H90.4 — Perda de audição unilateral neuro-sensorial, sem restrição de audição contralateral
- surdez unilateral neurossensorial
- hipoacusia neurossensorial unilateral
- perda auditiva unilateral sensorioneural
O CID H90.4 designa perda auditiva de tipo neuro-sensorial limitada a um único ouvido, com o ouvido oposto mantendo audição funcional. Aparece quando há redução da sensibilidade sonora por lesão da cóclea ou do nervo coclear em apenas um lado. Não inclui perdas bilaterais nem casos em que a audição do lado contralateral esteja também comprometida. O código é aplicado após avaliação que confirma a discrepância entre os ouvidos e exclui causas exclusivamente condutivas. Serve para codificação clínica, pericial e administrativa, não como orientação terapêutica.
Em palavras simples
Este código, CID H90.4, indica que a perda de audição identificada está concentrada apenas em um ouvido, enquanto o outro mantém audição funcional. Ou seja, não é uma surdez que afeta os dois lados, mas sim um problema que reduz a capacidade de ouvir de forma sensível em apenas um lado.
Você provavelmente percebe que sons do lado afetado soam mais fracos, abafados ou com pior compreensão; pode ter dificuldade para localizar de onde vem um som e entender conversa quando há barulho ao redor. Algumas pessoas relatam zumbido (um apito ou chiado) no ouvido comprometido. Se a perda for súbita, a sensação aparece em horas ou dias; se for progressiva, pode notar piora lenta.
A gravidade depende da causa: nem todas as perdas unilaterais são permanentes, e algumas têm tratamento com chance de recuperação; outras podem permanecer ou progredir. Não é uma condição contagiosa. O tempo de evolução varia muito — de recuperação rápida em alguns casos agudos até necessidade de reabilitação prolongada em perdas estabelecidas.
O caminho habitual inclui avaliação médica e exames audiológicos que documentem o quanto cada ouvido ouve. Dependendo do resultado e da suspeita de causa, o médico pode solicitar exames complementares e propor acompanhamento. Em muitos casos são marcadas consultas de retorno para monitorar evolução e discutir opções de reabilitação auditiva ou intervenção específica.
Em casa, observe se a dificuldade auditiva aumenta, se aparece vertigem associada, zumbido muito intenso ou se a perda passa a envolver também o outro ouvido. Procure atendimento sem esperar quando a perda surgir de forma súbita, quando houver sintomas neurológicos associados, ou quando a limitação comprometer comunicação e segurança no trabalho ou em atividades diárias.
Quando usar este código
Usa-se este código quando exames objetivos ou audiometria mostram perda neuro-sensorial significativa em um ouvido e o ouvido contralateral tem audição dentro de limites funcionais, sem restrição que justifique o registro como bilateral ou não especificado.
Não confunda com
H90.3 — Perda de audição bilateral neuro-sensorial: separado por presença de perda relevante em ambos os ouvidos na audiometria tonal e/ou exames objetivos; se o ouvido contralateral também tiver perda, não usar H90.4. H90.5 — Perda de audição neuro-sensorial não especificada: reservado quando não há dados suficientes para lateralizar ou quando o prontuário não especifica unilateralidade; H90.4 exige documento que confirme unilateralidade. H90.0/H90.- (perdas por condução): distingue-se por exames que mostram queda do limiar por problemas de condução (otoscopia, timpanometria, condução óssea) — H90.4 é apenas neuro-sensorial unilateral comprovada.
O que é
Perda de audição unilateral neuro-sensorial é a redução da capacidade de ouvir em um ouvido devido a lesão da cóclea, células ciliadas, nervo coclear ou vias neurais auditivas, mantendo o ouvido oposto funcional. Manifesta-se como diminuição da clareza e intensidade do som no lado afetado, dificuldade em localizar fontes sonoras e pior compreensão em ambientes ruidosos.
Costuma afetar adultos de forma aguda (por exemplo, surdez súbita) ou progressiva (trauma, exposição a ruído, ototoxicidade, doenças vasculares ou tumores vestibulares). A unilateralidade tem implicações para percepção espacial e segurança, embora a audição bilateral preservada mantenha funções comunicativas básicas.
Sintomas
Principais sinais incluem redução da audição identificável no ouvido afetado, sensação de abafamento unilateral e dificuldade para entender fala em ambientes com ruído. Sintomas precoces podem ser percepção de que alguém fala “embaixo” ou necessidade de aumentar volume apenas de um lado. Indícios de agravamento são aumento rápido da perda em poucas horas ou dias, zumbido intenso, vertigem associada, ou perda progressiva que começa a afetar o ouvido contralateral.
