M91.3 — Pseudocoxalgia
- pseudoxicose do quadril
- pseudo-coxalgia
- pseudo-coxalgia juvenil
Em palavras simples
Receber o diagnóstico “pseudocoxalgia” significa que a dor no seu quadril ou do seu filho parece ser típica de um problema do quadril em idade de crescimento, mas que, por enquanto, não se encaixa perfeitamente nos diagnósticos mais bem definidos de osteocondrose juvenil. É uma forma de descrever um quadro que pode causar dor, mancar e limitação de movimentos, e que muitas vezes precisa de observação para ver como evolui.
Você provavelmente está sentindo dor na virilha ou no quadril, que pode piorar ao caminhar, correr ou subir escadas. Às vezes a dor é sentida no joelho; isso ocorre porque a dor do quadril pode ser referida para o joelho. Pode haver uma marcha mancada ou recusa em apoiar totalmente a perna afetada. Em muitos casos a dor é moderada e melhora com descanso relativo, mas pode limitar atividades escolares e esportivas.
Na maior parte dos casos, pseudocoxalgia não é uma doença contagiosa nem costuma ser rapidamente progressiva. O tempo de recuperação varia: alguns melhoram em semanas, outros precisam de meses de acompanhamento. O médico pode pedir imagens e reavaliar periodicamente para assegurar que não haja evolução para uma alteração estrutural mais séria. Se houver piora ou mudanças no exame de imagem, o diagnóstico pode ser revisto.
O caminho típico inclui uma avaliação clínica detalhada, radiografia do quadril e, se necessário, ultrassom ou ressonância magnética para esclarecer a causa da dor. Retornos clínicos permitem acompanhar marcha e movimento; em geral o tratamento inicial é conservador e ambulatorial, com orientações sobre atividade e acompanhamento por imagem quando indicado. A necessidade de afastamento escolar ou laboral depende da intensidade da dor e da limitação funcional avaliada pelo médico.
Em casa, observe se a dor aumenta quando a criança tenta suportar peso, se aparece febre, se há inchaço local importante ou se a limitação piora rapidamente. Procure atendimento sem atraso se a dor passar a ser intensa em repouso, houver febre associada, vermelhidão significativa, ou perda súbita do movimento do quadril. Em situações estáveis, mantenha os retornos médicos marcados para acompanhar a evolução.
O que este código significa?
O CID M91.3 designa a pseudocoxalgia, um quadro de dor no quadril em criança ou adolescente que lembra alterações da articulação, sem os mesmos achados da osteocondrose clássica. Aparece tipicamente em idade pediátrica com dor e claudicação ou limitação de movimento, frequentemente unilateral. Não inclui as osteocondroses juvenis definidas em M91.0–M91.2 quando houver diagnóstico claro por imagem dessas entidades. Não descreve dor lombar isolada, doenças infecciosas agudas ou tumores.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando o quadro clínico e os exames indicam um processo doloroso do quadril com alterações que não se enquadram nas osteocondroses juvenis específicas do capítulo M91, ou quando o termo clínico usado pelo registrante é “pseudocoxalgia”. O código é aplicável a pacientes pediátricos e adolescentes avaliados por médico com suspeita de alteração músculo‑esquelética do quadril que apresenta características clínicas ou radiográficas não típicas das subcategorias irmãs.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M91.1 (Osteocondrose juvenil da cabeça do fêmur [Legg-Calvé-Perthes]) — critério de separação: Legg-Calvé-Perthes exige colapso avascular e alterações evolutivas típicas da cabeça femoral em exames seriados; se houver fragmentação e achatamento consistentes com necrose avascular, use M91.1 em vez de M91.3.
M91.2 (Coxa plana) — critério de separação: coxa plana refere-se a achado radiográfico de achatamento da cabeça femoral com história compatível; quando o quadro evolui para deformidade persistente predominante nas imagens, prefira M91.2.
M91.0 (Osteocondrose juvenil da pelve) — critério de separação: diagnóstico indicado por alterações específicas na pelve (ex.: alterações apofisárias ou centros ossificantes) documentadas; se a lesão principal for na pelve e não no quadril proximal, use M91.0.
