F44 — Transtornos dissociativos [de conversão]

  • transtorno de conversão
  • histeria (termo histórico)
  • amnésia dissociativa
  • transtorno dissociativo de identidade

Em palavras simples

O código CID F44 indica que os sintomas que você apresenta foram classificados como transtorno dissociativo, também chamado de conversão em linguagem antiga. Isso quer dizer que partes da memória, da percepção de si ou do controle de movimento/sensibilidade mudaram sem que exames médicos tenham encontrado uma doença orgânica responsável. É uma forma de o corpo e a mente manifestarem sofrimento quando algo emocional ou estressante acontece, mesmo que nem sempre você perceba um gatilho claro.

Quem recebe este código costuma relatar sensações como esquecer acontecimentos importantes (amnésia), sentir-se ‘‘fora do corpo’’ (despersonalização), ter episódios em que não consegue mover um braço ou a perna, tremores ou perda temporária de sensibilidade. Além desses sintomas, é comum sentir cansaço, ansiedade, sono alterado e preocupação com o que está acontecendo. Esses sintomas podem ser assustadores porque parecem reais e involuntários.

Não é uma doença contagiosa. A gravidade varia: algumas pessoas têm episódios breves e se recuperam com acompanhamento, outras têm sintomas recorrentes que afetam o trabalho ou a rotina. A duração também varia; em muitos casos há melhora com tratamento adequado, reabilitação e apoio; em outros, o curso pode ser mais prolongado. O fato de o exame médico não mostrar lesão neurológica não significa que os sintomas não sejam reais.

O mais comum é que o médico solicite exames para excluir causas orgânicas (como exames de imagem ou avaliação neurológica) e, dependendo do caso, oriente acompanhamento com psicologia, fisioterapia ou outras especialidades. Pode haver a necessidade de retornos regulares para acompanhar a evolução dos sintomas. Em termos de trabalho, afastamentos e atestados dependem da avaliação médica e da capacidade funcional no momento.

Em casa, observe sinais de piora: incapacidade crescente para realizar atividades básicas, episódios que provoquem risco de queda, alteração profunda do sono ou sinais de depressão e pensamentos de autoagressão. Procure ajuda imediata se houver risco de lesão. Anote quando os sintomas ocorrem, situações que os antecedem e como eles se resolvem; essas informações ajudam no acompanhamento. É importante conversar abertamente com a equipe de saúde sobre como o quadro afeta sua vida cotidiana.

O que este código significa?

O CID F44 designa os transtornos dissociativos, também chamados historicamente de transtornos de conversão: condições em que há perda ou alteração de funções motoras, sensoriais, memória ou consciência que não se explicam por doença neurológica identificável. Aparecem frequentemente após evento estressante ou conflito emocional, mas nem sempre há relato claro desse gatilho. Não inclui déficits com causa neurológica demonstrável (lesão cerebral, neuropatia) nem transtornos primariamente psicóticos ou do humor. Este código abrange apresentações variadas — de episódios breves a quadros recorrentes — e é usado quando a avaliação médica não encontra explicação orgânica suficiente.


Quando este código é usado?

Usa-se o código F44 quando há alteração da consciência, percepção, memória, movimento ou sensibilidade que não pode ser explicada por doença neurológica, intoxicação ou condição médica geral, após avaliação adequada. É apropriado na ausência de sinais objetivos que indiquem lesão estrutural e quando critérios clínicos apontam para mecanismo dissociativo, incluindo início temporal relacionado a stress psíquico ou conflito. Não é o código para sintomas isolados com causa médica identificada nem para quadro psicótico primário.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F44 versus F45 (Transtornos somatoformes): F45 descreve sintomas somáticos persistentes sem explicação médica claramente suficiente, geralmente experimentados e relatados como dor ou disfunção corporal; F44 envolve perda ou alteração de funções mentais ou motoras (por exemplo, paralisia ou amnésia) com características dissociativas como compatibilidade com estresse emocional e inconsistência ao exame.

F44 versus F43 (Reação ao stress grave): F43 inclui transtornos imediatos relacionados ao stress (TEPT, reação aguda) em que predominam revivescência, hipervigilância ou evitação; F44 apresenta alterações de função motora, sensorial ou de consciência sem as manifestações típicas de stress pós-traumático.

F44 versus F40-F41 (transtornos de ansiedade): Transtornos ansiosos mostram preocupação antecipatória, ataques de pânico ou fobias situacionais como núcleo; F44 tem manifestações principalmente dissociativas (amnésia, despersonalização, conversão motora/sensorial) que podem coexistir com ansiedade, mas não são explicadas por ela.

O que é?

Transtornos dissociativos são condições em que o funcionamento normal da consciência, identidade, memória, percepção do ambiente ou controle motor/sensorial se altera de forma reversível e não atribuível a dano orgânico detectável. As manifestações variam desde episódios de amnésia localizada ou generalizada, estados de despersonalização/desrealização, até sintomas conversivos como paralisia, tremor ou perda sensorial.

Costumam surgir em contextos de estresse emocional, conflito interno ou experiência traumática, embora nem todo paciente associe claramente o início a um evento. Podem afetar pessoas de qualquer idade, com frequência nos adultos jovens e com predomínio entre mulheres em muitos serviços clínicos, mas ocorrem em ambos os sexos.

Quais sintomas aparecem?

Principais: perda de memória para fatos pessoais (amnésia dissociativa), episódios de despersonalização/desrealização, alteração súbita de marcha ou força sem explicação neurológica, perda ou alteração de sensibilidade, crises conversivas tipo desmaio ou movimentos anormais. Sinais precoces incluem lapsos de memória episódica e sensação de estar ‘‘fora de si’’; agravamento costuma se manifestar por progressão para incapacidade funcional marcada, episódios repetidos ou sintomas que simulam défices neurológicos persistentes.

O que causa?

Os mecanismos são multifatoriais: dissociação como resposta psicobiológica a stress extremo ou conflito emocional pode produzir desconexão entre funções conscientes e automáticas. No contexto brasileiro, gatilhos comuns observados na prática incluem violência interpessoal, estressores socioeconômicos, eventos traumáticos e conflitos relacionais. Fatores predisponentes envolvem história de abuso, comorbidades psiquiátricas (ansiedade, depressão) e modelos culturais que influenciam a expressão de sofrimento.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, exame neuropsiquiátrico e eliminação de causas neurológicas ou médicas por investigação apropriada. A confirmação deste CID exige incompatibilidade dos sinais com um padrão neurológico conhecido, inconsistência entre teste e apresentação e relação temporal com stress ou fatores psicológicos quando presentes. Avaliação por neurologia, exames de imagem ou neurofisiologia podem ser usados para excluir causas orgânicas antes de classificar como F44.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma ser interdisciplinar e centrado em reabilitação funcional, psicoterapia focalizada e apoio psicossocial, com acompanhamento ambulatorial na maioria dos casos. Intervenções específicas são selecionadas conforme o tipo de manifestação (amnésia, conversão, despersonalização) e a gravidade funcional. Em serviços públicos e privados no Brasil, a combinação de abordagens psicológicas e fisioterápicas frequentemente compõe o plano terapêutico.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Medicamentos não tratam a causa dissociativa mas podem ser usados para sintomas comórbidos: antidepressivos para depressão ou ansiedade associadas, ansiolíticos em curto prazo para crises agudas e antipsicóticos apenas quando há indicação clara para sintomas psicóticos concomitantes. A prescrição depende da avaliação clínica e das comorbidades.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica imediata se houver perda súbita de movimento, sensibilidade ou consciência, crise prolongada, risco de queda ou lesão, ou comprometimento marcado da autonomia. Buscar retorno se os sintomas persistirem, progressarem ou surgirem sinais neurológicos focais. Em geral, avaliação especializada é indicada quando a apresentação é atípica ou não há melhora com medidas iniciais.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é determinado pelo médico que examinou o paciente, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, até 15 dias de afastamento o empregador é o responsável pelo pagamento (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desse período de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias funciona assim na rotina da perícia: o perito usa o CID constante no atestado para avaliar se se trata da mesma doença ou motivo, e é essa referência codificada que permite computar atestados sucessivos como um mesmo episódio — um detalhe prático pouco conhecido, mas que explica por que o código aparece nos documentos.

Para que um atestado seja aceito como documento, ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. A anotação do CID só pode ser feita com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pela perícia.

No caso do CID F44 (transtornos dissociativos [de conversão]), o curso pode variar: apresenta-se tanto como episódios agudos que podem reverter de forma espontânea quanto como quadros recorrentes que exigem acompanhamento e reabilitação funcional. Sintomas conversivos, amnésia dissociativa ou estados de despersonalização podem limitar a capacidade de trabalho em graus diversos, razão pela qual o registro e o acompanhamento costumam ser importantes. Quando os episódios reaparecem ao longo do tempo, a regra dos 60 dias torna-se especialmente relevante, pois permite que atestados sucessivos pelo mesmo CID sejam avaliados como continuidade do mesmo processo para efeitos da legislação.

Perguntas frequentes sobre F44

O CID F44 significa que tenho uma doença no cérebro?

Não necessariamente; o CID F44 descreve alterações de função como memória, percepção ou movimento sem causa orgânica identificável após investigação. Exames neurológicos são usados para excluir doença cerebral antes desse diagnóstico.

Preciso de atestado médico para o trabalho por causa desse diagnóstico?

A necessidade e duração do atestado dependem da avaliação clínica das limitações funcionais no trabalho. O laudo deve relatar as restrições observadas e a estimativa de tempo de afastamento quando pertinente.

O transtorno dissociativo é contagioso para familiares?

Não, não é contagioso. É uma reação individual a fatores psicológicos e contextuais, não uma infecção transmissível.

Que exames são feitos para confirmar que é F44 e não outra causa?

Exames e avaliações neurológicas e laboratoriais são usados para excluir causas orgânicas; a classificação como F44 baseia-se na incompatibilidade com padrões neurológicos e na ausência de explicação médica que justifique os sintomas.

Como diferenciar F44 de um transtorno somatoforme (F45)?

Em F45 o paciente apresenta queixas somáticas persistentes, como dor ou alterações corporais, sem explicação médica clara, enquanto em F44 predominam perdas ou alterações de funções mentais, sensoriais ou motoras com características dissociativas.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há história de evento estressor ou perda de memória localizada que precedeu o início dos sintomas?
  • Os achados do exame neurológico são inconsistentes com padrão anatômico ou variáveis ao longo da observação?
  • Que exames neurológicos e laboratoriais já foram realizados e que resultados excluem causa orgânica?
  • Há comorbidades psiquiátricas (depressão, ansiedade, transtorno de personalidade) que influenciam o quadro?
  • Qual foi a resposta a intervenções iniciais como reabilitação física ou intervenção psicoterápica e isso altera o CID?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este CID e suficiente para justificar afastamento por incapacidade temporária em perícia previdenciária?
  • Que documentação e laudos complementares são mais relevantes para sustentar prazo de afastamento?
  • Como registrar e utilizar episódios episódicos na argumentação sobre incapacidade laboral recurrente?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos de terapia psicológica e reabilitação funcional vinculados a este diagnóstico requerem autorização prévia?
  • Que documentação clínica a operadora costuma exigir para liberar sessões contínuas de psicoterapia por transtorno dissociativo?
  • Como proceder quando a operadora solicita avaliação neurológica complementar para negar cobertura de tratamento específico?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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