CIDs Med
I00–I99 · Capítulo IX · Doenças do aparelho circulatório
  • tromboflebite não especificada
  • flebite de membro inferior não especificada
  • inflamação venosa de perna sem localização definida

Em palavras simples

Receber o diagnóstico registrado como CID I80.3 significa, em palavras simples, que o médico identificou inflamação de uma veia na perna — às vezes com um coágulo — mas que a fala ou o exame no momento não especificou qual veia foi afetada. Não é um rótulo diferente de ”tromboflebite”; é apenas a maneira de registrar quando a localização não está descrita no prontuário. O termo serve para organizar o registro clínico e administrativo, e não muda a necessidade de avaliação.

Você provavelmente sente dor localizada na perna, vermelhidão e talvez calor sobre a área afetada; pode haver um pequeno inchaço ou a sensação de um cordão sob a pele. Em alguns casos a pessoa também tem febre baixa. Esses sintomas costumam aparecer de forma relativamente súbita e chamam atenção pelo desconforto ao caminhar ou ao tocar a área.

Nem todo caso é grave ou contagioso. Flebite superficial normalmente melhora com cuidados e acompanhamento, mas quando há suspeita de envolvimento de veias profundas a situação exige mais atenção porque há risco maior de complicações. O CID por si só não diz quanto tempo isso vai durar; o tempo de afastamento, se necessário, é decidido pelo médico avaliador e pode variar entre pessoas. É comum que o médico peça exames para determinar se a veia afetada é superficial ou profunda.

O que costuma vir a seguir é uma avaliação clínica detalhada e, em muitos casos, uma ultrassonografia com Doppler para ver se há trombo e onde ele está. Com base nisso, o médico vai definir o acompanhamento, possíveis medidas de suporte e a necessidade de retorno. Se você recebeu um atestado, verifique se os dados essenciais estão lá: seu nome, o período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico; o CID pode constar se você concordar.

Em casa, observe se a dor e a vermelhidão diminuem com repouso e cuidados locais indicados pelo médico; procure ajuda sem esperar se a dor aumentar muito, o inchaço se espalhar pela perna, surgir febre alta, ou tiver dificuldade para respirar. Esses sinais podem indicar piora que precisa de avaliação imediata. Em caso de dúvidas sobre o que fazer ou sobre a documentação que recebeu, volte ao serviço de saúde que o atendeu para esclarecimentos e para decidir os próximos passos.

O que este código significa?

CID I80.3 designa inflamação de uma veia dos membros inferiores, muitas vezes associada à formação de coágulo (tromboflebite), quando a localização específica (superficial ou profunda, veia femoral etc.) não foi registrada. Aparece em contextos agudos com dor, vermelhidão e edema na perna, mas o termo não inclui situações claramente classificadas como trombose venosa profunda documentada (I80.2) ou flebite de vasos superficiais descrita (I80.0). Este código é usado quando o clínico relata flebite/tromboflebite sem detalhar o vaso afetado ou sem exames confirmatórios que permitam codificação mais específica.

Quando este código é usado?

Emprega-se este código quando o registro clínico menciona flebite ou tromboflebite nos membros inferiores, porém não informa se envolve veias superficiais ou profundas nem especifica a veia afetada. É frequente em prontuários, atestados ou laudos iniciais antes de exames de imagem, ou quando a documentação é incompleta. Não deve ser usado se houver exame que permita classificar como I80.0, I80.1 ou I80.2.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

I80.0 — Flebite e tromboflebite dos vasos superficiais dos membros inferiores: separar quando o laudo descreve explicitamente veias superficiais, tecido subcutâneo e sinal de cordão palpável; se o registro cita ‘superficial’ ou descreve trombo subcutâneo, usar I80.0. I80.1 — Flebite e tromboflebite da veia femural: usar I80.1 quando a localização anatômica cita a veia femural ou o exame de imagem identifica trombo nessa veia; I80.3 não é adequado nesses casos. I80.2 — Flebite e tromboflebite de outros vasos profundos dos membros inferiores: escolher I80.2 quando estudos por imagem confirmam trombose em veias profundas (outras além da femoral); I80.3 permanece apenas para casos sem especificação.

O que é?

Flebite é a inflamação de uma veia; tromboflebite acrescenta a presença de um coágulo (trombo) nessa veia. Em membros inferiores isso costuma provocar dor localizada, calor e alteração da pele sobre a veia acometida. O espectro clínico vai de episódios limitados a veias superficiais até processos que envolvem veias profundas e trazem maior risco.

O código I80.3 registra o diagnóstico quando a documentação descreve flebite ou tromboflebite na perna sem detalhar o tipo ou a veia afetada. Manifestações típicas incluem dor à palpação, edema e vermelhidão; o achado pode surgir após trauma local, imobilização, procedimentos ou em pessoas com fatores de risco para trombose, mas a classificação como I80.3 depende da ausência de especificação.

Quais sintomas aparecem?

Principais sinais são dor localizada na perna, sensibilidade ao toque, vermelhidão e aumento de temperatura sobre a área afetada, com possível endurecimento (cordão) ao longo da veia. Sintomas iniciais incluem desconforto focal e vermelhidão; edema e aumento da dor ao caminhar sugerem piora. Diminuição progressiva da dor e redução da inflamação indicam evolução favorável, enquanto febre persistente, expansão da área vermelha, edema intenso ou sinais de trombose venosa profunda (dor e inchaço mais difusos) apontam para agravamento.

O que causa?

Mecanismos incluem inflamação da parede venosa que pode ocorrer por lesão local, trauma, infecção secundária ou reação a cateteres e medicamentos endovenosos. A presença de trombo resulta da interação entre lesão endotelial, lentificação do fluxo e alterações da coagulação (triângulo de Virchow). No Brasil, causas práticas frequentes são procedimentos endovenosos, imobilização prolongada após cirurgia ou trauma e condições associadas à hipercoagulabilidade, além de fatores como varizes e uso de dispositivos venosos.

