F44.7 — Transtorno dissociativo misto [de conversão]

  • transtorno de conversão misto
  • apresentação dissociativa mista

O CID F44.7 designa um transtorno dissociativo misto, quando a pessoa apresenta manifestações dissociativas de vários tipos simultaneamente sem predominância de apenas uma forma definida. Aparece em contextos de estresse, trauma ou conflito emocional, mas não inclui sintomas que tenham clara explicação neurológica ou médica. Não se aplica quando um único quadro dissociativo é dominante (por exemplo, amnésia dissociativa isolada F44.0). Não descreve sintomas intencionais simulados ou produção consciente de sintomas. O registro indica que há combinação de alterações de consciência, memória, movimento, sensibilidade ou consciência da identidade.


Em palavras simples

Receber o diagnóstico CID F44.7 significa que os profissionais identificaram sinais de dissociação em mais de uma forma ao mesmo tempo. Em linguagem simples, ‘‘dissociação’’ é quando a mente separa ou desconecta partes da experiência — memória, sensação do corpo, movimentos ou mesmo a sensação de ser você. No seu caso, o rótulo “misto” diz que não há um único tipo de sintoma predominante; você pode ter, por exemplo, perdas de memória em episódios, junto com fraqueza sem causa médica aparente ou episódios em que se sente ‘‘fora de si’’.

Você provavelmente sente confusão sobre o que está acontecendo, pode se queixar de perda de memória de momentos específicos, episódios em que o corpo não responde normalmente (como fraqueza, tremor ou formigamento) e sensações estranhas de desligamento. É comum também surgir ansiedade, cansaço, alteração do sono e sintomas gastrointestinais como dor abdominal ou intestino solto quando o estresse aumenta. Esses sintomas podem variar em duração e intensidade.

O diagnóstico não implica necessariamente uma doença cerebral detectável nem significa que é contagioso. A gravidade varia: algumas pessoas têm episódios breves e retornam às atividades; outras têm dificuldade funcional maior e precisam de acompanhamento mais prolongado. A duração pode ser curta quando o fator desencadeante é resolvido, ou persistir se não houver suporte adequado e tratamento.

Os próximos passos costumam incluir exames para excluir causas médicas (como exames de imagem ou eletrofisiológicos) e avaliação com psiquiatria e psicologia. Em geral, são propostas intervenções não só medicamentosas para sintomas associados, mas também psicoterapia e suporte social. Dependendo de quanto os sintomas atrapalham o trabalho ou atividades, pode haver necessidade de afastamento temporário ou adaptações no ambiente.

Em casa, observe frequência e gatilhos dos episódios: eventos estressantes, sono ruim, uso de substâncias ou situações emocionais intensas costumam preceder as crises. Procure ajuda urgente se ocorrer perda de consciência prolongada, convulsões que causem queda ou risco de ferimentos, ou se houver risco de autoagressão. Para episódios menos graves, agende retorno com a equipe de saúde mental para revisão do plano terapêutico e apoio.

Quando usar este código

Usa-se este código quando o paciente apresenta duas ou mais manifestações dissociativas (por exemplo, episódios de amnésia com conversão motora e sintomas de transe) simultâneas ou alternantes, sem que uma delas seja claramente dominante e sem explicação orgânica. Aplica-se quando a avaliação exclui causas neurológicas, intoxicações ou simulação e quando os critérios das subcategorias específicas (F44.0F44.6, F44.8) não descrevem isoladamente o quadro.

Não confunda com

F44.0 vs F44.7: F44.0 é amnésia dissociativa isolada; escolher F44.0 se a perda de memória é o sintoma predominante sem outras manifestações dissociativas significativas. F44.4 vs F44.7: F44.4 é transtorno dissociativo do movimento quando o sintoma motor (paralisia, movimentos anômalos) domina; usar F44.7 se há movimentos anormais junto com amnésia, dissociação de identidade ou outras alterações sem predominância. F44.6 vs F44.7: F44.6 refere-se a anestesia ou perda sensorial dissociativa isolada; optar por F44.7 quando a perda sensorial ocorre com outros sintomas dissociativos como transe ou convulsões dissociativas. F44.8 vs F44.7: F44.8 cobre outras formas isoladas não especificadas; preferir F44.7 se há uma mistura simultânea de diferentes tipos dissociativos em vez de forma única atípica.

O que é

Transtorno dissociativo misto é uma condição psiquiátrica em que há presença combinada de alterações na consciência, memória, identidade, percepção sensorial ou controle motor que não são explicadas por uma condição médica neurológica. As manifestações podem incluir perda episódica de memória, estados de transe, alterações motoras sem causa orgânica e sintomas sensoriais sem lesão detectável.

Manifesta-se de modo heterogêneo: um paciente pode alternar entre episódios de amnésia e episódios com sintomas conversivos motores, ou apresentar simultaneamente sinais de dissociação de identidade leve e convulsões dissociativas. Costuma ocorrer em associação com estresse agudo, histórico de trauma ou conflitos psicossociais; pode surgir em qualquer idade, mas é frequentemente relatado em adultos jovens e mulheres em diversos contextos socioculturais.

Sintomas

Principais sinais incluem perda de memória episódica localizada ou generalizada, episódios de transe ou possessão, alterações motoras inexplicadas (paralisias, tremores), convulsões sem epilepsia demonstrável e anestesia ou perda sensorial. Sintomas que costumam aparecer cedo são episódios de dissociação transitória, amnésias passageiras e sintomas sensoriais súbitos. Indicadores de agravamento incluem aumento da frequência e duração dos episódios, comprometimento funcional diário significativo (trabalho, atividades domésticas), risco de ferimentos durante episódios motoros ou convulsivos e sintomas dissociativos que não respondem a medidas iniciais de avaliação e suporte.

Causas

Os mecanismos são multifatoriais: reações psicológicas a stress intenso ou trauma, mecanismos de defesa psíquica que desconectam percepção e memória, fatores psicosociais e culturais que modulam a expressão dos sintomas e vulnerabilidade individual. No contexto brasileiro, apresentações frequentemente associam história de eventos adversos na vida, abuso ou conflitos relacionais, além de fatores como estresse socioeconômico e acesso limitado a suporte psicossocial. Não há lesão cerebral detectável como causa primária neste código; por isso a investigação neurológica é parte do processo diagnóstico.

Como é diagnosticado

O diagnóstico é clínico e exige investigação para excluir causas neurológicas, toxicidade medicamentosa ou simulação. Este código é sustentado quando a avaliação identifica múltiplas manifestações dissociativas sem predominância de uma subcategoria específica e quando exames complementares razoáveis não encontram explicação orgânica. Registros detalhados da história temporal dos sintomas, exame neurológico normal e correlação com eventos psíquicos ou situacionais fortalecem a escolha de F44.7.

Como costuma ser tratado

O manejo habitual é multidisciplinar e centrado em avaliação psiquiátrica e psicoterapias focalizadas no trauma e em estratégias de regulação emocional, com suporte psicossocial para reduzir fatores estressores. Intervenções de reabilitação funcional e terapias ocupacionais podem ser necessárias quando há limitação motora persistente. O tratamento costuma ser ambulatorial, mas episódios agudos com risco ou incapacidade grave podem requerer avaliação hospitalar.

Classes de medicamentos

Medicamentos não definem o código, mas classes usadas na prática incluem ansiolíticos e antidepressivos para sintomas concomitantes (ansiedade, depressão) e medicamentos sintomáticos quando indicados por comorbidades; a escolha farmacológica é individualizada e não específica ao CID F44.7.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação imediata em serviços de emergência ou emergência psiquiátrica se houver perda de consciência prolongada, convulsões com risco de lesão, comprometimento respiratório, comportamento que coloque a pessoa em perigo ou quando os episódios aumentarem em frequência e intensidade. Buscar atendimento ambulatorial quando os episódios são controláveis mas limitam trabalho ou vida social, para diagnóstico e planejamento terapêutico.

Uso em atestado

Atestados e relatórios devem descrever de forma objetiva as manifestações observadas, duração e impacto funcional, sem presumir causalidade única. Para perícia, registrar conclusão de avaliações neurológicas e informações sobre eventos precipitantes e resposta a intervenções.

Perguntas frequentes sobre F44.7

O que significa receber o CID F44.7 no meu atestado?

Significa que foram identificadas várias manifestações dissociativas combinadas sem predominância de uma forma específica; o atestado deve descrever o impacto funcional e a necessidade de afastamento, quando houver.

Isso é contagioso para familiares?

Não, transtornos dissociativos não são transmissíveis como infecção; tratam-se de reações psicogênicas a fatores emocionais e situacionais.

Quais exames serão pedidos após este diagnóstico?

Normalmente solicitam-se exames para excluir causa neurológica (imagem e/ou eletrofisiologia) e exames laboratoriais básicos; a escolha depende do quadro clínico apresentado.

Como diferenciar este código do vizinho F44.0?

F44.0 corresponde à amnésia dissociativa isolada; se a perda de memória é o sintoma principal e único, registra-se F44.0, enquanto F44.7 é usado quando há múltiplas manifestações dissociativas.

O diagnóstico muda o tipo de atestado ou a necessidade de perícia?

A gravidade e a documentação determinam necessidade de perícia; atestados descrevem incapacidade temporária e a perícia avalia concessões formais, não o CID por si só.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve investigação neurológica (imagem, EEG) que excluiu etiologia orgânica para cada manifestação dissociativa?
  • Qual sintoma dissociativo apareceu primeiro e qual predomina na maioria das crises?
  • Há história de trauma, abuso ou eventos psicológicos precipitantes correlacionáveis temporalmente aos episódios?
  • Os episódios incluem risco de lesão (queda, convulsão com perda de consciência) que exigiria medida de proteção?
  • Quais intervenções psicoterápicas já foram tentadas e qual foi a resposta clínica observable?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Qual documentação clínica é necessária para fundamentar afastamento por incapacidade relacionada a transtorno dissociativo misto?
  • Em perícia, como demonstrar nexo entre episódios dissociativos e impossibilidade de trabalho sem testes neurais positivos?
  • Quais são os critérios para permanência ou revisão de benefício quando os sintomas são intermitentes e dependentes de fatores psicossociais?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos diagnósticos (imagens, EEG) e terapêuticos para transtorno dissociativo misto necessitam autorização prévia?
  • O plano exige relatórios psicológicos e psiquiátricos específicos para liberar terapias psicossociais prolongadas?
  • Como a operadora avalia cobertura para terapias multidisciplinares quando o diagnóstico é F44.7 e os sintomas são mistos?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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