F44.5 — Convulsões dissociativas
- crises dissociativas não epilépticas
- crises psicogênicas não epilépticas
- crise de conversão com manifestações convulsivas
O CID F44.5 designa episódios paroxísticos com aparência de convulsões que têm origem dissociativa (também chamadas crises não epilépticas psicogênicas). Aparecem como crises com perda de consciência, movimentos involuntários ou queda, mas sem os achados eletrofisiológicos típicos da epilepsia. Não inclui crises epilépticas de origem neurológica, eventos sincope ou reações farmacológicas. O diagnóstico exige avaliação clínica detalhada e, frequentemente, eletrencefalograma vídeo para excluir epilepsia. Concebe-se como um transtorno dissociativo/ de conversão associado a fatores psicológicos e situacionais na maioria dos casos.
Em palavras simples
Receber o código CID F44.5 significa que os episódios que você teve, mesmo parecendo convulsões, foram interpretados como convulsões dissociativas — ou seja, ataques que têm ligação com reações emocionais e psicológicas e não com atividade elétrica anormal do cérebro (epilepsia). Isso não diminui o que você sentiu; as crises são reais e causam perda do controle, movimentos e até perda de consciência.
É comum sentir-se confuso, cansado e ter dor de cabeça ou dor muscular depois das crises. Pessoas relatam também alterações no sono, ansiedade maior antes de sair de casa e medo de cair. Muitas vezes há gatilhos claros, como stress intenso, discussões familiares, problemas no trabalho ou memórias traumáticas que antecedem as crises.
Em termos de gravidade, as convulsões dissociativas não “pegam” outras pessoas; não são infecciosas. Podem ser muito incapacitantes no dia a dia, mas não equivalem a uma doença progressiva do cérebro. A duração varia: algumas pessoas têm apenas um episódio, outras têm crises recorrentes por meses ou anos se os fatores de manutenção não forem tratados. O curso costuma melhorar com tratamento adequado.
O passo seguinte normalmente é investigar para ter certeza de que não é epilepsia: isso inclui exames que o médico solicitará e, quando possível, o registro de uma crise com EEG. Após a confirmação, o foco é tratar os fatores emocionais e reabilitar a rotina — com psicoterapia, orientações para prevenir lesões durante crises e apoio para retomar trabalho e atividades. Nem sempre há necessidade de medicamentos específicos para as crises, mas podem ser prescritos para problemas associados, como depressão ou ansiedade.
Em casa, observe a frequência, duração e o que parece desencadear as crises; anotar essas informações ajuda muito. Cuide para não provocar lesões (evitar objetos cortantes, manter vigilância se sofrer quedas) e busque ajuda imediata se houver dificuldade para respirar, sangramento importante, ferimentos por queda ou se a crise durar muito mais que as anteriores. Se as crises aumentarem em número ou impedirem suas atividades, procure o médico para reavaliação.
Quando usar este código
Uso deste código quando o episódio convulsivo tem características clínicas sugestivas de origem dissociativa e a investigação neurológica (incluindo EEG ou vídeo-EEG quando disponível) não demonstra atividade epileptiforme que explique os eventos. Deve-se selecionar F44.5 após exclusão razoável de causas neurológicas, metabólicas ou iatrogênicas e quando a conduta clínica orientar manejo psicossocial e reabilitação ao invés de tratamento antiepiléptico primário.
Não confunda com
F44.5 vs G40 (Epilepsia): a presença de descargas epileptiformes intercrise ou de início ictal no EEG/VEEG e resposta consistente a antiepilépticos favorece G40; ausência dessas evidências com sinais semiológicos incongruentes com epilepsia favorece F44.5.
F44.5 vs R56.8 (Convulsão não classificada): R56.8 é usado quando não há definição etiológica após avaliação inicial; quando a investigação aponta para origem dissociativa específica, usar F44.5.
F44.5 vs F44.4 (Transtornos dissociativos do movimento): se o episódio é predominantemente alteração do movimento isolado e repetitivo sem perda de consciência significativa, F44.4 pode ser mais apropriado; se há crise convulsiva aparente com alteração do nível de consciência, F44.5 é preferível.
O que é
Convulsões dissociativas são ataques que se parecem externamente com convulsões tônico-clônicas ou crises parciais, mas cuja origem está associada a dissociação psicológica e fatores psicossociais, não a atividade elétrica anormal cortical típica da epilepsia. Manifestam-se por perda ou alteração do nível de consciência, tremores, movimentos arrítmicos, rigidez, quedas e comportamentos automatizados; sensorialidade subjetiva alterada e amnésia do evento são comuns.
Costumam ocorrer em adolescentes e adultos jovens, mais frequentemente em mulheres, e frequentemente se associam a história de stress psicossocial, trauma emocional prévio, transtornos comórbidos de humor ou de ansiedade. A apresentação pode ser episódica ou recorrente e o contexto clínico (comentários, atenção, busca de cuidado) e a resposta a intervenções breve às vezes ajudam na identificação, sem constituir prova isolada.
Sintomas
Principais: episódios paroxísticos com perda ou alteração do nível de consciência, movimentos convulsivos arrítmicos ou asíncronos, flacidez súbita, queda, abertura ocular frouxa, choro ou gritos durante a crise, amnésia subsequente. Aparecem cedo: episódios breves repetidos, definições de gatilhos emocionais ou situação estressante e dissociação subjetiva (sensação de irrealidade). Sinais de agravamento: aumento da frequência ou duração das crises, lesões traumáticas por quedas, dependência crescente de medicações sem melhora, incapacidade funcional marcada e comorbidades psiquiátricas não tratadas.
Causas
Mecanismos incluem dissociação psicógena e conversão de sofrimento psíquico em sintomas neurológicos observáveis. Em muitos casos na prática brasileira, eventos precipitantes recentes (estresse intenso, perda, conflito interpessoal) ou história de trauma (incluindo abuso) são fatores identificáveis. Processos neurofisiológicos complexos de regulação da atenção, controlo motor e consciência, modulados por fatores psicológicos e contextuais, são propostos, sem lesão estrutural cerebral específica. Comorbidades com ansiedade, depressão e transtorno de personalidade são frequentes, atuando como fatores de manutenção.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é clínico e requer: relato detalhado do episódio, testemunho de observadores, exame neurológico sem déficit focal persistente e investigação complementar para excluir epilepsia e outras causas médicas. O vídeo-EEG com registro do evento é o padrão para demonstrar ausência de atividade epileptiforme correlacionada ao episódio; EEG de rotina pode ser normal entre crises. Avaliação psiquiátrica busca fatores precipitantes, comorbidades e estratégia terapêutica. F44.5 é sustentado quando a semiologia, exames e curso clínico são coerentes com origem dissociativa.
Como costuma ser tratado
O manejo é predominantemente não farmacológico e baseado em intervenções psicossociais: explicação e validação do diagnóstico, psicoeducação, psicoterapia focal (por exemplo terapia cognitivo-comportamental adaptada à dissociação) e reabilitação funcional. Em geral o acompanhamento é ambulatorial, com enfoque em redução de fatores precipitantes, melhora de habilidades de regulação emocional e retorno às atividades. Procedimentos invasivos ou adoção de antiepilépticos só se justificam se houver evidência de epilepsia concomitante.
Classes de medicamentos
Não existe medicação específica para F44.5; fármacos podem ser usados para tratar comorbidades associadas como depressão ou ansiedade (antidepressivos) conforme avaliação psiquiátrica, e sintomáticos para sintomas concomitantes. Antiepilépticos não são indicados para as crises dissociativas a menos que haja diagnóstico simultâneo de epilepsia confirmado por exames.
Quando procurar ajuda
Procurar ajuda imediata em serviços de emergência ao ocorrer lesão associada à crise, duração prolongada da perda de consciência, dificuldade respiratória, ou se as crises mudarem em padrão, frequência ou gravidade rapidamente. Buscar avaliação especializada (neurologista/psiquiatra) quando houver repetição de episódios, impacto funcional importante, ou incerteza diagnóstica após avaliação inicial. Em ambulatório, retorno precoce é indicado se os episódios persistirem apesar de intervenções iniciais.
Uso em atestado
Para atestados e relatórios médicos, documentar data, descrição clínica detalhada da crise, exames realizados (incluindo EEG/VEEG) e conclusão diagnóstica indicando F44.5 quando aplicável. Evitar termos pejorativos; descrever impacto funcional e limitações temporais observadas. A indicação de afastamento laboral deve basear-se na avaliação individual do comprometimento funcional e em normas periciais.
Direitos e benefícios
Pacientes com F44.5 têm direito ao registro médico adequado e à confidencialidade. Questões de incapacidade laboral e benefícios dependem de avaliação pericial e da legislação ou contrato; o código CID é parte da documentação, mas não garante automaticamente concessões. Em perícia, relato clínico, resultados de exames e avaliação funcional são considerados para decisões sobre afastamento e auxílio.
Perguntas frequentes sobre F44.5
CID F44.5 significa que tenho epilepsia?
Não. CID F44.5 refere-se a convulsões dissociativas, que se assemelham a crises convulsivas mas não têm a mesma origem elétrica do cérebro associada à epilepsia. O diagnóstico depende de investigação clínica e exames.
Preciso fazer vídeo-EEG para confirmar o diagnóstico?
O vídeo-EEG é o exame que melhor documenta a ausência de atividade epileptiforme durante um episódio e costuma ser solicitado quando há dúvida diagnóstica; nem todos os serviços têm acesso, e o médico avalia a necessidade.
Vou ficar afastado do trabalho automaticamente com este código?
O CID no laudo documenta o diagnóstico, mas afastamento laboral depende da avaliação do impacto funcional, do laudo pericial e das regras do empregador ou órgão previdenciário.
As convulsões dissociativas são contagiosas?
Não são contagiosas. São fenômenos individuais relacionados a fatores psicológicos e não a agentes transmissíveis.
Que exames o médico costuma pedir primeiro?
Inicialmente, o médico pode pedir exame neurológico, EEG e, dependendo do caso, exames laboratoriais ou imagem cerebral para excluir causas médicas que mimetizem crises.
Qual a diferença entre F44.5 e F44.4?
F44.5 refere-se especificamente a crises com aparência convulsiva e alteração do nível de consciência, enquanto F44.4 descreve distúrbios dissociativos do movimento sem perda de consciência predominante.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Como foi documentada a atividade elétrica cerebral durante uma crise registrada por vídeo-EEG?
- Quais características semiológicas do episódio favorecem origem dissociativa em vez de epilepsia?
- Há história de trauma, abuso ou eventos psicossociais precipitantes que expliquem conversões recentes?
- Que comorbidades psiquiátricas (depressão, ansiedade, transtorno de estresse) estão presentes e foram avaliadas?
- O padrão temporal e a resposta a intervenções não farmacológicas justificam manter F44.5 ou reclassificar o diagnóstico?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Existe nexo causal entre o quadro e incapacidade laboral temporária para fins de perícia previdenciária?
- Que documentação clínica e exames são imprescindíveis para contestar negativa em benefício por incapacidade?
- Como registrar no laudo pericial elementos de credibilidade e funcionalidade sem expor informação sensível?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige confirmação por vídeo-EEG para autorizar tratamentos relacionados a convulsões não epilépticas?
- Quais procedimentos de reabilitação psicossocial são cobertos e quais exigem autorização prévia?
- A cobertura para internação breve por crise aguda exige CID principal F44.5 ou é tratada como condição sintomática?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F44.0 Amnésia dissociativa
- F44.1 Fuga dissociativa
- F44.2 Estupor dissociativo
- F44.3 Estados de transe e de possessão
- F44.4 Transtornos dissociativos do movimento
- F44.6 Anestesia e perda sensorial dissociativas
- F44.7 Transtorno dissociativo misto [de conversão]
- F44.8 Outros transtornos dissociativos [de conversão]
- F44.9 Transtorno dissociativo [de conversão] não especificado