H93.2 — Outras percepções auditivas anormais

  • percepções auditivas anormais
  • alterações subjetivas da audição
  • fenômenos auditivos subjetivos

O CID H93.2 designa percepções auditivas anormais que não se encaixam nas categorias específicas de zumbido bilateral, perda auditiva ou transtornos mentais. Aparece como sons percebidos sem fonte externa (por exemplo, zumbido, estalidos, ruídos), alterações da intensidade sonora percebida ou experiências auditivas sem estímulo. Inclui sintomas subjetivos relatados pelo paciente quando investigação otológica e neurológica não apontam outra causa classificada. Não inclui déficits objetivos de audição documentados por provas que atribuam o quadro a uma causa orgânica já codificada em outro item.


Em palavras simples

Este código significa que você está relatando uma percepção sonora anormal — como zumbido, um apito, estalidos, sensação de som sem fonte externa, ou alterações na forma de ouvir — e que, após a avaliação inicial, não foi encontrada uma causa específica já descrita em outro código. Não é um diagnóstico de doença única, mas um registro da experiência que você descreveu ao médico.

Você provavelmente está sentindo sons que só você ouve, que podem variar em intensidade e frequência ao longo do dia. Muitas pessoas relatam que o som aparece em silêncio, piora à noite ou quando estão cansadas, e pode vir acompanhado de sensação de ouvido tampado, dificuldade de concentração, irritabilidade ou sono prejudicado. Nem sempre há dor; o impacto costuma ser mais sobre conforto e bem-estar.

Na maior parte dos casos isso não é contagioso. A gravidade varia: para alguns é um incômodo leve e temporário; para outros, especialmente se persistente, pode afetar o sono e o humor. O tempo de duração pode ser breve ou tornar-se crônico; a investigação e o seguimento ajudam a definir a evolução.

Os próximos passos habituais incluem exames auditivos (como audiometria) e avaliação otorrinolaringológica; dependendo do quadro, o médico pode pedir outros exames para excluir causas específicas. Muitas vezes o manejo é ambulatorial, com orientações para proteger os ouvidos e estratégias para reduzir o impacto do sintoma. Em alguns casos é necessário acompanhamento psicológico ou terapia para sono e ansiedade.

Em casa, observe se o som aumenta de forma súbita, se aparece junto com dor, secreção, sangramento, perda rápida de audição, tontura intensa ou fraqueza facial — nesses casos procure ajuda imediata. Anote quando o som aparece, que tipo de som é, quanto tempo dura e fatores que parecem piorá-lo; essas informações ajudam na investigação. Se o sintoma estiver atrapalhando suas atividades, trabalho ou sono, converse com seu médico sobre opções de suporte e reabilitação.

Quando usar este código

Usa-se este código quando o profissional registra uma percepção auditiva anômala que não corresponde a diagnósticos específicos já codificados (como H81, H90, H91) e que não melhor se encaixa em códigos psiquiátricos ou neurológicos específicos. Aplica-se tanto a casos isolados quanto a sintomas persistentes sem clareza etiológica após avaliação inicial. Não é apropriado quando há documentação clara de outro transtorno auditivo primário ou de alteração cognitiva maior responsável pelas percepções.

Não confunda com

H93.2 vs H81.1: H81.1 é vertigem posicional paroxística benigna quando há episódios breves de tontura desencadeada por mudança de posição e exame vestibular sugestivo; H93.2 refere-se a percepção sonora anômala sem critérios de vertigem posicional.

H93.2 vs H90.3: H90.3 é perda auditiva neurossensorial unilateral documentada por audiometria; se a queixa principal for percepção sonora sem perda auditiva objetiva ou quando a perda não explica o sintoma, usar H93.2.

H93.2 vs F44.89: F44.89 é transtorno de conversão com sintoma neurológico não intencional; quando a história e exame apontam para uma sintomatologia dissociativa sem achados otológicos, F44.89 é mais adequado; H93.2 permanece para sintomas auditivos primários sem quadro dissociativo.

O que é

O termo refere-se a qualquer percepção sonora anormal relatada pelo paciente na ausência de fonte externa identificável, ou a alterações na forma como sons são percebidos. Manifestações incluem zumbido (tinnitus), sensação de estalidos, percepção de voz ou música sem emissor (episódios breves de alucinação auditiva), hipersensibilidade a sons (hiperacusia) ou sensação de que sons estão distorcidos.

Costuma afetar adultos de meia-idade e idosos, podendo ocorrer em jovens expostos a ruído intenso ou com alterações otológicas; a prevalência clínica maior na prática brasileira está associada a história de exposição ocupacional a ruído, otites crônicas prévias e uso de medicamentos ototóxicos. O impacto varia de incômodo leve a interferência significativa na qualidade de vida.

Sintomas

Principais sintomas incluem zumbido contínuo ou intermitente, percepção de ruído (apito, chiado, estalidos), sensação de ouvido cheio sem obstrução e sensibilidade aumentada a sons. Sintomas que aparecem cedo tipicamente são intermitência do zumbido e episódios breves de percepção sonora; agravamento é indicado por aumento da intensidade ou persistência diária, surgimento de alterações na fala ou audição associada, ou impacto funcional como sono prejudicado, ansiedade ou dificuldade de concentração.

