso (hematomas extensos, sangramento digestivo ou urinário), fraqueza progressiva com tontura ou dispneia, ou qualquer deterioração súbita do estado geral.

Uso em atestado

Atestados para este grupo devem mencionar o CID quando o paciente autorizar; alguns quadros crônicos e incapacidades dependem de laudo especializado e documentação laboratorial atualizada. Nenhuma notificação compulsória genérica para o bloco D70-D77; notificações específicas seguem regras de vigilância (ex.: causas infecciosas subjacentes se aplicáveis). A perícia costuma exigir exames que comprovem citopenia, laudo de medula ou relatório do hematologista.

Perguntas frequentes sobre D70-D77

Quando usar D70 em vez de D60-D64?

Use D70 quando o achado principal for neutropenia documentada; anemias aplásticas e síndromes com pancitopenia predominante caem em D60-D64 conforme etiologia.

Se o hemograma mostra anemia e leucopenia, qual bloco escolher?

A escolha varia conforme o quadro predominante e a investigação de medula; se a anomalia principal for anemia nutricional, use D50-D53; se houver displasia medular, procure códigos do bloco D70-D77 ou D60-D64 conforme relatório hematológico.

É obrigatório colocar o CID no atestado para doenças deste grupo?

O CID pode ser omitido a pedido do paciente, mas para perícias e licenças o médico perito costuma exigir documentação laboratorial; notificação compulsória depende da causa subjacente, não do bloco em si.

Quais exames a perícia costuma pedir para confirmar um CID deste bloco?

Hemograma completo, repetição de contagens, exames de medula óssea quando já realizados e laudo de hematologista são frequentemente exigidos.

D77 é um “coringa” quando não se sabe o diagnóstico?

D77 agrupa doenças dos elementos do sangue não classificadas em outros locais, mas deve ser usado apenas quando critérios diagnósticos específicos para outros códigos estiverem ausentes ou inconclusivos.

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