M65.2 — Tendinite calcificada

  • calcificação tendínea
  • tendinopatia calcária

O CID M65.2 designa a tendinite calcificada: presença de depósitos de cálcio dentro de um tendão associada a inflamação local. Costuma aparecer com dor focal, rigidez e limitação funcional, frequentemente em ombro, mas também possível em quadril ou punho. Não inclui outras causas de dor tendínea sem depósito calcário visível, nem processos infecciosos da bainha tendínea (M65.1) ou dedo em gatilho (M65.3). O diagnóstico distingue-se por imagem que mostra calcificação e por quadro clínico compatível. Este verbete é conteúdo de referência — não prescreve tratamento individualizado.


Em palavras simples

O código CID M65.2 significa que foi identificado um depósito de cálcio dentro de um tendão que está gerando inflamação e dor. Em palavras simples, parte do tendão tem um acúmulo calcificado que pode irritar a estrutura ao seu redor quando você move o braço, o quadril ou o pulso, dependendo do local afetado.

Você provavelmente sente dor localizada, sensibilidade ao toque sobre o tendão e dificuldade para mover a articulação com a mesma facilidade de antes; a dor pode piorar ao usar o membro e, em alguns casos, acordar à noite. Pode também haver rigidez e limitação para realizar atividades que exigem força ou alcance, como levantar o braço acima da cabeça ou girar o punho.

Na maioria das vezes não é uma doença contagiosa. A gravidade varia: alguns episódios são agudos e muito dolorosos por dias ou semanas, outros seguem cronicamente com dor moderada e limitação por meses. Frequentemente melhora com tratamentos e repouso relativo, mas pode persistir em quem tem depósitos maiores ou uso repetitivo do membro.

O caminho comum após o diagnóstico inclui exames de imagem (como radiografia ou ultrassom) para confirmar e acompanhar o depósito, orientações para reduzir a sobrecarga, e avaliação com fisioterapia ou médico especialista. Em alguns casos, pode haver indicação de procedimentos locais dependendo da evolução; isso será discutido com seu médico. A necessidade de afastamento do trabalho depende da intensidade da dor e das exigências da função.

Em casa, observe se a dor piora progressivamente, se surge vermelhidão, calor ou febre (sinais que não são típicos e exigem avaliação imediata), ou se a função do membro piora de forma rápida. Se os sintomas não melhorarem com medidas básicas ou limitarem suas atividades diárias, procure reavaliação médica para revisar exames e ajustar o plano de cuidado.

Quando usar este código

Usa-se M65.2 quando há evidências clínicas de tendinite com depósito calcário demonstrado por exame de imagem e sem predominância de infecção, lesão traumática maior ou outra sinovite específica. O código aplica-se tanto a casos agudos com dor intensa quanto a quadros crônicos com limitação funcional atribuída ao calcário tendíneo.

Não confunda com

M65.3 (Dedo em gatilho): M65.3 refere-se a bloqueio mecânico do tendão flexor digital com estalido e travamento, enquanto M65.2 exige depósito calcário visível no tendão; o dedo em gatilho raramente mostra calcificação nos exames de imagem.

M65.4 (Tenossinovite estilóide radial [de Quervain]): M65.4 é uma tenossinovite específica da base do polegar com dor à manobra de Finkelstein; M65.2 implica calcificação tendínea demonstrada, frequentemente em tendões do manguito rotador ou outros locais, não especificamente a bainha radiais do polegar.

M65.8 (Outras sinovites e tenossinovites): M65.8 agrupa tenossinovites sem caracterização por depósito calcário; a presença de foco calcário em imagem e correlação clínica direciona para M65.2 em vez de M65.8.

O que é

Tendinite calcificada é a formação de depósitos de cálcio (geralmente hidroxiapatita) dentro ou à superfície de um tendão, associada a reação inflamatória local. Manifesta-se por dor focal, sensibilidade à palpação, rigidez e perda de amplitude de movimento quando o depósito interfere no deslizamento do tendão.

Afeta com maior frequência adultos de meia-idade, especialmente pessoas com sobrecarga repetitiva do segmento afetado ou histórico de tendinopatia. Em contexto brasileiro, o ombro (manguito rotador) é o local mais reportado; episódios podem ser agudos e intensos ou insidiosos e crônicos, variando com o tamanho e a mobilidade do depósito.

