K70 Doença alcoólica do fígado
- hepatopatia alcoólica
- fígado alcoólico
- hepatite alcoólica
- esteatose alcoólica
Em palavras simples
Receber o código CID K70 significa que o médico entendeu que seu fígado foi afetado principalmente pelo consumo de álcool. Em palavras simples, indica que a bebida alcoólica está sendo a causa mais provável das alterações no fígado observadas nos seus exames ou avaliadas no consultório. Isso pode incluir acúmulo de gordura no fígado, inflamação ou cicatrização do órgão.
Você pode estar sentindo cansaço maior que o habitual, uma sensação de ‘barriga’ inchada ou desconforto na parte superior direita do abdome; alguns pacientes descrevem perda de apetite, náuseas ou intestino mais solto. Em fases iniciais os sintomas podem ser leves, mas se houver inflamação mais intensa pode aparecer pele amarelada (olhos e pele), febre leve e piora do cansaço.
Quanto à gravidade, K70 cobre um espectro: pode ser uma alteração inicial que melhora com mudanças no consumo e acompanhamento, ou uma condição que progride com perda da função hepática. A codificação por si só não determina quanto tempo algo vai durar nem se é contagioso — a doença do fígado por álcool não é uma infecção que se pega de outra pessoa.
O caminho usual inclui exames de sangue para avaliar o fígado, ultrassom e possivelmente outros exames de imagem ou avaliações mais detalhadas se necessário. O médico vai discutir retornos e se é recomendável afastamento do trabalho. A presença do código no atestado depende de você autorizar que o diagnóstico conste; muitas vezes o médico registra o CID quando isso ajuda a somar atestados para efeitos de perícia.
Em casa, observe sinais que indiquem piora: amarelecimento da pele ou olhos, vômitos persistentes, sangue nas fezes ou vômito com sangue, febre alta, inchaço marcado na barriga, confusão ou sonolência excessiva. Se aparecerem esses sinais, procure atendimentos de emergência. Para sintomas menos alarmantes, agende retorno com seu médico para discutir exames e próximos passos.
O que este código significa?
O CID K70 designa a doença alcoólica do fígado, termo que agrupa alterações hepáticas causadas por consumo excessivo de álcool, desde esteatose até hepatite alcoólica e cirrose alcoólica. Aparece quando a lesão hepática é atribuída ao álcool como causa predominante. Não inclui doença gordurosa não alcoólica nem hepatites virais primariamente causadas por vírus. A codificação K70 refere-se à etiologia alcoólica e é usada quando o clínico considera o álcool responsável pela maior parte do dano hepático. Subdivisões de K70 especificam fenótipos (esteatose, hepatite, fibrose/cirrose) que guiam a descrição clínica e registros.
Quando este código é usado?
Use K70 quando a avaliação clínica e os exames sustentam que o álcool é a causa principal da doença hepática, incluindo quadros de fígado gorduroso alcoólico, hepatite alcoólica aguda ou lesão crônica com fibrose/cirrose associada ao consumo etílico. Escolha subdivisões de K70 conforme o quadro predominante registrado pelo médico: alteração gordurosa, inflamação aguda ou estágio fibrótico/cirrotizante.
Não use K70 para lesões hepáticas atribuídas a outras causas primárias, como doença metabólica, drogas não alcoólicas ou hepatites virais, mesmo que o paciente consuma bebida alcoólica; nesses casos, códigos de outra categoria devem ser preferidos.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
K74 (Fibrose e cirrose hepáticas): K74 descreve fibrose e cirrose sem atribuição obrigatória ao álcool. A separação depende da etiologia registrada; cirrose com história e evidência de dano alcoólico é K70.3, enquanto cirrose por outras causas é K74.
K76.0 (Esteatose hepática): K76.0 cobre esteatose não alcoólica quando não há consumo alcoólico significativo identificado. O critério que separa é a presença de consumo de álcool suficiente para ser a causa primária da esteatose, então com história e investigação apontando para álcool, usa-se K70.0.
K71 (Doença hepática tóxica por agentes não alcoólicos): K71 é aplicado quando drogas ou toxinas não alcoólicas explicam a lesão hepática. Diferencia-se por história de exposição a fármacos/toxinas e ausência de relação causal com álcool predominante.
O que é?
Doença alcoólica do fígado é o conjunto de alterações no fígado causadas principalmente pelo consumo excessivo de álcool. Essas alterações variam desde acúmulo de gordura nas células hepáticas (esteatose) até inflamação aguda (hepatite alcoólica) e evolução para fibrose e cirrose crônica; o diagnóstico pela codificação enfatiza que o álcool é o fator etiológico principal.
Manifesta-se com sinais e sintomas sistêmicos e abdominais, frequentemente em pessoas com consumo regular e excessivo de álcool ao longo do tempo, embora episódios agudos de ingestão intensa possam precipitar lesão inflamatória. Pacientes costumam ser adultos com história de uso prejudicial de álcool, mas a suscetibilidade individual varia conforme genética, nutrição e comorbidades.
Quais sintomas aparecem?
Os sintomas iniciais podem ser discretos: sensação de cansaço, desconforto no quadrante superior direito do abdome ou sensação de ‘barriga’ inchada por acúmulo de gordura hepática. Alterações inespecíficas como perda de apetite, náuseas leves e emagrecimento podem ocorrer.
