CIDs Med
K00–K93 · Capítulo XI · Doenças do aparelho digestivo
  • esteatose hepática alcoólica
  • esteatose alcoólica

Em palavras simples

Receber o registro “fígado gorduroso alcoólico” significa que o fígado tem excesso de gordura e que isso é atribuído ao consumo de álcool. Não é uma infecção que “pega” outra pessoa; é uma alteração do próprio fígado ligada ao álcool. Em muitos casos não há sintomas claros, e a descoberta vem por exames de rotina ou imagem.

Você pode estar sentindo cansaço, sensação de peso ou desconforto na parte superior da barriga (o que algumas pessoas chamam de “barriga” alta), às vezes náuseas ou mudança no apetite. Frequentemente as pessoas relatam também cansaço maior do que o habitual e oscilações no intestino, como episódios de intestino solto. Em muitos casos não há dor intensa nem febre; se esses aparecerem, é sinal de que algo mais sério pode estar acontecendo.

O diagnóstico costuma levar a exames complementares e acompanhamento: ultrassom do fígado, testes de função hepática e, em alguns casos, exames para procurar outras causas. O médico vai avaliar se há sinais de inflamação ou lesão mais grave; se isso não estiver presente, o registro fica como K70.0. Nem todo caso exige afastamento do trabalho; quando acontece, o tempo de afastamento é definido pelo médico que examinou e, se for além de 15 dias, entra perícia do INSS.

O que costuma acontecer a seguir é monitoramento com repetição de exames e orientação sobre fatores que influenciam o fígado, com foco no consumo de álcool e em condições como sobrepeso ou diabetes. Pode haver encaminhamento a especialistas ou a programas de redução do consumo se necessário. Em muitos episódios a esteatose regride com mudança de hábitos, mas pode também progredir se o consumo e os fatores de risco persistirem.

Em casa, observe sinais de alerta: dor abdominal intensa, pele amarelada (icterícia), febre, confusão ou inchaço nas pernas e barriga. Se aparecerem, procure atendimento médico sem esperar. Se estiver preocupado com o atestado ou com o registro do CID K70.0, leve esses pontos ao seu médico: a informação no atestado pode ter impacto administrativo, e é seu direito saber o que está anotado.

O que este código significa?

O CID K70.0 designa o fígado gorduroso alcoólico, isto é, a acumulação de gordura nas células do fígado atribuída ao consumo de álcool. Aparece quando há evidência clínica, laboratorial ou por imagem de esteatose associada a história de consumo etílico relevante. Não inclui hepatite alcoólica com necroinflamação grave (K70.1) nem cirrose alcoólica (K70.3); esses têm códigos próprios. Tampouco cobre esteatose não alcoólica, que tem causas metabólicas distintas. Este código é usado quando o quadro principal é a deposição de gordura hepática por álcool, mesmo que os sintomas sejam leves ou ausentes.

Quando este código é usado?

Utiliza-se K70.0 quando o paciente tem esteatose hepática atribuída ao álcool, confirmada por história de consumo e por achados clínicos, laboratoriais ou de imagem que sustentem a relação etiológica. O código registra a condição de acumulação gordurosa sem confirmação de inflamação necrodegenerativa ou cirrose, que exigiriam códigos subsequentes da subcategoria K70.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

K70.1 (Hepatite alcoólica): diferenciar por sinais de necroinflamação e elevação acentuada de enzimas hepáticas; se há quadro inflamatório agudo e testes que sugerem lesão hepática ativa, o código correto tende a ser K70.1. K70.3 (Cirrose hepática alcoólica): a presença de fibrose avançada, sinais de hipertensão portal ou imagem compatível com nodularidade orienta para K70.3, não para K70.0. K76.0 (Esteatose hepática não alcoólica): se a história não aponta para consumo alcoólico significativo e há fatores metabólicos (obesidade, diabetes), usar K76.0 em vez de K70.0.

O que é?

Fígado gorduroso alcoólico é a deposição excessiva de gordura nos hepatócitos consequência direta do consumo de álcool. Em muitos casos a alteração é inicialmente silenciosa, detectada em exames de imagem ou por alterações leves nas enzimas hepáticas, e pode coexistir com sintomas vagos como cansaço ou desconforto abdominal.

O quadro costuma ocorrer em pessoas que consomem álcool em quantidades que promovem estresse metabólico hepático; a presença de fragilidades metabólicas (obesidade, resistência insulínica) aumenta a tendência à esteatose. Este código descreve a fase de esteatose sem sinais de inflamação grave ou cirrose.

Quais sintomas aparecem?

Os sinais mais frequentes são ausência de sintomas ou sintomas leves: cansaço, sensação de plenitude ou desconforto no quadrante superior direito (“barriga” alta), e ocasionalmente náuseas ou alteração do apetite. Alterações laboratoriais discretas nas transaminases podem aparecer cedo. Sinais que sugerem agravamento incluem icterícia, dor abdominal intensa, febre, perda de peso progressiva ou sinais de hipertensão portal (edema, ascite), que indicam progressão para hepatite alcoólica ou fibrose avançada e justificam reavaliação imediata.

O que causa?

O mecanismo central é o metabolismo alterado do álcool no fígado, que favorece acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos por aumento da síntese lipídica e redução da oxidação de ácidos graxos. No Brasil, a causa prática mais comum é o consumo excessivo e crônico de álcool, frequentemente associado a fatores que aumentam o risco de esteatose, como sobrepeso, dieta rica em calorias e condições metabólicas. Danos celulares adicionais advêm de estresse oxidativo e desequilíbrio inflamatório que, se persistentes, podem evoluir para hepatite e fibrose.