Sintomas

Principais: dor focal intensa ou surda sobre o tendão afetado, rigidez, sensibilidade à palpação e redução da amplitude de movimento. Início precoce geralmente com dor mecânica ao mover o segmento ou após esforço; agravamento se houver aumento da inflamação, dor noturna, limitação funcional significativa ou bloqueio mecânico do tendão. Febre e sinais sistêmicos não são típicos e sugerem outra etiologia.

Causas

Mecanismos incluem deposição de cristais de cálcio por alteração metabólica local do tendão, degeneração tendínea e resposta reparativa anômala. No Brasil, o quadro mais comum surge em tendões sujeitos a microtrauma repetido (uso ocupacional ou esportivo), alterações vascularizantes do tendão e processos degenerativos relacionados à idade. Traumatismos agudos raramente causam calcificação primária, mas podem precipitar sintomas em depósito pré‑existente.

Como é diagnosticado

O código M65.2 requer correlação clínica entre dor e disfunção tendínea e identificação de depósito calcário por imagem, habitualmente radiografia simples ou ultrassonografia que mostre material ecogênico com sombra acústica. A confirmação depende da concordância entre exame físico (pontos dolorosos, limitação) e achado imagiológico; exclusão de infecção (M65.1) e de outras sinovites é necessária conforme o quadro.

Como costuma ser tratado

O manejo é conservador na maior parte dos casos e ambulatorial, incluindo medidas para reduzir dor e inflamação, reabilitação funcional e modalidades locais com objetivo de melhorar o deslizamento tendíneo. Procedimentos intervencionistas podem ser considerados quando há dor persistente e impacto funcional, conforme avaliação especializada. O plano terapêutico depende da intensidade dos sintomas, localização e resposta a medidas iniciais.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos usadas no controle sintomático incluem analgésicos simples e anti-inflamatórios não esteroidais para reduzir a dor e inflamação; agentes adjuvantes para dor crônica e, em alguns contextos, infiltração local guiada por imagem. Escolha de agente e via depende da avaliação clínica e de contraindicações individuais.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica se dor localizada não melhora com medidas básicas, se houver perda marcada de função, aumento rápido da dor, sinais de infecção local (vermelhidão, calor, febre) ou se sintomas limitarem atividades diárias. Uma consulta é indicada também quando exames de imagem mostram depósito de grande volume ou quando os sintomas reaparecem após melhora inicial.

Uso em atestado

Atestados e relatórios devem descrever local afetado, imagem que comprovou a calcificação, impacto funcional e período estimado de limitação, evitando recomendações terapêuticas específicas. Para perícia, registrar evidências objetivas — exame físico e imagem — e evolução temporal.

Perguntas frequentes sobre M65.2

O que exatamente significa ter CID M65.2?

Significa que foi identificada uma calcificação dentro de um tendão associada a inflamação e sintomas locais; é um diagnóstico baseado na correlação entre dor e imagem.

Preciso de cirurgia sempre que tenho tendinite calcificada?

Nem sempre; muitos casos são tratados de forma conservadora. A cirurgia ou procedimento intervencionista é considerada quando há dor intensa persistente ou impacto funcional significativo, conforme avaliação especializada.

O diagnóstico exige exame de imagem obrigatório?

Sim. Para usar o código M65.2 é necessário demonstrar depósito calcário por imagem (radiografia, ultrassom ou resultado equivalente) que se correlacione com o quadro clínico.

Posso transmitir a condição para outras pessoas?

Não. Tendinite calcificada não é contagiosa; trata-se de um problema local do tendão relacionado a deposição de cálcio e alterações mecânicas.

O atestado médico com CID M65.2 garante afastamento do trabalho?

O atestado descreve a condição e o impacto funcional, mas a concessão de afastamento depende da avaliação do empregador, operadora de benefícios ou perícia previdenciária, conforme regras aplicáveis.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O diagnóstico por imagem isolado sustenta pedido de afastamento temporário em perícia previdenciária?
  • Que documentação complementar (atestados, laudos de imagem, evolução clínica) fortalece pedido de benefício por incapacidade?
  • Como a existência de natureza crônica versus aguda da tendinite calcificada influencia a avaliação de capacidade laborativa?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • A operadora exige imagem documentando calcificação para autorizar procedimentos intervencionistas?
  • Quais justificativas são aceitas para cobertura de reabilitação fisioterápica por tendinite calcificada?
  • Há prazos de carência ou restrições contratuais para procedimentos guiados por imagem relacionados a tendinopatia?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade