CIDs Med
H60–H95 · Capítulo VIII · Doenças do ouvido e da apófise mastóide

H83.3 Efeitos do ruído sobre o ouvido interno

  • lesão coclear por ruído
  • trauma acústico (quando agudo)
  • perda auditiva induzida por ruído (quando crônico)

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de perda auditiva: todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

O código CID H83.3 indica que os sintomas no seu ouvido interno — como zumbido, diminuição da audição ou tontura — foram relacionados ao ruído. Isso pode significar que um barulho muito alto teve efeito direto sobre a parte do ouvido que transforma som em sinais para o cérebro, ou que muitos anos de exposição a som forte foram acumulando dano. Não é uma infecção do ouvido médio nem uma doença do tímpano: o foco é o efeito do som sobre a cóclea e, às vezes, sobre o equilíbrio.

Você provavelmente percebeu zumbido (um som que ninguém mais escuta), dificuldade para entender conversas em lugares barulhentos, ou uma sensação de ouvido “cheio”. Em alguns casos há tontura ou instabilidade. Sintomas que aparecem logo após um estouro, explosão ou show muito alto sugerem um evento agudo; sintomas que surgem aos poucos, especialmente em quem trabalha em ambiente ruidoso sem proteção, apontam para efeito crônico.

Se isso foi um trauma sonoro súbito, pode ser que haja melhora nas semanas seguintes, mas também é possível que alguns sinais permaneçam. Se for exposição crônica, o dano tende a estabilizar se a exposição for reduzida, mas pode progredir se o ruído continuar. O CID em si não diz quanto tempo dura; isso depende do tipo de exposição, da gravidade e do acompanhamento médico.

O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação com exame clínico e exames auditivos (audiometria), e às vezes testes de equilíbrio. O médico pode sugerir evitar novas exposições ao ruído, usar proteção auditiva e encaminhar para reabilitação sonora ou fonoaudiologia se necessário. A necessidade de afastamento do trabalho depende da sua função e do grau de prejuízo para comunicação e segurança.

Em casa, observe se aparece perda auditiva súbita, aumento do zumbido, vertigem intensa, dor ou secreção; nesses casos procure atendimento rápido. Caso contrário, registre quando os sintomas começaram e se houve eventos ruidosos associados, leve resultados de exames para as consultas e discuta com seu médico medidas para reduzir exposição futura. Manter anotações úteis sobre ambiente de trabalho e uso de protetores facilita tanto o tratamento quanto eventual avaliação ocupacional.

O que este código significa?

O CID H83.3 designa alterações do ouvido interno atribuídas ao ruído, incluindo trauma acústico agudo e lesão coclear por exposição ocupacional ou ambiental prolongada. Aparece quando há sinais ou sintomas auditivos (zumbido, perda auditiva, sensação de ouvido tampado) e/ou vestibulares (tontura/vertigem) claramente relacionados à exposição a som de alta intensidade ou contínuo. Não inclui perdas auditivas por causas infecciosas, medicamentos ototóxicos isolados, ou doenças primariamente do ouvido médio. Este código cobre tanto episódios agudos de exposição intensa quanto efeitos cumulativos de exposição crônica quando a relação causal com o ruído é evidente. Serve para registrar o papel do ruído como agente etiológico do dano coclear ou vestibular, não para descrever o aspecto anatomopatológico detalhado.

Quando este código é usado?

Use este código quando a avaliação clínica e exames indicarem que sinais ou sintomas do ouvido interno são decorrentes de exposição a ruído — por exemplo, relato de acidente sonoro, histórico ocupacional de exposição contínua sem proteção, ou início súbito de sintomas após evento acústico. Não use quando a alteração auditiva tem causa médica clara distinta (infecção, tumor, ototoxicidade sem componente de ruído). Este código costuma ser aplicado por ouvidos de clínica otológica, peritos e serviços de saúde ocupacional para vincular o quadro ao agente ruído.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

H83.0 — Labirintite: H83.0 refere-se a quadros inflamatórios do labirinto com sinais vestibulares predominantes e relação temporal com infecção ou inflamação; H83.3 indica relação causal com exposição a ruído e costuma ter histórico de exposição sonora e alterações cocleares/neurossensoriais em audiometria.

