H90.3 — Perda de audição bilateral neuro-sensorial

  • surdez neurossensorial bilateral
  • perda auditiva sensorial bilateral

CID H90.3 designa perda de audição do tipo neurossensorial que afeta os dois ouvidos. Aparece quando há lesão ou disfunção da cóclea (células ciliadas) ou do nervo auditivo e resulta em redução da sensibilidade sonora e dificuldade para entender fala, especialmente em ambientes ruidosos. Não inclui perdas condutivas isoladas por obstrução do ouvido médio ou externo nem perda unilateral isolada, que têm códigos separados. Este código requer confirmação por exame audiológico objetivo ou subjetivo que demonstre prejuízo bilateral da audição.


Em palavras simples

O código CID H90.3 significa que foi identificada uma perda de audição do tipo neurossensorial que atinge os dois ouvidos. Em linguagem simples, isso quer dizer que a raiz do problema está no ouvido interno (a cóclea) ou no nervo que leva o som ao cérebro, e não em cera ou problemas do tímpano. O diagnóstico costuma vir depois de perguntas sobre quando começou, como afeta sua rotina, e exames que medem a audição.

Você provavelmente percebeu que precisa aumentar o volume da TV, pedir para as pessoas repetirem frases ou tem dificuldade em conversar em locais barulhentos. Pode haver zumbido (um som ouvido sem fonte externa). No início, as mudanças são sutis; com o tempo, a compreensão de fala pode piorar, principalmente quando há ruído ao redor. Em muitos casos a perda é lenta; em outros, pode ocorrer de forma mais rápida e exigir atenção imediata.

A gravidade varia: nem sempre é sinal de doença grave que ponha a vida em risco, mas impacta comunicação, trabalho e relacionamentos. A maior parte das causas que vemos no Brasil são relacionadas ao envelhecimento ou à exposição repetida a ruído sem proteção. Nem toda perda é contagiosa. A duração também varia: algumas formas são progressivas e precisam de acompanhamento, outras, se causadas por evento agudo, podem ter tratamento específico.

Normalmente o próximo passo é uma avaliação com otorrinolaringologista e testes de audição (audiometria e outros exames). Dependendo do resultado, são discutidos recursos de reabilitação, como aparelhos auditivos, e medidas de proteção contra ruído. Retornos periódicos são comuns para ajustar o plano de acompanhamento e avaliar impacto na vida diária. A necessidade de afastamento do trabalho depende do efeito sobre suas funções e das exigências do cargo.

Em casa, observe se a dificuldade de ouvir piora rapidamente, se aparece tontura intensa, dor ou secreção pelo ouvido — nesses casos procure atendimento sem demora. Se a mudança for lenta, anote situações em que tem mais dificuldade (telefone, reuniões, ambientes barulhentos) para levar ao médico. Essas informações ajudam a planejar exames e possíveis adaptações na rotina e no trabalho.

Quando usar este código

Usa-se este código quando a perda auditiva neurossensorial é documentada em ambos os ouvidos e não há predominância unilateral que justifique outro subcódigo. Deve ser aplicado quando a história, exame clínico e exames audiológicos indicam componente sensorioneural bilateral e quando não se trata de perda condutiva isolada, surdez unilateral ou perda neurossensorial não especificada.

Não confunda com

H90.4 — Perda de audição unilateral neuro-sensorial: diferencia-se por afetar apenas um ouvido; a audiometria mostra assimetria significativa entre os ouvidos ou normalidade contralateral. H90.5 — Perda de audição neuro-sensorial não especificada: usado quando a lateralidade não está documentada; H90.3 exige registro claro de bilateralidade. H90 (categoria pai) — Perdas por transtorno de condução e/ou neurossensorial: H90.3 é específica para forma neurossensorial bilateral, não para perdas puramente condutivas ou mistas, que têm subcódigos próprios.

O que é

Perda de audição bilateral neuro-sensorial é a redução da capacidade de percepção sonora causada por alterações na cóclea (órgão da audição) ou no nervo auditivo, afetando os dois ouvidos. Manifesta-se por diminuição da sensibilidade a sons e por dificuldades de compreensão, sobretudo em ambientes com muito ruído ou com várias pessoas falando.

Costuma surgir progressivamente na maioria dos casos, como na presbiacusia (envelhecimento) ou por exposição crônica a ruído; também pode ocorrer subitamente em situações específicas. Afeta adultos e idosos com maior frequência, mas pode ocorrer em qualquer idade dependendo da causa subjacente.

Sintomas

Os principais sinais são diminuição da audição em ambos os ouvidos e dificuldade para entender fala, sobretudo quando há ruído de fundo; zumbido pode acompanhar. Sintomas iniciais incluem necessidade de aumentar volume de rádio/TV e pedir repetição de frases. Agravamento é indicado por isolamento social, aumento da dificuldade em telefonemas, perda progressiva de compreensão mesmo em ambientes calmos, e piora rápida sugerindo componente súbito.

