F18.0 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis – intoxicação aguda
- intoxicação por cola
- inalação aguda de solventes
- intoxicação por thinner
O CID F18.0 designa a intoxicação aguda por solventes voláteis — alterações mentais, comportamentais e neurológicas que surgem logo após inalação ou exposição a vapores de substâncias como colas, thinner, gasolina e outros solventes. Manifesta-se por euforia, confusão, alteração da fala, tontura e, em casos mais graves, depressão respiratória e perda de consciência. Não inclui transtornos persistentes relacionados ao uso crônico (como encefalopatia por solventes), nem intoxicações por outras substâncias psicoativas cuja via principal não seja inalatória. Este código refere-se ao episódio agudo e temporário ligado à exposição recente.
Em palavras simples
Esse código, CID F18.0, significa que você teve uma intoxicação aguda por solventes voláteis — isto é, que vapores de produtos como cola, thinner, gasolina ou removedores entraram no seu organismo e provocaram alterações no seu cérebro e corpo. Não é uma doença crônica aqui; indica um episódio recente ligado à exposição a esses produtos.
No momento, você pode estar sentindo tontura, fala arrastada, confusão, enjoo, dor de cabeça e cansaço. Algumas pessoas relatam sensação de ‘barriga’ estranha ou intestino solto, mas o mais comum são as alterações no estado mental e no equilíbrio. Em casos mais intensos pode haver dificuldade para respirar, sonolência profunda ou perda de consciência.
Na maioria das vezes esse quadro é temporário e melhora com a interrupção da exposição e observação médica. Porém, exposições muito altas ou repetidas podem causar complicações mais sérias; por isso a avaliação clínica é importante. A intoxicação por inalação não ‘pega’ outras pessoas; o risco é pela mesma exposição ao vapor.
O que costuma acontecer depois é uma avaliação médica para confirmar que os sintomas vieram da exposição: exame físico, monitorização da respiração e do coração, e, dependendo do caso, alguns exames de sangue ou testes que o serviço de emergência realizar. Se o quadro for leve, pode haver observação por algumas horas; se houver sinais de gravidade, o médico pode recomendar internação para suporte até a recuperação.
Em casa, é importante evitar nova exposição ao produto que causou o episódio e observar sinais de piora: sonolência que aumenta, respiração lenta, vômito persistente, convulsões ou confusão que não melhora. Nesses casos, procure ajuda médica imediata. Se a exposição ocorreu no trabalho ou na escola, informe o responsável pelo local para que medidas de segurança sejam adotadas.
Se houver histórico de uso intencional (inalação recreativa), pode ser oferecido encaminhamento para serviços que avaliam dependência e riscos a longo prazo. Guarde embalagens ou registros da substância exposta, pois isso ajuda na investigação e nos cuidados.
Quando usar este código
Usa-se este código quando há evidência clínica ou histórica de exposição recente a solventes voláteis seguida por alterações mentais, comportamentais ou neurológicas compatíveis com intoxicação aguda. Deve-se optar por F18.0 quando o episódio é temporário e associado diretamente à inalação/exposição, e não quando os sintomas se devem a uso crônico, com sequela neurológica permanente (usar F18.8/F18.9 conforme apropriado).
Não confunda com
F18.1 — Transtornos mentais e comportamentais por uso de solventes, com intoxicação aguda com sintomas pouco resolvidos: distingue-se por sintomas que persistem além do período agudo esperado ou pela necessidade de tratamento psiquiátrico continuado; F18.0 é para o episódio agudo imediato.
F18.8 — Outros transtornos relacionados a solventes voláteis: inclui manifestações crônicas, como comprometimento cognitivo progressivo ou neuropatia; F18.0 é episódico e reversível na maioria dos casos.
F10.0 (Intoxicação por álcool) — ambos podem cursar com alteração da consciência e comportamento, mas a história de exposição a solventes voláteis e sinais respiratórios ou odores característicos orientam para F18.0; exames toxicológicos e contexto ajudam a separar.
O que é
Intoxicação aguda por solventes voláteis é um quadro clínico provocado pela inalação ou exposição súbita a vapores de substâncias orgânicas voláteis presentes em colas, thinner, gasolina, removedores e aerossóis. Esses vapores deprimem o sistema nervoso central, produzindo desde alterações leves do humor até depressão respiratória e coma em exposições intensas.
Manifesta-se rapidamente após a exposição. Pessoas que fazem uso recreativo por inalação (especialmente adolescentes e adultos jovens), trabalhadores com ventilação inadequada e indivíduos em ambientes domésticos com armazenamento impróprio de solventes estão entre os grupos mais frequentemente afetados. O quadro tende a ser transitório, mas exposições repetidas aumentam o risco de complicações neurológicas crônicas.
Sintomas
Sintomas iniciais incluem euforia transitória, desinibição, tontura, cefaleia, náusea e fala arrastada. Comprometimento cognitivo temporário, confusão e alteração do comportamento aparecem em episódios moderados. Sinais de agravamento são sonolência progressiva, perda de coordenação, bradipneia (respiração lenta), cianose, convulsões e inconsciência, os quais sugerem depressão respiratória ou dano cerebral mais severo.
Causas
Mecanismo: solventes voláteis atravessam rapidamente alvéolos pulmonares, alcançam a circulação e atravessam a barreira hematoencefálica, produzindo efeito depressor e disruptor da neurotransmissão no sistema nervoso central. Em exposições intensas, há também risco de arritmias cardíacas por sensibilização miocárdica e de hipóxia por depressão respiratória.
