M77 — Outras entesopatias

  • entesopatia
  • entesopatia não especificada
  • entesopatia traumática/degenerativa

O CID M77 designa “Outras entesopatias”: alterações inflamatórias, degenerativas ou de sobrecarga na entese — o ponto onde tendões, ligamentos ou cápsulas se inserem no osso. Aparece em dor localizada, sensibilidade à pressão e limitação funcional em articulações periféricas, frequentemente ligada ao uso repetitivo, lesão ou sobrecarga. Não inclui sinovites primárias, lesões musculares isoladas (M62), ou bursites classificadas em outro código. Subcategorias incluem epicondilite lateral (M77.1) e esporão do calcâneo (M77.3); quando a entese é descrita mas não especificada usa-se M77.9.


Em palavras simples

O código CID M77 identifica problemas na “ente”, que é o ponto onde um tendão, ligamento ou cápsula se prende ao osso. Em outras palavras, o médico registrou que a origem da sua dor é a própria inserção do tecido no osso, e não um músculo isolado ou uma inflamação dentro da articulação. Isso pode ocorrer por uso repetitivo, sobrecarga, lesão ou alterações degenerativas locais.

Você provavelmente sente dor bem localizada no ponto de inserção — por exemplo, na parte externa do cotovelo, no calcanhar ou em outras áreas onde um tendão se fixa. A dor costuma aumentar quando você faz movimentos que tensionam esse tendão, e pode haver sensibilidade ao apertar o local. Em alguns casos a região fica um pouco dura ou aparece uma saliência de osso (espícula) que agrava o desconforto.

Na maioria das situações esse problema não é contagioso e não costuma ser imediatamente grave, mas pode limitar atividades e trabalho se não for tratado. A duração varia: alguns casos melhoram em semanas com medidas simples, outros podem persistir meses e exigir reabilitação. Em geral, espera‑se avaliação clínica e possivelmente imagem para documentar o que está ocorrendo.

O passo seguinte costuma ser confirmar a localização exata e a gravidade: o médico pode pedir ultrassonografia ou radiografia para ver calcificações ou espículas e orientar reabilitação com fisioterapia. O retorno é orientado pela evolução dos sintomas; afastamento do trabalho depende da limitação funcional e da avaliação do médico. Em muitos casos o tratamento é ambulatorial e não exige internação.

Em casa, observe se a dor piora mesmo em repouso, se aparece inchaço significativo, vermelhidão, febre ou perda súbita de função. Esses sinais justificam procurar atendimento mais rápido. Se a dor melhora com redução de atividades e cuidados, o acompanhamento com o médico e a fisioterapia costuma ser o caminho para recuperar a função.

Quando usar este código

Usa-se M77 quando o relato clínico, exame físico e/ou imagem descrevem alteração na entese (inserção tendínea/ligamentar) sem diagnóstico específico que indique código distinto; por exemplo, dor e sensibilidade na inserção do tendão sem evidência de ruptura completa, sinovite isolada ou lesão muscular primária. Se houver especificação anatômica clara que corresponde a uma subcategoria (por exemplo, epicondilite lateral), utilizar a subdivisão apropriada.

Não confunda com

M77 versus M75 (Lesões do ombro): M75 refere-se a lesões do manguito rotador, cápsula articular e estruturas intrínsecas do ombro. Se o quadro é essencialmente rotuliano, com lesão tendinosa intra-substância do manguito rotador ou artropatia, escolha M75; se o foco é entese (inserção tendínea no tubérculo), M77 pode ser adequado.

M77 versus M76 (Entesopatias dos membros inferiores, excluindo pé): M76 cobre entesopatias de coxa, joelho e tornozelo; M77 inclui entesopatias de outras localizações como pé (ex.: esporão calcâneo M77.3). A separação é anatômica conforme especificidade do local.

M77 versus M65 (Sinovite e tenossinovite): M65 descreve inflamação da bainha tendinosa (tenossinovite) ou sinovial. Se o processo inflamatório envolve primariamente a bainha tendinosa, use M65; se a alteração é na entese (inserção ao osso), use M77.

O que é

Entesopatias são alterações da entese — a região onde tendões, ligamentos ou cápsulas se fixam ao osso. Essas alterações podem incluir inflamação (entesite), degeneração por uso repetitivo, calcificação ou formação de espículas ósseas na inserção, e manifestam-se como dor localizada na relação osso-tecido mole.

Clinicamente, manifestam-se por dor que piora com atividade que tensiona a estrutura afetada, dor à palpação do ponto de inserção e, por vezes, limitação funcional local. Afetam pessoas de variadas idades, mas são mais frequentes em adultos trabalhadores manuais, atletas e em condições metabólicas ou inflamatórias que alteram o tendão.