Causas

Mecanismos possíveis vão de alterações periféricas no ouvido interno (lesão coclear, dano a células ciliadas por ruído ou ototoxicidade) a mudanças centrais na forma como o cérebro processa sinais sonoros. No Brasil, as causas mais frequentes na prática são exposição crônica a ruído ocupacional, sequela de otites médias, e uso prévio de medicamentos ototóxicos; causas menos comuns incluem lesões retrocochleares, distúrbios vasculares locais e condições neurológicas ou psiquiátricas que geram percepção auditiva anômala.

Como é diagnosticado

O diagnóstico deste código é clínico e fundamenta-se na queixa principal de percepção auditiva anormal descrita pelo paciente, na ausência de diagnóstico alternativo mais específico. Sustenta-se por anamnese detalhada (início, padrão, fatores agravantes/relaxantes, exposição a ruído, medicamentos) e exame otorrinolaringológico básico. A audiometria tonal e exames objetivos do ouvido ajudam a documentar a presença ou ausência de perda auditiva associada; quando esses testes não identificam uma causa clara ou quando a apresentação não pertence a outra subcategoria, registra-se H93.2.

Como costuma ser tratado

O manejo costuma ser orientado por investigação etiológica e medidas de suporte. Intervenções incluem orientação sobre proteção auditiva e redução de exposição a ruído, técnicas de reabilitação auditiva (como terapia sonora e estratégias de manejo do zumbido) e acompanhamento multidisciplinar quando há impacto psicológico significativo. O tratamento é tipicamente ambulatorial e ajuste terapêutico depende da evolução e dos achados dos exames complementares.

Classes de medicamentos

Medicamentos usados na prática como parte do manejo incluem classes ansiolíticas ou antidepressivas para sintomas associados de ansiedade e sono prejudicado, e agentes usados para sintomas vestibulares em casos associados; a indicação e escolha específica dependem da avaliação clínica e não são definidas por este verbete. O uso de qualquer fármaco deve ser decidido pelo médico responsável e documentado.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica ao surgirem percepções auditivas novas e persistentes, quando há perda auditiva progressiva, tontura associada, dor, secreção auricular, sangramento ou sinais neurológicos como fraqueza facial ou perda sensorial. Buscar atendimento também se o sintoma interfere no sono, trabalho ou estado emocional. Em caso de início súbito de perda auditiva acompanhando as percepções, considerar investigação urgente.

Uso em atestado

Em atestados, registrar o sintoma principal descrito pelo paciente e a conduta realizada (avaliação otorrinolaringológica e exames solicitados), evitando afirmar prognóstico definitivo. Informar a duração do sintoma documentada e as limitações funcionais observadas. A indicação de afastamento ou de medidas de restrição deve constar com justificativa clínica clara.

Perguntas frequentes sobre H93.2

O que exatamente significa receber o CID H93.2 no meu prontuário?

Significa que foi registrada uma percepção auditiva anormal relatada por você, sem classificação mais específica após a avaliação inicial. É um registro sintomático que guia a investigação.

Esse quadro costuma ser permanente?

A duração varia: pode ser temporário ou persistir por meses/anos. A investigação e medidas de manejo determinam a evolução, e muitos casos melhoram com medidas de proteção e reabilitação.

Preciso de afastamento do trabalho se recebi esse CID?

O CID em si não define afastamento; a necessidade depende do impacto funcional documentado e da avaliação médica. A decisão costuma basear-se em quanto o sintoma prejudica desempenho e segurança no trabalho.

O plano de saúde cobre os exames necessários quando há H93.2?

Cobertura depende de contrato e indicação médica; o CID é parte da documentação, mas autorização e cobertura variam conforme a operadora e procedimento solicitado.

Qual a diferença entre este código e perda auditiva documentada?

H93.2 refere-se a percepção sonora anômala sem que exista diagnóstico auditivo específico já codificado; quando há perda auditiva objetiva comprovada por exames, aplica-se o código correspondente à perda (por exemplo H90.x).

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve exposição ocupacional ou aguda a ruído antes do início das percepções auditivas?
  • Qual é o padrão temporal do sintoma (contínuo, intermitente, episódico) e mudou desde o início?
  • A audiometria tonal mostrou limiar compatível com perda que explique as percepções, ou os exames objetivos são normais?
  • Há sinais neurológicos ou otorrinolaringológicos associados que justifiquem imagem por ressonância magnética?
  • Qual a relação entre o sintoma e uso prévio de medicamentos ototóxicos ou história de infecções do ouvido médio?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este CID em prontuário pode ser usado como prova isolada para fins de afastamento previdenciário ou é necessária documentação complementar?
  • Que tipo de laudo pericial e exames objetivos são exigidos para associação entre condição auditiva e atividade laborativa?
  • Em casos de suspeita de dano ocupacional auditivo, quais prazos e procedimentos para requerer estabilidade ou indenização?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais exames complementares relacionados a percepções auditivas o plano costuma autorizar mediante apresentação do CID H93.2?
  • O plano exige relatório médico detalhado para liberar exames de imagem quando indicados em investigação auditiva?
  • Há cobertura para terapias de reabilitação sonora e acompanhamento multidisciplinar associadas ao CID H93.2?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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