F14.5 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína – transtorno psicótico

  • psicose por cocaína
  • psicose induzida por estimulante
  • psicose tóxica por cocaína

O CID F14.5 designa o transtorno psicótico causado pelo uso de cocaína, quando aparecem sintomas como alucinações e delírios que são atribuíveis direta ou proximamente ao consumo da droga. Surge durante o uso agudo, na abstinência imediata ou num período curto após uso repetido, e inclui quadros em que a intoxicação ou retirada explicam os sintomas. Não inclui casos em que a psicose se deve a outra condição médica, a medicamento diferente da cocaína, ou uma esquizofrenia primária não relacionada à substância. A identificação depende de temporalidade com o uso e da exclusão de outras causas orgânicas e psiquiátricas. O código refere-se ao quadro psicótico ligado à cocaína, independentemente da gravidade ou necessidade de hospitalização.


Em palavras simples

Receber o código CID F14.5 significa que os sintomas psicóticos que você apresentou (como ouvir vozes, ver coisas que outras pessoas não veem, ter ideias muito estranhas ou acreditar que alguém quer te prejudicar) foram avaliados como consequência do uso de cocaína. Não é um rótulo permanente de ‘esquizofrenia’ ou de outro transtorno crônico; descreve uma alteração da percepção e do pensamento ligada ao consumo da droga.

Você provavelmente tem sentido medo, desconfiança, grande agitação, dificuldade para dormir e cansaço extremo. Muitas pessoas relatam sensações táteis incômodas, como uma sensação de formigamento ou ‘carrapatos’ na pele, além de pensamentos acelerados e dificuldade de organizar o raciocínio. É comum também sentir ansiedade intensa e inquietação antes das alucinações tornarem-se mais límpidas.

Em muitos casos, esse quadro melhora quando o consumo de cocaína cessa e a pessoa fica em ambiente seguro com supervisão médica. A duração varia: para algumas pessoas os sintomas são curtos e regridem em dias, para outras podem persistir semanas ou necessitar de avaliação psiquiátrica mais aprofundada. O transtorno não é contagioso; trata-se de efeito tóxico da droga no cérebro.

O que costuma acontecer depois do diagnóstico é uma combinação de medidas: investigação para excluir outras causas, registro dos exames realizados, apoio para reduzir ou interromper o uso de cocaína e acompanhamento por equipe de saúde mental. Pode haver necessidade de retorno em curto prazo, e em casos mais graves, internação temporária para garantir segurança. A emissão de atestado médico e as orientações sobre trabalho dependem da avaliação clínica individual.

Em casa, observe se a pessoa fica muito desorientada, agressiva, fala de querer se machucar ou tem perda do juízo de realidade; nesses casos, procure ajuda médica imediata. Se os sintomas forem moderados, mantenha ambiente tranquilo, evite confrontos e busque retorno ambulatorial para reavaliação. Anote consumo recente de drogas e horários dos sintomas para levar na consulta.

Quando usar este código

Usa-se este código quando há sintomas psicóticos (alucinações, delírios, desorganização do pensamento) que começam durante o uso de cocaína, logo após, ou em contexto de abstinência recente, e quando esses sintomas não são explicados por outra condição psiquiátrica ou médica. Deve-se registrar este código quando a relação temporal e clínica entre uso da substância e os sintomas é a causa mais provável.

Não confunda com

F14.0 vs F14.5: F14.0 (intoxicação aguda por cocaína) inclui alterações de consciência, agitação e alterações fisiológicas predominantes; F14.5 exige presença de sintomas psicóticos proeminentes (alucinações/delírios) atribuíveis à substância.

F14.3 vs F14.5: F14.3 (síndrome de abstinência) refere-se a sintomas físicos e emocionais após cessação do uso; se predominam alucinações ou delírios que se relacionam diretamente com a abstinência recente, prefere-se F14.5.

F20.x (esquizofrenia) vs F14.5: Esquizofrenia inclui um curso esperado de pelo menos seis meses e ausência de relação causal clara com uso de substância; se os sintomas psicóticos aparecem exclusivamente na janela temporal do uso de cocaína e melhoram com a abstinência, o código F14.5 é mais apropriado.

O que é

Trata-se de um transtorno psicótico induzido por cocaína em que a substância provoca alterações do conteúdo do pensamento, percepções e crenças — tipicamente alucinações auditivas, táteis ou visuais, além de delírios persecutórios ou de grandeza. Os sintomas podem surgir durante uso intenso, em episódios repetidos ou no período imediato após cessação, e frequentemente coexistem com agitação, ansiedade e alterações do sono.

Quem costuma apresentar são pessoas com uso atual ou recente de cocaína, especialmente em padrões intensos ou crônicos, e indivíduos com vulnerabilidades psiquiátricas prévias podem desenvolver manifestações mais graves ou prolongadas. A intensidade varia de episódios breves resolvidos com abstinência a quadros que demandam avaliação psiquiátrica e cuidados médicos.

Sintomas

Principais: alucinações (auditivas, táteis como sensação de insetos na pele), delírios persecutórios, discurso desorganizado, agitação psicomotora e comportamento potencialmente perigoso.

Sintomas iniciais: ansiedade intensa, paranoia leve, inquietação e alterações do sono que podem preceder alucinações.