Sinais de agravamento incluem icterícia (amarelecimento da pele e olhos), dor abdominal mais intensa, febre associada à hepatite alcoólica, confusão ou alteração do nível de consciência por encefalopatia hepática, e aumento progressivo do volume abdominal por ascite. Sangramentos, edema e sinais de insuficiência hepática indicam doença avançada e piora.
O que causa?
Mecanismos centrais incluem toxicidade direta do etanol e de seus metabólitos sobre os hepatócitos, inflamação mediada por respostas imunes e estresse oxidativo, e acúmulo de gordura intra-hepatocitária por alteração do metabolismo lipídico. A frequência e a quantidade de consumo de álcool são os fatores mais importantes na prática brasileira, frequentemente associados à desnutrição e infecções que agravam a lesão.
Fatores individuais como predisposição genética, obesidade, uso concomitante de hepatotóxicos e presença de hepatites virais podem modificar o risco e a velocidade de progressão, mas a classificação K70 exige que o álcool seja considerado a causa predominante.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico que sustenta o código K70 combina história clínica organizada sobre consumo de álcool, sinais e sintomas hepáticos, alterações laboratoriais de função hepática, e evidência por imagem de alterações hepáticas compatíveis. Em muitos casos, a avaliação do padrão de consumo alcoólico e a exclusão de causas alternativas são fundamentais para atribuir o código.
Exames complementares sustentam a codificação: testes de função hepática, ultrassonografia ou outros métodos de imagem e, quando necessário, biópsia hepática para diferenciar estágios e confirmar diagnóstico quando a etiologia é incerta. A presença de dados que indiquem que o álcool é a causa predominante é o que define K70 em relação a códigos vizinhos.
Como costuma ser tratado?
O manejo documentado para doença alcoólica do fígado é centrado em medidas clínico-epidemiológicas e suporte, com abordagem para reduzir ou cessar a exposição alcoólica e tratamento das complicações hepáticas. A conduta pode incluir monitorização ambulatorial ou internação em quadros agudos, suporte nutricional e manejo de complicações como ascite, hemorragia digestiva ou encefalopatia hepática conforme necessário.
O foco terapêutico e o local de cuidado dependem da gravidade do quadro e da presença de descompensação hepática; a codificação K70 não prescreve terapias específicas, mas indica a necessidade de intervenção voltada para a etiologia alcoólica e suas consequências.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
As classes de medicamentos relacionadas ao manejo de manifestações de K70 incluem agentes para suporte da função hepática e correção de complicações (por exemplo, coagulopatia e encefalopatia), antimicrobianos em infecções associadas, e terapias sintomáticas para náuseas e dor quando indicadas. A escolha medicamentosa depende do quadro clínico e da presença de comorbidade; nenhum fármaco específico define o código.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação médica imediata se surgirem sinais de agravamento como icterícia progressiva, sangramento digestivo, confusão mental ou sonolência excessiva, febre com dor abdominal intensa, ou aumento rápido do volume abdominal. Para sintomas iniciais persistentes como cansaço marcado, perda de apetite e desconforto abdominal, agende avaliação para investigação e orientação.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. A regra dos 60 dias é baseada no CID do atestado: é o código agrupado no documento que o perito usa para verificar se trata-se do mesmo motivo, permitindo a soma dos períodos.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data da emissão, assinatura e o número do CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada.
Para K70, a decisão sobre duração e necessidade de afastamento costuma considerar se o quadro é uma hepatite alcoólica aguda, uma lesão hepática crônica com descompensação ou uma condição estável de acompanhamento. K70 frequentemente representa uma condição crônica ou recorrente que pode precisar de registro e acompanhamento; por isso, quando o quadro reaparece ou há episódios relacionados ao consumo de álcool, a regra dos 60 dias importa mais, porque permite ao perito agrupar atestados sucessivos como um mesmo motivo para efeitos de cálculo do benefício quando documentados com o mesmo CID.
Que direitos este código envolve?
Pacientes com K70 têm direitos trabalhistas e previdenciários sujeitos à avaliação clínica e pericial; o afastamento e eventual benefício dependem da perícia do INSS quando aplicável. O empregador é responsável pelo pagamento dos primeiros 15 dias de atestado se o afastamento decorrer do mesmo motivo; a partir do 16º dia, a compensação passa por avaliação do INSS.
Perguntas frequentes sobre K70
O CID K70 significa que meu fígado tem cirrose?
K70 cobre desde alterações gordurosas até cirrose quando o álcool é a causa principal; a presença de cirrose depende de achados clínicos, de imagem ou de biópsia e da subdivisão do código.
Posso transmitir essa condição para minha família?
Não. A doença alcoólica do fígado não é contagiosa; trata-se de dano causado pela exposição ao álcool no indivíduo.
Vou precisar de afastamento do trabalho quando recebi K70?
O afastamento depende da gravidade do quadro e da avaliação do médico que o examina; o atestado e o CID poderão ser utilizados conforme as regras trabalhistas e previdenciárias aplicáveis.
Quais exames o médico pedirá após receber esse diagnóstico?
Normalmente são solicitados exames de função hepática, ultrassonografia do fígado e, em casos selecionados, exames para estimar fibrose ou biópsia quando houver dúvida sobre estágio ou causa.
Como diferenciar K70 de fígado gorduroso não alcoólico?
A diferença principal é a história de consumo de álcool e a exclusão de causas metabólicas; o médico usa essa informação junto com exames para atribuir o código.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco K70-K77
- OMS — ICD-10, versão 2019 (K70)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.