CIDs Med
K00–K93 · Capítulo XI · Doenças do aparelho digestivo

K76.0 Degeneração gordurosa do fígado não classificada em outra parte

  • esteatose hepática não especificada
  • esteatose hepática não alcoólica não especificada
  • degeneração gordurosa hepática sem outra classificação

Em palavras simples

Receber o código CID K76.0 significa que o médico ou o laudo encontrou acúmulo de gordura nas células do seu fígado, mas sem outra causa clara registrada. Em palavras simples, é a chamada “gordura no fígado” que não foi classificada como por álcool ou por outra doença específica no momento do relatório.

Na prática, muita gente com esse achado não sente sintomas ou nota apenas cansaço e uma sensação de peso na “barriga” alta à direita. Alguns percebem também alterações leves nos exames de sangue do fígado, mas é comum que os valores estejam próximos do normal. Nem todo caso progride para problema sério; para outros, a gordura pode aumentar e, com o tempo, causar inflamação ou alterações mais permanentes.

Sobre gravidade e tempo, K76.0 não informa sozinho se a situação é temporária ou crônica — isso depende das causas associadas que o médico vai investigar, como excesso de peso, diabetes, colesterol alto ou uso de certos medicamentos. Por isso é importante seguir com avaliações e exames, e revisar hábitos de vida com o profissional de saúde.

Geralmente o passo seguinte são exames para entender melhor: imagem abdominal (como ultrassom) e exames de sangue para o fígado e para o metabolismo. O médico pode pedir acompanhamento periódico sem afastamento, ou decidir por medidas de controle com retorno para reavaliação. Se houver dúvidas sobre a causa, pode ser necessária avaliação especializada.

Em casa, observe sinais de piora como pele ou olhos amarelados (icterícia), dor intensa na parte superior do abdome, inchaço pelo acúmulo de líquido ou confusão mental; esses sinais merecem busca imediata de atendimento. Para a maioria das pessoas, mudanças no estilo de vida e controle das condições associadas são o foco inicial, mas o curso individual varia.

Se recebeu atestado, entenda que o código descreve o achado no fígado, e não determina sozinho o tempo de afastamento; converse com seu médico sobre o plano de acompanhamento e quando retornar para reavaliação.

O que este código significa?

O CID K76.0 designa degeneração gordurosa do fígado não classificada em outra parte, ou seja, presença de acúmulo anormal de gordura nas células do fígado sem que haja outra causa específica codificada. Aparece com frequência como achado em exames de imagem ou histologia quando não se enquadra claramente como forma alcoólica ou outra doença hepática definida. Não inclui casos formalmente classificados como hepatite alcoólica (K70.0) nem formas de doença hepática por causas metabólicas já codificadas em outro lugar. Frequentemente descreve um processo que pode ser reversível, mas também pode coexistir com inflamação ou fibrose que exigem codificação complementar.

Quando este código é usado?

Use este código quando o laudo de imagem, anatomopatológico ou a avaliação clínica registrar degeneração gordurosa do fígado sem identificação de causa específica que justifique outro código. Não use quando houver documentação clara de doença hepática alcoólica, doença hepática por drogas ou diagnóstico histopatológico que especifique fibrose ou cirrose por outra causa.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

K70.0 — hepatopatia gordurosa alcoólica: critério que separa é a história documentada de consumo excessivo de álcool como causa presumida; se o quadro é atribuído ao álcool, codificar K70.0 em vez de K76.0. K76.9 — doença hepática, não especificada: K76.0 descreve explicitamente degeneração gordurosa; use K76.9 quando o laudo é insuficiente para afirmar este achado ou quando há descrição genérica de doença hepática sem caracterização. K74.0 — fibrose hepática: presença de fibrose histológica documentada ou relato de processo fibrótico separa este código; se há fibrose predominante com esteatose secundária, priorize K74.x conforme o relatório. K76.8 — outras doenças especificadas do fígado: quando a causa da esteatose é identificada e tem código próprio diferente, use o código específico e não K76.0.

O que é?

Degeneração gordurosa do fígado é o acúmulo excessivo de gotículas de gordura nas células hepáticas. No caso deste código, trata‑se de um registro de esteatose hepática sem que haja documentação suficiente para classificá‑la como alcoólica, medicamentosa ou associada a outra doença específica; é um achado anatômico ou radiológico que pode acompanhar várias condições metabólicas.

A manifestação pode ser silenciosa e encontrada incidentalmente em ultrassonografia, tomografia ou exame anatomopatológico, ou associada a sintomas vagos como fadiga e desconforto no quadrante superior direito. Populações com obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia têm maior probabilidade de apresentar esteatose, embora o diagnóstico aqui permaneça não classificado quanto à etiologia.

Quais sintomas aparecem?

Os achados iniciais costumam ser assintomáticos ou sintomas inespecíficos como cansaço, sensação de peso ou desconforto na “barriga” alta à direita. Em exames laboratoriais podem ocorrer elevações leves e intermitentes de transaminases, mas valores normais não excluem o diagnóstico. Sinais que indicam agravamento incluem icterícia, aumento acentuado do abdome por ascite, confusão mental ou sinais de hipertensão portal, que sugerem evolução para fibrose grave ou cirrose e demandam avaliação urgente.

O que causa?

Mecanisticamente, a esteatose resulta por acúmulo de triglicerídeos nas células hepáticas quando há desequilíbrio entre entrada/síntese e oxidação/remoção de gorduras. No Brasil, a causa mais comum na prática é a associação com síndrome metabólica — obesidade, resistência insulínica, diabetes e dislipidemia — embora medicamentos, rápido ganho de peso, desnutrição, causas tóxicas e doenças hepáticas crônicas possam contribuir. Quando a origem não está documentada ou não se enquadra em um código específico, usa‑se K76.0.

Como o médico confirma o diagnóstico?

A confirmação deste código baseia‑se em relato de imagem (ultrassom, TC, RM) ou em exame histológico que descreva degeneração gordurosa sem outra etiologia codificada. Para que K76.0 seja o código adequado, o laudo deve registrar a esteatose sem indicação clara de causa alcoólica, medicamentosa ou outro diagnóstico hepático primário; exames laboratoriais e história clínica ajudam a orientar a codificação, mas o código reflete o achado não classificado em outra parte.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma focar na identificação e no controle das causas associadas: mudanças no estilo de vida, controle do peso, glicemia e lipídios são medidas centrais em programas ambulatoriais. Em muitos casos o acompanhamento clínico e laboratorial é suficiente; quando há suspeita de inflamação ou fibrose, avaliação especializada e seguimento hepatológico são indicados. Intervenções farmacológicas específicas dependem da etiologia documentada e devem ser codificadas conforme o diagnóstico suplementar.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos relevantes na prática incluem agentes para controle glicêmico, hipolipemiantes e fármacos para condições co‑existentes que influenciam o fígado. O uso de medicamentos hepatotóxicos ou que favoreçam acúmulo lipídico deve ser revisado pelo clínico. Não se listam drogas ou doses específicas aqui; a prescrição depende da avaliação individual e do diagnóstico etiológico adjunto.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento se houver icterícia aparente, dor intensa no alto do abdome, náuseas persistentes, vômitos, confusão mental ou sinais de sangramento, pois podem indicar evolução para doença hepática grave. Consulte seu médico se surgirem sintomas novos ou piora de fadiga e desconforto, ou se exames laboratoriais mostrarem elevações marcantes das enzimas hepáticas; essas mudanças podem exigir investigação mais aprofundada e encaminhamento para hepatologia.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, com base no caso concreto, e por isso duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário; a partir do 16º dia o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Para a soma dos 60 dias o perito considera o CID registrado no atestado como indicativo do mesmo motivo, o que explica por que o código costuma aparecer nos documentos de afastamento.

Para que um atestado seja aceito precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS. Documentos incompletos ou sem CID dificultam a análise de continuidade do mesmo motivo.

No caso de degeneração gordurosa do fígado (K76.0), o curso costuma ser crônico ou recorrente em muitos pacientes porque está ligado a condições metabólicas de longa duração; frequentemente é um achado que leva a acompanhamento ambulatorial e controle de fatores de risco, e raramente causa incapacidade súbita para o trabalho por si só. Quando há episódios repetidos de atestados com o mesmo CID dentro do intervalo de 60 dias, a regra da soma é relevante para contabilizar os primeiros 15 dias pagos pelo empregador antes da intervenção do INSS.

Se o quadro evoluir para inflamação significativa, fibrose ou complicações que comprometam a capacidade laboral, outros códigos por condições hepáticas mais graves podem ser utilizados, e a necessidade de perícia e reavaliação se torna mais frequente.

Perguntas frequentes sobre K76.0

O que exatamente significa ter "degeneração gordurosa do fígado" no laudo?

Significa que há acúmulo de gordura nas células do fígado registrado por imagem ou biópsia, sem que tenha sido classificada naquele documento como causada por álcool ou outra doença específica.

Isso é contagioso para a família?

Não. A esteatose hepática não é uma doença transmissível; trata‑se de um processo metabólico ou relacionado a exposições individuais.

Preciso de afastamento do trabalho por causa desse código?

O código por si só não determina afastamento; o tempo é definido pelo médico que o atendeu e dependerá do quadro clínico e da função do trabalho.

Quais exames costumam aparecer depois desse diagnóstico?

Exames de imagem para quantificar a gordura e testes de função hepática no sangue são comuns; em casos selecionados, a avaliação especializada ou a biópsia podem ser solicitadas.

Como diferenciar K76.0 de doença hepática alcoólica?

A diferenciação baseia‑se na história de consumo de álcool e na documentação clínica; se há evidência de relação com álcool, o código correto costuma ser K70.0 e não K76.0.

Se meu atestado não trouxe o CID, isso traz problema para o INSS?

A ausência do CID impede a soma automática de atestados pelo mesmo motivo para fins de perícia; pode dificultar a verificação da continuidade do mesmo quadro em 60 dias.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve avaliação de consumo de álcool e registros quantitativos que permitam diferenciar de K70.0?
  • O laudo que descreve esteatose menciona inflamação ou fibrose associada que requeira codificação adicional?
  • Há exames de imagem comparativos prévios para avaliar evolução ou regressão da esteatose?
  • Existem medicamentos em uso ou alterações metabólicas documentadas que podem ser a causa primária desta esteatose?
  • Se houver biópsia, o relatório histológico especifica apenas esteatose ou descreve esteato‑hepatite/fibrose que mudaria o código?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este diagnóstico pode justificar pedido de afastamentoLongo para fins de perícia?
  • Como a soma dos atestados com o mesmo CID em 60 dias pode afetar a análise de incapacidade pelo INSS?
  • Quais documentos médicos são essenciais para comprovar incapacidade quando a doença está classificada como K76.0?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos de imagem ou terapêuticos relacionados a este diagnóstico exigem pré‑autorização pelo plano?
  • O laudo que traz apenas "esteatose" sem causa identificada costuma ser aceito para autorizações de exames complementares?
  • Em caso de terapia medicamentosa para condições metabólicas associadas, quais justificativas o plano costuma exigir para cobertura?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.