F14.6 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína – síndrome amnésica

  • amnésia tóxica por cocaína
  • síndrome amnésica induzida por cocaína

O CID F14.6 designa transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína manifestados principalmente como uma síndrome amnésica: perda significativa da capacidade de formar ou recordar memórias atribuível ao consumo de cocaína. Aparece quando a clínica de amnésia é temporariamente associada ao uso recente da droga, sem preencher critérios de demência ou de transtorno amnéstico por outra causa conhecida. Não inclui simples confusão transitória, intoxicação sem amnésia persistente nem quadros psicóticos isolados sem prejuízo significativo da memória.


Em palavras simples

Este código indica que seu problema principal é perda de memória atribuída ao uso de cocaína. Em outras palavras, o registro descreve uma síndrome em que o consumo da droga foi relacionado a dificuldade de lembrar fatos ou de aprender coisas novas, não apenas esquecimento comum. Isso serve para registrar e comunicar ao médico, ao perito ou ao serviço que cuidou de você qual foi a alteração observada.

Você provavelmente percebeu lacunas nas lembranças recentes — esquecer conversas, acontecimentos das últimas horas ou dias, ou ter dificuldade de fixar informações novas. Pode haver confusão sobre quando algo aconteceu, repetição de perguntas ou sensação de “buracos” nas memórias. Frequentemente aparecem também cansaço, dificuldade de concentração e alterações do sono, que dificultam ainda mais lembrar.

Se isso aconteceu associado a um episódio de uso intenso de cocaína, muitas vezes melhora com o tempo e com abstinência, mas a duração varia muito: desde dias até semanas ou mais em casos com lesão vascular ou crises. Não é uma condição contagiosa. A evolução depende da gravidade inicial, de complicações (como convulsões ou acidente vascular) e de medidas de acompanhamento médico.

O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação mais detalhada: o médico pode solicitar exames para excluir outras causas e testes para medir sua memória. Em geral há retornos para acompanhar a melhora, e pode haver encaminhamento para reabilitação cognitiva ou apoio psicológico/psiquiátrico. A necessidade de afastamento do trabalho depende de quanto isso prejudica suas funções; esse ponto será avaliado por clínicos e peritos.

Em casa, observe se a pessoa apresenta piora com desorientação, fala arrastada, fraqueza em um lado do corpo, convulsões ou dificuldade para manter-se segura ao fazer tarefas: nesses casos procure ajuda imediata. Se o principal problema for esquecimento isolado e você consegue realizar atividades do dia a dia com apoio, marque retorno para reavaliação e siga as orientações médicas para exames e acompanhamento.

Quando usar este código

Usa-se este código quando a perda de memória (anterógrada, retrógrada ou mista) é clinicamente atribuível ao uso de cocaína e persiste além da fase imediata de intoxicação, sem explicação melhor por lesão cerebral aguda, síndrome de abstinência isolada ou condição degenerativa documentada. É aplicado por codificadores e peritos quando a história, o exame neurológico/psiquiátrico e exames complementares sustentam a ligação temporal entre uso de cocaína e amnésia dominante.

Não confunda com

F14.0 vs F14.6: F14.0 refere-se à intoxicação aguda por cocaína com alterações de consciência/afetividade; a presença de amnésia persistente que se estende além da fase aguda orienta para F14.6. F04 (Transtorno amnéstico devido a outras causas) vs F14.6: F04 é usado quando há amnésia por hipóxia, trauma, intoxicação por álcool ou causas médicas comprovadas sem vínculo claro com cocaína; escolha F14.6 quando a documentação clínica relaciona diretamente a amnésia ao uso de cocaína. F14.7 (Transtornos mentais e comportamentais por uso múltiplo) vs F14.6: F14.7 cobre casos com múltiplas substâncias pesadas sem predomínio da cocaína; se a amnésia é atribuída primariamente à cocaína, usar F14.6.

O que é

Síndrome amnésica associada ao uso de cocaína é um quadro em que o consumo dessa droga leva a prejuízo acentuado da memória, que pode afetar a capacidade de formar novas lembranças (amnésia anterógrada), recordar eventos recentes ou antigos (amnésia retrógrada), ou ambas. As manifestações podem surgir durante intoxicação grave, após episódios de uso intenso ou por mecanismos tóxicos e vasculares que prejudicam estruturas cerebrais envolvidas na consolidação e recuperação da memória.

Costuma ocorrer em pessoas com uso recente ou grave de cocaína, uso crônico com picos de consumo, ou em situações associadas a complicações (hipertensão, convulsões, isquemia cerebral). Pacientes frequentemente apresentam lacunas de memória sobre eventos próximos ao período de uso, confusão quanto à sequência temporal e dificuldade para fixar novas informações.

Sintomas

Principais sintomas: perda de memória para eventos recentes (amnésia anterógrada), lacunas na lembrança de eventos próximos ao período de uso (amnésia retrógrada parcial), confabulação leve a moderada e desorientação temporal. Sinais que aparecem cedo incluem esquecimento de acontecimentos das últimas horas ou dias e repetição de perguntas; sinais de agravamento incluem incapacidade de aprender coisas novas, confusão persistente, redução global do funcionamento ocupacional/social e presença de alterações neurológicas focais.

Causas

Mecanismos prováveis incluem efeito neurotóxico direto da cocaína sobre neurônios hipocampais e córtico-hipocampais, eventos isquêmicos ou hemorrágicos cerebrovasculares induzidos por vasoconstrição, crises convulsivas e privação de oxigênio associada ao consumo. No Brasil, o cenário mais comum é o uso intranasal ou injetável em episódios de consumo intenso ou em usuários crônicos que desenvolvem complicações vasculares ou intoxicações repetidas, levando a lesão funcional temporária ou permanente das áreas de memória.

Como é diagnosticado

O diagnóstico de F14.6 baseia-se na história clínica detalhada de uso de cocaína com correlação temporal com início da amnésia, exame neurológico e psiquiátrico que evidenciem déficit de memória predominante, e exclusão de causas alternativas (trauma craniano recente, intoxicação por outras substâncias, condições neurológicas agudas). Documentos que sustentam o código incluem relato de testemunhas, histórico de consumo, evolução temporal da memória e resultados de exames complementares que não apontem causa diferente.

Como costuma ser tratado

O manejo é multidisciplinar e depende da causa subjacente: estabilização clínica inicial, suporte neurológico e psiquiátrico, reabilitação cognitiva e intervenções para reduzir o uso de cocaína. O tratamento costuma incluir medidas para restabelecer segurança e função, programas de redução de dano, e acompanhamento para recuperação cognitiva; a duração e o local do tratamento variam conforme gravidade e resposta.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos potencialmente empregadas no contexto incluem agentes sintomáticos para controlar comorbidades agudas (por exemplo, anticonvulsivantes se houve crise), psicotrópicos quando necessário para comorbidades psiquiátricas e medicamentos de suporte neuroprotetor em contextos específicos; a escolha depende da avaliação médica e das condições concomitantes, não sendo parte intrínseca do código.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação imediata quando a pessoa apresentar perda súbita e marcante de memória associada a uso de cocaína, confusão que impeça cuidados básicos, sinais neurológicos focais (fraqueza, perda de sensibilidade, alteração de fala) ou convulsões. Busca de ajuda é indicada também quando a amnésia persiste além do período agudo, compromete trabalho ou segurança, ou quando há dúvidas sobre intoxicação por outras substâncias ou lesão cerebral.

Uso em atestado

Em atestados e laudos, documentar a relação temporal entre uso de cocaína e início da amnésia, descrição objetiva do déficit de memória e exames que sustentem a hipótese diagnóstica. Especificar evolução esperada e necessidade de reavaliação; evitar termos vagos. O CID F14.6 pode constar em laudos periciais quando houver vínculo clínico comprovado.

Perguntas frequentes sobre F14.6

O que significa receber o código CID F14.6 no meu prontuário?

Significa que foi registrada uma síndrome de amnésia atribuída ao uso de cocaína, ou seja, perda de memória que a equipe médica relacionou ao consumo da substância. Não é um rótulo moral, mas uma descrição clínica para orientar investigação e cuidado.

Isso quer dizer que minha amnésia é permanente?

Nem sempre; a duração varia. Muitos casos melhoram com tempo e interrupção do uso, mas persistência ou piora exige investigação para lesão estrutural ou sequela vascular.

Preciso fazer algum exame específico por causa desse código?

Exames comuns incluem avaliação neuropsicológica e, quando indicado, neuroimagem para excluir lesões vasculares ou estruturais; a escolha depende da avaliação médica.

Posso obter afastamento do trabalho com esse diagnóstico?

A possibilidade de afastamento é avaliada por peritos com base na gravidade do déficit e no impacto funcional; o registro do CID é parte da documentação, mas não garante concessão.

O código significa que fui intoxicado apenas uma vez?

Não necessariamente; pode refletir um episódio agudo associado a uso recente ou um efeito cumulativo em usuário crônico. A história clínica e exames ajudam a esclarecer.

Devo me preocupar com risco de outras complicações?

Sim, se houver sinais neurológicos (fraqueza, alteração da fala, convulsões) ou confusão intensa, é importante procurar atendimento imediato, pois podem indicar evento vascular ou crise convulsiva.</p>

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (3)
  • A perda de memória documentada por F14.6 pode fundamentar pedido de auxílio-doença ou incapacidade temporária em perícia previdenciária?
  • Como a existência de uso de substância ilícita influencia direitos trabalhistas e benefícios previdenciários neste contexto?
  • Que documentação e laudos periciais são necessários para comprovar causalidade entre uso de cocaína e déficit de memória para fins legais?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais exames de imagem e avaliações neuropsicológicas para amnésia associada à cocaína exigem pré-autorização pela operadora?
  • O plano exige relatórios que correlacionem temporalmente uso de cocaína e início da amnésia para autorizar reabilitação cognitiva ou terapias complementares?
  • Há cobertura para programas de reabilitação e acompanhamento multidisciplinar em casos de amnésia tóxica por substâncias ilícitas conforme contrato?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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