P00–P96 Capítulo XVI - Algumas afecções originadas no período perinatal
O que este código significa?
Conjunto de afecções com início no período perinatal, agrupadas em P00-P96. Inclui problemas relacionados a fatores maternos e complicações do parto (P00-P04), prematuridade e crescimento fetal (P05-P08), traumatismo de parto (P10-P15), distúrbios respiratórios e cardiovasculares perinatais (P20-P29), infecções perinatais (P35-P39) e outras categorias como hemorragias, distúrbios metabólicos, digestivos e de pele (P50-P96). Os blocos mais procurados incluem P05-P08 (baixo peso e prematuridade), P20-P29 (síndromes respiratórias) e P35-P39 (infecções neonatais).
Quando se usa um código deste grupo?
Esta página aparece quando a busca ou a codificação incide sobre problemas iniciados no período perinatal. Para selecionar o código correto, desça ao bloco que descreve o mecanismo ou a manifestação principal (ex.: prematuridade, trauma de parto, infecção) e depois ao código específico com base em idade gestacional, peso ao nascer, achados laboratoriais ou identificação de agente.
Com que grupos este se confunde?
P05 vs P07 — Critério: crescimento ou restrição fetal (P05) é por peso e curva fetal; P07 refere‑se sobretudo à idade gestacional e às complicações da prematuridade.
P20-P29 vs P10-P15 — Critério: alterações respiratórias/cardiovasculares de início perinatal sem sinal de lesão mecânica (P20-P29) versus lesões atribuíveis a trauma de parto documentado (P10-P15).
P35-P39 vs P00-P04 — Critério: presença comprovada de agente infeccioso ou quadro infeccioso no recém‑nascido (P35-P39) versus sofrimento do feto secundário a condições maternas ou complicações da gravidez (P00-P04).
O que é?
Condições que se manifestam no feto ou no recém‑nascido durante o período perinatal — isto é, na fase final da gravidez, no trabalho de parto ou nos primeiros dias após o nascimento. O agrupamento obedece à origem (materna, obstétrica, traumática), à idade gestacional e ao tipo de sistema afetado (respiratório, infeccioso, hematológico, etc.).
Que queixas costumam cair neste grupo?
Quadros que levam à busca por um código deste capítulo incluem: sinais de prematuridade (baixo peso, imaturidade), dificuldade respiratória ou cianose, convulsões, icterícia intensa, sangramentos, febre ou piora do estado geral, lesões visíveis de parto e problemas de alimentação ou termorregulação.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Mecanismos que reúnem as entidades do capítulo: influência materna e complicações obstétricas (P00-P04); alterações do crescimento e da duração da gestação (P05-P08); trauma físico durante o parto (P10-P15); disfunção respiratória ou cardíaca específica do período perinatal (P20-P29); exposição a agentes infecciosos no parto ou imediatamente após (P35-P39); distúrbios hemorrágicos, metabólicos e endócrinos transitórios (P50-P74); afecções digestivas e cutâneas específicas do neonato (P75-P83); e outros transtornos do período perinatal (P90-P96).
Como se chega a um código deste grupo?
O código específico costuma depender de dados temporais e objetivos: idade gestacional e peso ao nascer, achados clínicos ao nascimento, achados laboratoriais (culturas, PCR, gasometria, bilirrubinas, glicemia, coagulograma), exames de imagem (raio‑X torácico, ecocardiografia, ultrassom transfontanelar) e identificação microbiológica quando há suspeita de infecção. Na prática, o bloco é definido pelo mecanismo predominante (ex.: prematuridade vs infecção vs trauma).
Como costuma ser tratado?