Causas
Os mecanismos envolvem dano às células sensoriais cocleares, interrupção do fluxo sanguíneo para a cóclea, lesão do nervo coclear ou compressão por lesão ocupando espaço (por exemplo, schwannoma vestibular). No Brasil, causas comuns incluem surdez neurossensorial súbita de origem idiopática, ototoxicidade por medicamentos, trauma acústico ou contusivo e complicações de infecções virais. Tumores retrococleares e doenças autoimunes também explicam casos unilaterais.
Como é diagnosticado
A confirmação requer exames audiológicos que documentem perda neurossensorial unilateral: audiometria tonal e vocal demonstrando perda por via aérea e por via óssea sem padrão de condução, e exames objetivos como emissões otoacústicas e potenciais evocados, quando necessários. Avaliação otoscópica e timpanometria ajudam a excluir causa condutiva. A lateralização consistente nos testes e correlação clínica sustentam o uso de H90.4.
Como costuma ser tratado
O manejo varia conforme a causa e a velocidade de instalação: pode envolver condutas agudas para tentar recuperação de uma surdez súbita ou encaminhamento para reabilitação auditiva (aparelhos, implante coclear em casos selecionados) e acompanhamento otorrinolaringológico. O objetivo é preservar função auditiva, tratar causa quando identificada e minimizar impacto na comunicação e segurança.
Classes de medicamentos
Medicações relevantes na prática podem incluir agentes usados em protocolos agudos para surdez súbita e medicamentos para condições causais específicas; o uso depende de diagnóstico etiológico e decisão médica. Anti-inflamatórios, vasodilatadores e outras classes são consideradas conforme orientação clínica individual.
Quando procurar ajuda
Procure avaliação médica imediata se houver início súbito de perda auditiva unilateral, perda rápida em horas ou dias, zumbido severo ou vertigem associada. Agende avaliação otorrinolaringológica para perda insidiosa ou progressiva que não melhora, para investigação e documentação antes de perda prolongada.
Uso em atestado
Para atestados e perícia, documentar data de início dos sintomas, resultados da audiometria e exames objetivos, lateralidade e evolução. Relatar intervenções realizadas e incapacidade funcional relacionada à audição para fins de benefício ou licença.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de legislação e avaliação pericial; H90.4 é informação diagnóstica que pode compor pedido de benefício ou afastamento, mas a concessão depende de prova de incapacidade e regras do empregador ou órgão previdenciário.
Perguntas frequentes sobre H90.4
O que significa receber o CID H90.4 no meu prontuário?
Significa que a investigação encontrou perda neurossensorial em apenas um ouvido, com o outro ouvido funcionando. Esse código documenta lateralidade e tipo de perda para fins clínicos e administrativos.
Esse quadro costuma ser reversível?
Depende da causa; algumas perdas súbitas têm potencial de recuperação se tratadas rapidamente, outras são permanentes. A resposta varia conforme diagnóstico e tempo até a avaliação.
Preciso de atestado médico para justificar afastamento por H90.4?
A necessidade de atestado depende da incapacidade funcional no trabalho e das regras do empregador; para benefícios previdenciários, perícia médica e documentação audiológica são normalmente exigidas.
Como se diferencia H90.4 de perda bilateral (H90.3)?
Pela documentação audiométrica que mostra perda relevante apenas em um ouvido, enquanto o outro está dentro de limites funcionais; se ambos os lados estiverem afetados, o código deve ser H90.3.
Quais exames devo esperar receber?
Audiometria tonal e vocal, timpanometria e, se necessário, exames objetivos como emissões otoacústicas ou potenciais evocados, além de imagem em casos suspeitos de lesão retrococlear.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando a audiometria tonal e por via óssea mostram perda unilateral clara, qual exame objetivo adicional é indicado para diferenciar origem coclear de retrococlear?
- Qual é o intervalo mínimo de espera para recodificar H90.4 para H90.3 se o ouvido contralateral apresentar declínio posterior?
- Quais sinais clínicos ou de exame sugerem necessidade de ressonância magnética para investigar schwannoma vestibular?
- Em caso de surdez súbita unilateral, qual é o prazo máximo em que intervenções agudas costumam ser mais eficazes?
- Que achados na timpanometria ou otoscopia obrigam a reconsiderar a classificação como perda neurossensorial unilateral?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Em perícia, como a unilateralidade documentada por H90.4 influencia avaliação de incapacidade laboral parcial ou total?
- Que tipo de documentação médico-audiológica é essencial para comprovar início e progressão para fins de benefício previdenciário?
- A codificação como H90.4 tem impacto automático em estabilidade no emprego ou acúmulo de benefícios trabalhistas, ou depende de perícia adicional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Que exames e laudos o plano costuma exigir para autorizar procedimentos ou aparelhos auditivos relacionados a perda unilateral?
- Em que circunstâncias a operadora pode solicitar complementação de documentação quando H90.4 é informado na guia?
- A cobertura de reabilitação auditiva para perda unilateral é tratada como prioridade igual à bilateral ou avaliada caso a caso pela operadora?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.