M72.2 — Fibromatose da fáscia plantar

  • doença de Ledderhose
  • fibroma plantar
  • fibromatose plantar

O CID M72.2 designa fibromatose da fáscia plantar, também chamada doença de Ledderhose, caracterizada por nódulos fibrosos na fáscia plantar. Aparece como um ou vários nódulos firmes na sola do pé, podendo causar dor ao caminhar e sensibilidade local. Trata-se de uma condição fibroproliferativa local; não inclui fasciíte plantar inflamatória aguda nem processos infecciosos ou tumorais malignos. O diagnóstico costuma apoiar‑se no exame físico; exames de imagem (ultrassom, ressonância) confirmam extensão ou exclusão de outras causas. O manejo varia de medidas conservadoras (órteses, fisioterapia) a procedimentos injetáveis ou cirurgia em casos refratários.


Em palavras simples

O código CID M72.2 significa que houve um crescimento local de tecido fibroso na sola do pé, chamado fibromatose da fáscia plantar ou doença de Ledderhose. Na prática, isso costuma aparecer como um nódulo firme sob a pele da sola, que às vezes você sente ao tocar. Não é um câncer, mas é uma alteração benigna do tecido conjuntivo da planta do pé.

O que você provavelmente sente: no começo pode haver só um caroço que não dói muito. Com o tempo, especialmente ao caminhar muito ou usar calçados apertados, o nódulo pode ficar sensível e causar dor ao apoiar o pé. Algumas pessoas relatam que a dor é pior ao levantar‑se pela manhã ou depois de ficar muito tempo em pé. Também pode haver desconforto ao calçar sapatos mais duros.

Essa condição geralmente não é contagiosa nem coloca a vida em risco. O curso costuma ser crônico: pode permanecer estável, piorar aos poucos ou, em alguns casos, diminuir. O tempo varia muito entre pessoas; algumas melhoram com medidas simples e outras mantêm sintomas por meses ou anos. Nem todo caso precisa de cirurgia.

O caminho habitual após receber esse diagnóstico inclui um exame clínico detalhado e, com frequência, um ultrassom para mostrar o tamanho e a profundidade do nódulo. O tratamento inicial costuma ser conservador: ajustes no calçado, palmilhas, fisioterapia e medidas para reduzir a pressão sobre o local. Se a dor persistir apesar dessas medidas, o médico pode propor tratamentos locais ou, em última instância, cirurgia. O retorno ao trabalho e o tempo de afastamento dependem do impacto funcional e das intervenções realizadas.

Em casa, observe se o nódulo aumenta rápido, fica avermelhado, quente, começa a drenar líquido ou passa a limitar muito a sua marcha. Nesses casos procure avaliação médica sem demora. Se a dor piora gradualmente ou atrapalha tarefas diárias, agende reavaliação para ajustar o tratamento.

Conserve registros dos exames e relatórios médicos, especialmente se o problema interferir no trabalho. Pergunte ao seu médico sobre opções de palmilhas, tipos de calçado que aliviam a pressão e sobre o plano de seguimento. Evite auto‑medicação sem orientação e procure orientação profissional diante de sinais de agravamento.

Quando usar este código

Usa‑se este código quando o laudo clínico ou pericial descreve fibromatose (nódulos fibrosos) da fáscia plantar confirmada por exame físico, com ou sem exames de imagem. Não se deve usar para dor plantar sem nódulo palpável, para fasceíte plantar sem componente nodular ou para neoplasia suspeita.

Não confunda com

M72.2 versus M72.0: M72.0 é fibromatose palmar (doença de Dupuytren). Ambos são transtornos fibroproliferativos, mas M72.2 localiza‑se na fáscia plantar e produz nódulos na sola do pé; M72.0 produz cordas e retrações na palma e dedos.

M72.2 versus M77.3: M77.3 refere‑se a espícula do calcâneo/entesopatia do calcâneo (dor do calcanhar) sem nódulo fibroso. A presença de um nódulo palpável e firme na sola sugere M72.2; dor plantar sem nódulo e sinal focal no calcâneo sugere M77.3.

M72.2 versus M79.6: M79.6 é dor localizada em membro inferior sem especificação de lesão estrutural. Quando há nódulo palpável compatível com fibromatose, o correto é M72.2; se há apenas dor sem massa, usar códigos de dor.

O que é

Fibromatose da fáscia plantar é um processo benigno de proliferação fibrosa focal da fáscia plantar que gera nódulos firmes na sola do pé. Esses nódulos resultam de acúmulo de tecido conjuntivo denso que pode aderir às camadas da fáscia e causar retracção local.

Clinicamente manifesta‑se por um ou mais nódulos subcutâneos na região medial ou central da sola, geralmente indolores no início e com potencial de evoluir para dor ao caminhar, sensação de queimação ou incômodo na palmilha. Afeta adultos de meia‑idade e idosos, com maior frequência em homens e associação com outras fibromatoses e fatores metabólicos.

Sintomas

Principais: nódulo(s) firme(s) palpável(eis) na sola do pé, sensibilidade local ao apoio, dor ao caminhar que piora com carga ou calçado. Sintomas iniciais costumam ser um pequeno caroço indolor percebido ao tocar a sola; o surgimento de dor ao apoio ou alteração do padrão de marcha indica maior repercussão funcional. Sinais de agravamento incluem aumento do número ou volume dos nódulos, limitação marcada do apoio plantar, ulceração cutânea sobre o nódulo (rara) ou suspeita de lesão não compatível com fibromatose, o que exige reavaliação.

Causas

A causa exata é desconhecida; o mecanismo envolve proliferação fibroblástica e deposição de colágeno denso na fáscia plantar. Na prática brasileira, observa‑se associação com história de microtrauma repetido por calçados inadequados ou atividades de carga, tabagismo, diabetes e histórico de outras fibromatoses (palmar, pénica). Fatores genéticos e alterações locais no metabolismo do colágeno também são considerados contribuintes.

Como é diagnosticado

O diagnóstico de M72.2 baseia‑se principalmente no exame físico: nódulo(es) palpável(eis) na fáscia plantar, firmeza e mobilidade limitada em relação aos tecidos subjacentes. Ultrassonografia de partes moles é o exame inicial mais usado para confirmar espessamento fascial, delimitar número e tamanho de nódulos e excluir cistos ou tumores. Ressonância magnética é útil quando a extensão profunda é incerta ou há dúvida diagnóstica. Biópsia é reservada para lesões atípicas ou suspeita de neoplasia.

Como costuma ser tratado

O manejo começa por medidas conservadoras ambulatoriais: alterações no calçado, palmilhas e órteses para redistribuir a carga e fisioterapia com alongamentos e terapia manual. Em casos sintomáticos persistentes, procedimentos locais (infiltrações) ou tratamentos por onda de choque são frequentemente considerados antes da cirurgia. A cirurgia (excisão fascial parcial ou total) é indicada em casos refratários com dor incapacitante ou comprometimento funcional, sabendo‑se do risco de recidiva.

Classes de medicamentos

Classes empregadas para controle de sintomas incluem analgésicos e anti‑inflamatórios para dor de curto prazo, agentes para controle de dor neuropática quando presente componente neural, e medicamentos injetáveis locais (corticosteroides) para reduzir sinal inflamatório e dor. Agentes antifibróticos experimentais e injeções enzimáticas têm sido estudadas, mas a escolha depende de disponibilidade e protocolo clínico.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica quando houver nódulo novo na sola do pé, aumento rápido do nódulo, dor progressiva que limita marcha, sinais inflamatórios locais intensos ou alteração do contorno da pele sobre a lesão. Buscar urgência se houver suspeita de infecção, ulceração, sangramento ou déficit neurológico associado.

Uso em atestado

Relatórios e atestados devem descrever claramente localização, número e impacto funcional (limitação ao caminhar, necessidade de mudança de calçado, tempo de repouso) e procedimentos realizados. Em perícias, documente exames de imagem que confirmem extensão e qualquer intervenção cirúrgica. Atribuições de tempo de afastamento dependem da incapacidade documentada e do procedimento realizado.

Perguntas frequentes sobre M72.2

O CID M72.2 significa que tenho um câncer no pé?

Não. CID M72.2 refere‑se a uma alteração benigna de tecido fibroso na fáscia plantar; a avaliação clínica e, se necessário, exames de imagem ajudam a excluir neoplasia.

Preciso de cirurgia imediatamente com este diagnóstico?

Nem sempre. Muitas pessoas começam com medidas conservadoras; a cirurgia é considerada quando há dor persistente e comprometimento funcional apesar de tratamentos conservadores.

Esse problema pode contagiar outras pessoas da minha família?

Não é contagioso. Há associação com fatores hereditários em alguns casos, mas não se transmite de pessoa para pessoa.

Quais exames confirmam o diagnóstico?

O exame físico é central; ultrassonografia de partes moles é o exame inicial mais usado para confirmar nódulos e avaliar extensão; ressonância magnética é reservada para casos com dúvida diagnóstica.

Receber esse CID dá direito automático a afastamento ou cirurgia pelo plano de saúde?

Não. A necessidade de afastamento e cobertura de procedimentos depende da avaliação clínica, da documentação e das regras do empregador ou da operadora de saúde; cada caso e contrato são diferentes.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual é o tamanho, número e localização exata dos nódulos documentados e houve aumento recente?
  • A dor é relacionada ao apoio e há alteração do padrão de marcha ou limitação funcional?
  • Há sinais ultrassonográficos de invasão de tecido adjacente ou vascularização aumentada que sugiram conduta diferente?
  • Quais tratamentos conservadores já foram tentados e por quanto tempo antes de considerar procedimento invasivo?
  • Se houver cirurgia, qual a extensão prevista da ressecção e o risco estimado de recidiva para este caso?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Qual foi o grau de limitação para atividades laborais descrito no laudo e como isso impacta as funções essenciais do trabalho?
  • Existe registro documental (exames, relatórios) que comprove necessidade de afastamento e tratamentos realizados?
  • Em caso de cirurgia, qual o tempo estimado de recuperação funcional e restrições temporárias registradas no prontuário?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Este procedimento (por ex., infiltração guia, fisioterapia específica ou cirurgia) requer autorização prévia com apresentação de CID M72.2 e exames de imagem?
  • Existe cobertura para tratamentos conservadores específicos (orteses, fisioterapia, ondas de choque) no contrato apresentado?
  • Quais evidências clínicas e exames a operadora exige para autorizar procedimento cirúrgico ou terapias injetáveis para este diagnóstico?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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