M65.4 — Tenossinovite estilóide radial [de Quervain]
- Doença de De Quervain
- Tenossinovite de De Quervain
- Síndrome do primeiro compartimento dorsal do punho
Em palavras simples
Receber o CID M65.4 significa que a dor na base do seu polegar é atribuída à tenossinovite estilóide radial, conhecida como doença de De Quervain. Em linguagem simples, os tendões que levantam e esticam o polegar estão irritados ou apertados dentro da “gaiola” por onde passam, causando dor na lateral do punho próximo ao polegar.
Você provavelmente sente dor ao pegar, carregar sacolas, girar uma chave ou puxar algo com o polegar; a dor costuma piorar ao usar a pinça entre polegar e indicador. Pode haver sensibilidade ao toque nesse ponto, e às vezes um leve inchaço ou sensação de atrito quando move o polegar. Em muitos casos a dor começa aos poucos e piora com atividades repetitivas.
Na maior parte das vezes não é uma doença contagiosa e não costuma ser grave no sentido de risco imediato à vida. A duração varia: alguns melhoram em semanas com descanso e adaptações, outros mantêm sintomas por meses e precisam de tratamentos mais direcionados. A condição tende a responder primeiro à modificação de tarefas e reabilitação, mas pode persistir se as atividades desencadeantes continuarem.
O caminho comum após o diagnóstico inclui orientações sobre reduzir ou adaptar movimentos que pioram a dor, possíveis sessões de fisioterapia e acompanhamento com retorno para avaliar evolução. Em alguns casos, exames de imagem como ultrassom são solicitados para esclarecer a situação. A necessidade de afastamento do trabalho depende de quanto as tarefas exigem o uso do polegar e da resposta ao tratamento; o médico ou perito costuma registrar isso em atestado quando justificável.
Em casa, observe se a dor aumenta muito ao realizar tarefas habituais, se aparece perda importante de força ao segurar objetos, ou se surge inchaço progressivo e sinais de inflamação intensa; nesses casos, procure avaliação sem demora. Se a dor melhora com descanso e pequenas adaptações, mantenha acompanhamento até que a função retorne. Evite movimentos repetitivos que disparem a dor enquanto aguarda orientação profissional.
O que este código significa?
O CID M65.4 designa a tenossinovite estilóide radial, conhecida como doença de De Quervain, que afeta os tendões do primeiro compartimento dorsal do punho, próximos à base do polegar. Surge tipicamente com dor localizada na borda radial do punho, piorando ao agarrar, torcer ou ao mover o polegar contra resistência. Não inclui outras tenossinovites de dedo (como M65.3 dedo em gatilho) nem sinovites generalizadas ou de outros compartimentos (M65.8, M65.9). Destaca-se por limitação funcional da preensão fina e dor ao alongamento ou compressão dos tendões afetados.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando há quadro clínico compatível com inflamação ou sobrecarga dos tendões abdutor longo e extensor curto do polegar, com sinais locais (dor, sensibilidade, crepitação ocasional) e exame físico concordante. Não se atribui este código apenas por relato isolado de dor no punho sem sinais objetivos, nem para tendinites em outros compartimentos do punho.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M65.3 (Dedo em gatilho): diferenciar pela localização e mecanismo; M65.3 envolve nódulo e bloqueio de flexores digitais na região palmar da mão, enquanto M65.4 tem dor lateral radial e envolve tendões do polegar, sem bloqueio em gatilho. M65.8 (Outras sinovites e tenossinovites): usar M65.8 quando a tenossinovite afeta outros tendões ou múltiplos compartimentos; M65.4 é restrito ao primeiro compartimento dorsal. M20.4 (Outras deformidades dos dedos) não é sinovite; usar quando há deformidade estrutural fixa sem sinais de inflamação tendinosa.
O que é?
A tenossinovite estilóide radial, ou De Quervain, é uma condição inflamatória ou degenerativa dos tendões que deslizam no primeiro compartimento dorsal do punho — especificamente o abdutor longo e o extensor curto do polegar. Manifesta-se como dor e sensibilidade na base do polegar e face radial do punho, frequentemente com aumento da dor em movimentos de preensão, rotação do punho ou ao esticar o polegar.
Costuma afetar adultos em idade produtiva, com maior frequência em mulheres, especialmente associada a atividades repetitivas que envolvem pinçar, carregar recém-nascidos ou movimentos de torção do punho. Pode ser aguda por sobrecarga ou apresentar quadro crônico por atrito e estenose do compartimento tendíneo.
Quais sintomas aparecem?
Os sintomas principais são dor localizada na face radial do punho e na base do polegar, sensibilidade à palpação sobre o primeiro compartimento dorsal e dor agravada ao agarrar, levantar objetos ou ao realizar movimentos que estiram o polegar. Sinais precoces incluem desconforto intermitente ao manusear objetos; agravamento se traduz em dor contínua, limitação da força de preensão e possível edema ou aumento de volume local. Rouquidão ou formigamento não são características típicas; aparecimento de bloqueio do movimento sugeriria outra condição.
