CIDs Med
P00–P96 · Capítulo XVI · Algumas afecções originadas no período perinatal

P50–P61 Transtornos hemorrágicos e hematológicos do feto e do recém-nascido

  • hemorragias e distúrbios hematológicos perinatais
  • coagulopatias e anemias do recém-nascido

O que este código significa?

Este bloco reúne transtornos hemorrágicos e hematológicos que afetam o feto e o recém-nascido (P50-P61), incluindo hemorragias fetais/neonatais, anemias hemolíticas e imunes (ex.: eritroblastose fetal), trombocitopenias e alterações da coagulação. Entre os códigos mais procurados estão P55 (eritroblastose fetal), P50 (hemorragia intraventricular do feto e do recém-nascido) e P61 (outras afecções hematológicas). A página orienta a escolha do subcódigo conforme o achado principal e a etiologia presumida.

Quando se usa um código deste grupo?

Usa-se este bloco quando o problema principal do atendimento é um sangramento, anemia, icterícia por hemólise, plaquetopenia ou distúrbio da coagulação identificado no feto ou no recém-nascido. Para chegar ao código preciso é necessário especificar localização (ex.: intracraniana), mecanismo (imune vs não imune), e se há eritroblastose ou trombocitopenia neonatal. Na dúvida, descer aos capítulos e subcódigos que descrevem localização anatômica, causa imune ou resultado laboratorial.

Com que grupos este se confunde?

P55 vs P59: P55 (eritroblastose fetal) exige evidência de isoimunização materno-fetal; P59 abrange icterícia neonatal por outras causas sem comprovação de eritroblastose.

P50 vs P52: P50 refere-se a hemorragias do feto/recém-nascido por localização específica (ex.: intraventricular), enquanto P52 cobre hemorragias respiratórias ou de outro sítio neonatal.

P61 vs P60: P61 inclui outras afecções hematológicas não classificadas, diferindo de P60 que é trombocitopenia do recém-nascido quando a plaquetopenia é o achado predominante.

O que é?

Reúne condições em que o sangue, as células sanguíneas ou os mecanismos de coagulação do feto ou do recém-nascido estão alterados. O critério comum é a existência de anomalia hematológica ou hemorrágica detectada no período perinatal, engloba causas imunes, hemorrágicas localizadas, defeitos da coagulação e alterações quantitativas de glóbulos vermelhos ou plaquetas.

Que queixas costumam cair neste grupo?

Queixas que levam ao uso destes códigos incluem sangramento visível (natimorto ou pós-parto), palidez, icterícia intensa precoce, taquicardia, sinais neurológicos por hemorragia intracraniana, manchas petéquias ou sangramento mucocutâneo, e necessidade de transfusão no período neonatal.

O que costuma estar por trás deste grupo?

Mecanismos variam: hemólise imune materno-fetal como eritroblastose (P55); traumas e anóxia que provocam hemorragias intracranianas (P50); trombocitopenias por isoimunização ou causas neonatais (P61/P60); e coagulopatias congênitas ou adquiridas que resultam em sangramento generalizado. Cada bloco costuma agrupar por mecanismo (imune, hemorrágico local, plaquetário, coagulopático).

Como se chega a um código deste grupo?

O código depende do achado clínico e laboratorial dominante: localização anatômica do sangramento ou o tipo de anormalidade hematológica. Exames confirmatórios, histórico materno (isoimunização), e documentos de imagem ou laboratório determinam se se usa P50-P61 e qual subcategoria.

Como costuma ser tratado?

O manejo varia conforme gravidade: pode ser acompanhamento ambulatorial para alterações leves, intervenção hospitalar neonatal para transfusão, fototerapia por icterícia severa, ou cuidados intensivos e intervenção cirúrgica em hemorragias significativas. Encaminhamento para serviços de neonatologia, hemoterapia e perícia é frequente; muitos casos são acompanhados em rede hospitalar do SUS.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes usadas incluem agentes hemostáticos e coagulantes quando indicados, imunoglobulina intravenosa em isoimunização hemolítica, fototerapia para hiperbilirrubinemia e, em contexto de infecção ou sequela inflamatória, antibióticos conforme cultura. A escolha depende do mecanismo (hemólise, coagulopatia, plaquetopenia) e da gravidade clínica.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento imediato se houver sangramento ativo, convulsões, apneia, palidez extrema, icterícia muito precoce ou progressiva, respiração difícil ou sinais de choque no recém-nascido.

Como este grupo aparece em atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, considerando o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3). A partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A acumulação de atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias é considerada para fins do intervalo de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75): se os atestados têm o mesmo CID, o perito usa esse código para verificar se a doença é a mesma e, na prática, é essa coincidência de CID que permite somar períodos para os fins legais, fato que muitas pessoas desconhecem.

Para que um atestado seja aceito pelo empregador e válido para verificação administrativa ou previdenciária, ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente — não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador; entretanto, sem o código a soma dos atestados dentro de 60 dias não pode ser comprovada.

Nos transtornos hemorrágicos e hematológicos do feto e do recém-nascido (P50–P61) os quadros costumam se manifestar no período perinatal, variando entre situações agudas que exigem cuidado neonatal hospitalar e condições que exigem acompanhamento e investigação especializada. Alguns casos se resolvem com intervenções imediatas no recém-nascido, outros exigem seguimento ambulatorial ou registro contínuo em serviços de neonatologia e hemoterapia. Esse padrão faz com que o CID apareça frequentemente em documentos de alta hospitalar, laudos e atestados ligados ao período neonatal.

Como esses transtornos podem reaparecer ou demandar séries de atestados por complicações relacionadas (por exemplo, intercorrências hemorrágicas, necessidade de transfusão ou controle de icterícia intensa), a regra dos 60 dias é relevante: atestados sucessivos com o mesmo CID dentro desse prazo podem ser contabilizados em conjunto para efeitos do limite inicial de 15 dias pago pelo empregador, sendo essencial que o paciente autorize a inclusão do CID para que essa verificação seja possível.

Perguntas frequentes sobre P50-P61

Quando uso P55 em vez de P59?

Use P55 quando houver evidência de eritroblastose fetal por isoimunização materno‑fetal; P59 cobre icterícia neonatal sem comprovação de eritroblastose.

Qual código para hemorragia intracraniana do recém-nascido?

Hemorragias intracranianas estão classificadas em P50; escolha a subcategoria que descreve a localização e a causa quando conhecida.

Onde registrar trombocitopenia neonatal isolada?

A trombocitopenia do recém-nascido costuma cair em P60 quando é o achado predominante; use P61 para outras afecções hematológicas não especificadas.

O atestado médico precisa trazer o CID completo?

O CID facilita perícias e faturamento; o médico pode omitir o CID a pedido do paciente, salvo exigência legal ou institucional.

Quais serviços do SUS são acionados para esses casos?

Casos graves são encaminhados a neonatologia, bancos de sangue/hemoterapia e UTI neonatal via regulação; acompanhamento ambulatorial ocorre em serviços especializados.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.