F14.7 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína – transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
- psicose residual por cocaína
- psicose tardia por cocaína
Em palavras simples
Este código significa que você tem sintomas psicóticos (como ver ou ouvir coisas que outras pessoas não veem, ou crenças muito fortes e desconectadas da realidade) que estão ligados ao uso de cocaína e que ou não desapareceram após a fase aguda ou surgiram algum tempo depois de parar ou reduzir o uso. Não é apenas um episódio de confusão passageira; é quando os sintomas persistem ou aparecem tardiamente e afetam a vida cotidiana.
Você provavelmente percebe alterações no sono, sensação de perseguição ou desconfiança, vozes ou sensações táteis desagradáveis e dificuldade para pensar com clareza. Junto disso podem vir cansaço extremo, alterações de apetite e isolamento social. Algumas pessoas relatam sensação de ‘‘formigas’’ na pele, medo intenso sem razão aparente e dificuldade de trabalho ou estudo.
Quanto à gravidade, a presença de psicose é séria porque afeta a capacidade de julgar situações e de cuidar de si; não é uma condição contagiosa. A duração varia: para algumas pessoas os sintomas melhoram em semanas com retirada da substância e suporte adequado; para outras, podem persistir meses e exigir tratamento e acompanhamento mais prolongado.
O caminho típico inclui avaliação médica e psiquiátrica, possíveis exames para checar outras causas e monitoramento do uso de drogas. Em muitos casos haverá retornos regulares para avaliar evolução e ajustar o plano de cuidado. A necessidade de afastamento do trabalho varia conforme a intensidade dos sintomas e a ocupação. Familiares ou profissionais podem ser chamados para informações complementares.
Em casa, observe aumento de agitação, relatos de vozes que mandam fazer coisas, ideias de prejuízo a si ou a outros, dificuldade em cuidar da higiene ou comer, ou consumo contínuo de cocaína. Nesses casos, procure ajuda imediata. Se os sintomas forem controlados, continue o acompanhamento; a recaída no uso da substância aumenta a chance de retorno dos sintomas psicóticos.
O que este código significa?
O CID F14.7 designa psicose que persiste ou aparece tardiamente em pessoas com histórico de uso de cocaína. Refere-se a sintomas psicóticos que não se resolvem com a interrupção aguda da intoxicação nem se encaixam em um quadro exclusivamente agudo. Aparece tipicamente após uso repetido ou intermitente, ou quando sintomas psicóticos surgem semanas a meses após o último uso. Não inclui intoxicação aguda por cocaína (F14.0) nem transtorno psicótico primário sem relação temporal com o uso da substância. Tampouco cobre alterações cognitivas leves sem sintomas psicóticos definidores.
Quando este código é usado?
Usa‑se este código quando há evidência de que sintomas psicóticos (como delírios ou alucinações) estão relacionados ao uso de cocaína, persistem além do período esperado de intoxicação aguda ou surgem tardiamente após cessação do uso. Deve haver história de uso de cocaína com plausibilidade temporal e exclusão razoável de outro transtorno psicótico primário ou de condição médica que explique os sintomas.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F14.0 x F14.7 — A diferença está no tempo: F14.0 é intoxicação aguda com sintomas transitórios; F14.7 exige persistência ou início tardio de sintomas psicóticos após a fase aguda.
F20.x x F14.7 — Esquizofrenia (F20.x) tem curso independente do uso de substâncias, com antecedentes pré‑existentes de sintomas psicóticos antes do uso ou curso contínuo sem relação temporal clara com cocaína; F14.7 tem relação temporal com uso de cocaína.
F1x.5 (síndrome de abstinência) x F14.7 — Abstinência por cocaína costuma apresentar ansiedade, agitação e depressão; se predominam delírios ou alucinações que surgem ou persistem além da retirada imediata, o código adequado é F14.7.
O que é?
Trata‑se de um transtorno psicótico associado ao uso de cocaína que aparece tardiamente ou permanece após a fase aguda de intoxicação. Clinicamente manifesta‑se por experiências perceptivas falsas (alucinações), crenças firmes sem evidência (delírios), desorganização do pensamento e alterações comportamentais que afetam funcionamento social e ocupacional.
Costuma ocorrer em pessoas com histórico de uso repetido, pesado ou de longo curso de cocaína, mas pode também surgir após episódios intermitentes em indivíduos vulneráveis. Fatores como privação de sono, poliuso de outras substâncias e comorbidades psiquiátricas influenciam a apresentação e a duração.
Quais sintomas aparecem?
Principais sinais incluem alucinações auditivas ou táteis (por exemplo, sensação de insetos), delírios persecutórios, desconfiança intensa e pensamento desorganizado. Sintomas precoces podem ser insônia marcante, agitação, paranoia e isolamento social. Indícios de agravamento são intensificação de delírios, risco de comportamento violento ou suicida, deterioração funcional rápida e perda do contato com a realidade.
O que causa?
Mecanismos envolvem efeitos neuroquímicos da cocaína sobre dopamina e outros neurotransmissores que podem desencadear alterações duradouras em circuitos corticais e subcorticais. O uso repetido facilita sensibilização dopaminérgica, aumentando a probabilidade de fenômenos psicóticos persistentes.
No Brasil, o cenário mais comum é o uso crônico ou em binge de cocaína (incluindo pó e crack), frequentemente associado a privação de sono, consumo concomitante de álcool ou outras drogas e vulnerabilidade prévia psiquiátrica, o que eleva o risco de instalação tardia de sintomas psicóticos.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico apoia‑se em histórico clínico detalhado que documente uso de cocaína e relação temporal com o início dos sintomas psicóticos, além de exclusão de intoxicação aguda, abstinência e transtorno psicótico primário. Observação da persistência dos sintomas além do período típico de intoxicação e correlação com relatos de familiares ou equipes de saúde sustentam o código F14.7.
A avaliação inclui triagem para outras substâncias, revisão de medicamentos e investigação de causas médicas que possam mimetizar psicose. A mudança do código ocorre se posteriormente se confirmar transtorno psicótico primário independente do uso de substância.
Como costuma ser tratado?
O manejo costuma ser multidisciplinar, com acompanhamento psiquiátrico e psicossocial. Em geral, o tratamento envolve estabilização em fases agudas, redução do uso de cocaína e intervenções para apoio social e reabilitação. O seguimento visa monitorar remissão dos sintomas psicóticos e identificar recidivas.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes medicamentosas usadas por especialistas incluem antipsicóticos para controlar sintomas psicóticos e, quando presente, ansiolíticos ou estabilizadores do humor em contexto hospitalar. A escolha e ajuste dependem do quadro clínico, efeitos adversos e comorbidades, e devem ser definidos por profissional habilitado.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação imediata se houver aumento de delírios, alucinações intensas, risco de agressão ou suicídio, comportamento incapacitante ou declínio funcional rápido. Busque também atendimento se ocorrer piora após interrupção do uso de cocaína ou se familiares notarem perda do contato com a realidade.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática, o pagamento e a exigência de perícia seguem regras legais: até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desse limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
Sobre a regra dos 60 dias: é o CID constante no atestado que o perito usa para verificar se a doença é a mesma, e é essa correspondência de código que permite a soma dos períodos — um detalhe prático pouco conhecido, mas determinante quando há vários atestados próximos no tempo.
Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
Especificamente para o código F14.7 — transtorno psicótico residual ou de instalação tardia associado ao uso de cocaína — trata‑se de um quadro que persiste ou surge tardiamente após uso repetido ou intermitente, em contraste com uma intoxicação aguda que se resolve por si. Esse diagnóstico costuma implicar maior necessidade de acompanhamento psiquiátrico e social e pode reduzir a capacidade de trabalho enquanto os sintomas psicóticos estiverem presentes, em vez de ser um episódio autolimitado pequeno; por isso, quando há vários atestados relacionados a esse mesmo CID em janela próxima, a regra dos 60 dias ganha importância prática para avaliar somas de afastamento e continuidade do tratamento.
Que direitos este código envolve?
Pessoas com transtornos por uso de substâncias têm direito a avaliação e tratamento em serviços de saúde; em perícias, é necessário diferenciar psicose induzida por substância de transtorno primário para efeitos de incapacidade. Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de perícia e legislação aplicável ao caso concreto.
Perguntas frequentes sobre F14.7
O que exatamente significa receber o CID F14.7 no meu prontuário?
Indica que sintomas psicóticos foram atribuídos ao uso de cocaína e que esses sintomas persistem além da intoxicação aguda ou surgiram tardiamente. Significa a necessidade de acompanhamento psiquiátrico e investigação sobre causas associadas.
Esse transtorno é contagioso ou passará para outras pessoas da casa?
Não é contagioso. Trata‑se de uma condição individual relacionada ao uso de droga e à resposta do cérebro; familiares não ‘‘pegam’’ o transtorno por convivência.
O código implica automaticamente direito a atestado ou afastamento do trabalho?
O registro do código documenta o diagnóstico, mas decisões sobre atestado, afastamento ou benefícios dependem da avaliação clínica detalhada e, quando for o caso, de perícia e regras do empregador ou seguradoras.
Que exames vou precisar fazer depois de receber este código?
Podem ser solicitados exames toxicológicos para checagem de uso recente, exames laboratoriais básicos para excluir causas médicas e, em alguns casos, neuroimagem; a necessidade é avaliada pelo médico.
Qual a diferença entre este código e um diagnóstico de esquizofrenia?
A diferença central é temporal e causal: F14.7 relaciona os sintomas diretamente ao uso de cocaína e ao seu curso temporal, enquanto esquizofrenia (F20.x) apresenta quadro psicótico independente do uso de substância e costuma ter histórico prévio ou curso contínuo sem ligação clara com uso de drogas.
Tenho risco de voltar a ter sintomas se usar cocaína de novo?
Sim, o uso continuado ou a recaída aumentam a probabilidade de persistência ou retorno dos sintomas psicóticos; por isso, reduzir ou cessar o uso é parte importante do cuidado.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando os sintomas psicóticos persistem além de quantas semanas após cessação do uso para considerar F14.7?
- Há exames toxicológicos ou achados laboratoriais que sustentem fortemente a relação temporal com cocaína versus outro psicotrópico?
- Que sinais clínicos ou curso justificariam migrar o diagnóstico de F14.7 para um transtorno psicótico primário (por exemplo, F20.x)?
- Qual é a indicação para solicitar neuroimagem ou avaliação neurológica neste contexto?
- Em que situação o manejo ambulatorial é insuficiente e exige internação psiquiátrica?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Como a perícia diferencia incapacidade por psicose induzida por cocaína (F14.7) de transtorno psicótico primário para fins de benefício previdenciário?
- Em processos trabalhistas, que documentação clínica costuma ser exigida para justificar afastamento por F14.7?
- O uso de substância no contexto de doença mental altera a avaliação de culpabilidade ou imputabilidade em perícias forenses?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos diagnósticos e terapêuticos relacionados a F14.7 exigem autorização prévia da operadora?
- A cobertura de internação psiquiátrica por quadro psicótico associado ao uso de cocaína depende de carência ou restrições específicas no contrato?
- Quais justificativas clínicas são aceitas pela operadora para manutenção de autorização em seguimentos prolongados por psicose residual?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F10-F19
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F14.7)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.