M77.4 — Metatarsalgia
- dor metatarsal
- síndrome do antepé
- metatarsalgia dolorosa
O CID M77.4 designa metatarsalgia: dor ou desconforto localizado na região plantar anterior do pé, envolvendo as cabeças dos metatarsos. Aparece tipicamente em atividades de apoio, caminhada ou ao usar calçados inadequados e pode coexistir com calos ou alterações biomecânicas. Não inclui dor isolada no calcanhar, entesopatias do tornozelo nem fascite plantar; esses têm códigos diferentes. O código refere-se ao quadro clínico focal nos metatarsos, independentemente da causa específica confirmada.
Em palavras simples
Metatarsalgia é o nome usado quando a dor se concentra na parte da frente da sola do pé, na região onde ficam os ossos metatarsais. Em palavras simples, é a dor debaixo da bola do pé: pode parecer uma queimação, uma pontada, ou a sensação de que você está pisando em uma pedra. Não é um único problema, mas a forma que descrevemos quando essa região dói por sobrecarga ou por mudança no jeito do pé.
Você provavelmente sente dor ao ficar muito tempo em pé, ao caminhar longas distâncias ou ao usar sapatos apertados ou de salto. Pode aparecer um calo ou endurecimento da pele nessa área e, às vezes, formigamento entre os dedos se houver compressão de nervos. No início a dor aparece apenas em atividades; se agravar, pode incomodar em repouso e limitar suas caminhadas ou trabalho.
Na maioria dos casos a metatarsalgia não é uma doença grave nem contagiosa. Pode durar dias a semanas se for algo passageiro, ou persistir meses quando há problemas biomecânicos não corrigidos. O tratamento costuma começar com mudanças simples: trocar calçados, reduzir atividades que sobrecarregam o pé e usar suporte plantar. Se necessário, o médico pedirá exames para excluir fratura, neuroma ou outras causas.
O que vem a seguir normalmente é uma avaliação clínica, possivelmente radiografia ou ultrassom, e um plano para aliviar a carga sobre o antepé. Retornos são comuns para ajustar medidas e verificar melhora. A maioria das pessoas melhora com medidas conservadoras; em casos persistentes, o especialista pode propor intervenções específicas.
Em casa, observe se a dor aumenta muito, se aparece inchaço importante, vermelhidão, febre ou perda de sensibilidade: nesses casos procure atendimento. Se a dor piora de forma súbita após um trauma, a avaliação imediata é recomendada para descartar fratura. Anote o que agrava e o que alivia a dor para levar ao médico, isso ajuda a identificar a causa e o melhor manejo.
Quando usar este código
Usa-se este código quando o relato principal e o exame físico apontam para dor localizada sobre as cabeças metatarsais, com sensibilidade à pressão e piora ao suporte de peso, sem outro diagnóstico principal que explique a dor (por exemplo, fratura aguda, infecção, artrite inflamatória com diagnóstico estabelecido). Aplica-se tanto a casos agudos quanto a quadros crônicos de origem mecânica.
Não confunda com
M77.3 (Esporão do calcâneo): diferencia-se porque o esporão e a dor referida localizam-se no calcanhar; dor na frente do pé e sensibilidade sobre as cabeças metatarsais favorecem M77.4. M77.5 (Outra entesopatia do pé): inclui entesopatias específicas em inserções tendíneas distintas; se a dor é centralizada nas cabeças dos metatarsos sem evidência de entese inflamada, preferir M77.4. M79.67 : este código é sintomático e genérico; quando a dor é claramente metatarsal com achados direcionadores, usar M77.4 em vez de um código sintoma. S92.x (Fratura do metatarso): descarta-se fratura por história de trauma, dor muito intensa, inchaço focal e mudanças radiográficas; presença de fratura confirma S92 em vez de M77.4.
O que é
Metatarsalgia é uma expressão clínica para dor ou sensibilidade no antepé, mais frequentemente sobre as cabeças dos ossos metatarsais. Manifesta-se como dor ao ficar em pé, caminhar ou correr, sensação de ‘pisar em uma pedra’ ou queimação na planta do pé, e pode ser acompanhada de calos ou alteração no posicionamento dos dedos.
Costuma ocorrer em adultos ativos, em pessoas que usam calçados de salto alto ou pontudos, em atletas de impacto e em pacientes com alterações biomecânicas do pé (pés cavos, céu plano, encurtamento de músculos posteriores). A metatarsalgia é um quadro clínico, não uma doença única — tem múltiplas causas que convergem na sobrecarga metatarsal.
Sintomas
Principais: dor localizada nas cabeças metatarsais, piora ao carregar peso e sensação de ardência ou choque; adormecimento ou formigamento pode acompanhar se houver compressão neurológica. Sintomas precoces incluem desconforto ao calçar sapatos apertados e dor ao caminhar longas distâncias. Sinais de agravamento são dor persistente em repouso, incapacidade para apoiar o pé, edema progressivo ou alterações sensoriais crescentes, o que sugere complicações como lesão neurológica ou fratura de estresse.