Como o médico confirma o diagnóstico?

A confirmação que sustenta K70.0 baseia-se na correlação entre história de consumo de álcool, achados de imagem compatíveis com esteatose (ultrassom, elastografia) e exames laboratoriais que excluem outras causas principais de doença hepática. Biópsia hepática não é exigida para rotular esteatose alcoólica, mas pode ser utilizada se houver dúvida diagnóstica ou necessidade de quantificar inflamação e fibrose. Excluir causas não alcoólicas de esteatose é parte do diagnóstico diferencial que justifica este código.

Como costuma ser tratado?

O manejo inicial documentado nos registros é o seguimento clínico e a redução do consumo de álcool, com monitorização de sintomas e exames hepáticos. Em ambiente ambulatorial, o acompanhamento visa identificar resolução da esteatose ou evolução para inflamação e fibrose; intervenções multidisciplinares com suporte para redução do álcool e abordagem dos fatores metabólicos são frequentemente registradas. Em casos de exacerbação, pode haver necessidade de avaliação especializada e terapias dirigidas à complicação identificada.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes medicamentosas que podem constar no registro incluem hepatoprotetores prescritos para suporte clínico, agentes para manejo de comorbidades metabólicas (por exemplo, reguladores da glicemia e do perfil lipídico) e medicamentos para sintomas de abstinência alcoólica quando aplicável. Nenhuma medicação específica define o código por si só; o tratamento é individualizado conforme quadro e comorbidades.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se surgirem dor abdominal intensa, icterícia, febre, confusão ou inchaço progressivo; esses sinais podem indicar inflamação hepática mais grave, insuficiência ou complicações. Também é indicado buscar reavaliação se houver piora do cansaço, perda de peso inexplicada ou se os exames de função hepática piorarem de forma sustentada. Para dúvidas sobre atestado e acompanhamento, converse com o profissional que acompanha o caso.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o paciente, pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, paragrafo 3); do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). A soma dos 60 dias é verificada pelo CID anotado no atestado: sem o código informado com anuência do paciente, o perito não pode agregar períodos como sendo o mesmo motivo. Para que um atestado seja aceito ele deve identificar o paciente, indicar o período de afastamento, conter data, assinatura e o CRM do médico; a presença do CID depende do consentimento do paciente e é o instrumento prático para o somatório dos atestados. No caso de fígado gorduroso alcoólico, o curso costuma ser uma condição potencialmente crônica e recorrente ligada ao consumo de álcool e a fatores metabólicos; o código frequentemente aparece em registros de acompanhamento ambulatorial mais do que em atestados de curta duração, mas quando há episódios repetidos de afastamento por complicações hepáticas a regra dos 60 dias passa a ser relevante para consolidar o período total de licença aos olhos do INSS.

Perguntas frequentes sobre K70.0

O CID K70.0 significa que tenho uma doença grave do fígado?

Não necessariamente; o código descreve acúmulo de gordura no fígado atribuído ao álcool, que pode ser assintomático ou leve. Gravidade depende de sinais de inflamação ou fibrose, que exigem avaliação adicional.

Esse diagnóstico é contagioso para outras pessoas da casa?

Não. Trata-se de uma condição metabólica do fígado relacionada ao consumo de álcool do indivíduo, não uma infecção transmissível.

Posso ter recebido esse código sem ter exames de imagem?

É possível que o médico tenha usado história clínica e exames laboratoriais para explicar esteatose; porém, imagem como ultrassom costuma ser usada para documentar gordura hepática quando há dúvida.

O atestado com CID K70.0 garante afastamento remunerado pelo INSS?

O atestado por si só não garante benefício; afastamentos até 15 dias são pagos pelo empregador, e do 16º dia o INSS exige perícia para avaliar concessão. A decisão depende de perícia e vínculo.

Qual a diferença entre esteatose alcoólica e esteatose não alcoólica?

A diferença principal é a causa: no álcool a origem é o consumo etílico; na não alcoólica, fatores metabólicos como obesidade e diabetes são os principais motores. A história clínica e exames orientam a distinção.

Preciso interromper o trabalho se tiver esse diagnóstico?

Nem sempre; a necessidade de afastamento depende do quadro clínico, sintomas e avaliação médica. Discuta com seu médico e informe-se sobre documentação para o empregador e perícia.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual é a evidência clínica ou de imagem que confirma que a esteatose hepática se deve ao álcool e não a causas metabólicas?
  • Que exames e intervalos de controle devo apresentar para que o código mude para K70.1 ou K70.3, se houver progressão?
  • Houve necessidade de biópsia ou elastografia para excluir fibrose significativa antes de codificar como K70.0?
  • Qual é a documentação sobre o padrão de consumo de álcool (frequência, intensidade, tempo) que foi registrada para justificar K70.0?
  • Que critérios laboratoriais recentes sustentam que não há inflamação hepática ativa que exigiria outro código?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Esse diagnóstico pode fundamentar pedido de afastamento por incapacidade temporária em perícia trabalhista?
  • Como o registro do CID K70.0 no atestado afeta a avaliação pericial do INSS quanto à incapacidade laboral?
  • Existem implicações para reintegração ou readaptação profissional quando o laudo registra fígado gorduroso alcoólico?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais exames de imagem ou procedimentos relacionados ao acompanhamento desse diagnóstico costumam requerer autorização prévia?
  • O plano pode exigir carência ou negar cobertura para terapias de suporte indiretas relacionadas ao álcool com base no contrato?
  • Se houver necessidade de biópsia hepática para esclarecer a gravidade, qual documentação o plano costuma pedir para autorização?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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