M92.6 — Osteocondrose juvenil do tarso
- osteocondrose do tarso
- doença de crescimento do tarso
- osteocondrose talar
O CID M92.6 designa alterações ósseas do período de crescimento localizadas no tarso (ossos do tornozelo e parte proximal do pé) em crianças e adolescentes — chamadas osteocondroses juvenis. Aparece tipicamente durante o pico de crescimento, com dor localizada, sensibilidade e limitação funcional do pé ou tornozelo. Não inclui osteocondroses de outros segmentos (membros superiores, metatarsos, patela, tíbia) nem fraturas traumáticas agudas ou infecções ósseas. O código é usado quando o diagnóstico se apoia em quadro clínico compatível e alterações imagiológicas nos ossos do tarso.
Em palavras simples
Este código, CID M92.6, significa que há uma alteração do crescimento dos ossos do tarso — a parte do pé e tornozelo composta por vários ossos pequenos — em uma criança ou adolescente. Em palavras simples, trata-se de uma «interrupção temporária» no processo normal de formação do osso enquanto o corpo cresce. O termo médico é osteocondrose juvenil do tarso.
Quem recebe esse diagnóstico costuma sentir dor localizada no tornozelo ou na planta do pé, especialmente ao caminhar ou praticar esportes. Pode aparecer uma marcha mancando, sensibilidade ao toque sobre o osso afetado e alguma limitação para corridas e saltos. Geralmente não há febre nem sinais gerais de infecção; o desconforto tende a estar ligado ao movimento e ao uso.
Na maior parte dos casos não é uma condição contagiosa nem uma doença crônica para a vida adulta. Para muitas crianças, o problema melhora com o tempo, à medida que o osso conclui seu processo de ossificação. A duração varia bastante: alguns melhoram em poucas semanas, outros levam meses até a dor e a função normal retornarem. Em casos raros pode haver deformidade ou persistência de sintomas que exigem avaliação especializada.
O caminho habitual inclui uma avaliação médica, radiografias e, às vezes, uma ressonância magnética para esclarecer o grau da alteração. O médico pode recomendar reduzir atividades de impacto, usar órteses ou medidas de apoio e encaminhar para fisioterapia; exames de imagem de controle e retornos clínicos são comuns até a recuperação. O afastamento escolar ou esportivo depende da dor e da limitação, não do código em si.
Em casa, observe se a dor aumenta à noite, se aparece inchaço marcado ou se a criança fica com febre — nesses casos é preciso procurar atendimento. Também vale acompanhar se a criança passa a apoiar o pé de forma muito diferente ou perde função progressivamente. Se a dor for leve e houver melhora com descanso e cuidados simples, o acompanhamento ambulatorial normalmente é suficiente.
Este texto visa explicar o significado do código e o que esperar; as decisões sobre tratamento, afastamento ou retorno às atividades dependem da avaliação clínica individual e dos exames realizados pelo médico responsável.
Quando usar este código
Usa-se este código quando há quadro de osteocondrose primária envolvendo os ossos do tarso em paciente em fase de crescimento, confirmado por correlação clínica e exames por imagem, e quando as causas traumáticas, infecciosas ou tumorais foram descartadas.
Não confunda com
M92.7 (Osteocondrose juvenil do metatarso) — separar pela localização: M92.6 afeta o tarso (talus, calcâneo, navicular, cuneiformes), enquanto M92.7 refere-se aos ossos metatarsais distais; a imagem mostra lesão proximal no tarso versus distal nos metatarsos.
M92.5 (Osteocondrose juvenil da tíbia e perônio [fíbula]) — separar por osso e contexto: M92.5 envolve segmento proximal ou distal da tíbia/perônio; M92.6 envolve exclusivamente ossos do tarso com achados compatíveis à articulação do tornozelo/pé.
M92.3 (Outras osteocondroses juvenis do membro superior) — diferenciar pelo segmento afetado: sinais e dor no membro superior orientam a códigos M92.0–M92.3, não M92.6; localização clínica e imagem definem a escolha.
O que é
Osteocondrose juvenil do tarso é uma perturbação do desenvolvimento do osso e cartilagem em crianças e adolescentes durante o crescimento. Caracteriza-se por alterações na ossificação endocondral dos ossos do tarso, que podem levar a necrose focal temporária, fragmentação ou alteração da forma óssea. As manifestações típicas incluem dor localizada no tornozelo ou dor plantar, sensibilidade à palpação na região do tarso, claudicação ou redução da atividade física.
O quadro costuma ocorrer em indivíduos em fase de crescimento ativo, frequentemente após início de atividade física ou microtraumatismo repetitivo. A apresentação varia desde dor discreta ao caminhar até limitação mais evidente nas atividades esportivas; sinais inflamatórios sistêmicos geralmente estão ausentes.
Sintomas
Principais sintomas: dor localizada no tornozelo ou face dorsal/plantar do pé associada a sensibilidade sobre o osso afetado, marcha mancando e limitação de atividades esportivas. Sintomas precoces incluem desconforto ao iniciar caminhada e dor que melhora com repouso. Sinais de agravamento são dor persistente noturna, aumento da limitação funcional, edema local crescente ou desconforto progressivo apesar de medidas conservadoras; estes podem indicar evolução para deformidade ou complicação.
Causas
Mecanismos envolvidos incluem perturbação temporária da vascularização subcondral e do processo de ossificação endocondral durante o crescimento, frequentemente associada a microtrauma repetitivo ou carga excessiva. Na prática brasileira, o fator mais comum é uso intenso em esportes de impacto em crianças em fase de estirão de crescimento. Predisposição biomecânica, desequilíbrios musculares e alterações de apoio do pé também contribuem; raramente causas infecciosas, neoplásicas ou metabólicas mimetizam o quadro e devem ser excluídas.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é clínico e radiológico: baseia-se em história de dor no tornozelo/pé em paciente em crescimento e em alterações na radiografia simples do tarso (alterações de densidade, fragmentação, colapso ou irregularidade da epífise/ossificação). A tomografia computadorizada ou ressonância magnética são utilizadas para maior definição anatômica e para diferenciar necrose, fragmentação osteocondral ou outras causas. A confirmação do código exige correlação entre sinais, sintomas e imagens, sem evidência de fratura aguda, infecção ou tumor.
Como costuma ser tratado
O manejo costuma ser conservador e ambulatorial, voltado à redução da carga sobre a região afetada, controle da dor e reabilitação funcional enquanto o crescimento prossegue. Em grande parte dos casos, observa-se estabilização e melhora com tempo e proteção da região; intervenções ortopédicas ou cirúrgicas são consideradas apenas em situações de complicação, deformidade persistente ou falha do tratamento conservador.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos empregadas visam alívio sintomático e incluem analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais para controle da dor e inflamação local quando indicado. Em alguns quadros, pode ser usado medicação adjuvante para controle de dor neuropática, se presente, sob supervisão médica. Não se descrevem esquemas ou doses aqui.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica quando a dor persiste por mais de semanas, quando compromete a marcha ou atividades diárias, quando há aumento progressivo da dor, inchaço local importante ou febre associada. Também é indicado retorno se houver piora após início de reabilitação ou se a limitação funcional não melhora com medidas de proteção e pausa de esportes.
Uso em atestado
Atestados médicos devem descrever sinais, duração e limitações funcionais observadas, sem prescrever períodos padronizados; a indicação de afastamento ou restrições deve constar da avaliação clínica. Para perícia, incluir resultados de imagem e evolução clínica, pois o diagnóstico depende da correlação entre quadro e exame.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da legislação aplicável e da conclusão pericial; o código CID registrado não garante por si só afastamento ou benefício. Em casos de incapacidade temporária para o trabalho, a documentação clínica e exames sustentam pedidos de licença ou benefício previdenciário junto aos órgãos competentes.
Perguntas frequentes sobre M92.6
O CID M92.6 significa que meu filho vai precisar de cirurgia?
Nem sempre; a maioria dos casos evolui de forma favorável com tratamento conservador e observação. A cirurgia é rara e avaliada caso a caso, conforme evolução clínica e imagens.
Preciso de atestado médico para afastar meu filho da escola por M92.6?
O atestado descreve a limitação funcional e a necessidade de afastamento; a decisão sobre frequência escolar depende do médico e das políticas locais da escola.
O diagnóstico pode ser confundido com uma fratura por torção do tornozelo?
Sim, fraturas e lesões por trauma agudo devem ser excluídas por história e imagem; radiografia inicial e correlação clínica ajudam na diferenciação.
Quanto tempo leva para as radiografias mostrarem melhora?
A resposta radiológica varia; em muitos casos a cicatrização estrutural acompanha a melhora clínica ao longo de meses, com imagens de controle conforme orientação do profissional.
Este problema pode afetar o desempenho esportivo no futuro?
A maioria recupera função plena, mas persistência de dor ou deformidade pode requerer intervenção; acompanhamento e reabilitação reduzem o risco de sequelas.
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