H90.5 — Perda de audição neuro-sensorial não especificada

  • surdez sensorioneural não especificada
  • hipoacusia neurossensorial não especificada

O CID H90.5 designa uma perda auditiva de origem sensorioneural cuja lateralidade, gravidade ou características audiométricas não foram especificadas na notificação. Aparece quando há redução da percepção sonora por defeito na cóclea ou nas vias neurais, mas a ficha ou prontuário não discrimina se é unilateral, bilateral ou o grau da perda. Não inclui perdas por problemas de condução (condutos, membrana timpânica, ossículos) nem perdas cuja causa e localização estejam claramente documentadas em códigos irmãos como H90.3 ou H90.4. Serve para catalogar casos com evidência clínica ou relato de redução auditiva sem documentação detalhada.


Em palavras simples

Este código, CID H90.5, significa que foi registrada uma perda auditiva de origem neurossensorial — ou seja, um problema na parte sensorial do ouvido ou nas vias nervosas do som — mas sem detalhes sobre qual ouvido está afetado ou quão grave é essa perda. Em linguagem simples: diz-se que você tem perda de audição que parece ser “do ouvido interno” ou do nervo, mas os exames ou a ficha não explicaram exatamente se é em um lado, nos dois ou qual o grau.

Você provavelmente percebe que ouve menos do que antes, que a fala fica mais difícil de entender, especialmente em lugares barulhentos, e pode notar um zumbido. No início, as dificuldades costumam ser sutis — pedir para repetir, subir volume da TV — e, se piorar, fica mais difícil acompanhar conversas e o zumbido pode incomodar mais.

Isso nem sempre é grave nem contagioso. Muitas causas são crônicas e ligadas ao envelhecimento, exposição a ruído, medicamentos ou infecções prévias; em alguns casos pode ser súbito e requer avaliação urgente. O tempo de duração varia: algumas perdas são permanentes, outras melhoram se a causa for tratável. Este código não define isso; serve para registrar que há perda do tipo neurossensorial enquanto a investigação prossegue.

O caminho esperado costuma incluir encaminhamento para avaliação otorrinolaringológica, realização de audiometria para quantificar e documentar a perda e, a partir daí, opções de reabilitação ou tratamentos específicos conforme a causa. Pode haver retornos para monitoramento e discussão sobre próteses auditivas ou recursos de comunicação se necessário. Em geral o manejo é ambulatorial, mas situações de perda súbita exigem atenção rápida.

Em casa, observe se há piora rápida da audição, dificuldade importante para falar ao telefone, tontura intensa, dor ou saída do ouvido — nesses casos procure atendimento. Se as dificuldades forem estáveis, agende avaliação especializada para fazer os exames que esclareçam lateralidade e grau; isso ajuda a determinar o melhor acompanhamento e a documentação para trabalho ou benefícios, se for o caso.

Quando usar este código

Usa-se este código quando há indicação de perda auditiva de origem neurossensorial porém faltam dados sobre lateralidade, grau ou achados audiométricos que permitam classificar como bilateral (H90.3) ou unilateral (H90.4). Aparece em registros iniciais, notificações ou guias quando o avaliador não tem acesso a exame comprobatório detalhado.

Não confunda com

H90.3 — Perda de audição bilateral neuro-sensorial: este código exige documentação de redução auditiva em ambos os ouvidos por exame (audiometria ou relato clínico claro). H90.5 é usado quando não há essa especificação.
H90.4 — Perda de audição unilateral neuro-sensorial: H90.4 exige registro claro de envolvimento de apenas um ouvido; H90.5 deve ser escolhido se a lateralidade não foi informada ou não pôde ser determinada.
H90.0/H90.2 (perda por condução): códigos de perda de condução documentam problema no sistema externo/médio; diferencia-se por timpanometria, exame otoscópico e gap entre condução aérea e óssea na audiometria.

O que é

Perda de audição neuro-sensorial não especificada refere-se à diminuição da capacidade de ouvir causada por lesão ou disfunção da cóclea (parte sensorial) ou das fibras nervosas que transmitem o som ao cérebro. O termo “não especificada” indica que as informações disponíveis não determinam lateralidade, grau ou padrão audiométrico precisos.

Clinicamente manifesta-se principalmente por queixa de diminuição da clareza ou intensidade do som, dificuldade para compreender fala, especialmente em ambientes ruidosos, e possível zumbido. Pode afetar qualquer faixa etária, sendo mais frequente em adultos e idosos, mas também ocorrendo após exposição a ruído, infecções ou eventos súbitos.

Sintomas

Principais sinais são redução da habilidade de ouvir sons e entender palavras, sensação de ouvir abafado e pior desempenho em ambientes com ruído de fundo. Zumbido (tinnitus) pode acompanhar a perda e, em casos iniciais, a pessoa nota dificuldade em entender conversas, sobretudo de crianças ou pessoas com fala baixa. Agravamento costuma se manifestar por piora progressiva da inteligibilidade da fala, aumento do zumbido, queixas bilaterais novas ou dificuldade funcional significativa em atividades diárias como telefonar ou trabalhar.

