S93.2 — Ruptura de ligamentos ao nível do tornozelo e do pé

  • ruptura ligamentar do tornozelo
  • ruptura ligamentar do pé
  • lesão ligamentar do tornozelo com ruptura
  • ligamento rompido do tornozelo ou pé

Em palavras simples

Receber o diagnóstico “ruptura de ligamentos do tornozelo ou do pé” significa que as fibras que mantêm os ossos da articulação unidas foram rasgadas, total ou parcialmente, geralmente por um torção ou impacto. Não é a mesma coisa que uma fratura óssea, embora possa acontecer junto dela; tampouco se trata de uma dor muscular simples: é uma lesão nas estruturas que dão estabilidade ao tornozelo e ao pé.

Você provavelmente sentiu uma dor aguda no momento do trauma, seguida de inchaço e possivelmente aparecimento de roxo (hematoma). Muitas pessoas têm dificuldade de apoiar o pé no chão nas primeiras horas ou dias, e podem perceber que o tornozelo “falha” ao tentar pisar. A sensibilidade ao toque normalmente fica concentrada ao longo do trajeto do ligamento lesado.

Se a ruptura foi parcial, muitas vezes a dor e o inchaço diminuem nas semanas seguintes com descanso, proteção e reabilitação. Se a ruptura for completa, pode haver sensação persistente de instabilidade; em alguns casos o médico pode indicar exame complementar ou cirurgia. A duração do problema varia: semanas para lesões leves e vários meses para rupturas maiores ou quando há necessidade de reparo cirúrgico e fisioterapia.

O caminho usual inclui avaliação médica para excluir fratura, imagens quando indicado (radiografia, ultrassom ou ressonância) e um plano de proteção e reabilitação. Você pode precisar de afastamento do trabalho se a função para andar ou ficar em pé estiver comprometida; se houver cirurgia, o retorno costuma ser gradual conforme a reabilitação.

Em casa, cuide de proteger a área, evitar apoiar o peso de forma que cause dor intensa e observar sinais que exigem nova avaliação: aumento súbito da dor, perda de sensibilidade, palidez ou frio no pé, febre local ou pus depois de qualquer procedimento aberto. Procure orientação médica se não houver melhora em poucos dias ou se a função piorar.

O que este código significa?

O CID S93.2 designa a ruptura (rotura) de um ou mais ligamentos na região do tornozelo ou do pé. Refere lesões em que há solução de continuidade parcial ou total das fibras ligamentares, geralmente após trauma de inversão, e que podem causar instabilidade articular. Não inclui entorses sem ruptura ligamentar isolada (ver S93.4) nem fraturas ósseas primárias. Não cobre lesões de tendões ou lesões crônicas degenerativas sem evento de ruptura aguda.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando há evidência clínica ou por imagem de ruptura dos ligamentos ao nível do tornozelo ou do pé, confirmada por exame físico especializado, ecografia dinâmica, ressonância magnética ou cirurgia. Aplicável a rupturas isoladas de ligamentos laterais, ligamentares mediais (deltoide) ou ligamentos do pé, incluindo roturas completas ou parciais que justifiquem manejo específico diferente de uma entorse simples. Não se aplica a instabilidade crônica sem episódio de ruptura documentado nem a lesões exclusivamente tendíneas.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

S93.4 — Entorse e distensão do tornozelo: critério que separa é a ausência de ruptura ligamentar confirmada; entorse pode ser apenas estiramento com dor e edema sem solução de continuidade ligamentar documentada por imagem ou artroscopia. S82.x — Fratura da perna, tornozelo e pé: presente quando há fratura óssea visível em radiografia; se houver fratura associada, o caso deve ser codificado primariamente como fratura. M76.x / M25.x — Lesões crônicas e instabilidade sem ruptura aguda: usadas quando há dor crônica ou instabilidade sem evento traumático recente ou sem evidência de ruptura aguda por imagem.

O que é?

Ruptura de ligamentos ao nível do tornozelo e do pé é a interrupção das fibras ligamentares que unem ossos entre si nas articulações do tornozelo ou do pé. O evento costuma ocorrer de forma aguda, por torção ou impacto, e resulta em perda parcial ou total da função de contenção que o ligamento oferecia à articulação.

Manifesta-se por dor localizada, edema, equimose e limitação funcional; em rupturas completas pode haver sensação de instabilidade ou incapacidade de apoiar o peso. Afeta pessoas de todas as idades, mas é mais frequente em praticantes de esporte, em quedas e em acidentes de giro do pé durante a marcha.

Quais sintomas aparecem?

Principais: dor aguda localizada ao redor do tornozelo ou na face medial/lateral do pé, inchaço (edema) precoce, hematoma (equimose) e dificuldade para apoiar o peso. Aparecem cedo: dor intensa imediata, incapacidade parcial ou total de apoio, calor e sensibilidade à palpação no trajeto do ligamento afetado. Indicam agravamento: aumento progressivo da instabilidade (sensação de que o tornozelo “vai ceder”), dor que não melhora nas primeiras semanas, incapacidade crescente para caminhar ou sinais de compressão neurovascular, que sugerem lesão associada ou complicação.

O que causa?

Mecanismos típicos incluem torção súbita do pé (inversão ou eversão forçada), impacto direto sobre o tornozelo, entorses esportivas e quedas. No Brasil, o cenário mais comum na prática é a inversão do pé durante atividade esportiva (futebol, corrida, salto), levando à ruptura dos ligamentos laterais, em especial em lesões com giro e carga axial. Traumas de alta energia, como acidentes de trânsito, podem provocar rupturas complexas associadas a lesões ósseas ou de partes moles adjacentes.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico inicialmente, sustentado por história de mecanismo traumático compatível e exame físico que mostra dor localizada, edema e testes de estresse específicos que evidenciam instabilidade ligamentar. Confirmação objetiva pode vir de ultrassonografia musculoesquelética com exame dinâmico ou ressonância magnética, que demonstram descontinuidade das fibras ligamentares, grau da ruptura e lesões associadas. A radiografia simples é útil para excluir fraturas avulsivas ou ósseas associadas; artroscopia ou cirurgia fornecem diagnóstico definitivo quando realizadas.

Como costuma ser tratado?

O tratamento varia conforme a gravidade: rupturas parciais podem ser tratadas de forma conservadora com suporte, reabilitação funcional e proteção temporária; rupturas completas, lesões com instabilidade significativa, roturas tendíneas associadas ou casos com lesão conjunta óssea podem necessitar de reparo ou reconstrução cirúrgica. A reabilitação visa recuperar amplitude de movimento, força muscular e propriocepção para reduzir risco de recidiva.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos empregadas no manejo sintomático incluem analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor e do processo inflamatório, além de medicamentos adjuvantes para edema conforme avaliação clínica. Anticoagulação profilática pode ser considerada em situações de imobilização prolongada de risco trombótico, segundo avaliação médica.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação imediata se houver incapacidade de apoiar o pé, dor intensa após trauma, deformidade visível, perda de sensibilidade ou palidez do pé, o que pode indicar lesão vascular ou neurovascular associada. Busque atendimento urgente também se houver febre associada a sinais locais de infecção após procedimentos ou se a dor e o inchaço piorarem em vez de melhorar nas primeiras 48–72 horas de tratamento inicial.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o paciente e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Sobre como o prazo funciona na prática: até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias funciona assim: é o CID constante no atestado que o perito usa para determinar se a doença é a mesma, e por isso o código no documento é a razão prática pela qual a soma ocorre — um detalhe pouco conhecido, mas relevante quando há episódios repetidos ou atestados sucessivos.

Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o número do CRM do médico. A indicação do CID só deve constar com a anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, e sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada.

No caso do CID S93.2 (ruptura de ligamentos ao nível do tornozelo e do pé) trata‑se tipicamente de um quadro agudo decorrente de trauma com solução de continuidade das fibras ligamentares; pode evoluir com recuperação por tratamento conservador ou, em lesões completas ou com instabilidade significativa, demandar intervenção cirúrgica e reabilitação. Este código pode gerar incapacidade para o trabalho dependendo da gravidade e da exigência ocupacional, por isso é comum haver atestados sucessivos pelo mesmo problema — razão pela qual a regra dos 60 dias é particularmente relevante aqui, pois permite ao perito somar períodos quando os atestados trazem o mesmo CID.

Perguntas frequentes sobre S93.2

O que exatamente significa receber o código CID S93.2?

Indica que há ruptura de um ou mais ligamentos no tornozelo ou no pé, confirmada por avaliação clínica e/ou exames de imagem, e que a lesão tem impacto funcional imediato.

Preciso de cirurgia sempre que vir este código?

Nem sempre; a indicação cirúrgica depende da gravidade, instabilidade e presença de lesões associadas. Muitas rupturas parciais são tratadas de forma conservadora com reabilitação.

Posso trabalhar normalmente com esse diagnóstico?

Depende da função e da gravidade da lesão; trabalhos que exigem ficar em pé ou carregar peso podem exigir afastamento temporário conforme avaliação médica.

Este código significa que houve fratura?

Não; CID S93.2 refere-se a ruptura ligamentar. Se houver fratura, outro código de fratura (por exemplo S82.x) deve ser registrado.

Que exames são necessários para confirmar a ruptura?

Exames como ultrassom musculoesquelético e ressonância magnética são usados para confirmar a descontinuidade ligamentar e avaliar extensão, enquanto radiografias excluem fraturas associadas.

A lesão é contagiosa ou transmissível?

Não; é uma lesão traumática local e não transmite doença a outras pessoas.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual é o grau de ruptura ligamentar (parcial vs completa) e como isto foi documentado?
  • Há lesões ósseas associadas ou avulsão ligamentar visível em radiografia?
  • Que testes de estresse articular foram realizados e quais foram os achados de instabilidade?
  • A ressonância magnética mostrou acometimento de outras estruturas (cartilagem, tendões, cápsula)?
  • Qual a resposta inicial ao manejo conservador e quando reavaliar para possível cirurgia?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Houve comunicação do evento como acidente de trabalho e está documentado em CAT quando aplicável?
  • Qual a estimativa de incapacidade temporária com base em laudos e relatórios médicos?
  • Existem exames que comprovem a relação causal entre o acidente e a ruptura (imagem, prontuário)?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento ou imobilização proposta foi descrita com código e justificativa clínica na guia?
  • A operadora exige exame de imagem específico (RM ou ultrassom) para autorizar procedimentos cirúrgicos?
  • Há prazo de autorização ou exigência de prévia negativa para cirurgias de reconstrução ligamentar?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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