H91.2 — Perda auditiva neurossensorial inducida por ruído: H91.2 engloba perda neurossensorial sem especificar agente; use H83.3 quando há vínculo explícito com exposição a ruído documentada na anamnese ou no ambiente de trabalho.

H81.3 — Vértigo posicional paroxístico benigno: H81.3 causa vertigem episódica sem relação com exposição sonora e com sinais típicos no exame de posicionamento; H83.3 inclui vertigem quando coexistente com história de exposição sonora e evidência de dano coclear/vestibular relacionado ao ruído.

O que é?

Efeitos do ruído sobre o ouvido interno referem-se a danos funcionais da cóclea e/ou estruturas vestibulares resultantes da energia sonora. Podem ocorrer de forma aguda, após evento de alto impacto sonoro (trauma acústico), ou de forma crônica, por exposição repetida e acumulada a níveis elevados de som. Clinicamente manifestam-se por perda auditiva neurossensorial, zumbido, sensação de ouvido tampado e, em alguns casos, tontura ou instabilidade.

Pessoas mais frequentemente afetadas incluem trabalhadores expostos a ruído industrial, músicos, militares, frequentadores de ambientes com música muito alta e indivíduos expostos a um único evento ruidoso intenso. A intensidade, a duração da exposição e a ausência de proteção auditiva determinam o risco e a gravidade dos achados.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas principais são zumbido (tinnitus), perda auditiva percebida (dificuldade para entender voz em ambientes ruidosos), sensação de ouvido cheio e, menos frequentemente, vertigem ou tontura. Sintomas precoces costumam ser zumbido intermitente e dificuldade seletiva para ouvir sons agudos; agravamento se manifesta por redução progressiva da audição, zumbido persistente, perda bilateral e prejuízo funcional para comunicação. A presença de vertigem franca ou perda auditiva súbita sugere lesão mais extensa e justifica investigação imediata.

O que causa?

Mecanismos incluem dano às células ciliadas da cóclea por estímulo mecânico/intenso ou metabólico induzido pelo ruído, ruptura de estruturas cocleares em trauma acústico e alterações vasculares/oxidativas locais. No Brasil, as causas mais comuns na prática são exposição ocupacional contínua sem proteção adequada e eventos de impacto sonoro em ambientes de lazer. Fatores individuais (susceptibilidade genética, uso concomitante de medicamentos ototóxicos, comorbidades) modulam a resposta ao ruído.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de H83.3 baseia-se na correlação entre história de exposição a ruído e achados clínicos e audiológicos consistentes: anamnese detalhada do tipo, intensidade e tempo de exposição; exame otológico; audiometria tonal e imitanciometria para caracterizar perda neurossensorial; e, quando indicado, avaliações vestibulares para sintomas de tontura. A confirmação para este código exige que a equipe conclua que o ruído é provável causa primária ou contribuinte significativo do quadro, diferenciado de outras causas de perda auditiva.

Como costuma ser tratado?

O manejo visa reduzir progressão e sintomas: afastamento ou controle da exposição ao ruído, medidas de proteção auricular e terapias direcionadas ao sintoma (por exemplo, medidas para zumbido e reabilitação auditiva). Em episódios agudos de trauma acústico, intervenções otológicas e acompanhamento audiológico precoce são importantes para avaliar recuperação parcial ou estabilização. O tratamento é predominantemente ambulatorial e pode envolver equipes de otorrinolaringologia, fonoaudiologia e saúde ocupacional.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas eventualmente empregadas se concentram no manejo sintomático e na tentativa de proteção celular na fase aguda, como agentes antioxidantes e medicamentos para sintomas associados (p. ex., ansiolíticos para insônia relacionada a zumbido), sempre sob avaliação médica. A escolha depende do quadro clínico, tempo desde a exposição e comorbidades; este campo não substitui avaliação individualizada.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento urgente se houver perda auditiva súbita após exposição a ruído intenso, vertigem incapacitante, dor intensa ou secreção do ouvido. Consultas ambulatoriais são indicadas para zumbido persistente, perda auditiva progressiva ou quando a incapacidade para trabalho ou comunicação se instala. Documentar data e circunstâncias da exposição sonora facilita perícias e medidas preventivas.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso concreto e pode variar entre duas pessoas com o mesmo código. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). O CID do atestado é o critério prático que o perito usa para decidir se episódios distintos são a mesma doença e, portanto, somam para o cálculo dos 15 dias.

Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, ter data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID só ocorre com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelas rotinas de perícia.

Este código costuma representar tanto quadros agudos (trauma acústico) quanto efeitos crônicos da exposição. Por isso, a documentação que explique a relação temporal com exposição sonora e os exames audiológicos de suporte tornam o atestado mais claro para empregador e perito. Quando há quadro agudo relacionado a evento sonoro específico, o documento deve explicar essa ligação; em exposições ocupacionais crônicas, o histórico laboral e medições de ruído são relevantes.

H83.3 frequentemente envolve sintomas que podem limitar a comunicação no trabalho (zumbido e perda auditiva), mas nem sempre gera incapacidade total. Em cenários recorrentes, a regra dos 60 dias é importante porque episódios repetidos atribuíveis ao ruído podem ser somados para fins de avaliação de benefícios e de continuidade do afastamento por perícia.

Perguntas frequentes sobre H83.3

O que exatamente significa receber o CID H83.3 no meu atestado?

Significa que o profissional identificou relação entre os seus sintomas do ouvido interno e exposição ao ruído; o código registra essa causa provável, não descreve automaticamente gravidade ou tempo de afastamento.

Isso é contagioso?

Não; efeitos do ruído não são transmissíveis entre pessoas. O código apenas relaciona sintomas ao som, não a agente infeccioso.

Preciso obrigatoriamente me afastar do trabalho quando tenho H83.3?

Nem sempre; a necessidade de afastamento depende do impacto dos sintomas na sua capacidade de trabalho e da avaliação médica. O atestado e o médico que o emitiu indicam o período a considerar.

Quais exames vão confirmar que o problema é por ruído?

A audiometria tonal mostrando padrão compatível com lesão coclear por ruído, junto com histórico de exposição comprovada, são as peças principais para sustentar o diagnóstico.

Como diferenciar H83.3 de uma labirintite?

Labirintite (H83.0) costuma ter relação temporal com infecção ou processo inflamatório e vertigem predominante; H83.3 tem vínculo claro com exposição sonora e achados audiométricos típicos de dano por ruído.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve exposição sonora aguda (evento único) ou exposição crônica no trabalho ou lazer?
  • Qual foi a intensidade e duração estimada do ruído na ocasião relatada?
  • A audiometria tonal confirma padrão de perda neurossensorial compatível com exposição a ruído?
  • Existem sinais de piora progressiva que justificariam reclassificação para outro CID?
  • Foram investigadas outras causas concomitantes (ototoxicidade, infecção, traumatismo)?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Esse diagnóstico pode fundamentar pedido de estabilidade ou benefício por incapacidade no meu caso específico?
  • Como a documentação de exposição ocupacional e exames audiométricos deve ser apresentada em perícia trabalhista?
  • A soma de atestados com CID H83.3 dentro de 60 dias pode influenciar reconhecer incapacidade prolongada?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige relatório de exposição ocupacional para autorizar avaliação especializada?
  • Que documentação audiométrica e laudos são normalmente solicitados para liberação de procedimentos de reabilitação auditiva?
  • Há necessidade de autorização prévia para consultas de saúde ocupacional ou exames vestibulares?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Códigos relacionados

Outros códigos do mesmo grupo

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.