Causas

Mecanismos implicam dano às células ciliadas da cóclea, à membrana basilar ou às vias auditivas neurais. No Brasil, causas práticas comuns incluem exposição ocupacional ou recreativa a ruído intenso acumulado, presbiacusia (envelhecimento), ototoxicidade por medicamentos, infecções virais (por exemplo coxsackie, vírus da caxumba em alguns casos), traumas cranianos e causas súbitas de origem vascular ou autoimune. A etiologia pode ser idiopática quando não identificada após avaliação.

Como é diagnosticado

A confirmação deste código baseia-se em evidência clínica de perda auditiva de origem neurossensorial sem documentação suficiente para especificar lateralidade ou grau. Audiometria tonal e vocal com avaliação de condução aérea e óssea é o exame padrão para caracterizar o tipo e permitir recodificação; porém H90.5 é usado quando esses dados não constam no registro. Exames de imagem e testes laboratoriais podem ser solicitados para investigar causas específicas quando houver indicação clínica.

Como costuma ser tratado

O manejo depende da causa e da gravidade: muitas situações são tratadas de forma ambulatorial com reabilitação auditiva, adaptações ambientais e, quando indicado, encaminhamento para prótese auditiva ou avaliação especializada. Em alguns quadros com causa tratável (ex.: ototoxicidade recém-identificada, infecção) há intervenções etiológicas, mas H90.5 não descreve esse detalhe. O registro deve ser atualizado quando houver diagnóstico mais preciso.

Classes de medicamentos

Classes medicamentosas relevantes na prática incluem anti-inflamatórios ou antivirais em causas específicas, bem como medicamentos usados para controlar sintomas associados como vertigem; a escolha depende da etiologia identificada. Em muitos casos de perda neurossensorial crônica, a medicação não é a principal intervenção.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica ao notar perda repentina ou rápida da audição, piora progressiva que comprometa atividades diárias, surgimento de tontura intensa ou sangramento/saída do ouvido. Para queixa lenta e estável, agendamento com otorrinolaringologista ou serviço de saúde auditiva é recomendado para avaliar, documentar e planejar reabilitação.

Uso em atestado

Para fins de atestado e perícia, este código documenta a presença de perda auditiva neurossensorial quando não há dados que permitam especificar lateralidade ou grau. Laudos e guias devem incluir resultados de audiometria, data de início dos sintomas e impacto funcional para avaliar incapacidade temporária ou permanente; a atualização do código é indicada se exames posteriores especificarem o quadro.

Perguntas frequentes sobre H90.5

O que exatamente quer dizer "não especificada" no CID H90.5?

Indica que há registro de perda auditiva de origem neurossensorial, mas faltam informações no prontuário ou na notificação sobre lateralidade, grau ou achados audiométricos que permitam escolher um código mais específico.

Esse código significa que vou ficar surdo permanentemente?

Não necessariamente; o CID registra o tipo de perda, não prevê evolução. Algumas causas são tratáveis, outras são crônicas; exames complementares e acompanhamento definem prognóstico.

Preciso de atestado para o empregador quando recebo esse código?

O CID por si só é parte da documentação, mas atestados e justificativas para afastamento dependem do laudo e da avaliação do impacto funcional, com datas e exames que apoiem a necessidade.

Como se confirma que o diagnóstico muda para H90.3 ou H90.4?

A confirmação depende de exames que documentem lateralidade (unilateral vs bilateral) e valores audiométricos; quando esses dados são adicionados ao prontuário, o código pode ser recategorizado.

O CID H90.5 é causa de afastamento médico automaticamente?

Não. A decisão por afastamento requer avaliação clínica do impacto funcional, laudo e, conforme o caso, perícia; o código é informação, não autorização automática.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há audiometria tonal e vocal disponível que permita recodificar para H90.3 ou H90.4?
  • Quando começaram os sintomas e houve episódio agudo que sugira perda súbita?
  • Há histórico de exposição ocupacional ou medicamentosa ototóxica documentado no prontuário?
  • Existem sinais de doença retrococlear (assimetria marcada, progressão rápida) que justifiquem exames por imagem?
  • O paciente apresenta zumbido, vertigem ou outros sintomas otoneurológicos que alterem a conduta?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Qual impacto funcional a perda auditiva documentada (audiometria) tem sobre a capacidade laboral do periciado?
  • A documentação atual permite caracterizar incapacidade temporária ou permanente para fins previdenciários?
  • Quais exames e laudos adicionais são necessários para sustentar afastamento ou aposentadoria por incapacidade auditiva?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O laudo e a audiometria anexados justificam cobertura para teste diagnóstico complementar ou reabilitação assistida?
  • Quais critérios contratuais a operadora exige para autorizar prótese auditiva ou adaptação assistiva?
  • Existe carência ou restrição contratual que afete cobertura de procedimentos relacionados à perda auditiva não especificada?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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