F18.3 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis – síndrome [estado] de abstinência
- abstinência de solventes voláteis
- síndrome de abstinência por cola/solvente
- desintoxicação de inalantes
O CID F18.3 designa a síndrome de abstinência decorrente da redução ou interrupção do uso de solventes voláteis (inalantes), caracterizada por conjunto de sinais e sintomas físicos e comportamentais que surgem quando a pessoa dependente tenta parar ou diminui o consumo. Aparece tipicamente nas horas a dias após a última exposição intensa ou contínua a solventes e inclui ansiedade, tremores, sudorese, náusea, agitação e alterações do sono, podendo haver confusão ou convulsões em casos graves. Não inclui intoxicação aguda por solventes (registrada em códigos de intoxicação) nem transtornos mentais primários não relacionados ao uso de solventes. O código registra especificamente o quadro de abstinência, confirmando a temporalidade entre cessação do uso e início dos sintomas.
Em palavras simples
Este código, CID F18.3, significa que os sintomas que você está apresentando são consequência da interrupção ou redução do uso de solventes voláteis — produtos como cola, thinner, gasolina e sprays inaláveis. Em vez de descrever uma doença crônica nova, o código registra a síndrome de abstinência: um conjunto de sinais e sensações que aparecem quando o corpo acostumado ao solvente fica sem ele.
Você provavelmente está sentindo muita ansiedade, inquietação, tremores nas mãos, sudorese, náuseas, mal-estar geral e dificuldade para dormir; pode haver palpitações ou sensação de cabeça vazia. Algumas pessoas descrevem também confusão, cansaço extremo, dor de cabeça e alterações no apetite e no intestino. Esses sinais variam em intensidade conforme o tempo e a quantidade de uso anterior.
Na maioria dos casos, a abstinência não é contagiosa, mas pode ser desconfortável e, em situações mais severas, colocar em risco por convulsões ou alterações da consciência. A duração costuma ser curta em dias a semanas para os sintomas agudos, mas pode haver sintomas residuais e vontade forte de usar novamente que perduram mais tempo. O curso depende do padrão de uso anterior e da presença de outras doenças ou do uso de álcool e outras drogas.
O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação clínica, com perguntas sobre seu uso de solventes e exame físico para verificar sinais vitais e estado neurológico. Podem ser solicitados alguns exames básicos para descartar outras causas e, conforme a gravidade, você pode ser acompanhado em ambulatório, em regime de observação ou internado por curto período para segurança. Também é comum o encaminhamento para atendimento de dependência e suporte psicossocial.
Em casa, observe se há piora na respiração, sonolência excessiva, confusão, febre alta, convulsões ou incapacidade de manter líquidos; nesses casos procure emergência. Se os sintomas forem incômodos mas estáveis, mantenha o seguimento com a equipe de saúde, evite exposição a novos solventes e informe sobre uso de outras substâncias. Conversar com serviços de saúde mental e assistência social é parte importante do cuidado para reduzir risco de recaída.
Quando usar este código
Usa-se F18.3 quando há evidência de uso crônico ou repetido de solventes voláteis e os sintomas clínicos surgem após redução ou interrupção do consumo, com quadro compatível com abstinência. O diagnóstico recai sobre manifestações físicas e comportamentais temporárias causadas diretamente pela retirada de inalantes, não sobre complicações neurológicas crônicas ou intoxicações agudas isoladas. Escolhe-se este código quando o foco da avaliação e da notação clínica for a síndrome de abstinência em si, e não apenas o histórico de uso.
Não confunda com
F18.0 versus F18.3: F18.0 refere-se à intoxicação aguda por solventes voláteis — o critério que separa é a presença de sintomas imediatos após exposição recente (tontura, ataxia, depressão respiratória) enquanto F18.3 exige relação temporal clara com interrupção do uso e sintomas de abstinência.
F18.4 (transtorno psicótico) versus F18.3: F18.4 descreve sintomas psicóticos persistentes atribuíveis ao uso de solventes (delírios, alucinações persistentes) após intoxicação; se os sintomas são dominados por ansiedade, tremores e sintomas autonômicos após parada, o código correto é F18.3.
F18.2 (dependência) versus F18.3: F18.2 identifica dependência por solventes com critérios de uso compulsivo e tolerância; F18.3 é usado quando o quadro principal documentado no atendimento é a síndrome de abstinência que ocorreu na cessação, independentemente de já haver diagnóstico de dependência.
O que é
Síndrome de abstinência por solventes voláteis é o conjunto de sintomas físicos e psicológicos que surge quando alguém que vinha usando inalantes regularmente e em quantidade reduz ou interrompe o consumo. Manifesta-se por agitação, ansiedade intensa, náuseas, tremores, sudorese e alterações do sono; em casos mais graves pode haver desorientação, convulsões e risco de complicações médicas.
Costuma ocorrer em pessoas que fazem uso prolongado ou pesado de produtos solventes (cola, thinner, gasolina, sprays), com exposição repetida que leva a alterações neuroquímicas. Frequentemente aparece em adolescentes e adultos jovens em situação de vulnerabilidade social, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária com uso crônico.
Sintomas
Principais sintomas: ansiedade intensa e inquietação, tremores finos, sudorese, náuseas e vômitos, insônia e palpitações. Sintomas que aparecem cedo incluem ansiedade, insônia e náusea; sinais de agravamento incluem confusão, febre, convulsões ou depressão respiratória. Sintomas autonômicos marcados (taquicardia, sudorese) e alterações da consciência sugerem risco maior e necessidade de avaliação hospitalar.
Causas
Mecanismo: exposição repetida a solventes voláteis altera neurotransmissores cerebrais (por exemplo GABA e glutamato), levando a tolerância e dependência neuroadaptativa; a interrupção subitamente provoca desequilíbrio neuroquímico e hiperexcitabilidade que se traduz clinicamente como abstinência. No Brasil, as causas mais frequentes na prática são o uso de cola de sapateiro, thinner, gasolina e aerossóis em contextos de vulnerabilidade social, abuso entre adolescentes e uso ocupacional sem proteção em ambientes informais.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de F18.3 é clínico e baseia-se em história de uso recente e repetido de solventes voláteis e início de sintomas consistentes com abstinência após cessação ou redução do uso. Apoia o diagnóstico a cronologia clara entre última exposição e início dos sinais, relato de tolerância ou uso compulsivo, e exclusão de outras causas agudas (intoxicação atual, infecção, distúrbios metabólicos). A documentação no prontuário deve registrar padrão de uso, tempo da última exposição e sinais autonômicos ou neurológicos observados.
Como costuma ser tratado
O manejo da síndrome de abstinência por solventes é sintomático e pode exigir monitorização em ambiente ambulatorial ou hospitalar conforme gravidade; medidas incluem suporte médico, controle de sintomas de ansiedade e agitação, reidratação e correção de alterações metabólicas, além de acompanhamento social e encaminhamento para tratamento de dependência. Em casos com risco de convulsão ou desorientação, a abordagem costuma ser hospitalar com monitorização adequada.
Classes de medicamentos
Classes medicamentosas empregadas para controle sintomático incluem ansiolíticos e agentes que modulam a excitabilidade central para tratar agitação e insônia; antieméticos e analgésicos são usados conforme sintomas. A escolha de classe e a necessidade de internação dependem da gravidade clínica e devem ser decididas por equipe médica.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica imediata se houver confusão, sonolência intensa, convulsões, respiração lenta ou irregular, febre alta, desidratação ou incapacidade de manter ingestão oral. Buscar atendimento em pronto-socorro se os sintomas progredirem rapidamente ou se houver risco de lesão por comportamento agitado. Para sintomas moderados a leves, avaliação em serviço de saúde mental ou atenção básica é indicada para iniciar suporte e encaminhamento.
Uso em atestado
Atestados e relatórios devem documentar claramente data-hora do início dos sintomas, evidência de uso prévio de solventes, exame físico objetivo e orientação clínica entregue. Para fins de afastamento ou perícia, detalhar gravidade, necessidade de supervisão e recomendação temporária de cuidados; a codificação deve refletir que o problema documentado é síndrome de abstinência (F18.3) e não intoxicação aguda ou transtorno psicótico primário.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de avaliação pericial e da legislação aplicável; o registro de F18.3 no prontuário é informação clínica que pode subsidiar perícia, mas não garante automaticamente benefício ou afastamento. Questões relacionadas a responsabilização por exposição no trabalho (risco ocupacional) exigem comprovação da relação causal entre a atividade laboral e o uso/abuso de solventes.
Perguntas frequentes sobre F18.3
Este código significa que sou dependente para sempre?
O CID F18.3 registra a síndrome de abstinência após cessação do uso; não determina prognóstico definitivo. Dependência é avaliada separadamente, e a recuperação é possível com tratamento e suporte.
Preciso de atestado médico quando tenho abstinência por solventes?
A necessidade de atestado depende do impacto funcional e da avaliação clínica; relatórios devem documentar sinais e recomendação de cuidado, cabendo à perícia definir afastamento.
O meu filho pode transmitir essa condição a outras pessoas?
Não há contágio; trata‑se de efeito direto da interrupção do uso de substâncias inaladas, não de doença infecciosa.
Quais exames confirmam que é abstinência e não outra doença?
Não existe exame único que confirme abstinência por solventes; a confirmação é clínica, baseada na história de uso e na cronologia dos sintomas, com exames complementares usados para excluir causas alternativas.
Qual a diferença entre esse código e intoxicação por solventes?
Intoxicação refere‑se a efeitos imediatos durante ou logo após a exposição (código de intoxicação), enquanto F18.3 descreve sintomas que surgem quando o uso é reduzido ou interrompido.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual foi o horário da última exposição a solventes antes do início dos sintomas?
- Há histórico documentado de tolerância, uso compulsivo ou episódios anteriores de abstinência?
- Existem sinais neurológicos focais, confusão progressiva ou história de convulsões que demandem neuroimagem ou internação?
- Quais comorbidades médicas ou uso concomitante de álcool e outras drogas podem piorar a abstinência?
- Que sintomas predominam (predomínio autonômico vs. sintomas psíquicos) e qual a evolução nas primeiras 24 horas?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Houve relação temporal e circunstancial que permita atribuir o uso de solventes ao ambiente de trabalho ou convivência para fundamentar pedido de reconhecimento ocupacional?
- Que documentação médica é necessária para solicitar afastamento por incapacidade temporária relacionada à abstinência?
- Quais elementos no prontuário fortalecem argumento em perícia sobre necessidade de tratamento e risco em retorno imediato ao trabalho?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige apresentação de CID para autorização de internação por abstinência aguda de inalantes?
- Quais procedimentos relacionados ao tratamento de abstinência (internação, terapia intensiva, exames) costumam requerer prévia autorização?
- O plano costuma reconhecer tratamentos de reabilitação e acompanhamento de dependência associados ao episódio agudo?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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