O que causa?
O mecanismo envolve estenose ou inflamação da bainha sinovial que reveste os tendões do primeiro compartimento dorsal, causando atrito quando os tendões deslizam. Na prática brasileira, a causa mais comum é a sobrecarga por movimentos repetitivos e posturas de pinça, seguido por alterações degenerativas e, em alguns casos, trauma repetido. Fatores anatômicos, como septos subdividindo o compartimento, e condições inflamatórias sistêmicas podem favorecer o quadro.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, fundamentado em história de dor radial no punho e exame físico que evidencia sensibilidade localizada sobre o primeiro compartimento e dor ao se estender ou abduzir o polegar contra resistência. Testes específicos de provocação podem orientar, mas a confirmação do código M65.4 requer correlação entre sintomas, sinais locais e exclusão de outras causas (artrose de carpo, radiculopatia cervical). Ultrassonografia pode demonstrar espessamento dos tendões ou sinovial e orientar quando o caso é atípico.
Como costuma ser tratado?
O tratamento é predominantemente conservador e ambulatorial, baseado em redução de atividades desencadeantes, medidas locais de suporte e fisioterapia para restaurar mobilidade e força. Em quadros persistentes, procedimentos específicos guiados por imagem ou avaliações especializadas podem ser considerados. O esquema terapêutico costuma ser escalonado conforme resposta clínica.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes medicamentosas usadas no manejo incluem analgésicos e anti-inflamatórios para controle sintomático e agentes para infiltração local em casos selecionados; a escolha depende da duração e intensidade dos sintomas e da avaliação clínica.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação especializada quando a dor impede atividades diárias ou trabalho, quando há aumento progressivo da dor apesar de medidas iniciais, quando surge perda de força marcante na preensão ou sinais inflamatórios proeminentes (edema, calor local). Buscar ajuda também se houver dúvida diagnóstica, sinais neurológicos ou se o problema persistir além do período esperado de melhora com tratamento conservador.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, o empregador paga o salário até 15 dias de afastamento (Lei 8.213/91, art. 60, §3). A partir do 16º dia o INSS passa a assumir o benefício e a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias é aplicada pelo perito usando o CID constante nos atestados: é o código que permite ao perito identificar se os afastamentos se referem à mesma doença ou condição — por isso o CID no atestado tem papel prático na verificação, e poucos pacientes sabem disso.
Para que um atestado seja aceito precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o CRM do médico. O CID só pode constar com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.
Para M65.4 (tenossinovite estilóide radial, De Quervain) o curso pode ser agudo por sobrecarga ou evoluir como condição crônica e recorrente por estenose e atrito do primeiro compartimento dorsal, com limitação funcional da preensão fina e dor que pode tornar necessário acompanhamento e registro clínico. Esse quadro nem sempre implica incapacidade total para o trabalho, dependendo da atividade do paciente e da gravidade, e costuma recidivar em situações de esforços repetitivos; por isso a regra dos 60 dias é relevante: episódios classificados com o mesmo CID podem ser contabilizados para fins de cobertura entre empregador e INSS.
Que direitos este código envolve?
Direitos relacionados a afastamento e indenização dependem de comprovação clínica e documental da relação entre a doença e as atividades laborais; reconhecimento de nexo ocupacional segue perícia técnica. Cobertura assistencial e benefícios previdenciários variam conforme legislação, contrato de trabalho e avaliação pericial.
Perguntas frequentes sobre M65.4
O que significa receber o CID M65.4 no meu atestado?
Indica que o problema foi identificado como tenossinovite estilóide radial (De Quervain), ou seja, inflamação ou irritação dos tendões do polegar junto à base do punho. O atestado descreve a condição e, quando presente, a limitação funcional para justificar afastamento ou adaptações.
Esta condição é contagiosa ou hereditária?
Não é contagiosa; há fatores anatômicos e de uso repetitivo que aumentam o risco, e casos em uma família não significam transmissão. A predisposição anatômica pode ser familiar, mas não é transmissão por contato.
Que exames vou precisar para confirmar o diagnóstico?
O diagnóstico é principalmente clínico; a ultrassonografia do punho é o exame de imagem mais usado quando há dúvida ou para documentar espessamento tendíneo. Radiografia raramente contribui diretamente para o diagnóstico.
Preciso ficar afastado do trabalho ao receber esse CID?
A necessidade de afastamento depende das tarefas específicas do seu trabalho e da gravidade dos sintomas. Decisão sobre afastamento é feita pelo profissional que o atende e, em perícia, conforme impacto funcional documentado.
Qual a diferença entre M65.4 e M65.3 (dedo em gatilho)?
M65.3 refere-se a bloqueio e nódulo dos tendões flexores na palma, causando travamento do dedo; M65.4 envolve dor lateral do punho e os tendões do polegar sem travamento na palma.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M60-M79
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M65.4)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.