Sinais de agravamento: alucinações persistentes, delírios fixos, agressividade, desorientação, alteração marcante do julgamento ou risco de autocuidado prejudicado indicam piora clínica.

Causas

Mecanismos: a cocaína altera a neurotransmissão dopaminérgica, serotoninérgica e noradrenérgica, potencializando vias que podem precipitar experiências perceptivas anormais e crenças delirantes. Em uso intenso ou em indivíduos suscetíveis, essa disfunção bioquímica gera hiperatividade sensorial e perda de filtro da realidade.

No Brasil, o cenário mais comum é o uso recreativo ou dependente de cocaína em formas como pó ou pasta base, muitas vezes em contextos sociais e de privação de sono, que aumentam o risco de surtos psicóticos. Comorbidades psiquiátricas e uso concomitante de outras substâncias agravam o quadro.

Como é diagnosticado

A confirmação clínica depende da presença de sintomas psicóticos temporais e plausivelmente causados pela cocaína: início durante o uso ou logo após, e ausência de explicação clínica alternativa. A anamnese detalhada sobre consumo (tempo, quantidade, via), relatos de testemunhas e observação clínica sustentam o diagnóstico.

É importante excluir causas médicas (infecções, intoxicações por outras drogas, distúrbios metabólicos) por meio de exame físico e exames complementares quando indicado, e reavaliar a evolução após redução ou suspensão do uso para distinguir de transtornos primários como esquizofrenia.

Como costuma ser tratado

O manejo habitual envolve cessação do uso da substância, ambiente seguro e monitoramento médico. Em muitos casos o quadro melhora com abstinência e cuidados de suporte; quadros graves requerem avaliação psiquiátrica e podem necessitar de intervenção em regime hospitalar. Tratamentos complementares podem incluir suporte psicossocial e encaminhamento para programas de redução de danos e tratamento da dependência.

Classes de medicamentos

Classes usadas na prática para controlar manifestações agudas são agentes antipsicóticos e medicamentos ansiolíticos/tranquilizantes em contexto médico, sempre avaliados por profissional. A escolha e o ajuste são decisões clínicas que consideram comorbidades e risco de interações.

Quando procurar ajuda

Procurar atendimento imediato ao notar alucinações persistentes, delírios que levam a comportamentos perigosos, agressividade, desorientação ou incapacidade de autocuidado. Buscar avaliação médica se houver risco de overdose, suspensão brusca com sintomas graves, ou se a pessoa apresenta risco à própria integridade ou de terceiros.

Uso em atestado

Ao emitir atestado, registrar observações objetivas: sinais e sintomas psicóticos, relação temporal com uso de cocaína e necessidade clínica de afastamento ou internação quando indicada. Anotar resultados relevantes de exames e orientações de encaminhamento. Evitar termos vagos; documentar avaliação que justifique o período descrito.

Perguntas frequentes sobre F14.5

O que significa ter o CID F14.5 no meu prontuário?

Significa que os sintomas psicóticos observados foram atribuídos ao uso de cocaína — alucinações ou delírios relacionados temporalmente ao consumo. Não é, por si só, diagnóstico de esquizofrenia.

Esse transtorno é contagioso ou genético?

Não é contagioso; trata-se de um efeito tóxico da substância sobre o cérebro. Fatores genéticos podem influenciar vulnerabilidade, mas o quadro em si não se transmite entre pessoas.

Preciso fazer exames para confirmar que é F14.5?

A avaliação clínica é central, mas exames laboratoriais e toxicológicos podem documentar exposição à cocaína e excluir causas médicas que imitam psicose.

Posso receber atestado ou afastamento do trabalho com esse diagnóstico?

A necessidade de afastamento é avaliada caso a caso pela equipe médica e pela perícia, considerando gravidade e risco. O CID registra a condição, mas benefícios dependem da avaliação pericial.

Como diferenciar esse código de esquizofrenia?

A diferença principal é a relação temporal com o uso de cocaína e melhora com abstinência; esquizofrenia costuma ter curso mais prolongado sem relação clara com substância.</p>

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (6)
  • Quando os sintomas psicóticos começaram em relação ao último uso de cocaína?
  • Há histórico prévio de episódios psicóticos sem uso de substância ou diagnóstico psiquiátrico anterior?
  • Quais drogas concomitantes foram usadas recentemente (álcool, benzodiazepínicos, anfetaminas, cannabis)?
  • Os sintomas persistem ou melhoram após 72 horas de abstinência documentada?
  • Há sinais neurológicos ou instabilidade clínica que justifiquem exames de imagem ou internação?
  • Que medidas de redução de danos e encaminhamento para tratamento da dependência foram iniciadas?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Este diagnóstico pode justificar afastamento laboral temporário na perícia médica e por quais critérios?
  • Como o registro de uso de substância e psicose influencia processo de aposentadoria por invalidez?
  • Quais documentos e evidências médicas são mais relevantes para defesa em caso de contestação pericial?
  • Quais cuidados com sigilo devem ser observados ao incluir este CID em prontuários e atestados?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Que documentação clínica a operadora costuma exigir para autorizar internação psiquiátrica relacionada a intoxicação por cocaína?
  • O plano admite cobertura de terapias de desintoxicação e reabilitação em ambiente ambulatorial ou residencial para este diagnóstico?
  • Quais prazos de avaliação e justificativas médicas são necessárias para atendimento de emergência psiquiátrica ligado a uso de substância?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade