M70.6 — Bursite trocantérica

  • bursite do trocânter
  • síndrome trocantérica
  • bursite trocantérica do quadril

O CID M70.6 designa inflamação da bursa subtrocantérica ou trocantérica, a bolsa de tecido mole que reduz atrito lateral do quadril. Aparece como dor localizada na face lateral do quadril, agravada por atividade, subir escadas, deitar sobre o lado afetado ou ao cruzar as pernas. É mais frequente em adultos de meia-idade e idosos, especialmente pessoas ativas, com biomecânica alterada ou sobrecarga repetida. Não inclui dor referida de origem lombar, artrose primária do quadril nem fraturas do trocanter; esses diagnósticos têm códigos próprios. O código registra a entidade inflamatória localizada da bursa trocantérica, independentemente da causa subjacente documentada no prontuário.


Em palavras simples

O código CID M70.6 corresponde à chamada bursite trocantérica, que significa inflamação de uma pequena bolsa (bursa) localizada na lateral do quadril, sobre o ponto ósseo chamado trocânter maior. Essa bolsinha ajuda os tendões a deslizar; quando inflama, causa dor localizada no lado do quadril.

Você provavelmente sente dor na parte externa do quadril, que pode piorar ao caminhar, subir escadas, ficar muito tempo em pé ou deitar sobre o lado afetado. Muitas pessoas descrevem desconforto que atrapalha o sono quando apoiam o corpo no lado com dor.

Na maioria dos casos não é doença contagiosa nem coloca a vida em risco; costuma ser um problema de tecidos moles que melhora com medidas de repouso relativo, fisioterapia e adaptação de atividades. A duração varia: algumas melhoram em semanas, outras podem demorar meses, especialmente se houver fatores que mantêm a sobrecarga.

O caminho habitual é uma avaliação médica com exame físico e, se necessário, uma ultrassonografia ou radiografia para excluir outras causas. O médico pode orientar fisioterapia e formas de reduzir a carga sobre o quadril; retornos são comuns para acompanhar a evolução. Em alguns casos persistentes, são discutidos procedimentos locais para reduzir a inflamação.

Em casa, observe se a dor melhora com repouso relativo ou piora com certas atividades; anote movimentos que provocam dor e relate ao médico. Procure ajuda urgente se a dor ficar muito intensa, se houver febre, vermelhidão e calor local marcantes, ou se surgirem fraqueza ou dormência na perna. Essas alterações merecem avaliação imediata.

Quando usar este código

Usa-se M70.6 quando há quadro clínico consistente com inflamação da bursa trocantérica confirmado por exame físico (dor e sensibilidade à palpação sobre o trocânter maior, dor ao esticar lateralmente o quadril ou ao deitar sobre o lado) e quando a hipótese de origem articular ou vertebral foi excluída ou considerada secundária. O código vale para episódios agudos e para bursite localizada crônica na mesma topografia, desde que o registro clínico descreva claramente a bursa como foco principal do problema.

Não confunda com

M16 (coxartrose): coxartrose envolve dor profunda na virilha e limitação articular com sinais radiográficos de perda de espaço articular e osteófitos; a bursite trocantérica causa dor lateral à articulação com sensibilidade focal no trocânter e sem padrão radiográfico de osteoartrose como critério principal.

M54.5 (dor lombar) ou códigos de radiculopatia: dor referida do segmento lombar costuma irradiar para a face posterior da coxa e variar com postura lombar e manobras neurológicas; já a bursite trocantérica produz dor estritamente lateral do quadril agravada por pressão local e por movimentos do quadril.

M25.5 : dor articular genérica é usada quando não há identificação de estrutura; para M70.6 é necessário registro que indique inflamação da bursa trocantérica ou sinais locais claros que aponte para a bursa em vez da articulação.

O que é

A bursite trocantérica é a inflamação da bursa localizada sobre o trocânter maior do fêmur, uma pequena bolsa que facilita o deslizamento dos tendões e reduz o atrito com a superfície óssea. Manifesta-se por dor e sensibilidade na face lateral do quadril, frequentemente pior ao caminhar, subir escadas, levantar-se de cadeira ou deitar sobre o lado afetado.

O quadro pode surgir após sobrecarga repetitiva, trauma direto, alterações biomecânicas do membro inferior ou como consequência de problemas adjacentes (como tendinopatia dos músculos glúteos). A intensidade varia de desconforto moderado que limita atividades a dor mais intensa que prejudica sono e mobilidade.

Sintomas

Dor localizada na face lateral do quadril e sensibilidade ao toque sobre o trocânter maior são os sintomas principais; a dor costuma começar de forma gradual, piora com atividade e melhora com repouso. Dor ao deitar sobre o lado afetado e interdição parcial de atividades como subir escadas ou caminhar longas distâncias aparecem precocemente. O surgimento de dor noturna intensa ou perda progressiva da mobilidade do quadril indica agravamento e necessidade de reavaliação, assim como sinais sistêmicos (febre) ou déficit neurológico associado.

Causas

Mecanismos incluem sobrecarga repetitiva dos tendões que passam sobre o trocânter maior, microtrauma direto, e alterações biomecânicas como discrepância de comprimento de membros, marcha anômala ou fraqueza do glúteo médio. Na prática brasileira o cenário mais comum é a combinação de atividade física (corrida, caminhada) ou esforços repetidos com fraqueza muscular e compressão mecânica, levando à irritação da bursa.

Condições secundárias, como cirurgias prévias, infiltrações, doenças inflamatórias sistêmicas ou alterações degenerativas do quadril, podem predispor à inflamação da bursa e complicar o quadro, mas a bursite trocantérica em si é uma condição focal de tecidos moles.

