M91.2 — Coxa plana

  • osteocondrose da cabeça femoral com achatamento
  • achatamento epifisário femoral
  • sequela de necrose epifisária juvenil

Em palavras simples

O código CID M91.2, chamado “coxa plana”, descreve uma situação em que a cabeça do osso do quadril (fêmur) ficou achatada durante o crescimento. Isso acontece porque, quando crianças ou adolescentes têm um problema de circulação ou uma lesão na parte de crescimento do osso, a cabeça femoral pode perder sua forma arredondada e, ao cicatrizar de modo anormal, ficar mais plana. O termo não se refere a uma dor passageira, mas a uma alteração do formato do osso que pode ter consequências na mobilidade.

Se você recebeu esse código, provavelmente está sentindo dor na virilha ou no lado do quadril, talvez com irradiação para a coxa ou joelho, e pode perceber que pisa mancando ou evita certos movimentos. É comum também notar dificuldade para girar a perna para dentro ou levantar a perna lateralmente, e atividades como correr e pular costumam ficar mais incômodas. A intensidade varia: algumas pessoas têm dor leve e só mudança de marcha, outras sofrem limitações mais evidentes.

Na maioria dos casos, a coxa plana não é contagiosa, mas pode ser uma sequela de um problema que ocorreu quando você era mais jovem. Se já houver deformidade consolidada, a recuperação completa da forma original costuma ser limitada; o foco do acompanhamento é controlar a dor, manter função e evitar agravamento. O tempo de evolução é variável: algumas pessoas convivem com a sequela há anos com sintomas estáveis; outras podem ter piora ao longo do tempo.

O caminho típico inclui avaliações com ortopedista e exames de imagem, especialmente radiografias do quadril; pode ser pedido retorno periódico para acompanhar se há piora ou sinais de artrose secundária. Dependendo da dor e da limitação, o médico pode indicar fisioterapia e medidas que melhorem a função; em alguns casos selecionados, discussão sobre intervenções cirúrgicas ocorre quando a dor ou a perda funcional é significativa.

Em casa, observe se a dor aumenta, se a marcha piora ou se surge encurtamento de uma perna. Procure ajuda mais rapidamente se a dor tornar-se intensa, você não conseguir andar, houver febre associada, ou se notar que atividades básicas ficaram impossíveis. Leve sempre exames e relatórios anteriores nas consultas: comparar imagens antigas com as atuais ajuda a entender a evolução.

O que este código significa?

O CID M91.2, denominado “Coxa plana”, designa o quadro em que a cabeça femoral do quadril apresenta achatamento ou deformidade persistente decorrente de processos de osteocondrose juvenil. Aparece tipicamente na infância ou adolescência após fase de necrose, colapso ou remodelação epifisária, e costuma ser identificado por dor, claudicação e limitação de movimento. Não inclui formas agudas sem deformidade radiográfica significativa, que pertencem a códigos irmãos como M91.1 (Legg-Calvé-Perthes) ou M91.0. Também não descreve dor lombar ou problemas não relacionados à cabeça femoral do quadril.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando a avaliação clínica e radiológica mostra achatamento ou deformidade consolidada da cabeça femoral compatível com coxa plana, geralmente como resultado de osteocondrose juvenil evoluída. Emprega-se para codificar casos com alteração estrutural persistente, limitações funcionais atribuíveis à deformidade e quando o diagnóstico não é outro subtipo específico listado entre os códigos irmãos.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M91.1 (Osteocondrose juvenil da cabeça do fêmur [Legg-Calvé-Perthes]): Legg-Calvé-Perthes refere-se à fase ativa de necrose e colapso epifisário; M91.2 é usado quando já há achatamento consolidado da cabeça femoral como sequela. M16.0 (Coxartrose juvenil secundária): a artrose secundária por deformidade pode coexistir, mas M16.0 descreve osteoartrose consolidada com dor degenerativa predominante; M91.2 foca na osteocondrose sequelar e na alteração epifisária. M91.3 (Pseudocoxalgia): pseudocoxalgia é sintoma doloroso sem alteração epifisária radiográfica; se houver deformidade epifisária visível, usa-se M91.2.

O que é?

Coxa plana é o termo usado para descrever a deformidade da cabeça femoral do quadril provocada por processos de osteocondrose na infância, quando a epífise perde seu contorno esférico e se torna achatada ou assimétrica. A lesão decorre de um ciclo que pode incluir isquemia, necrose e colapso do núcleo de ossificação, seguido de remodelação inadequada durante o crescimento.

Clinicamente manifesta-se por dor no quadril ou na virilha, claudicação e redução da amplitude de movimento, sobretudo rotação interna e abdução. Afeta mais frequentemente crianças em idade escolar e adolescentes, com evolução que varia conforme a gravidade inicial e a idade óssea.

Quais sintomas aparecem?

Os sinais mais frequentes são dor localizada na virilha ou frente do quadril, limitação progressiva da movimentação e claudicação ao caminhar; dor referida para coxa ou joelho pode ocorrer. Sinais que aparecem cedo incluem marcha mancante ou desconforto ao correr; sinal de agravamento são limitação persistente da rotação interna, dor noturna, encurtamento do membro ou desaparecimento de melhora com medidas conservadoras.

O que causa?

Mecanisticamente, a coxa plana resulta da interrupção do suprimento vascular à epífise proximal do fêmur durante o crescimento, levando a necrose avascular focal, colapso do núcleo epifisário e remodelação insuficiente. No Brasil, a apresentação mais comum é como sequela de Legg–Calvé–Perthes não recuperado integralmente, frequentemente identificada tardiamente pela procura por dor crônica ou limitação mecânica.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico para codificar M91.2 exige correlação clínica e radiográfica demonstrando achatamento ou deformidade consolidada da cabeça femoral. Raios-x em ânteras e perfil do quadril que evidenciam perda da esfericidade epifisária e alterações de contorno sustentam este código; registros prévios mostrando fase aguda (por exemplo, Legg-Calvé-Perthes) ajudam a documentar a evolução. A presença de sintomas compatíveis e documentação de sequela estrutural diferencia M91.2 de códigos de fase aguda ou de apenas sintomáticos.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma ser orientado por ortopedia pediátrica ou de quadril e varia com a gravidade: muitos casos são acompanhados de medidas conservadoras e reabilitação, outros podem necessitar de intervenções para melhorar função e aliviar dor. O objetivo do cuidado é preservar mobilidade, reduzir dor e, quando possível, retardar alterações degenerativas secundárias; o esquema terapêutico e a necessidade de cirurgia dependem de avaliação especializada e imagem.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes medicamentosas usadas no contexto incluem analgésicos e anti-inflamatórios para controle sintomático da dor e agentes auxiliares para reabilitação e controle da inflamação; a prescrição específica e doses são competência do profissional assistente. Em alguns casos, medicações para apoio ósseo ou tratamento adjuvante podem ser consideradas conforme avaliação especializada.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação especializada se houver dor persistente no quadril, claudicação, redução progressiva da mobilidade ou encurtamento de membro. Atenção a piora funcional, dor noturna intensa, febre associada ou incapacidade de deambular, situações que justificam procura mais urgente; registros de imagem prévios ou evolução temporal ajudam a orientar a conduta.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou, considerando o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, o empregador é responsável pelo pagamento do salário por até 15 dias (Lei 8.213/91, art. 60, §3º); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A lei também prevê que atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Sobre essa regra dos 60 dias: é o CID do atestado que o perito usa para verificar se a doença é a mesma, por isso o código no documento é o referencial prático para somar períodos. Pouca gente sabe que a presença do mesmo CID é o critério usado para essa verificação.

Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, conter data, assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente — o profissional não é obrigado a informar o diagnóstico ao empregador — mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.

No caso específico de M91.2 (Coxa plana), trata‑se de uma deformidade persistente da cabeça femoral decorrente de osteocondrose juvenil, com curso tipicamente crônico ou sequelar após fase de necrose e remodelação. Esse quadro pode causar limitação funcional e necessidade de acompanhamento ortopédico, e por isso nem sempre implica incapacidade total para o trabalho, embora episódios de dor ou piora possam tornar o trabalhador temporariamente incapaz. Como o problema pode ter episódios e reavaliações ao longo do tempo, a regra dos 60 dias importa para quem apresenta atestados separados relacionados ao mesmo diagnóstico: a existência do CID no documento é o elemento que permite somar esses períodos para efeitos da legislação mencionada.

Perguntas frequentes sobre M91.2

O que significa ter o código CID M91.2 no meu atestado?

Significa que há um diagnóstico radiológico de achatamento da cabeça femoral (coxa plana), geralmente sequela de processo de osteocondrose juvenil, indicado como a causa dos sintomas e da limitação funcional descrita no atestado.

A coxa plana é contagiosa ou hereditária?

Não é contagiosa; pode haver fatores biológicos que influenciem a suscetibilidade, mas o código descreve uma lesão óssea adquirida durante o crescimento, não uma infecção transmissível.

Preciso de exames além do raio‑x para confirmar o diagnóstico?

Radiografia padrão do quadril costuma ser suficiente para identificar o achatamento; exames complementares como ressonância são usados para avaliar cartilagem e fase evolutiva, conforme necessidade clínica.

Receber esse código significa que vou precisar de cirurgia?

Nem sempre; muitos casos são manejados com medidas conservadoras e reabilitação. A indicação cirúrgica depende de dor persistente, limitação funcional e avaliação ortopédica especializada.

Posso trabalhar normalmente com esse diagnóstico?

Depende da atividade e da gravidade dos sintomas. Trabalhadores que exigem esforço físico ou posições que sobrecarregam o quadril podem necessitar de adaptações temporárias, a decisão cabe à perícia e ao médico assistente.

Como difere M91.2 de Legg‑Calvé‑Perthes (M91.1)?

M91.1 refere-se à fase ativa de necrose ou colapso em crianças; M91.2 é usado quando há deformidade consolidada (achatamento) como sequela dessa ou de outra osteocondrose juvenil.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quando a imagem inicial mostra achatamento, em que momento trocaria o código de M91.1 para M91.2?
  • Qual a correlação esperada entre idade óssea e capacidade de remodelação da cabeça femoral neste caso?
  • Que critérios radiográficos e funcionais justificam considerar encaminhamento para cirurgia reconstrutiva?
  • Em pacientes com deformidade leve e dor intermitente, qual intervalo mínimo razoável para reavaliação radiográfica?
  • Que achados na ressonância justificam que o quadro seja classificado como sequela consolidada em vez de fase ativa?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Quais elementos obrigatórios no laudo e exames sustentam pedido de afastamento por incapacidade decorrente de coxa plana?
  • Em perícia previdenciária, que documentação radiológica é necessária para reconhecer sequela e pedir benefício por incapacidade?
  • A sequela de osteocondrose juvenil que limita atividades pode fundamentar pedido de aposentadoria por invalidez, e quais evidências periciais reforçam esse pleito?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais exames de imagem devem ser apresentados à operadora para autorização de procedimentos relacionados a coxa plana?
  • A operadora costuma exigir comparativo radiográfico prévio para autorizar cirurgia corretiva em quadro de coxa plana?
  • Quais justificativas clínicas e de imagem respaldam pedidos de internação ou procedimento ortopédico por sequela de osteocondrose?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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