Causas
Mecanismos: sobrecarga mecânica que concentra pressão nas cabeças metatarsais devido a calçados inadequados, atividades repetitivas de impacto e alterações anatômicas (metatarsos longos, dedos em martelo, pés cavos). Inflamação da gordura plantar e da articulação metatarsofalângica, bursite ou compressão de nervos intermetatarsais (neuroma) também geram quadro clínico semelhante. No Brasil, as causas mais frequentes na prática são combinação de calçado inadequado e alteração biomecânica não corrigida.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é clínico: história de dor metatarsal e exame focal que reproduz a dor com pressão sobre as cabeças metatarsais ou com manobra de compressão do antepé. Este código é sustentado quando não há achado que justifique outro código (fratura, infecção, artrite inflamatória). Radiografia simples pode excluir fratura ou alterações ósteas; ultrassom ou ressonância são usados quando se suspeita de neuroma, bursite ou lesão de partes moles.
Como costuma ser tratado
O tratamento é habitualmente conservador e ambulatorial, com medidas para reduzir carga sobre as cabeças metatarsais, adaptação de calçados e técnicas de suporte plantar. Ajustes na atividade e terapia física que foquem reequilíbrio muscular e correção postural são parte do manejo. Procedimentos intervencionistas podem ser considerados quando medidas conservadoras falham, conforme avaliação especializada.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos envolvem analgésicos e agentes anti-inflamatórios para controle de sintomas, e em alguns casos medicações para dor neuropática se houver componente neural. O uso de medicamentos é parte do manejo sintomático e depende da avaliação clínica individual.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento quando a dor impede marcha normal, quando há perda de sensibilidade, aumento do inchaço, sinais de infecção (vermelhidão intensa, calor local, febre) ou quando sintomas não melhoram com medidas iniciais. Também é recomendado reavaliação se houver piora súbita após trauma, pois pode indicar fratura.
Uso em atestado
Atestados médicos para dor metatarsal devem descrever limitações funcionais observadas e a necessidade de restrição de atividades, sem presumir afastamento prolongado. Para perícias, documentar exames e resposta ao tratamento; a alteração do CID pode ocorrer se surgir diagnóstico etiológico diferente (fratura, neuroma, artrite).
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de comprovação por perícia e da legislação aplicável; o CID indica a condição constatada mas não garante afastamento. Em caso de incapacidade temporária, a avaliação do grau e do período é feita por médico perito da instituição competente.
Perguntas frequentes sobre M77.4
Este código significa que tenho fratura no pé?
Não. CID M77.4 indica dor metatarsal; fratura do metatarso tem código S92.x e é diagnosticada por história de trauma e imagem que mostre ruptura óssea.
Preciso de atestado para trabalho quando tenho metatarsalgia?
Pode ser necessário atestado descrevendo limitação funcional; a decisão sobre afastamento depende da incapacidade para as atividades laborais e da avaliação do médico perito.
Metatarsalgia é contagiosa?
Não. Trata-se de um quadro mecânico ou inflamatório local e não transmite para outras pessoas.
Quais exames o médico pode pedir inicialmente?
Radiografia simples para excluir fratura e, se indicado, ultrassom ou ressonância para avaliar bursite, neuroma ou lesões de partes moles.
Como diferenciar metatarsalgia de neuroma?
O neuroma costuma causar dor com ardência e queimação entre os dedos e pode apresentar formigamento; exames de imagem e manobras específicas ajudam a diferenciar.
Quando preciso procurar urgência?
Procure atendimento se houver dor súbita muito intensa após trauma, sinal de infecção (vermelhidão, calor, febre) ou perda sensorial no pé.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há sinais de fratura por estresse ou outra lesão que exigem S92 em vez de M77.4?
- Qual é a resposta funcional ao uso de palmilhas ou órtese no exame dinâmico?
- Há evidência de compressão neurológica intermetatarsal que indicaria avaliação para neuroma?
- Qual a duração mínima de tratamento conservador antes de considerar procedimento intervencionista?
- Há alterações biomecânicas (dedos em garra, metatarsal longo) que justificam correção cirúrgica futura?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este quadro pode justificar afastamento laboral por incapacidade temporária e por quanto tempo justificável?
- Quais documentos e evidências clínicas a perícia exigirá para reconhecer incapacidade funcional relacionada a M77.4?
- Em caso de acidente de trabalho que desencadeou a dor, quais provas ligam o diagnóstico ao evento laboral?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano costuma exigir exames de imagem específicos (ressonância) para autorizar procedimentos no antepé?
- Qual documentação clínica a operadora solicita para autorizar órteses ou palmilhas sob cobertura?
- Existem critérios de prazo de tratamento conservador que a operadora exige antes de autorizar procedimentos invasivos?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.