O que é?
Pseudocoxalgia é um termo usado para descrever dor e disfunção do quadril em crianças ou adolescentes que imita afecções mais definidas do quadril, mas sem provas conclusivas de uma osteocondrose juvenil clássica. Clinicamente manifesta‑se por dor à marcha ou claudicação, limitação do movimento de rotação e abdução do quadril, e às vezes queixa de dor referida no joelho.
O quadro costuma surgir em escolares e adolescentes ativos, podendo seguir traumas menores, desequilíbrios biomecânicos ou fases de crescimento rápido. Nem sempre há alteração radiográfica inicial, e o nome “pseudocoxalgia” é frequentemente usado enquanto se espera evolução ou se excluem outras causas mais específicas.
Quais sintomas aparecem?
Principais: dor no quadril ou na virilha, claudicação ou marcha mancada, restrição de rotação interna e abdução; dor referida no joelho é comum. Sinais que aparecem cedo incluem desconforto ao apoiar o peso e marcha antálgica; rigidez e perda progressiva do arco de movimento sugerem evolução para lesão mais séria. Agravamento por dor intensa em repouso, febre associada, aumento rápido da limitação funcional ou sinais sistêmicos sugerem outra etiologia (infecção, inflamação ou tumor) e não correspondem à pseudocoxalgia isolada.
O que causa?
Mecanismos: a pseudocoxalgia é um diagnóstico funcional/semiestrutural que pode refletir irritação articular, sobrecarga biomecânica, alterações de crescimento do núcleo epifisário ainda não definidas, sequela de trauma contuso ou desequilíbrios musculares periarticulares. Na prática brasileira, causas comuns associadas são sobrecarga após aumento da atividade física, pequenos traumas repetidos e alterações temporárias do crescimento ósseo. Infecção, tumores e doenças inflamatórias são causas distintas que devem ser excluídas.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico de pseudocoxalgia é clínico-radiológico: baseia‑se na história de dor do quadril em idade pediátrica, exame físico com limitação de movimentos e investigação por imagens que não mostrem os critérios definitivos das osteocondroses específicas. Radiografia simples do quadril é o primeiro exame; em dúvidas, exames de imagem adicionais (ultrassom para derrame articular, ressonância magnética para alterações de medula/epífise) são usados para excluir necrose avascular, infecção ou lesões ocupantes de espaço. Laboratoriais com PCR e hemograma ajudam a afastar infecção ou processos inflamatórios quando clinicamente suspeitos.
Como costuma ser tratado?
O manejo descrito em literatura refere-se ao alívio dos sintomas e correção de fatores predisponentes, com acompanhamento ambulatorial e reavaliação clínica e por imagem. O esquema usual é conservador, monitorando evolução clínica e radiológica; intervenções ortopédicas ou imobilização são consideradas apenas se houver progressão documentada para alterações estruturais definidas nas subcategorias M91.0–M91.2. A duração do acompanhamento varia conforme resposta clínica e achados de imagem.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes farmacológicas empregadas para controle sintomático incluem analgésicos e anti‑inflamatórios não esteroidais no contexto de manejo da dor, sempre conforme avaliação médica. Em casos com derrame ou suspeita inflamatória, podem ser considerados agentes específicos após avaliação; antibióticos ou terapias dirigidas só se houver diagnóstico de infecção ou condição comprovada que o justifique.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação médica quando a dor persistir além de alguns dias e limite atividades diárias, quando houver febre, abertura súbita de dor intensa em repouso, perda rápida da mobilidade do quadril ou piora progressiva da marcha. Também é indicada consulta se houver dor referida no joelho que impeça apoio, sinais sistêmicos ou se exames iniciais sugerirem necrose avascular, infecção ou outra condição séria.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. Afastamentos emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são considerados para somar esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias é aplicada usando o CID do atestado: é o código que o perito utiliza para identificar se os atestados se referem à mesma doença, e por isso a presença do código torna possível a verificação dessa soma — uma informação pouco conhecida, mas prática e determinante no cálculo de quem paga os primeiros 15 dias.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar claramente o paciente, indicar o período de afastamento, constar a data e vir com assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