No Brasil, a causa mais comum na prática é o uso recreativo de cola ou thinner por inalação, sobretudo entre adolescentes; em ambiente ocupacional, ventilação inadequada e manuseio sem proteção aumentam o risco. Misturas com álcool ou outras drogas podem agravar a apresentação.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de F18.0 é clínico e fundamenta-se em história de exposição recente a solventes voláteis associada a sinais compatíveis de intoxicação aguda. Apoiam o diagnóstico a identificação do agente (embalagens, relato de inalação), odor característico, exame físico com depressão neurológica e, quando disponível, exames toxicológicos que detectem solventes específicos ou seus metabólitos.
É necessário diferenciar de intoxicações por outras substâncias, efeitos de privação/abstinência e condições metabólicas (hipoglicemia, distúrbios eletrolíticos), usando exames laboratoriais básicos, monitorização respiratória e avaliação neurológica.»
Como costuma ser tratado
O manejo inicial é de suporte: estabilização das vias aéreas, respiração e circulação, remoção da fonte de exposição e monitorização por tempo adequado. Em muitos casos, o paciente melhora com observação e suporte simples, mas quadros com depressão respiratória, convulsões ou comprometimento neurológico exigem intervenção médica e observação em ambiente com recursos de suporte ventilatório. Encaminhamento para avaliação toxicológica e, se indicado, psiquiátrica ou serviço de dependência química ocorre conforme a evolução e contexto de uso.
Classes de medicamentos
Classes frequentemente utilizadas no manejo agudo incluem agentes de suporte respiratório e sedativos para controle de convulsões ou agitação grave sob supervisão; antagonistas específicos não existem para a maioria dos solventes. A prescrição de medicamentos para sintomas psiquiátricos ou neurológicos subsequentes depende da avaliação especializada e da evolução clínica.
Quando procurar ajuda
Procurar ajuda imediata se houver perda de consciência, respiração irregular ou lenta, convulsões, confusão progressiva, vômito persistente ou sinais de aspiração. Buscar atendimento urgente também quando há exposição significativa em ambiente fechado, exposição múltipla de familiares ou quando a pessoa não recupera o estado mental esperado após observação inicial.
Uso em atestado
Atestados por episódio agudo devem descrever o diagnóstico (CID F18.0), data e duração estimada do afastamento ou da observação médica, sinais e tratamentos realizados. Para perícia, incluir relato da exposição, evolução do quadro e exames que sustentem a intoxicação aguda. Evitar termos vagos sem documentação clínica.
Direitos e benefícios
Direitos relacionados dependem do contexto: em ocupação formal, a exposição no trabalho pode configurar acidente de trabalho sujeito a comunicação e benefícios conforme legislação aplicável; em uso recreativo, o enfoque jurídico difere. Em situações de risco imediato, medidas de proteção do trabalhador e notificação às autoridades competentes podem ser exigíveis. A eventual necessidade de afastamento e benefícios deve ser avaliada em perícia considerando nexo com o trabalho.
Perguntas frequentes sobre F18.0
O que exatamente significa receber o CID F18.0?
Significa que o episódio atual foi interpretado como uma intoxicação aguda por solventes voláteis, ou seja, sintomas neurológicos e comportamentais que surgiram depois de inalar ou ser exposto a vapores de solventes.
Esse quadro é contagioso para familiares ou colegas?
Não, a intoxicação por solventes não se transmite entre pessoas; o risco é relacionado à mesma fonte de exposição ao produto químico.
Quanto tempo dura a recuperação típica de uma intoxicação aguda por solventes?
A maioria dos episódios leves melhora em horas a dias após cessar a exposição e observação clínica; exposições intensas ou repetidas podem exigir tempo maior e avaliação especializada.
Preciso de exames específicos para confirmar o diagnóstico?
O diagnóstico é principalmente clínico, mas exames como gasometria, oximetria, ECG e toxicológicos podem ser usados para avaliar gravidade e detectar agentes quando disponíveis.
Esse CID pode mudar para outro se os sintomas persistirem?
Sim; se os sintomas se mantiverem e houver sequela neurológica ou transtorno crônico relacionado ao uso de solventes, códigos de transtorno crônico por solventes (por exemplo F18.8/F18.9) podem ser mais apropriados após reavaliação.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Houve exposição recente (quando, duração e via) e há evidência de ambiente fechado ou uso recreativo?
- Qual solvente é suspeito e há material/embalagem para identificar o agente químico?
- Qual o nível de consciência inicial e houve necessidade de suporte ventilatório ou terapia intensiva?
- Os sintomas foram transitórios ou persistem após 24–72 horas, sugerindo complicação crônica?
- Existem sinais de arritmia, hipóxia ou lesão orgânica que justifiquem exames complementares imediatos?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Há documentação e laudo que comprovem exposição ocupacional e ligação temporal direta entre trabalho e intoxicação?
- Foi feita Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) ou notificação pertinente em caso de exposição no ambiente laboral?
- Qual é o nexo técnico epidemiológico entre a exposição a solventes e o quadro atual, para fins de benefícios ou indenização?
- Em caso de uso recreativo, há implicações legais ou necessidade de medidas socioeducativas para menores envolvidos?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
- O plano exige apresentação de CID na guia para autorizar internação por intoxicação aguda?
- Que procedimentos de suporte ventilatório ou monitorização são cobrados pela operadora diante de intoxicação por solventes?
- Existe limite de cobertura para internação por intoxicação aguda em ambiente de terapia intensiva segundo contrato?
- Quais documentos o plano costuma exigir para liberação de exames toxicológicos específicos em intoxicação aguda?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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