Causas

Mecanismos incluem dano às células ciliadas da cóclea ou ao nervo coclear, perda sensorial relacionada à idade (presbiacusia), exposição ocupacional ou recreativa a ruído intenso, ototoxicidade por medicamentos, infecções virais que afetam o ouvido interno e doenças metabólicas ou autoimunes. No Brasil, as causas mais frequentes na prática são presbiacusia e exposição sustentada ao ruído sem proteção adequada.

Como é diagnosticado

O diagnóstico que sustenta H90.3 baseia-se em anamnese consistente com perda auditiva bilateral e exames audiológicos documentando perda neurossensorial em ambos os ouvidos, como audiometria tonal e testes de compreensão; exames objetivos (emissões otoacústicas, potenciais evocados) ajudam a confirmar o componente coclear ou retrococlear. Exclusão de causas condutivas por otoscopia e, quando indicado, impedanciometria ou avaliação otorrinolaringológica complementam a rotina diagnóstica.

Como costuma ser tratado

O manejo varia segundo a causa e gravidade: pode envolver medidas ambientais (proteção contra ruído), reabilitação auditiva com dispositivos de amplificação e acompanhamento audiológico e otorrinolaringológico. Em causas potencialmente reversíveis, condutas específicas são avaliadas por especialista. O tratamento costuma ser ambulatorial e personalizado ao perfil funcional do paciente.

Classes de medicamentos

Não existe medicação única para reverter a perda neurossensorial estabelecida; classes que aparecem em contexto diagnóstico/tratamento incluem agentes vasomoduladores e corticosteroides em situações agudas selecionadas, além de medicamentos usados para condições subjacentes (antivirais, imunossupressores) quando indicados por especialista. Uso e indicação são decisão clínica individualizada.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica e audiológica quando notar perda auditiva nos dois ouvidos, piora rápida da audição, zumbido novo ou perda de compreensão que afete trabalho ou segurança. Busca urgente é indicada se a perda for súbita, acompanhada de tontura intensa, dor ou descarga pelo ouvido, pois algumas causas exigem intervenção imediata.

Uso em atestado

Em atestados, registrar claramente lateralidade (bilateral) e os exames que confirmam perda neurossensorial, com datas e resultados sumarizados. Descrever impacto funcional na comunicação e atividades diárias quando relevante para justificativa de afastamento ou adaptação ocupacional.

Perguntas frequentes sobre H90.3

Este código significa que minha perda é reversível?

A reversibilidade depende da causa; algumas formas agudas têm tratamento específico, mas perdas neurossensoriais crônicas, como por envelhecimento ou lesão coclear, tendem a ser permanentes e tratadas com reabilitação.

Preciso de exames para registrar CID H90.3 no meu atestado?

Sim; a codificação exige documentação de perda neurossensorial bilateral, tipicamente por audiometria e exames complementares que mostrem o padrão bilateral.

Posso transmitir minha perda auditiva para familiares?

A maioria das perdas neurossensoriais não é contagiosa; algumas causas genéticas existem, mas transmissão depende de fatores hereditários específicos investigados por especialista.

Qual a diferença entre H90.3 e H90.4?

H90.3 refere-se a perda neurossensorial que afeta ambos os ouvidos; H90.4 é usada quando a perda atinge apenas um ouvido, documentada por exames audiométricos.

O que meu empregador pode exigir como prova para adaptações no trabalho?

Normalmente o empregador solicita laudo médico e exames audiológicos que descrevam lateralidade, grau e impacto funcional; medidas e direitos dependem de avaliação ocupacional e legislação aplicável.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há registro de assimetria audiométrica que justificaria código unilateral (H90.4)?
  • Qual foi a configuração audiométrica (frequências mais afetadas) e grau em cada ouvido?
  • Há história de início súbito, exposição a ruído, uso de ototóxicos ou infecção recente que altere o manejo?
  • Quais exames objetivos (emissões otoacústicas, potenciais evocados) foram realizados para localizar a lesão?
  • Existe avaliação otorrinolaringológica para excluir componentes condutivos reversíveis?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • A documentação audiológica é suficiente para requerer adaptação de função no trabalho?
  • Como a bilateralidade comprovada impacta avaliação de incapacidade laborativa em perícia?
  • Quais documentos e prazos são necessários para contestar decisão previdenciária baseada em laudo que não descreve lateralidade?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige auditoria prévia para fornecimento de dispositivos de amplificação auditiva?
  • Quais critérios de cobertura a operadora usa para reabilitação auditiva em perda neurossensorial bilateral?
  • Há exigência de relatório de especialista e exames audiométricos recentes para autorização de equipamentos auditivos?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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