F18.6 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis – síndrome amnésica
- amnésia por inalação de solventes
- síndrome amnéstica relacionada a hidrocarbonetos
O CID F18.6 designa a síndrome amnésica decorrente do uso de solventes voláteis: perda de memória adquirida em contexto de exposição intencional ou ocupacional a solventes. Aparece quando há comprometimento importante da memória episódica, frequentemente com confabulação ou dificuldade em formar novas lembranças. Não inclui déficits de memória isolados causados por intoxicação aguda que se resolvem em horas ou por outras doenças neurológicas primárias, como demência de Alzheimer (capítulo F00‑F03). O diagnóstico exige correlação entre história de exposição a solventes e quadro neuropsicológico persistente, com exclusão de causas alternativas. O código é usado para transtorno amnéstico duradouro atribuível ao uso de solventes voláteis, com implicações para perícia e registro epidemiológico.
Em palavras simples
O código CID F18.6 significa que você tem uma síndrome amnésica atribuída ao contato com solventes voláteis. Em palavras simples: trata‑se de um problema em que a memória, especialmente para acontecimentos recentes, está prejudicada e esse prejuízo é relacionado ao uso ou à exposição repetida a produtos químicos inaláveis, como alguns solventes usados em trabalho ou em situações de uso recreativo.
Você provavelmente percebe que esquece coisas novas com facilidade, repete perguntas, tem dificuldade de aprender rotinas diferentes e pode sentir lentidão para pensar. Além da memória, pode haver cansaço mental, dificuldade de concentração e alterações de humor; nem sempre há dor física, mas a sensação de “cansaço” ou de que a cabeça não está funcionando direito é comum.
Se a exposição foi curta e aguda, muitas vezes os sintomas melhoram; mas quando a exposição é repetida ou intensa a perda de memória pode persistir por meses ou indefinidamente. Em termos de gravidade, a síndrome pode variar de leve (impacto limitado no trabalho e nas tarefas diárias) a grave (perda de autonomia). A condição não é contagiosa.
O que costuma acontecer depois: seu médico pode pedir avaliações que medem a memória e outras funções mentais, e possivelmente exames de imagem para procurar sinais de lesão. É comum interromper a exposição aos solventes e iniciar reabilitação cognitiva; em alguns casos são necessários acompanhamentos regulares e relatórios para o trabalho ou para perícia. A necessidade de afastamento do trabalho depende do grau de comprometimento e deve constar em atestados e laudos.
Em casa, observe se há piora na memória que afete segurança (esquecer de desligar fogo, de tomar medicação, se perder em rotas conhecidas) ou alteração do comportamento. Procure ajuda se perceber aumento da confusão, desorientação, perda de autonomia, sonolência intensa ou episódios de desmaio. Leve anotações sobre quando notou os sintomas e sobre eventual exposição a solventes para ajudar na avaliação médica.
Quando usar este código
Usar quando houver perda persistente de memória compatível com síndrome amnésica e evidência de uso ou exposição significativa a solventes voláteis, com início condizente e exclusão razoável de outras causas.
Não confunda com
F18.7 (Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis – outros transtornos mentais): separar quando predomina alteração do humor, ansiedade ou psicose sem síndrome amnésica significativa; aqui o critério que afasta F18.7 é o comprometimento amnéstico predominante e persistente.
F07.2 (Transtorno amnéstico orgânico, não induzido por álcool e outras substâncias): diferenciar por história de exposição tóxica a solventes; se há relação temporal clara e sinais de intoxicação por solventes, usar F18.6; se não, considerar F07.2.
F18.0 (Intoxicação aguda por solventes): intoxicação aguda tem quadro transitório com recuperação em horas a dias; F18.6 exige déficit de memória duradouro que persiste além do episódio agudo.
G31.89 (Outras degenerações cerebrais especificadas): doenças degenerativas mostram progressão típica e achados neurológicos distintos; presença de uso crônico de solventes e padrão amnéstico precoce favorece F18.6.
O que é
Síndrome amnésica por solventes voláteis refere‑se a perda de memória predominante (especialmente para eventos recentes e incapacidade de formar novas memórias) atribuída ao efeito neurotóxico de solventes inalados. Manifesta‑se por esquecimentos marcantes, repetição de perguntas, lacunas de memória e, em alguns casos, confabulação, sem necessidade imediata de alteração da consciência.
Costuma ocorrer em pessoas com exposição crônica ou episódios severos de inalação de hidrocarbonetos e solventes usados em atividades ocupacionais, recreativas ou domésticas. Pode associar‑se a déficit atencional, lentificação psicomotora e alterações de humor, e afeta tanto a vida diária quanto a capacidade laboral.
Sintomas
Principais: perda de memória episódica (dificuldade em lembrar eventos recentes), incapacidade de adquirir novas informações e lacunas de memória para períodos específicos. Sinais que aparecem cedo: esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, dificuldade para aprender rotinas novas e leve desatenção.
Sinais de agravamento: confabulação persistente, dificuldade progressiva em executar tarefas complexas, perda da autonomia em atividades instrumentais e associação com alterações cognitivas mais amplas (desorientação, prejuízo das funções executivas) sugerem dano mais extenso.
Causas
Mecanismo: solventes voláteis (hidrocarbonetos, éteres, tolueno, xileno e semelhantes) têm neurotoxicidade por ação direta sobre membranas neuronais, desregulação neurotransmissora e lesão axonal que afeta estruturas limítrofes à memória, como hipocampo e córtex temporal. A toxicidade pode resultar de exposições repetidas de baixa intensidade ou de exposições agudas intensas.
