M77.5 — Outra entesopatia do pé

  • entesopatia plantar
  • entesopatia do calcâneo não especificada
  • inflamação da inserção tendinosa do pé

O CID M77.5 designa “Outra entesopatia do pé” e refere-se a alterações na região de inserção de tendões ou ligamentos no pé que não se encaixam nos subcódigos específicos. Aparece quando há dor, sensibilidade ou alterações palpáveis na entese do pé sem diagnóstico específico como esporão calcâneo ou metatarsalgia. Não inclui epicondilites, periartrites ou entesopatias de outras partes do corpo, nem códigos que especifiquem um sítio anatômico preciso. É usado para registrar entesopatias do pé reconhecíveis clinicamente ou por exame de imagem, quando não há código mais detalhado disponível.


Em palavras simples

Receber o código “Outra entesopatia do pé” significa que houve alteração no ponto onde um tendão ou ligamento se fixa a um osso do seu pé. Em linguagem simples, é um problema na “cola” entre tendão/ligamento e osso, que sofre irritação ou desgaste por uso ou por sobrecarga.

Você provavelmente sente dor localizada onde o pé apoia ou onde algum tendão passa perto do osso; essa dor costuma aumentar ao ficar em pé por muito tempo, ao caminhar ou ao praticar esportes. Pode haver sensibilidade ao tocar o local, e em alguns casos leve inchaço. No início, a dor tende a aparecer só durante esforço e melhora com descanso; se piorar, pode passar a atrapalhar atividades rotineiras e o sono.

Na maioria dos casos não é uma condição contagiosa nem progressiva de forma rápida. O tempo de recuperação varia: muitas pessoas melhoram com medidas conservadoras em semanas a meses, mas quadros com desgaste crônico podem demorar mais para reduzir os sintomas. Nem sempre é necessária cirurgia; o tratamento inicial costuma ser ambulatorial e focado em aliviar a sobrecarga e recuperar a função.

O caminho típico inclui exame clínico, orientações sobre ajustar atividades e calçados, e possivelmente um exame de imagem se houver dúvida diagnóstica ou piora. Retornos com o profissional que acompanha permitem avaliar melhora e ajustar condutas. A necessidade de afastamento do trabalho depende da intensidade da dor e do tipo de atividade profissional.

Em casa, observe se a dor piora apesar de reduzir atividades, se aparece inchaço importante, vermelhidão local, calor ou febre — nesses casos, procure atendimento. Também procure ajuda se houver perda de função significativa, como incapacidade de apoiar o pé ou marcha muito alterada. Guarde documentação de exames e laudos para facilitar o acompanhamento com especialistas, se necessário.

Quando usar este código

Este código é aplicado quando há entesopatia localizada no pé identificada por exame clínico ou imagem, mas sem especificação suficiente para usar M77.3 (esporão do calcâneo) ou M77.4 (metatarsalgia) e não se encaixa em outros subcódigos M77. Deve refletir uma alteração na entese, com sintomas compatíveis e, preferencialmente, documentação clínica ou de imagem que sustente a localização no pé.

Não confunda com

M77.3 (Esporão do calcâneo) — a distinção é a presença de imagem radiográfica de esporão calcâneo visível e correlação clínica com dor plantar no calcanhar; se o quadro tem esse achado, usar M77.3, não M77.5.

M77.4 (Metatarsalgia) — metatarsalgia refere-se a dor na região metatársica geralmente relacionada a sobrecarga dos cabeços metatarsais; se a dor localiza-se nos metatarsos sem evidência de entese alterada, preferir M77.4 em vez de M77.5.

M77.8 (Outras entesopatias não classificadas em outra parte) — M77.8 é indicado quando a entesopatia ocorre fora do pé ou quando a descrição clínica é atípica; se a alteração está claramente no pé, M77.5 é mais apropriado.

O que é

Entesopatia é um termo que descreve alterações na entese, o ponto onde tendões e ligamentos se inserem no osso. No pé, essas alterações podem ocorrer em várias enteses (calcâneo, tendões fibulares, tendão tibial posterior, inserções plantares, entre outras) e manifestam-se por dor local, sensibilidade à palpação e eventualmente limitação funcional.

O CID M77.5 é usado quando há evidência clínica ou por imagem de entesopatia no pé, mas sem classificação específica em outros subcódigos de M77. Costuma afetar adultos ativos, trabalhadores que fazem esforço repetitivo com os pés, atletas de impacto e pessoas com alteração biomecânica do membro inferior.

Sintomas

Principais sintomas incluem dor localizada na inserção tendinosa ou ligamentar do pé, sensibilidade à palpação nessa área e piora da dor ao carregar peso ou ao realizar atividades de apoio. Sintomas iniciais geralmente são dor intermitente e desconforto ao caminhar; sinais de agravamento são dor persistente mesmo em repouso, inchaço local, limitação acentuada da marcha e perda de função. Crepitação ou rigidez matinal leve podem acompanhar dependendo da entese afetada.

Causas

O mecanismo envolve sobrecarga mecânica repetitiva ou alteração na biomecânica que provoca microlesões e resposta inflamatória na entese, podendo evoluir para degeneração e calcificação local. No contexto brasileiro, causas frequentes são atividades ocupacionais com carga prolongada em pé, calçados inadequados, obesidade e esportes de impacto. Condições sistêmicas como doenças reumatológicas podem predispor, mas a forma isolada costuma ser por sobrecarga e adaptações biomecânicas.

Como é diagnosticado

O diagnóstico deste código apoia-se na correlação entre exame físico focalizado (sensibilidade na entese, dor provocada por movimentação ou carga) e, quando disponível, exames de imagem que confirmem alterações na entese, como espessamento, calcificação ou sinal inflamatório. Este código é escolhido quando a localização no pé está documentada, mas não ficou caracterizada por outro subcódigo; a exclusão de diagnósticos alternativos locais (neuropatia compressiva, fratura por estresse, artrite) reforça a escolha.

Como costuma ser tratado

O manejo habitual é conservador e ambulatorial, focado em reduzir sobrecarga local, tratar a dor e recuperar função. Programas podem incluir orientação sobre modificação de atividade, controle de fatores contribuidores (peso, calçado), terapia física com exercícios de alongamento e fortalecimento, técnicas de suporte plantar e, quando indicado, intervenções direcionadas por imagem. Casos que não respondem ao tratamento conservador podem demandar avaliação especializada para opções adicionais.

Classes de medicamentos

Medicamentos para controle sintomático frequentemente utilizados na prática incluem anti-inflamatórios não esteroidais para manejo da dor e inflamação, analgésicos simples para alívio sintomático e, em alguns casos selecionados, medicamentos adjuvantes prescritos por profissional. A indicação e a escolha dependem do perfil do paciente, com atenção a contraindicações e riscos.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação quando a dor no pé é intensa, progressiva ou limita atividades diárias; quando há inchaço local pronunciado, sinais de infecção (vermelhidão, calor, febre) ou perda de função, ou quando sintomas persistem apesar de medidas iniciais. Também é indicada avaliação se houver história de trauma, suspeita de fratura por estresse ou sinais sistêmicos que sugiram doença reumatológica.

Uso em atestado

Atestados e laudos devem descrever claramente a localização da entesopatia, os achados clínicos e exames que sustentem o diagnóstico, período estimado de limitação funcional e as restrições relacionadas às atividades laborais, quando aplicável. Use terminologia objetiva e evite termos vagos sem correlação clínica documentada.

Perguntas frequentes sobre M77.5

O que significa ter o código CID M77.5 no meu prontuário?

Indica diagnóstico de entesopatia no pé não classificável em subcódigos mais específicos; registra alteração na inserção de tendão ou ligamento com sintomas compatíveis.

Preciso me afastar do trabalho quando recebo esse diagnóstico?

Depende da intensidade da dor e do tipo de atividade; a decisão sobre afastamento deve ser baseada em avaliação médica que descreva limitações funcionais e o impacto no trabalho.

Esse problema pode ser causado por infecção ou é sempre mecânico?

Na maioria dos casos a causa é mecânica por sobrecarga ou alterações biomecânicas; sinais de infecção (vermelhidão, calor, febre) sugerem outra causa e exigem avaliação imediata.

Quais exames costumam confirmar a entesopatia do pé?

Radiografia pode mostrar calcificações; ultrassom avalia espessamento e inflamação da entese; ressonância magnética detalha extensão e exclui outras lesões.

Como diferenciar este código de um esporão do calcâneo (M77.3)?

A presença de esporão calcâneo visível na imagem e correlação clínica com dor plantar indica M77.3; se não houver essa caracterização, usa-se M77.5.

O diagnóstico implica risco de perda permanente da função do pé?

A maioria melhora com manejo conservador; porém casos crônicos ou sem resposta podem necessitar avaliação especializada para opções adicionais.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual a entese exata afectada no pé e quais manobras provocam dor localizada?
  • Que exames de imagem foram realizados e que alterações na entese foram observadas?
  • Há sinais de etiologia inflamatória sistêmica ou fatores biomecânicos contribuidores documentados?
  • Qual a duração dos sintomas antes da avaliação e houve resposta a medidas conservadoras até o momento?
  • Quais limitações funcionais específicas o paciente apresenta para atividades de trabalho ou esportivas?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Qual a relação entre a entesopatia documentada e as atividades laborais do segurado comprovada nos autos?
  • O laudo pericial descreve limitação funcional objetiva compatível com afastamento temporário?
  • Há histórico prévio de sintomas semelhantes que possa alterar avaliação de estabilidade ou responsabilidade previdenciária?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento ou imagem solicitada para confirmação da entese precisa de autorização prévia pela operadora?
  • Quais critérios clínicos a operadora exige para liberar terapias complementares relacionadas a entesopatia do pé?
  • A avaliação por especialista em ortopedia/traumatologia requer autorização separada quando indicada?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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