F14.0 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína – intoxicação aguda
- intoxicação por cocaína
- overdose leve a moderada por cocaína
- efeito agudo da cocaína
O CID F14.0 designa a intoxicação aguda por cocaína: um quadro clínico transitório que surge logo após o consumo da substância e provoca alterações do comportamento, da consciência, do humor ou sinais físicos autonômicos. Aparece em pessoas que usaram cocaína recentemente, em doses variadas, por via inalatória, injetável, fumada ou oral. Não inclui o uso prolongado com alterações persistentes (dependência ou síndrome de abstinência), nem crises psiquiátricas crônicas desencadeadas por outros transtornos. Este código refere-se ao episódio agudo e ao conjunto de sinais e sintomas observados naquele momento.
Em palavras simples
O código CID F14.0 significa que os sintomas que você teve foram avaliados como intoxicação aguda por cocaína. Em palavras simples, isso quer dizer que, logo depois de usar cocaína, você apresentou alterações no corpo e na mente que foram atribuídas ao efeito direto da droga. Não significa automaticamente que você tem dependência; descreve o episódio atual.
No episódio agudo você pode ter sentido aumento da energia, aceleração do coração, suor, boca seca, dificuldade para dormir, ansiedade intensa, inquietação ou fala acelerada. Algumas pessoas descrevem sensação de “visão diferente”, desconfiança, medo ou até ouvir ou ver coisas que não existem. Também é comum sentir dor no peito, tontura, náusea ou tremores.
Se a maioria dos sintomas está ligada ao uso recente, o quadro costuma ser temporário e durar horas; em geral melhora à medida que a substância sai do organismo. No entanto, alguns sinais como confusão, perda de consciência, convulsões, falta de ar, dor no peito intensa ou comportamento muito agressivo indicam risco e exigem avaliação imediata. A intoxicação não é contagiosa.
Após o atendimento, o que costuma acontecer é observação até melhora clínica, exames para descartar outras causas (por exemplo, problemas cardíacos) e orientações sobre acompanhamento. Em muitos casos há retorno ambulatorial ou encaminhamento para serviços de saúde mental se houver preocupação com uso repetido. Dependendo do trabalho e da gravação do atestado, pode haver necessidade de justificar ausência ou determinar perícia.
Em casa, observe se aparece dor no peito, desmaios, febre alta, respiração difícil, confusão crescente, convulsões ou comportamento violento; nesses casos procure emergência. Se sentir fadiga intensa, alterações do sono, vontade persistente de usar ou prejuízo nas atividades, considere procurar apoio em saúde mental ou serviços especializados em uso de substâncias.
Quando usar este código
Usa-se F14.0 quando o paciente apresenta sintomas mentais ou comportamentais e/ou sinais físicos compatíveis com efeito agudo de cocaína dentro do período de intoxicação, com evidência ou relato de uso recente. Não se aplica quando há diagnóstico principal de dependência (F14.2–F14.5 conforme critério) nem quando a apresentação é exclusivamente de abstinência ou efeitos tardios. O código descreve o episódio atual, independentemente de haver histórico prévio de uso.
Não confunda com
F14.1 (Uso nocivo de cocaína) — separa-se por duração e padrão: F14.1 refere-se a dano à saúde físico ou mental por uso repetido, sem critérios de intoxicação aguda no momento; F14.0 descreve o episódio transitório logo após consumo.
F14.2 (Dependência de cocaína) — critério que diferencia é o padrão de comportamento e tolerância/abstinência persistentes que caracterizam dependência; F14.0 é um episódio isolado ou repetido de intoxicação, sem necessidade de critérios de dependência preenchidos.
F14.5 (Transtorno psicótico induzido por cocaína) — distinção por duração e conteúdo sintomático: F14.5 inclui delírios ou alucinações persistentes que podem durar dias ou semanas; intoxicação aguda (F14.0) tende a ter alteração mental mais breve, correlacionada temporalmente com o uso.
O que é
Intoxicação aguda por cocaína é um estado clínico transitório causado pelos efeitos diretos da cocaína no sistema nervoso central e no sistema nervoso autônomo. Manifesta-se por alterações do humor, da percepção, do nível de consciência e por sinais físicos como taquicardia, pressão arterial elevada e hiperatividade motora. O quadro surge pouco após o consumo da droga e costuma durar horas, mas a intensidade varia com dose, via de administração e tolerância individual.
Pessoas em risco incluem usuários ocasionais e crônicos de cocaína, especialmente quando associam outras drogas, álcool, ou têm doenças cardíacas ou psiquiátricas prévias. Jovens adultos são frequentemente atendidos por intoxicação aguda, mas qualquer faixa etária pode ser afetada. O diagnóstico é clínico, baseado na história de uso recente, exame e exclusão de outras causas médicas e toxicológicas.
Sintomas
Principais sinais e sintomas: agitação psicomotora, euforia ou ansiedade intensa, sensação de energia aumentada, fala acelerada, insônia aguda, percepção alterada, sudorese, midríase, taquicardia e hipertensão.