Como o médico confirma o diagnóstico?

A confirmação do diagnóstico busca correlação clínica com exames de imagem; ultrassonografia com Doppler é o exame que diferencia veia superficial de profunda e detecta trombo, sustentando a codificação mais específica. Para I80.3 o suporte é a documentação clínica que relata flebite/tromboflebite sem registro de localização ou sem exame conclusivo. Se o laudo ou o exame identificar veia superficial ou profunda, o código deve ser trocado pelo irmão correspondente.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma ser ambulatorial em muitos casos e envolve medidas de suporte direcionadas à inflamação venosa e ao risco trombótico. A conduta depende da localização (superficial versus profunda), da extensão do trombo, da presença de fatores de risco e da avaliação clínica global; casos com sinais de complicação exigem avaliação mais intensiva e possíveis intervenções adicionais.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes medicamentosas usadas na prática incluem anti-inflamatórios para controle da dor e inflamação, antitrombóticos quando há risco ou confirmação de trombose venosa profunda, e antibióticos se houver suspeita de infecção associada; a indicação depende da avaliação clínica e dos exames.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica imediata se houver aumento rápido da dor e do inchaço na perna, febre elevada, expansão da vermelhidão em direção ao tronco ou dificuldade para caminhar. Sinais de comprometimento circulatório ou suspeita de trombose venosa profunda justificam cuidado urgente. Para dúvidas sobre evolução e necessidade de exames adicionais, retorne ao serviço que acompanha o seu caso.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, considerando o caso concreto, de modo que duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário; a partir do 16º dia o INSS passa a assumir e exige perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Essa soma usa o CID do atestado como referência para o perito identificar se os afastamentos são pelo mesmo problema.

Para que um atestado seja aceito ele deve conter identificação do paciente, período de afastamento claramente datado, data do atestado, assinatura e número do CRM do médico. O registro do CID no atestado exige anuência do paciente; o profissional pode omitir o código por motivos de privacidade, mas sem o CID a soma dos 60 dias não pode ser verificada automaticamente pelo INSS.

No caso de I80.3, o quadro costuma ser agudo e frequentemente resolve com tratamento e seguimento ambulatorial quando se trata de flebites superficiais ou episódios limitados; situações com suspeita de veia profunda exigem investigação adicional e mudam a avaliação de incapacidade. Por isso, o fato de o atestado usar I80.3 em vez de I80.0 ou I80.2 pode indicar que a localização não foi especificada no momento do atendimento, o que impacta a avaliação pericial se houver necessidade de soma de períodos.

O uso de I80.3 em atestados significa que a documentação não detalhou a veia afetada; isso pode levar o perito a solicitar exames ou esclarecimentos antes de decidir sobre continuidade de afastamento sob o benefício do INSS. Quando o quadro tende a ser recorrente ou quando há risco de evolução para trombose venosa profunda, a regra dos 60 dias ganha importância porque permite agrupar atestados sucessivos que se referem à mesma condição clínica documentada pelo CID.

Perguntas frequentes sobre I80.3

O que exatamente significa que o CID é "não especificada"?

Significa que o registro médico descreveu inflamação ou trombo em veia da perna, mas não indicou se a veia é superficial ou profunda nem nomeou a veia específica; por isso usa-se I80.3.

Preciso me preocupar que seja contagioso?

Não é uma condição contagiosa; trata-se de inflamação e/ou coágulo numa veia, geralmente relacionado a fatores locais ou de coagulação, não transmitida de pessoa para pessoa.

O atestado com I80.3 vale para afastamento do trabalho?

O atestado é documento médico e pode justificar afastamento; o período é definido pelo médico e, se ultrapassar 15 dias, o INSS passa a avaliar por perícia. A presença do CID facilita a soma de atestados pelo mesmo motivo.

Como diferenciar I80.3 de I80.2 na prática?

A diferença depende de exame por imagem: ultrassom venoso com Doppler que mostre trombo em veias profundas orienta a codificação para I80.2; sem especificação permanece I80.3.

Recebi I80.3 no prontuário; devo pedir mais exames?

Se houver dúvida sobre a extensão do processo ou sintomas que sugerem piora, o médico pode solicitar ultrassom para esclarecer se a veia afetada é superficial ou profunda e ajustar o tratamento e a codificação conforme o resultado.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há exame de imagem disponível que confirme se a veia afetada é superficial ou profunda?
  • O laudo descreve evidência de trombo (tromboflebite) ou apenas sinais inflamatórios sem trombo aparente?
  • Existem fatores de risco ativos (cateter endovenoso, imobilização, cirurgia recente) que mudariam a conduta?
  • Qual é a extensão estimada da área inflamada e há sinais de progressão que justificariam reavaliação em curto prazo?
  • Se o diagnóstico for esclarecido por imagem, qual código CID substituirá I80.3 no prontuário?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este atestado com CID I80.3 é suficiente para justificar afastamento perante o INSS em caso de perícia?
  • Como a ausência de especificação de veia (I80.3) pode afetar análise de estabilidade ou incapacidade em perícia trabalhista?
  • Se houver necessidade de perícia judicial, quais documentos clínicos e exames sustentariam conversão de I80.3 para I80.2 ou I80.0?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exigirá exame por imagem para autorizar procedimentos relacionados a flebite/tromboflebite quando o CID informado for I80.3?
  • A operadora costuma solicitar esclarecimento clínico para substituir I80.3 por um código mais específico antes de autorizar internação ou terapia?
  • Em notificações de reembolso, o CID I80.3 pode ser questionado por falta de especificação da veia acometida?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.