No caso de M91.3 (pseudocoxalgia), o curso descrito na literatura é tipicamente de um quadro agudo e autolimitado que costuma ser monitorado em ambulatório, com reavaliação clínica e por imagem se persistir; não é, em regra, uma condição que se caracterize por incapacidade prolongada, sendo mais frequentemente acompanhamento e registro do que necessidade estrutural de afastamento contínuo. Como episódios podem ser intermitentes e recorrer, a regra dos 60 dias tem relevância especial aqui: atestados sucessivos por pseudocoxalgia podem ser computados em conjunto para efeito dos primeiros 15 dias pagos pelo empregador, desde que o CID esteja informado e o caso concreto justifique o nexo clínico.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da natureza e duração do afastamento e da legislação aplicável; perícia médica avaliará incapacidade laborativa com base em exame e documentação. O registro do CID é parte da documentação, mas não garante automaticamente benefícios; decisões de licença, reabilitação e aposentadoria por invalidez seguem critérios específicos da previdência e do empregador.
Perguntas frequentes sobre M91.3
A pseudocoxalgia é a mesma coisa que Legg-Calvé-Perthes?
Não. Legg-Calvé-Perthes tem alteração característica da cabeça femoral por necrose avascular documentada nas imagens; pseudocoxalgia descreve dor do quadril sem esses achados definitivos.
Preciso de afastamento do trabalho ou da escola com este diagnóstico?
Depende da intensidade da dor e da limitação funcional. A decisão sobre afastamento é individual e baseada na avaliação clínica, na função e nas exigências do trabalho ou da escola.
O código CID M91.3 exige exame específico para autorizar tratamento?
Radiografia simples do quadril costuma ser o exame inicial; ressonância magnética pode ser solicitada quando houver dúvida diagnóstica. Regras de autorização variam por operadora.
A pseudocoxalgia pode evoluir para algo mais sério?
Em alguns casos a clínica ou imagens podem evoluir e levar à recodificação para uma subcategoria de M91 se houver alterações estruturais progressivas documentadas.
Há risco de contágio para a família?
Não. Pseudocoxalgia não é uma doença contagiosa; é um quadro músculo‑esquelético ou de crescimento e sobrecarga.
Quais exames geralmente acompanham o diagnóstico?
Inicialmente radiografia do quadril; ultrassom para derrame articular e ressonância magnética para dúvidas clínicas ou progressão suspeita são os exames mais usados.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há evidência de colapso ou fragmentação da epífise femoral em imagens seriadas que justificaria recodificação para M91.1?
- Qual é a extensão do derrame articular e há sinais de processo séptico no ultrassom ou laboratoriais?
- Existe perda progressiva da rotação interna do quadril que sugira evolução para coxa plana (M91.2)?
- A ressonância mostra edema de medula ou alterações epifisárias que indiquem necrose avascular em desenvolvimento?
- Há fatores biomecânicos ou discrepância de membros inferiores que devam ser investigados e tratados para evitar piora?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual o critério pericial para estabelecer incapacidade temporária associada à pseudocoxalgia e sua documentação exigida?
- Em afastamento por pseudocoxalgia, que provas documentais (exames de imagem, relatórios médicos) sustentam pedido administrativo ou judicial?
- A progressão radiográfica documentada para entitidades de M91 (ex.: M91.1) altera direitos previdenciários ou de reabilitação profissional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos de imagem para investigação do quadril são cobertos pelo contrato e quais exigem autorização prévia?
- Em caso de necessidade de ressonância magnética para esclarecer diagnóstico entre pseudocoxalgia e osteocondrose, quais documentos a operadora costuma solicitar?
- O plano exige CID específico na guia de solicitação para exame complementar quando o laudo clínico inicial cita "pseudocoxalgia"?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M80-M94
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M91.3)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.