Os cuidados variam conforme a gravidade: muitos casos são manejados em unidades neonatais (enfermaria neonatal ou UTI neonatal) e por equipes multidisciplinares; outros são tratados ambulatorialmente com seguimento pediátrico. O SUS organiza redes de atenção materno‑infantil (programas de atenção ao recém‑nascido e à prematuridade) que incluem internação, suporte ventilatório, fototerapia e seguimento de desenvolvimento.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes farmacológicas frequentemente empregadas neste conjunto: antibióticos (p. ex. betalactâmicos e aminoglicosídeos) para suspeita ou confirmação de infecção; surfactante exógeno para doença da membrana hialina; agentes vasoativos/inotrópicos para instabilidade cardiovascular; anticonvulsivantes para crises neonatais; produtos sanguíneos para hemorragias ou coagulopatias; e terapias metabólicas de suporte (fluídos, glicose, correção eletrólita). A escolha depende do diagnóstico provável, da gravidade e dos achados laboratoriais e de imagem.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento imediato no recém‑nascido ao observar: dificuldade respiratória intensa ou apneia, cianose, convulsões, sangramento extenso, recusa persistente de alimentação, hipotermia ou hipertermia, icterícia muito acentuada, ou sinais de choque/má perfusão.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o paciente, considerando o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3º). A partir do 16º dia em diante o INSS assume o pagamento e pode exigir perícia para avaliar o direito ao benefício. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desse limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
Sobre a regra dos 60 dias: o CID constante no atestado é a informação que o perito usa para saber se a doença é a mesma — por isso o código no documento permite que períodos sucessivos sejam considerados um único curso da mesma condição, algo que muita gente desconhece.
Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente — não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador; contudo, sem o código a soma dos atestados para efeito da regra dos 60 dias não pode ser verificada.
Para P00–P96, que reúne condições com início no período perinatal, os quadros costumam corresponder a eventos agudos do recém‑nascido ou do feto na transição perinatal e frequentemente exigem internação e seguimento neonatal; não se tratam, em sua maioria, de doenças crônicas comuns em adultos, embora alguns sejam causa de sequelas de longo prazo. Como esses códigos registram condições do neonato, nem sempre implicam diretamente em incapacidade laboral do próprio paciente adulto — o código aparece em documentos hospitalares e de acompanhamento pediátrico e pode também constar em atestados quando há impacto na capacidade do responsável para o trabalho. Quando há emissão repetida de atestados ligados ao mesmo CID no período perinatal, a regra dos 60 dias importa porque permite ao perito e ao empregador/verificador entenderem se se trata de um único episódio continuado ou de episódios distintos para fins dos limites legais já descritos.
Que direitos este código envolve?
O enquadramento jurídico depende da natureza e das sequelas da condição: leis e benefícios sociais se aplicam a categorias amplas (por exemplo, incapacidade, necessidades especiais ou sequelas permanentes). A concessão de benefícios requer avaliação pericial individualizada, com apresentação de documentação clínica e exames; nenhum código isolado garante benefício sem perícia e enquadramento legal específico.
Perguntas frequentes sobre P00-P96
Quando devo inspecionar os blocos P05-P08 ou P07 para codificar baixo peso ou prematuridade?
Use P05 quando o destaque é restrição do crescimento fetal/baixo peso ligado à evolução intrauterina; use P07 quando o problema principal é a curta duração da gestação e suas complicações.
Quando escolher P20-P29 em vez de P10-P15?
Escolha P20-P29 quando o quadro predominante for respiratório ou cardiovascular típico do período perinatal sem evidência de lesão traumática atribuível ao parto; P10-P15 é usado quando há lesão de parto documentada.
As infecções neonatais entram em P35-P39 ou em outro capítulo?
Infecções de início perinatal e suas manifestações no recém‑nascido constam em P35-P39; a confirmação por cultura/PCR e o quadro clínico orientam a escolha do código específico.
Códigos relacionados
- P00-P04 Feto e recém-nascido afetados por fatores maternos e por complicações da gravidez, do trabalho de parto e do parto
- P05-P08 Transtornos relacionados com a duração da gestação e com o crescimento fetal
- P10-P15 Traumatismo de parto
- P20-P29 Transtornos respiratórios e cardiovasculares específicos do período perinatal
- P35-P39 Infecções específicas do período perinatal
- P50-P61 Transtornos hemorrágicos e hematológicos do feto e do recém-nascido
- P70-P74 Transtornos endócrinos e metabólicos transitórios específicos do feto e do recém-nascido
- P75-P78 Transtornos do aparelho digestivo do feto ou do recém-nascido
- P80-P83 Afecções comprometendo o tegumento e a regulação térmica do feto e do recém-nascido
- P90-P96 Outros transtornos originados no período perinatal
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco P00-P96
- OMS — ICD-10, versão 2019 (P00-P96)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.