F18 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis

  • inalação de solventes
  • abuso de cola/ thinner
  • intoxicação por solventes

O CID F18 designa transtornos mentais e comportamentais causados pelo uso de solventes voláteis (por exemplo, cola, thinner, removedores). Engloba intoxicação aguda, síndrome de abstinência, transtornos mentais persistentes e comportamentais atribuídos ao uso repetido desses produtos. Aparece quando há história de exposição voluntária ou recreativa a vapores que causem prejuízo mental ou comportamental persistente. Não inclui intoxicações ocupacionais isoladas sem manifestação psiquiátrica predominante nem danos exclusivamente orgânicos sem relação direta com uso recreativo. A codificação exige compatibilidade entre história de uso, sinais clínicos e exclusão de outra causa primária.


Em palavras simples

Receber o código CID F18 significa que a alteração mental ou comportamental está relacionada ao uso de solventes voláteis — produtos como cola, thinner, removedores e outros que liberam vapores. Em linguagem simples, é quando respirar esses vapores para ficar “alto” ou por exposição repetida causa confusão, mudanças de humor, dificuldade de lembrar ou de se concentrar.

Você pode estar sentindo tontura, cansaço, sonolência, fala enrolada, ou alterações no humor como apatia ou irritação. Algumas pessoas relatam “cabeça lenta”, esquecimento e dificuldade para acompanhar tarefas do trabalho ou da escola; problemas com sono, apetite ou comportamento social também aparecem. Sintomas agudos, como desmaio ou convulsões, são sinais de risco.

Sobre gravidade: muitos episódios leves são transitórios, mas o uso repetido pode levar a danos mais duradouros na memória, atenção e no controle do comportamento. O problema em geral não “pega” outras pessoas como uma doença contagiosa; trata-se de efeito tóxico do produto inalado. A duração varia: crises agudas duram horas a dias; sequelas cognitivas podem persistir semanas a meses, às vezes mais.

No atendimento, o médico vai registrar sua história de uso, perguntar sobre as substâncias inaladas e avaliar sintomas. Podem ser solicitados exames para excluir outras causas e testes que avaliem memória e atenção. Dependendo do caso, pode haver encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico, neurologia e serviços de reabilitação ou assistência social.

Em casa, observe sinais de piora como dificuldade para respirar, convulsões, perda de consciência, confusão que não melhora ou comportamento muito agressivo; nesses casos, procure emergência. Também é importante notar se a pessoa está tentando esconder o uso, tem quedas de rendimento no trabalho ou na escola, ou apresenta isolamento social.

Conversar com profissionais de saúde, família e serviços sociais costuma ser parte do caminho. A interrupção da exposição é central: tanto evitar ambientes com vapores quanto reduzir o acesso às substâncias. A reabilitação pode envolver apoio psicológico, atividades de reinserção e acompanhamento médico para cuidar dos sintomas persistentes.

Quando usar este código

Usa-se este código quando o quadro mental e comportamental do paciente é atribuível ao uso de solventes voláteis, com evidência clínica ou anamnese de exposição repetida ou recente. Deve representar o motivo principal de atenção, perícia ou faturamento, não eventos circunstanciais sem repercussão psiquiátrica.

Não confunda com

F10 — Transtornos por álcool: separar por relato de consumo e padrão de substância; F10 exige álcool como agente causal predominante, F18 exige solventes voláteis como exposição primária.

F19 — Transtornos por múltiplas substâncias: usar F19 quando há uso simultâneo ou sequencial significativo de várias drogas sem predominância clara de solventes; F18 é especifico quando solventes são a substância principal responsável pelo quadro.

F11 — Transtornos por opiáceos: diferenciar pela história de uso e sintomas típicos de opióides (por exemplo, miose, depressão respiratória); se os sinais e relato apontam para opióides, codificar F11 em vez de F18.

O que é

Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis são condições causadas pela inalação intencional de vapores de produtos como colas, thinner, solventes industriais e removedores. Manifestações vão desde intoxicação aguda com alteração da consciência e comportamento até quadros crônicos com alterações cognitivas, apatia, transtornos do humor e prejuízos sociais e ocupacionais.

O problema costuma ocorrer em adolescentes e adultos jovens, em contextos de vulnerabilidade social ou trabalho com exposição inadequada, mas pode aparecer em qualquer faixa etária. Na prática clínica brasileira o uso recreativo de cola e solventes domésticos é a causa mais frequente de apresentação.

Sintomas

Principais sinais agudos incluem tontura, desorientação, euforia seguida de sonolência ou confusão; fala arrastada e coordenação prejudicada aparecem cedo. Sintomas psiquiátricos persistentes incluem alterações cognitivas (memória, atenção), apatia, irritabilidade, transtornos do humor e comportamento social comprometido. Indícios de agravamento são declínio cognitivo progressivo, sintomas psicóticos, convulsões, episódios repetidos de perda de consciência e sinais de dano neurológico focal.

Causas

O mecanismo básico é a exposição a solventes voláteis lipofílicos que atravessam rapidamente membranas e o sistema nervoso central, alterando neurotransmissão e causando efeitos neurotóxicos agudos e cumulativos. No Brasil, a causa mais comum é a inalação voluntária de produtos domésticos ou industriais (cola, thinner), frequentemente em contexto recreativo ou como estratégia de enfrentamento em populações vulneráveis. Exposições ocupacionais de longa duração também podem produzir quadro semelhante, especialmente quando não há proteção adequada.

Como é diagnosticado

O diagnóstico depende de história compatível de exposição a solventes voláteis associada a quadro mental ou comportamental justificável. Confirmação é clínica, reforçada por relatos de uso, observação direta e exclusão de outras causas neurológicas ou psiquiátricas. Exames toxicológicos podem identificar solventes recentes, mas resultados negativos não excluem o diagnóstico quando a história é clara; avaliação neuropsicológica e neurológica ajuda a documentar déficits persistentes que sustentam o código.

Como costuma ser tratado

Abordagem inclui medidas de suporte nas fases agudas, retirada da exposição e programas de desintoxicação e reabilitação psicossocial quando indicado. Tratamento costuma ser multidisciplinar, envolvendo atenção primária, saúde mental, serviço social e programas de reinserção. Intervenções ocupacionais e medidas de prevenção secundária são relevantes para exposições relacionadas ao trabalho.

Classes de medicamentos

Classes farmacológicas usadas de forma sintomática incluem ansiolíticos para agitação e sintomas de abstinência, antipsicóticos para sintomas psicóticos persistentes e agentes anticonvulsivantes para crises; a escolha depende do quadro clínico e é feita pelo médico responsável.

Quando procurar ajuda

Procurar atendimento imediato em caso de perda de consciência, convulsões, dificuldade respiratória, confusão aguda ou comportamento agressivo. Buscar avaliação médica sempre que houver suspeita de exposição repetida com prejuízo do trabalho, estudo ou das relações sociais, ou quando surgirem sintomas cognitivos persistentes.

Uso em atestado

Atestados e laudos devem descrever a relação entre uso de solventes e o quadro clínico, duração e gravidade funcional. Para incapacidade laboral, a documentação clínica e exames que demonstrem déficit funcional sustentam perícias. Em casos ocupacionais, é relevante documentar condições de exposição e medidas preventivas existentes.

Perguntas frequentes sobre F18

O que significa receber o código CID F18 no meu prontuário?

Indica que o problema mental ou comportamental foi atribuído ao uso de solventes voláteis, baseado na história clínica e nas manifestações observadas.

Isso é contagioso para outras pessoas da casa?

Não é contagioso; trata‑se de efeito tóxico da inalação dos vapores, não de agente infeccioso.

Que exames normalmente são pedidos após esse diagnóstico?

Podem ser solicitados exames básicos para excluir causas metabólicas, testes toxicológicos e avaliação neuropsicológica ou de imagem quando há suspeita de dano estrutural.

O CID F18 implica afastamento do trabalho automaticamente?

O código por si só não determina afastamento; a necessidade de licença depende da gravidade funcional documentada e da avaliação médica/pericial.

Como diferenciar intoxicação aguda de transtorno crônico por solventes?

Intoxicação aguda costuma ter início rápido após exposição e resolução em horas/dias; transtorno crônico apresenta alterações persistentes na cognição, humor ou comportamento relacionadas a uso repetido.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual o histórico de exposição (substância, frequência, via) e houve observação direta de inalação?
  • Quais déficits cognitivos ou neurológicos persistem e desde quando foram notados?
  • Há sinais de intoxicação aguda que justifiquem atendimento emergencial ou internação?
  • Que exames (neuroimagem, testes neuropsicológicos, toxicológicos) sustentam evolução para código F18.x específico?
  • O quadro evoluiu de intoxicação aguda para transtorno crônico que exige reabilitação?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Há nexo técnico entre a exposição ocupacional a solventes e o transtorno para fins de benefício previdenciário?
  • O afastamento do trabalho por Transtorno por solventes voláteis pode ser considerado doença ocupacional ou acidente de trabalho?
  • Que documentação médica e pericial é necessária para fundamentar pedido de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez?
  • Quais direitos à readaptação profissional e reabilitação são aplicáveis em caso de sequela permanente?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento de internação para desintoxicação relacionada a solventes voláteis é coberto pela apólice e exige autorização prévia?
  • A cobertura para avaliação neuropsicológica e reabilitação multidisciplinar depende de autorização específica da operadora?
  • Quais documentos (laudo clínico, exames, histórico ocupacional) a operadora exige para análise de cobertura em casos de transtorno por solventes voláteis?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Códigos relacionados

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade