F44.6 — Anestesia e perda sensorial dissociativas
- anaestesia dissociativa
- perda sensorial funcional
- anestesia psicógena
O CID F44.6 designa episódios de perda de sensibilidade ou anestesia que não se explicam por lesão orgânica do sistema nervoso e se associam a fatores dissociativos ou psicológicos. Aparece quando o exame neurológico e exames complementares não corroboram uma causa estrutural, e quando há sinais de inconsistência ou dissociação entre relato e exame. Não inclui perda sensorial por neuropatia periférica, compressão radicular, AVC ou outras causas neurológicas demonstráveis. Tampouco cobre formas primárias de dor ou distúrbios sensitivos causados por doenças sistêmicas ou traumáticas.
O quadro costuma surgir em contexto de stress agudo, trauma psicológico ou transtornos dissociativos prévios, e pode ser transitório ou persistente. A identificação depende da avaliação clínica detalhada que documenta ausência de achados objetivos compatíveis com a distribuição anatômica esperada.
Em palavras simples
Este código significa que você tem perda de sensibilidade ou sensação de dormência que, pelas investigações feitas, não foi explicada por lesão do nervo, da medula ou do cérebro. Em vez disso, a alteração da sensação é associada a processos dissociativos: o corpo reage a stress ou emoções intensas e a percepção sensorial muda sem que haja um dano ‘visível’ nos exames.
O que você provavelmente sente é dormência, formigamento ausente ou perda de tato em uma área do corpo — pode ser o braço, a perna, metade do rosto ou uma região mais ampla. Às vezes vem de repente após um evento estressante; outras vezes surge aos poucos. Pode acompanhar ansiedade, cansaço, alteração do sono ou sintomas emocionais.
Esse quadro não é contagioso. Em muitos casos não é uma doença progressiva como um AVC ou neuropatia, mas pode ser incapacitante enquanto durar. A duração varia: alguns episódios regridem em dias ou semanas; outros podem persistir e exigir acompanhamento por semanas a meses.
O caminho usual inclui consultas para confirmar que não há doença neurológica detectável, possível encaminhamento para exames (imagens, estudos de nervos) apenas se houver suspeita de outra causa, e acompanhamento com profissionais que cuidem do aspecto emocional e da reabilitação funcional. A necessidade de afastamento do trabalho depende de quanto isso afeta sua capacidade de realizar tarefas.
Em casa, observe se aparecerem sinais novos como fraqueza real, dificuldade para caminhar, perda de visão, confusão ou desmaios — nesses casos procure ajuda imediatamente. Se a sensação não melhorar, causar prejuízo nas atividades cotidianas ou vier acompanhada de angústia intensa, retorne ao médico para reavaliação e possível encaminhamento para apoio psicológico ou reabilitação.
Quando usar este código
Usa-se este código quando um paciente apresenta perda parcial ou completa de sensibilidade ou anestesia em uma área corporal, e a investigação neurológica (história, exame físico, exames de imagem e eletrofisiologia) não encontra lesão orgânica que explique os sintomas, enquanto sinais clínicos apontam para um padrão dissociativo ou funcional.
Não confunda com
F44.6 versus G56.0 (Síndrome do túnel do carpo): a distinção recai no padrão anatômico e nos exames. G56.0 tem distribuição de nervo periférico e geralmente confirma-se por eletroneuromiografia, enquanto F44.6 mostra inconsistência com distribuição nervosa e exames normais.
F44.6 versus G81.9 : hemiplegia por AVC costuma ter sinais neurológicos objetivos persistentes e alterações em imagem cerebral; F44.6 apresenta falta de correlação entre relato e exame e exames de imagem normais.
F44.6 versus F44.4 (Transtornos dissociativos do movimento): F44.4 tem alterações motoras (paralisia, movimentos anormais) como predominância; em F44.6 o sintoma principal é sensorial (perda de tato, dor ausente ou alterada) sem explicação neurológica.
O que é
Anestesia e perda sensorial dissociativas descrevem redução ou perda de sensibilidade (tato, dor, temperatura) sem lesão comprovada do sistema nervoso, atribuível a mecanismos dissociativos ou psicogênicos. Trata-se de um quadro funcional em que a experiência sensorial é alterada por fatores psicológicos, frequentemente após stress, trauma ou em pessoas com transtornos dissociativos prévios.
Manifesta-se por dormência localizada ou extensa, sensação de “entorpecimento” ou ausência de sensação, que pode surgir de forma súbita ou progressiva. A população afetada inclui adultos jovens e de meia-idade, com maior frequência em pessoas expostas a eventos estressantes, história de transtorno somatoforme ou com comorbidades psiquiátricas.
Sintomas
Principais: perda de sensibilidade tátil, térmica ou dolorosa em áreas bem delimitadas ou difusas; sensação de dormência, formigamento ausente, ou sensação de “membro estranho”.
Sinais que aparecem cedo: relato súbito de dormência ou alívio abrupto de dor preexistente; inconsistência entre teste de sensibilidade e estimulação real; preservação de outras funções (força, reflexos) apesar da anestesia relatada.
Sinais de agravamento: progressão rápida para maior extensão da área afetada sem explicação, surgimento de déficits neurológicos objetivos (paralisia franca, perda de consciência) ou comportamento que impede cuidados básicos — nesses casos deve-se reavaliar para causa orgânica ou risco médico.
Causas
Mecanismos implicam dissociação e conversão psicológica: processos psíquicos que modulam a percepção sensorial sem lesão estrutural identificável. O gatilho mais relatado na prática brasileira é um evento estressor agudo (perda, violência, conflito interpessoal) acompanhado de intensa ansiedade ou dissociação. Outros fatores incluem história de transtornos dissociativos, comorbidade depressiva ou personalidade vulnerável.
Do ponto de vista neurobiológico, há modelos que envolvem alterações na atenção, processamento sensorial central e na conectividade entre redes cerebrais que codificam corpo e emoção; contudo, na rotina clínica a causa imediata mais observada é a relação temporal com fatores psicossociais e ausência de correlação com exame neurológico.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é clínico e de exclusão: baseia-se em história cuidadosa, exame neurológico detalhado que documente inconsistência entre relato e achados esperados para lesão anatômica, e em exames complementares que afastem causas orgânicas relevantes. Documentam-se padrões não-dermatomais ou que mudam com distração, e preservação de reflexos ou força muscular quando a sensibilidade estaria comprometida se houvesse lesão.
Exames como imagem de crânio/coluna, eletroneuromiografia ou exames laboratoriais são utilizados quando indicados para excluir neuropatia, compressão, processos inflamatórios ou vascular. A confirmação do código depende da ausência de evidências orgânicas que expliquem o sintoma e da presença de sinais funcionais/inconsistentes.
Como costuma ser tratado
O manejo costuma ser interdisciplinar e ambulatorial: abordagem psicológica/psicoterápica dirigida a fatores dissociativos e ao manejo de stress, reabilitação funcional quando houver impacto motor ou sensorial na vida cotidiana, e suporte para comorbidades como ansiedade ou depressão. A explicação clara ao paciente sobre a natureza funcional do sintoma é frequentemente parte do cuidado, sem minimizar o sofrimento.
Classes de medicamentos
Medicamentos não são a base do tratamento, mas classes usadas para sintomas associados incluem antidepressivos e ansiolíticos para comorbidades depressivas ou ansiosas, e analgésicos quando há dor concomitante. A escolha farmacológica é determinada por comorbidades e feita por especialista; o uso visa tratar condições associadas, não a ‘cura’ direta da perda sensorial funcional.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento urgente se houver aparecimento de déficits motores objetivos (fraqueza franca), alteração do nível de consciência, sinais de infecção, perda rápida e progressiva de função ou risco de autolesão. Buscar avaliação em prazos curtos se os sintomas piorarem, impactarem atividades diárias, persistirem apesar de intervenções iniciais, ou se houver dúvida sobre uma causa orgânica que exija investigação imediata.
Uso em atestado
Atestados e certificados devem descrever déficits relatados e limitações funcionais observadas, com datas e duração estimada; justificar necessidade de afastamento com base em incapacidade demonstrável para atividades específicas. Para perícia, documentar a investigação realizada e a ausência de achados orgânicos que expliquem os sintomas.
Direitos e benefícios
O reconhecimento de incapacidade para trabalho depende de avaliação pericial e da documentação clínica; a presença do CID F44.6 não garante afastamento ou benefícios automaticamente. Em perícias previdenciárias ou trabalhistas, a documentação que mostre impacto funcional, tratamentos realizados e avaliações especializadas é determinante para decisões administrativas e judiciais.
Perguntas frequentes sobre F44.6
Este CID significa que tenho lesão no nervo?
Não; F44.6 aponta perda sensorial sem lesão nervosa detectável nos exames realizados, associada a mecanismos dissociativos ou psicológicos.
Posso ficar sem sensação para sempre?
A evolução é variável: muitos recuperam parcial ou totalmente com tratamento e tempo, mas alguns sintomas podem persistir e exigir acompanhamento prolongado.
Preciso de exames adicionais para descartar outra causa?
Exames como imagem ou eletroneuromiografia são indicados quando a história ou o exame sugerem uma lesão orgânica; a decisão é individualizada.
Esse diagnóstico dá direito a afastamento do trabalho automaticamente?
Não automaticamente; afastamento depende de incapacidade funcional documentada e de avaliação pericial.
Como diferenciar este CID de paralisia por AVC?
AVC geralmente causa sinais neurológicos objetivos e alterações em imagem cerebral; F44.6 mostra inconsistência clínica e exames sem lesão explicativa.
O que é tratado primeiro, a sensação ou a ansiedade associada?
Normalmente se avalia e se trata ambos: sintomas sensoriais e comorbidades psíquicas são abordados de forma integrada por uma equipe.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há documentação de inconsistência entre relato sensorial e exame objetivo, e quais testes foram feitos para demonstrá-la?
- Qual é a distribuição da perda sensorial e ela corresponde a dermátomos ou nervos periféricos?
- Foram realizados eletroneuromiografia ou imagem quando a distribuição sugere causa orgânica, e quais foram os resultados?
- Há história recente de evento estressor, dissociação ou transtorno psiquiátrico que possa explicar o início dos sintomas?
- O quadro evolui, migra de área ou muda com distração e sugestão durante o exame clínico?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Há registros médicos detalhados que comprovem limitação funcional e impossibilidade de trabalho para fins de perícia?
- Qual a fundamentação clínica para manutenção de afastamento em caso de contestação pericial?
- Que documentação adicional (psiquiatria, psicologia, reabilitação) fortalece um pedido administrativo ou judicial relacionado a este diagnóstico?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- A operadora exige exames específicos (eletroneuromiografia, RM) para autorizar procedimentos de reabilitação para este diagnóstico?
- Que critérios a seguradora usa para avaliar incapacidade relacionada a um transtorno dissociativo com perda sensorial?
- Há necessidade de relatório psiquiátrico ou psicológico para cobertura de terapia no contexto deste CID?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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