Como é diagnosticado

O diagnóstico é clínico, sustentado por história compatível e exame físico que demonstra dor localizada e sensibilidade sobre o trocânter maior, assim como dor reproduzida por manobras que tensionam os tendões glúteos. A imagem complementa quando há dúvida ou para excluir outras causas: radiografia avalia articulação e ossos, ultrassonografia pode mostrar líquido na bursa e espessamento, e ressonância magnética detalha inflamação dos tecidos moles.

Para codificar M70.6, o prontuário deve registrar a identificação da bursa trocantérica como foco principal do problema, com exame ou relato clínico que aponte para inflamação local em vez de origem intra-articular ou vertebral.

Como costuma ser tratado

O manejo habitualmente é conservador e ambulatorial: medidas de alívio de dor e redução da sobrecarga do quadril, fisioterapia focada em correção biomecânica e fortalecimento muscular, e intervenções locais quando indicadas. Em muitos casos o quadro evolui favoravelmente com reabilitação e adaptação de atividades ao longo de semanas a meses; episódios recorrentes ou refratários demandam reavaliação e possível intervenção especializada.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos citadas na literatura para controle sintomático incluem analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais para redução de dor e inflamação, e ocasionalmente relaxantes musculares ou analgésicos adjuvantes em casos persistentes. Infiltrações locais com corticoide são descritas como recurso em episódios refratários, desde que documentadas em prontuário e realizadas com técnica apropriada. A escolha e uso de fármacos dependem de avaliação clínica e histórico do paciente.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica imediata se surgir dor muito intensa que impede caminhar, sinais de infecção local (vermelhidão marcada, calor, febre) ou déficit neurológico nas pernas. Se a dor não melhorar com medidas iniciais e reabilitação em semanas, retornar para nova avaliação e investigação. Agendamento com especialista é indicado quando há recorrência persistente, necessidade de exames avançados ou discussão de procedimentos locais.

Uso em atestado

Para fins de atestado, registrar claramente localização (trocanter maior), duração do quadro, impacto funcional e condutas realizadas; se houver afastamento temporário, documentar as atividades limitadas e reavaliação prevista. Relatórios periciais devem detalhar achados de exame físico, exames complementares e resposta ao tratamento para justificar eventual alteração de código ou necessidade de prorrogação.

Perguntas frequentes sobre M70.6

O que significa receber o CID M70.6 no meu prontuário?

Significa que a avaliação médica indicou inflamação da bursa localizada na face lateral do quadril, responsável por dor na região do trocânter maior. O registro descreve a bursa como foco do problema, não uma infecção generalizada.

A bursite trocantérica é contagiosa ou grave?

Não é contagiosa; na maioria das vezes não é grave e responde a tratamento conservador, mas pode limitar atividades e requerer reabilitação. Situações com sinais de infecção ou perda de função precisam de avaliação urgente.

Vou receber atestado ou afastamento se tiver esse diagnóstico?

A necessidade de atestado ou afastamento depende do impacto da dor nas suas atividades e da avaliação clínica; o médico deve documentar como a condição afeta seu trabalho para fins de atestado. A concessão de benefícios depende de regras trabalhistas e previdenciárias e de perícia, não apenas do CID.

Quais exames geralmente são solicitados para confirmar a bursite trocantérica?

Exames iniciais podem incluir radiografia para excluir problemas ósseos e ultrassonografia para visualizar líquido ou espessamento da bursa; ressonância é usada em casos complexos. A decisão baseia-se na dúvida diagnóstica e na resposta ao tratamento.

Como diferenciar bursite trocantérica de artrose do quadril?

A artrose costuma causar dor mais profunda na virilha, rigidez e alterações radiográficas típicas, enquanto a bursite causa dor lateral e sensibilidade focal no trocânter com piora ao deitar sobre o lado; exames de imagem e o exame físico ajudam a diferenciar.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há documentação de sensibilidade focal sobre o trocânter maior e dor reproduzível por manobra de resistência dos abdutores?
  • Existe evidência por ultrassom ou ressonância de líquido bursal ou espessamento que justifique especificar a bursa como origem (M70.6)?
  • A dor tem características ou exame que sugiram origem articular (coxartrose) ou radicular, exigindo recategorização do CID?
  • Qual foi a resposta a medidas conservadoras (repouso relativo, fisioterapia) e em quanto tempo considerar procedimento local ou encaminhamento?
  • Há fatores predisponentes corrigíveis documentados (discrepância de membros, marcha anômala, fraqueza glútea) que devem constar no laudo?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Qual é a documentação mínima necessária para comprovar incapacidade temporária por bursite trocantérica numa perícia trabalhista?
  • Em perícia previdenciária, a descrição clínica e exames por si só sustentam afastamento por M70.6 ou é necessário demonstrar incapacidade para atividades habituais?
  • A coexistência de coxartrose e bursite trocantérica exige códigos adicionais para fins de benefício e como isso afeta a avaliação pericial?
  • Quais elementos do prontuário são relevantes para discutir responsabilidade por lesão relacionada ao trabalho ou ergonômica envolvendo M70.6?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
  • Quais procedimentos diagnósticos (ultrassom, ressonância) e tratamentos locais para bursite trocantérica o plano costuma solicitar autorização prévia?
  • O plano exige justificativa documentada de tentativa de tratamento conservador antes de autorizar intervenções locais para M70.6?
  • Há cobertura diferenciada para fisioterapia dirigida ao quadril e procedimentos intervencionistas em casos de bursite trocantérica segundo regras contratuais do plano?
  • Quais prazos de carência podem afetar cobertura de terapias dirigidas para quadros de bursite já existentes no momento da adesão do titular?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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