Sintomas que aparecem cedo incluem euforia, ansiedade, agitação e aumento do ritmo cardíaco. Sinais de agravamento são comportamento violento ou impulsivo, delírios, alucinações, confusão importante, desconforto torácico, arritmias, convulsões, hipertermia ou perda de consciência, que sugerem risco para complicações graves.
Causas
Mecanismo: a cocaína bloqueia a recaptação de monoaminas (principalmente dopamina, noradrenalina e serotonina) em sinapses centrais e periféricas, aumentando a estimulação adrenérgica e dopaminérgica. No sistema cardiovascular isso provoca taquicardia, vasoconstrição e hipertensão; no cérebro favorece excitação, euforia, paranoia e, em casos extremos, psicose. Na prática brasileira, o cenário mais comum é uso por aspiração nasal de pó, seguido por uso fumado (crack) e injetável, frequentemente em contextos de uso recreativo ou compulsivo associado a álcool e outras drogas.
Como é diagnosticado
O diagnóstico deste código é clínico: baseia-se em relato ou evidência de uso recente de cocaína e na presença de sinais e sintomas compatíveis observados no exame. Exames laboratoriais toxicológicos podem confirmar exposição, mas a sensibilidade depende da janela de detecção e da via de consumo; eles sustentam porém não substituem a avaliação clínica. É importante excluir outras causas agudas (hipertensão maligna, acidente vascular, hipoglicemia, infecção, intoxicação por outras substâncias) por anamnese, exame físico e exames complementares conforme necessário.
Como costuma ser tratado
O manejo deste quadro foca na avaliação contínua do risco de complicações e em suportar funções vitais enquanto os efeitos da droga cessam. Em geral, muitos episódios são resolvidos de forma ambulatorial após observação adequada quando há melhora clara, sem sinais de comprometimento grave. Casos com instabilidade hemodinâmica, alteração profunda do nível de consciência, sinais sugestivos de infarto, arritmia, convulsão ou comportamento extremamente agitado devem ser tratados em ambiente de emergência.
Classes de medicamentos
Classes farmacológicas utilizadas no manejo agudo incluem agentes sedativos e ansiolíticos administrados em ambiente clínico para controle da agitação e redução do risco de lesão, além de medicamentos para suporte cardiovascular quando necessário. Em alguns cenários de emergência, fármacos para controle de arritmia, analgesia e tratamento de convulsões podem ser empregados conforme a apresentação clínica e protocolos institucionais.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento imediatamente se houver dor torácica intensa, desmaio, perda de consciência, convulsões, respiração difícil, confusão progressiva, comportamento violento incontrolável ou sinais de AVC. Também é indicado buscar avaliação emergencial se os sintomas não melhorarem em horas ou se houver história de doença cardíaca, pressão alta grave, febre alta ou uso concomitante de outras drogas que aumentem o risco de complicações.
Uso em atestado
Para fins de atestado, registrar a data e hora do atendimento, sintomas observados, medidas iniciais realizadas e evolução durante observação. A descrição deve refletir o episódio agudo (intoxicação por cocaína) e não presumir uso crônico ou dependência sem documentação clínica que satisfaça critérios diagnósticos apropriados.
Direitos e benefícios
Pacientes atendidos por intoxicação aguda têm direito a atendimento de emergência e registro clínico adequado. Questões sobre afastamento laboral, incapacidade ou reabilitação dependem de perícia médica e legislação vigente; o registro do código F14.0 no prontuário é parte da documentação clínica, sem, por si só, garantir benefícios legais.
Perguntas frequentes sobre F14.0
O que exatamente significa ter no prontuário o CID F14.0?
Indica que o atendimento registrou um episódio agudo compatível com intoxicação por cocaína, com sintomas observados no momento. Não determina por si só diagnóstico de dependência.
Esse quadro é contagioso para familiares?
Não, intoxicação por cocaína não é contagiosa; é uma reação individual ao uso da droga. Risco para outras pessoas ocorre em situações de violência ou acidentes relacionados ao comportamento.
O código F14.0 justifica afastamento do trabalho?
O registro pode fundamentar atestado médico conforme a avaliação clínica e legislação; decisões sobre afastamento dependem de perícia e políticas empregador/seguro.
Preciso fazer exame toxicológico para confirmar o CID F14.0?
Exames toxicológicos ajudam a confirmar exposição, mas o diagnóstico do episódio é clínico e baseado em história e sinais no momento do atendimento.
Como se diferencia intoxicação aguda (F14.0) de transtorno psicótico induzido por cocaína (F14.5)?
A diferença está na duração e na natureza das alterações: intoxicação é transitória e associada ao uso recente; transtorno psicótico envolve alucinações ou delírios persistentes que podem durar muito além do efeito agudo.
Quais exames costumam ser pedidos na emergência?
Exames para monitorar sinais vitais, avaliação cardiovascular e, quando indicado, exames laboratoriais e toxicológicos para excluir outras causas e confirmar exposição à cocaína.
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