Na prática brasileira, a causa mais comum é exposição ocupacional sem proteção (indústria, pintura, colagens) ou uso recreativo/autoaplicado de produtos domésticos; a suscetibilidade individual e coexposição a álcool aumentam o risco de evolução para síndrome amnésica.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é clínico, sustentado por história detalhada de exposição a solventes, relato temporal de início da amnésia e exame neuropsicológico que evidencia déficit de memória episódica e de aprendizagem verbal/visual. Investigação objetiva busca excluir causas alternativas: intoxicações agudas reversíveis, transtornos psiquiátricos primários, défices metabólicos ou processos degenerativos.
A documentação de exposição (relatos ocupacionais, exames toxicológicos quando disponíveis) e registros que mostrem persistência do déficit após a fase aguda fortalecem a atribuição a solventes e justificam o uso do código F18.6.
Como costuma ser tratado
O manejo clínico é focado na retirada da exposição ao solvente, reabilitação cognitiva e suporte psicossocial, com seguimento por equipe multiprofissional. Em geral o acompanhamento é ambulatorial, com intervenções para compensar déficits de memória, medidas de segurança e orientação sobre risco ocupacional.
Em casos com prejuízo funcional importante, encaminhamento para reabilitação neuropsicológica e avaliação ocupacional/pericial costumam ser necessários. O prognóstico varia conforme duração e intensidade da exposição e presença de comorbidades.
Classes de medicamentos
Não há medicamentos específicos para reverter a amnésia por solventes; classes farmacológicas usadas são sintomáticas e podem incluir agentes para tratar comorbidades como depressão, ansiedade ou distúrbios do sono, sempre com avaliação clínica. Intervenções farmacológicas devem ser individualizadas e registradas em laudo, sem pressupor resposta específica.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica quando houver piora progressiva da memória, confusão que comprometa segurança, perda de autonomia, comportamento bizarro ou incapacidade de realizar trabalho habitual. Buscar atendimento imediato em presença de sinais de intoxicação aguda (sedação profunda, perda de consciência) ou crise neurológica.
Uso em atestado
Laudo e atestado devem descrever história de exposição a solventes, avaliação cognitiva objetiva, duração e extensão do déficit de memória, impacto nas atividades de vida diária e trabalho. Evitar termos vagos; documentar exames e datas que sustentem a relação temporal entre exposição e início dos sintomas.
Direitos e benefícios
Registros detalhados do quadro e da exposição são relevantes para perícia trabalhista e pedido de benefícios; o reconhecimento de nexo causal depende de critérios técnicos. A presença do código F18.6 não garante afastamento ou benefício automático: decisões periciais e cobertura dependem de legislação, contrato e prova médica.
Perguntas frequentes sobre F18.6
Este código significa que minha memória nunca mais vai voltar?
O CID F18.6 indica um prejuízo de memória associado a solventes; a recuperação varia muito: alguns pacientes melhoram parcial ou totalmente com interrupção da exposição e reabilitação, outros mantêm déficits; a evolução depende da duração e intensidade da exposição e de condições individuais.
Preciso de atestado e laudo para justificar afastamento do trabalho?
A documentação médica que descreva déficits cognitivos e limitação funcional é usada em atestados e laudos periciais; o conteúdo e a duração do afastamento dependem da avaliação clínica e de critérios periciais.
Posso transmitir isso para minha família?
Não é uma doença transmissível. O risco para outras pessoas só existe se houver exposição comum aos mesmos solventes no ambiente doméstico ou ocupacional.
Que exames confirmam o diagnóstico?
O diagnóstico baseia‑se em avaliação clínica e neuropsicológica que demonstre perda de memória persistente associada a história de exposição; exames laboratoriais e de imagem são usados para excluir outras causas.
Qual a diferença entre este código e intoxicação aguda por solvente?
Intoxicação aguda (outro código F18.x) refere‑se a alterações transitórias que se resolvem em horas a dias; F18.6 é reservado quando há síndrome amnéstica persistente e comprometimento funcional duradouro.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando a amnésia começou em relação à primeira exposição relatada a solventes?
- Quais domínios mnemônicos (episódico verbal, visual, memória de trabalho) estão mais afetados nos testes neuropsicológicos?
- Há evidência de intoxicação aguda recente em exames toxicológicos ou registros de internação que expliquem o quadro atual?
- A função executiva e a autonomia para atividades instrumentais estão preservadas ou comprometidas, e isso altera o diagnóstico ou o código?
- Qual é a evolução temporal do déficit desde a cessação da exposição e em que ponto considerar mudança de CID para F07.2 ou para códigos degenerativos?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Existe documentação ocupacional suficiente para estabelecer nexo causal entre exposição a solventes e a síndrome amnéstica?
- Que perícias médicas e exames deverão constar para efeito de aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença?
- Como a persistência de déficit cognitivo mensurável afeta prazos e critérios de estabilização em perícia trabalhista?
- Quais elementos do laudo fortalecem pedido de reconhecimento como acidente de trabalho em vez de doença comum?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O procedimento de reabilitação neuropsicológica e avaliações cognitivas são cobertos pelo contrato e exigem autorização prévia?
- Que documentação clínica e códigos (incluindo CID F18.6) a operadora costuma solicitar para autorizar terapias de reabilitação?
- O plano costuma classificar como internação ou atendimento ambulatorial os episódios de intoxicação aguda por solventes que antecedem a síndrome amnéstica?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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