Sintomas

Principais: dor localizada no ponto de inserção (por exemplo, região epicondilar, calcanhar), sensibilidade à palpação, dor ao alongamento ou contração resistida do tendão afetado, rigidez matinal discreta e limitação funcional ao usar a região envolvida. Sinais precoces incluem dor apenas ao esforço e sensibilidade localizada; presença de dor em repouso, edema persistente, crepitação ou perda marcada da função indica agravamento possível ou complicação (ruptura parcial, calcificação extensa).

Causas

Mecanismos incluem sobrecarga mecânica repetitiva que causa microlesões na entese, processos degenerativos associados ao envelhecimento e alterações biomecânicas locais. No Brasil, as causas mais frequentes observadas na prática são atividades profissionais com movimentos repetitivos, esportes de impacto e sobrecarga, seguidas por fatores predisponentes como alterações posturais, obesidade e doenças metabólicas que reduzem a capacidade de reparo tecidual.

Como é diagnosticado

O diagnóstico baseia-se em anamnese dirigida (localização exata da dor, relação com esforço), exame físico com palpação focal na entese e testes de tensão do tendão que reproduzam a dor. Imagem (radiografia, ultrassom, ressonância) pode confirmar calcificação, espículas ou alterações na entese e ajuda a justificar codificação M77 quando há descrição de entesopatia; a confirmação do código depende de documentação clínica precisa da entese como local primário, sem sinais que obrigariam codificação distinta.

Como costuma ser tratado

O manejo usual é conservador e pode ser ambulatorial, com medidas de redução da sobrecarga local, orientações de reabilitação fisioterápica e temporalmente moduladas; terapias locais e intervenções guiadas por imagem são consideradas conforme documentação clínica e imagem. Procedimentos invasivos ou cirúrgicos destinam-se a casos crônicos ou complicados e dependem de avaliação especializada. O esquema terapêutico e duração variam conforme a causa, intensidade e resposta ao tratamento, devendo constar no prontuário para fins de codificação e peritagem.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação quando a dor na inserção é progressiva, persiste por semanas sem melhora com medidas simples, limita significativamente a função ou surge com sinais de infecção local (vermelhidão, calor, febre) ou suspeita de ruptura tendínea. Agravamento com perda de função súbita exige avaliação urgente.

Uso em atestado

Para atestados e laudos, descrever especificamente a localização anatômica da entese afetada, grau de limitação funcional e relação com atividade habitual. Justificar o tempo estimado de incapacidade funcional com base em resposta ao tratamento e reabilitação; documentar exames de imagem quando disponíveis para reforçar o diagnóstico.

Perguntas frequentes sobre M77

O que significa receber o CID M77 no meu prontuário?

Significa que o médico identificou alteração na entese, o ponto de inserção do tendão ou ligamento no osso; é uma classificação que descreve a origem da dor, não um resultado de exame isolado.

O CID M77 indica que minha condição é contagiosa ou séria?

Não é contagioso. A gravidade varia; muitas entesopatias são tratáveis de forma conservadora, mas algumas podem ser crônicas ou limitar atividades, dependendo da resposta ao tratamento.

Preciso fazer exame de imagem para ter o diagnóstico com CID M77?

Nem sempre; o diagnóstico inicial é clínico, mas ultrassom ou radiografia ajudam a confirmar calcificações, espículas ou outras alterações que justificam a codificação e o plano terapêutico.

O CID M77 serve para atestado e afastamento do trabalho?

Pode ser usado em atestados quando há limitação funcional atribuível à entesopatia, mas a necessidade e duração do afastamento dependem da avaliação médica e das regras da perícia.

Qual a diferença entre CID M77 e M77.1 ou M77.3?

M77 é a categoria geral; M77.1 é usada quando há epicondilite lateral documentada e M77.3 quando há esporão do calcâneo visível ou descrito. Use a subdivisão quando a localização/condição estiver especificada.

Quando devo procurar ajuda urgente por dor na inserção?

Procure rápido se houver perda súbita da função (por exemplo, incapacidade de usar o pé ou a mão), sinais de infecção local ou dor muito intensa que não melhora com medidas iniciais.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (4)
  • A entesopatia documentada pode justificar afastamento temporário do trabalho para minha função específica?
  • Que documentação (exames de imagem, laudo funcional) fortalece pedido em perícia por incapacidade relacionada a M77?
  • Como se demonstra nexo causal entre atividade laboral e entesopatia perante a perícia previdenciária?
  • Quais elementos no prontuário reduzem risco de impugnação de atestado por operadora ou empregador?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
  • O procedimento ou terapia proposta para entesopatia exige autorização prévia da operadora com base no CID M77?
  • Quais exames de imagem para documentar entesopatia costumam ter cobertura parcial ou necessitam prévia autorização?
  • Como a operadora classifica tratamentos interventivos guiados por imagem para entesopatia em cobrança e autorização?
  • Existe prazo de carência aplicável para procedimentos relacionados a entesopatias em planos de saúde contratados recentemente?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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